Anjo Negro
16 Amor rima com dor
Notas iniciais
Depois de sair da casa da Mirela. Estou pedalando o mais rápido que posso, sentindo o vento gélido da noite tocar minha pele, batendo em meu rosto. Tudo está tão calma. Sigo pela auto-estrada indo em direção ao parque San’ Jonhs onde ficam os trailers. Acorrento minha bike e entro.
As luzes estão apagadas. Acendo a luz. Deparando-me com uma cena horrível. A casa está um lixo, a latas de cerveja por todo lado. Sacos de salgadinhos e pratos de comida pela metade, sem falar as bitucas de cigarro largadas pelos cantos. Todo o meu trabalho se foi por água a baixo. Sorri ao lembrar que a voz me disse que toda a minha arrumação. E que tudo estaria sujo. Ele acertou mais uma vez. Jogo minhas chaves na mesinha e começo o trabalho. Cato todas as latas, sacos de salgadinho e bitucas de cigarro. Varro e levo os pratos para a pia. Que mais parece uma montanha. Uma hora e meia, depois. Terminei. Consegui limpar tudo de novo. Estou até surpreso por não ter ouvido a voz. Geralmente quando estou assim em casa sozinho é quando ela mais conversa comigo. Tanto para me atazana quanto para me alegrar. Será que ele realmente está com raiva de mim e foi embora? Não! Ele não pode ter me deixado aqui, sozinho nesse inferno. Tomo um banho e vou me deitar em meu quarto.
_Cadê você? Sei que está com raiva de mim, mais tinha que tentar uma chance com ela. _Dei um sorriso cheio de dor. No ouvi nada. Será que ele me abandonou de verdade? _Olha, me desculpe se te tratei mal. Você è meu melhor amigo, não quero te perder também. _Nada, nem uma voz em minha mente. Ele se foi, me abandonou aqui. Agora só tenho a Mirela. Só a conheço há apenas dois dias. Sinto algo diferente e muito forte por ela, mas ainda não sei o que é. E se ela me deixar também? Comecei a chorar.
_Não sabia que sentia tanto a minha falta. _Disse ele dentro da minha cabeça. Sorri feito uma criança, ao ganhar um doce. Quando escutei a voz dele.
_Nunca mais faça isso comigo, pensei que tinha me abandonado. _Limpei as lágrimas.
_Eu pensei em fazer isso, mas você é um chiclete no eu sapato. E senti falta de te irritar. Tinha que te dar uma lição. Escolheu-a e não o seu amigo. Muito legal da sua parte.
_Me desculpe! _Implorei.
_Lucas, quando irá entender que todos te odeiam e querem seu mal, menos eu. Eu já sou diferente, apenas quero seu bem. Se continuar vivendo aqui com os porcos sempre irá sofrer. Não está cansado? Não quer ir pra onde eu estou? Se tornar um anjo?
_É claro que eu estou cansado de toda essa merda! E, eu daria tudo para está onde você está pelo que me contou esse lugar é maravilhoso e... Espera ai! Você é um anjo?
_Sim, um anjo negro. _A Mirela tinha comentado mais cedo sobre eles, mas pensei que você os demônios da escola e não, “anjo”, tipo “anjo mesmo”.
_Como a Mirela sabe sobre vocês? _Disparei a pergunta. Pude ouvi sua risada, e o frio aumentou. O que significa que ele está com raiva.
_Essa garotinha, ela já foi logo te contando tudo não é?
_Tudo o que?
_Eu apenas fiz umas brincadeirinhas com ela, para assustá-la e afastá-la de você.
_Nem umas de suas brincadeiras são divertidas, o que fez com ela! _Gritei, exigindo a verdade.
_Que inferno Lucas! Não vê que essa garota é uma vaca! Ela não gosta de você, apenas quer nos separar. _O Frio ficou tão intenso que comecei a treme. Até parece que está nevando. Senti algo gelado tocar minha pele. Olhei para o meu braço vendo um floco de neve. Levantei a cabeça olhando para o teto de metal do trailer. Não sei como mais de uma forma mágica e misteriosa cai neve do teto.
_Eu queria tanto te matar nesse exato momento Lucas, mais prefiro deixa que veja por conta própria que essa garota é de verdade. Ela irá partir seu coração. Sabe qual palavra rima com amor? Dor.
_Pode... Por favor, parar com... Esse frio? _Meu dentes batiam um no outro ao pronunciar a frase. A neve e o frio sumiram. _Não quero que machuque ela, deixe-a em paz.
_Como quiser, mas se ela se intrometer entre a gente terei que agir... _Posso imaginá-lo sorrindo.
_O que quer dizer com agir? _Não pode receber minha resposta, pois nesse momento. Meu pai chegou bêbado e abriu a porta do meu quarto com o cinto na mão.
_Seu garoto inútil! _Gritou. _Você é igual a vaca da sua mãe.
_Não chama a minha mãe de vaca! _Gritei.
_Como ousa gritar na minha casa? _Ele partiu para cima de mim, me batendo. Tentei me defender, dando socos e empurrões, mais foi inútil. Parece que ele está com uma força sobrenatural. E sou golpeado por vários chutes e socos. Depois de cinco minutos ele se cansou e me deixou no quarto, cheio de hematoma pelo corpo e um olho roxo.
Como se não fosse o suficiente a surra que levei ontem à noite, a maldita professora pediu para que tirasse os óculos escuros. Que esconde minha vergonha. E tudo aquilo que quero esquecer. Se eu não tivesse defendido minha mãe talvez não tivesse esse olho roxo agora. Em uma coisa acho que eu e meu pai concordamos além de um odiar o outro. Minha mãe é uma vaca, ela nos abandonou. Abandonou-me. Amor só rima com dor.
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