Anjo Da Morte
1 Prólogo
Aqui estou eu, uma pequena criança, mas não sou tão nova quanto pareço. Já tenho mais de 5 milênios de vida, portanto, não se preocupem.
Mas isso não importa agora, algo muito errado aconteceu aqui, eu não deveria estar em um corpo tão pequeno, deveria ter asas, algo que ainda me perturba nos humanos...
Mas se parar para pensar, creio que o Anjo da Morte morreu. Não, não foi sarcasmo, foi simplesmente minha lembrança. O mundo já estava tão lotado de almas que perambulavam que eu não aguentava mais, sei que minhas armas ainda vivem, mas por enquanto sou somente uma criança humana que acaba de nascer... Não tenham medo, não posso falar, mas me lembro de toda minha vida como Anjo da Morte. Lembro que desisti de tantas guerras que ocorriam no mundo, e de quantos humanos morriam. Lembro do trabalho incansável que tinha para levar uma simples alma para o descanso eterno.
Já não aguentava mais essa palhaçada. Os humanos que vivam com esses fantasmas a sua volta, merecem mesmo é morrer e perecer, mas suas almas podres devem seguir e sofrer no lugar de seu corpo.
Mas há ainda a bondade no coração de alguns, mas creio que não tenho como salvar todos esses, pois meu serviço acabara assim que quis morrer. Mas meu corpo está impossibilitado de seguir adiante acabei de nascer, mas agora, não sou mais anjo, não completamente, mas ainda consigo sentir minha arma, maldita maldição que recaiu sobre minha alma. Nunca descansarei desse trabalho.
Não posso interferir na vida humana mas posso agora viver como um deles, entenderei como agem e como pensam, porém não posso revelar minha identidade divina, então terei que me esconder e deixar que esse corpo cresça o suficiente para descobrir o sentido da vida. Mesmo que essa vida termine rápido, adorarei voltar e acabar com todos os humano. Os anjos estão contra mim, mas há alguns seres do meu lado. Melhor que eles não achem minha maldição, pois se eles a tiverem, nunca mais poderei fazer o que desejo, mas há uma coisa que fiz com ela para que nenhum outro possa pegar. Ela está ligada a minha alma e só eu posso encontrá-la agora.
Já se passaram alguns anos e estou crescendo como qualquer outro humano, e agora vejo como é chata essa vida, mesmo não sendo tão diferente da nossa, mas nós não temos que fazer aquilo que todos fazem, apenas escolhemos nosso próprio caminho, mas as vezes temos que seguir ordens superiores. Já sinto que agora minha arma e maldição se aproximam desse corpo humano, pois sabem que estou vivo e ainda me seguem.
Uma coisa que entendo e que sabia que os humanos tinham, mas não tinha sentido até agora, é o amor de uma mãe por seu filho, ela parece pronta para fazer todas as coisas que eles querem. Mas uma coisa não entendo, porque eles se juntam em uma família numerosa com laços sanguíneos? Creio que isso acaba por afetar a todos que aqui vivem, tenho que descobrir mais e mais sobre isso.
Querem saber da minha dor e porque o mundo está podre? Irei falar como era a minha vida até o ponto de minha morte e o momento em que renasci.
O poder de Anjo da Morte só é dado a uma anjo em todo o universo, somente um pode ter essa força, pois ele controla toda a morte, todas as almas devem ser guiadas até o lugar de descanso enquanto ainda não criaram raízes na terra em que morreram. Se elas ali ficam por muito tempo seus sonhos não realizados dominam a alma e ela se torna um espírito maligno.
Enquanto a humanidade era pequena eu conseguia lidar com as mortes, mesmo que morresse alguém todos os dias, era um número pequeno, e mesmo quando muitos morriam era em um único lugar, mas com o passar dos tempos o mundo começou a se tornar um lugar obscuro, no qual os vivos sofriam com as guerras.
As guerras traziam muitas mortes, e essas almas mortas queriam continuar a lutar, mas não podiam mais seguras suas armas, seu corpo já estava ali perfurado pela arma do inimigo. Mesmo nesse tempo, as mortes ainda eram pequenas se compararmos as guerras que vieram a acontecer.
O mundo mudou, as guerras pioraram e meu trabalho só aumentava. Muitas almas não puderem ser salvas no tempo certo e suas emoções se descontrolaram, agora o mundo está cheio delas um anjo da morte não tem o poder suficiente para cuidar de todo o mundo. Nesse novo mundo os anjos da morte são mais do que necessários, mas mesmo assim somente um pode empunhar a Foice da Morte. Esse anjo foi escolhido no céu, e veio a ser eu, mesmo nunca querendo ter pego essa função, a Foice me escolhera como seu mestre e tive que honrar o pedido, mesmo que para isso tivesse que desistir da brancura das minhas asas. Minhas asas não são brancas como a neve, agora elas possuem o brilho da noite, uma noite completamente negra a qual nem a luz das estrelas percorre o céu. Essa é a marca do Anjo da Morte.
Honrando meu contrato, fui guiando as almas para descanso, mas algumas almas já tinham suas raízes e contra essas, tive que lutar, mesmo que para as libertar de tudo tivesse que as matar, por isso creio que na hora em que decidi morrer senti que estava sendo livre de um fardo, mas esse fardo não me abandona, terei que viver com ele novamente, não somente como anjo, mas também como humano. Se os sentimentos que perdi voltarem, creio que possa voltar a ser feliz, meu coração deve voltar a bater, sinto que as almas estão se juntando em um ponto, deve ser esse o motivo da Foice, ela deve estar querendo acabar com tudo de uma única vez, mas minha morte acabou com uma parte do plano.
Não aguentava mais sofrer, todos os dias era o mesmo tormento, nenhum descanso, fui ficando mais e mais duro, meu coração virou pedra e essa pedra agora está completamente congelada, meus sentimentos mortos pelo frio e pela solidão, por isso escolhi morrer, mas algo saiu errado. Meu trabalho ainda me segue, mas agora não sou mais anjo, sou livre para escolher o que quero. Agora eu escolho. Oh céu que um dia me abandou. Caia em desespero. O Anjo da Morte morreu. As almas nunca mais lhe alcançarão. Oh céus traidoes. Agora perecerão perante meu poder.
Agora, com esse corpo mortal, parece que terei mais trabalho a fazer, mas agora sinto minhas asas, elas voltarão, não estão ligadas a esse corpo, não ainda, pois no dia que for preciso, elas serão libertadas.
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