Anjo Caído
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Abro meus olhos lentamente. Vejo muitos a olhar pra mim, sem que eu saiba se realmente se importam comigo ou com a fofoca do dia seguinte. Depois tudo se apaga novamente, e bem lentamente.
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Vou te deixar melhor informado, desde o inicio.
Sou Luryel. Sem família, sem sobrenome, sem casa, sem destino. A única coisa que sei é que parece que comecei a viver agora. Como se eu nascesse sabendo de tudo o que sei, vestido e pronto pra encarar a vida. Já nasci pronto pra uma guerra.
Minha lembrança mais antiga é do dia em que acordei numa cama de orfanato, ensopado de suor, com um papel na mão escrito meu primeiro nome apenas, sem saber de onde eu havia vindo. Eu tinha 10 anos.
Agora, 5 anos depois, nada acresci em minha vida, nenhuma mudança. Desde aquela época, não passei mais de seis meses em um único orfanato. Sou o perverso, o rejeitado, sabe aquele sem amigos e odiado por todos? Sim, esse sou eu. Mais, cá pra nós, de certa forma, eles têm razão de me odiar. Sou tão perverso que agora estou no reformatório porque matei um garoto com um cabo de vassoura bem você sabe onde. Me senti ótimo, mostrei para ele quem era o verdadeiro viadinho.
Bem, cheguei aqui no reformatório faz duas semanas. Continuo vivendo como se fosse meu primeiro dia aqui. Sem amigos, sem ninguém. Afinal, todos sabiam o porquê de eu estar ali.
Mais desde aquele dia em que me lembro de existir, tenho tido pesadelos estranhos. Sonho sempre com batalhas, mas não batalhas humanas. Vejo seres com asas enormes de aço, corpos extremamente rígidos, e armas, não do tipo metralhadoras ou simplesmente espadas, mais todo o tipo de armas com gravuras. Gravuras essas que funcionavam como um tipo de encantamento final para que as mortes acontecessem de maneira segura, se é que há segurança na morte. Além disso, todos esses seres com asas têm uma espécie de marcação corporal. Cada um com a sua, como se fossem tatuagens, e a cada morte que eles cometiam nessas guerras, lhes apareciam uma linha dessa marcação, para definir quem eram.
O mais estranho de tudo, é que sempre vem um ser pra me atacar. Um daqueles seres que seriam do mal, mais não são serem horripilantes igual ao que se conta por ai, mais sim serem completamente marcados, dos pés à cabeça, com nomes ou desenhos de rostos, que presumo ser todos os seres aos quais eles fizeram mal. Seres desprovidos de bondade ou piedade, mais seres marcados pelos seus próprios crimes. Todos encorajados a matar da mesma forma que sofrem, dolorosamente.
Quando matei Dimas, uma linha apareceu em mim. Somo se fosse um meio circulo em meu abdômen. Nada me tira da mente que tem algo a ver com esses sonhos. Principalmente porque não tenho a força comum de qualquer garoto na minha idade, muito menos a agilidade, a velocidade, a esperteza e a raiva, com certeza.
Mas, enfim, continuando... Aqui no reformatório, particularmente é bem melhor que qualquer orfanatozinho de quinta, pelo menos aqui todos já são mais maduros e um tanto menos infantis. Fica cada um no seu canto. Mais eu, a cada dia de reclusão, me somam dois de raiva, por essa vida da qual não sei, por essas coisas que não me lembro, pela família que não tenho, pelos inconseqüentes e estúpidos idiotas que me cercam e principalmente, por eu estar preso nesse moquifo, que todos julgam ser melhor, mais na verdade, só colocam a gente aqui porque nos temem.
Sabe, sei que vou encontrar uma forma de me livrar disso tudo aqui, de desesseis anos da minha vida, só conheço seis, dos quais não estou nenhum pouco satisfeito. Vou atrás de respostas. Afinal, é a minha vida...
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- Muriel? — Fala Nataniel olhando para Luryel das alturas.
- Sim, senhor. – Responde Muriel, prontamente.
- Já chegou a hora! Prepare Raim para sua missão. A data já é próxima, os inimigos estão se rebelando, o quanto antes ele estiver preparado, melhor.
- Sim, senhor. – Diz Muriel, obedecendo as ordens de seu senhor.
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Enquanto isso, Setnell está se aproximando cada vez mais de Luryel, com seus soldados obscuros, indo espreitá-lo para esconder de seus olhos seu destino incerto.
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