Anjo

8 De partida


Notas iniciais
Se gostou favorite e conheça um pouco mais sobre os seus personagens preferidos.

1

O carro da polícia era escoltado por outros carros, segurança reforçada até a delegacia. Um helicóptero sobrevoava o trajeto. Entretanto não era um helicóptero da policia. Um atirador estava sentado na porta, se posicionando para fazer o que lhe fora ordenado. Em baixo, todos se questionavam se alguém havia pedido escolta de um helicóptero, o que aquela aeronave fazia os seguindo. De repente, os tiros começaram. Um seguido do outro atravessaram os carros atingindo os policiais e Alonso. Houve então uma explosão. Pedaços em chamas do helicóptero caíram sobre os carros da polícia que descontrolaram-se chocando-se uns com os outros. Em seguida, explodiram. Era o fim. O fim daquele que poderia desvendar o mistério do tráfico de pessoas na cidade Agudos e em algumas partes do mundo.

2

— Não pode ser não pode! Como eles conseguiram? — Regina chegara a casa, estava acompanhada por Josué. –

— Definitivamente eu nem sei o que dizer. Ou melhor, eu sei. É melhor mudarmos de caso, passar este para outra delegacia.

— De maneira alguma! Esta situação só me deixou com mais sede de justiça.

— Não percebe quem são esses caras? São assassinos suicidas! Mataram os policiais a tiros de um helicóptero e a intenção deles não era matar os policiais e sim o Alonso. Foi total queima de arquivo!

O celular de Josué tocou. Ficou em choque com a notícia que recebera.

— O que se passa? – Questionou Regina ao ver a expressão no rosto do delegado.

— Acabei de ser informado. Fos-te afastada da corporação de polícia!

3

Anita despertou. Completamente zonza, enxergava tudo embaçado. Aos poucos foi voltando ao normal. Benedito estava ao seu lado para sua surpresa e espanto.

— Meu amor, meu amor. – Lágrimas de alegria escorriam pelo seu sorriso.

Benedito estava eufórico. Abraçou Anita e não conseguia mais largá-la. – Eu pensei que fosse te perder. Perdoe-me por te-la deixado.

— Benedito – Disse com voz sonolenta. – é você?

— Sim meu amor, sou eu. Voltei para ficar eternamente ao seu lado.

— Meu filho, nosso filho...

— Não se preocupe ele vai ficar bem. Quero que me escute agora, sinto que por obrigação tenho que lhe contar o que houve, a verdade... Não sou o que pareço ser. Eu...

Não conseguiu continuar. Anita voltou a dormir, ainda sob o forte efeito das drogas que nela foram injetadas. A culpa pelo estado em que ela e o filho se encontravam tomou-lhe conta por dentro e não se conteve em lágrimas. Em passos lentos, foi levado pela enfermeira até o berçário onde estava o seu bebê. Pesando apenas dois quilos, dormia em uma incubadora respirando com a ajuda de aparelhos. Benedito foi orientado de que não poderia pegar o filho devido à sua fragilidade. Encostou a testa no vidro, comovido com a cena.

— Senhor Benedito, não chore. – Gilda pôs a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo. – O seu filho e a sua esposa são bastante sortudos. Não apenas sortudos, são vitoriosos.

— Eu sei. E é por isso que eu nunca mais vou abandoná-los. Darei tudo que os dois quiserem, quando quiserem.

— Desculpe minha intromição, sei que sou apenas uma relhes enfermeira, entretanto acho que bens materiais não os deixarão, mas o seu amor, sua companhia. Quando eles saírem daqui, fique com os dois o máximo de tempo que tiver livre. E não se culpe pelo que aconteceu. Não se culpe pelo destino, pois ele comete erros que jamais o punirão.

Benedito parou e pensou. Afastou-se da parede e voltando-se para a enfermeira, segurou suas mãos frias, pálidas.

— Obrigado. Eu seguirei o seu conselho. – Disse ele expondo um sorriso no rosto.

4

Regina andava de um lado para o outro com a mão na cabeça. Como assim fora afastada da corporação?

— Não posso crer. – Sentou-se no sofá. – Eu...

— Foram eles. Só podem ter sido eles!

— Eles?

— Tem mais gente no meio disso do que imaginávamos. Tiraram você do caso como um aviso. Se continuarmos atrapalhando o trabalho deles eles irão...

— Eu não tenho medo! Faço o que for para salvar vidas. Este é o meu trabalho.

— Você pode não ter medo, entretanto eu tenho. – Josué se levantou caminhando até a porta de saída.

— O que está querendo dizer com isso?

— Eu temo pela minha família. Tenho filhos, mulher, mãe, pai. Faço o que for para mantê-los longe de qualquer ameaça. E minha decisão já está tomada. Vou renunciar ao cargo de delegado. Adeus Regina! Boa sorte na sua escolha. – E saiu.

Apesar de seu desejo de vingança ser forte e impulsivo, seu raciocínio fora bem mais. Mesmo vencendo o orgulho sabia que aquele caso a perturbaria pelo resto da vida. Pegou o telefone, fez sua ultima ligação. Em seguida foi para a cozinha, retirou o telefone do gancho e fez uma ligação. Retirou do armário um frasco e uma seringa, posicionou o braço na bancada e aplicou o líquido na veia. Bastaram alguns segundos para que ela cerrasse os olhos. Deu seu ultimo suspiro, foi ao chão.

5

Alguns meses se passaram. Meses felizes, meses de cansaço. Exatamente três meses desde o nascimento do garoto agora completamente recuperado. Benedito ainda meio sem jeito pegava o bebê no braço. Aquele era o primeiro contato entre pai e filho. Seus olhos se encheram de água tamanha sua felicidade. Anita, deitada na cama, observava a cena orgulhosa. Um silêncio instaurou-se.

— Darei a você o nome de uma pessoa que foi e sempre será muito importante para mim. Allan, o nome de meu herói, meu bisavô.

Calou-se sorridente. Alguns dias depois Anita recebeu alta. Benedito poderia ter comprado uma mansão ou até mesmo uma simples casa, mas não o fez. Era arriscado demais, ninguém poderia descobrir quem ele era muito menos Anita. Mudou-se para outro estado, Minas Gerais a cidade de São João de Manhuaçu. Para evitar perguntas, construiu um casebre de madeira velha próximo a um lixão no meio da mata. Lá, os três foram morar.

Um Mês Depois

Benedito estava pensativo. Deitado em um colchão no chão frio ao lado de Anita, lembrou-se da esposa do qual prometeu voltar logo e não cumpriu. Fora a quatro meses, nenhuma ligação havia feito para Zaíra. Era nítido e ele sabia que não era muito bom em cumprir promessas. Levantou-se, vestiu a roupa e lentamente, para que Anita não despertasse, saiu.

6

O telefone tocava. Dulce, uma das empregadas, correu até a sala em direção ao aparelho. Chegando, se recompôs e atendeu.

— Aqui é o Benedito. – Não esperou que falassem do outro lado da linha.

— Senhor Benedito? – Balbuciou pasmada. – Onde o senhor está o que aconteceu?

— Eu estou bem, por que não estaria?

— Por nada, é que o senhor saiu daqui faz tempo e não voltou mais, nem deu noticias nem nada...

— Como a minha esposa está? – Benedito atropelou as palavras de Dulce.

— Preocupada como todos estamos. A dona Zaíra vai ficar tão feliz quando souber que o senhor ligou para dar noticias. Ele todos os dias me pergunta se o senhor ligou!

— Você não vai falar nada para ela.

— Não? Mais... – A empregada não entendeu.

— Sem mais! Se falar, será demitida.

— Okay. Não direi nada. Mas antes tenho que dar-lhe uma noticia. É sobre o vosso.

Foi interrompida. Benedito havia ido embora.

7

Estava de noite e chovia como se o mundo fosse acabar. Benedito ninava Allan tentando fazê-lo dormir, entretanto era inútil. Pingos atravessavam o teto de madeira formando goteiras incessantes. Os gritos do pequeno bebê ecoavam em meio à escuridão e já o irritavam. Vestida com uma capa preta de chuva Anita entrara no casebre.

— Onde você estava? – Perguntou Benedito entregando o filho para a companheira, já sem a capa. – Estou farto de tudo isto!

— Eu fui resolver um problema.

— E gente miserável lá tem problema?! – Gritou prestes a explodir. – Essa vida maldita não é pra mim! Estou cansado! – Calou-se por alguns segundos, expressão de nojo. – Você acha que eu vou passar a minha vida inteira no meio dessa podridão? Se pensa isso está muito enganada. Já arrumei minhas coisas. Estou indo embora hoje mesmo.

O coração de Anita palpitou acelerado. Podia escutá-lo mais alto que todos os outros sons presentes no ambiente. Um lágrima escorreu de seus olhos. Aquilo não podia estar acontecendo. Não de novo.

Por quanto tempo Benedito conseguiria permanecer sem luxo e riqueza, esta era a questão. Quais as motivações para aquele comportamento? Pobreza definitivamente não era o forte de Benedito. Novamente ele estava de partida.

Notas finais
Gostou, favoritem e deixem comentários. Será muito importante. Obrigado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.