Anja Solitária
15 Um encontro inesperado
Notas iniciais
Acordei num lugar escuro e frio, não consigo ver nada além de mim. "Onde estou?" pensei começando a ficar desesperada, até que escutei uma voz:
— Olá, deve ser você !
A voz apareceu junto a uma pequena esfera de luz, que aqueceu o lugar. Eu tive a sensação de conhecer aquela voz.
— Onde estou? Quem é você? — perguntei com a voz tremula, mas tentando me manter calma. Eu não queria mostrar que estava insegura.
— Não precisa ter medo, você é muito fofa sabia? — disse-me em meio a um riso tranquilo. A voz era doce e me fez ficar mais calma.
— Agora entendo o porquê deles terem gostado de você...
"Deles?" pensei, mas antes de eu supor qualquer coisa ela me chamou para conversarmos em um lugar mais claro.
— Venha! Não tenha medo. Logo entenderá tudo.
Depois que ela disse isso a paisagem começou a mudar e se transformar num belo jardim florido, verde a amplo e vi que só havia eu.
— Aqui esta bom! — disse ela, então parei, e querendo saber de quem era aquela voz, virei para o lado e a vi. Foi um choque. Ela era eu. Se não fosse pelo seu vestido rosa bebê, totalmente diferente do meu vestido azul de detalhes em preto eu acreditaria que estava de frente para um espelho.
— Não se assuste, meu nome é Anlu! Ah, você também se chama Anlu... — ela estava ficando bem enrolada,até que respirou fundo e se acalmou. — Sou a Anlu do outro mundo, muito prazer! — apresentou-se me cumprimentando com uma leve inclinação. Eu reverenciei de volta.
— Eto¹... bem... — comecei a me enrolar toda e meu cérebro bugou, pois não tava entendendo nada — Espera! — falei tentando juntar os pedaços — Você é a Anlu, amiga de Teito, Ikuto e Natsume? — perguntei um pouco exaltada e ela apenas se levantou, e sorrio assentindo.
— Até que não somos tão parecidas assim, agora entendo o porquê dos meus amigo não se sentirem tão tristes ao seu lado. —disse-me mostrando um sorriso carinhoso.
— Mas como é possível? Você está... — parei de falar, pois lembrei que era algo bem triste.
— Está é só minha alma, usei o restante da minha força para vir te conhecer, e valeu a pena, gostei de você e espero que consigam derrotar esse mal que tanto nos assombra. — assenti segura com a forma que ela falou, sentindo-me confiante, mas quando ia perguntar mais sobre ela...
— Opa! Parece que não tenho mais muito tempo, mas antes quero lhe entregar um recado para dar aos meninos... — eu despertei com suas últimas palavras gravadas na minha memória. O teto do meu quarto me pareceu mais branco que o normal naquela manhã, mas era apenas a sensação de estar de volta ao lugar de onde nunca sai.
Levantei-me e fui fazer minha higiene matinal e tomar um banho bem quente, indo em seguida preparar o café. Estou muito ansiosa para contar sobre meu "encontro" para os meninos. Como estavam demorando para acordar resolvi ir ao quarto deles e ao entrar fui na direção de Ikuto, passando por Teito e Natsume, pois a cama dele era a última, perto da janela, ele estava quase caindo dela.
— Ikuto, acorda! Se continuar a dormir não vou poder lhe conter algo bem interessante. — falei bem baixinho no ouvido dele, vendo-o abrir os olhos devagar.
Ele tava tão fofo acordando que dei um beijo involuntário em sua bochecha o fazendo levantar num sobre-salto, corado assim como eu, depois fui até Teito.
— Teito esta na hora de acordar! — disse, dando-lhe um beijo na testa assim como fiz com Ikuto. Ele também acordou bem vermelho, mas eu já não corei. Depois fui até Natsume.
— Natsume! – chamei-o baixinho, vendo que ele se mexeu um pouco — se não se levantar vai acontecer a mesma coisa que da ultima vez. — ele se levantou pensando que já eu estava com o balde do lado da cama, mas logo lhe dei um beijo no nariz que o fez corar como um tomate maduro.
Com os três acordados eu fui em direção a porta do quarto, mas antes de sair, de frente a porta aberta olhei para os três com cara de amassada e de pura preguiça matinal, porém corados e com cara de bobos.
— Que bom que acordaram, então vão logo se arrumar que eu tenho algo importante para lhes contar. —falei saindo do quarto rindo daqueles três. "Parece até que nunca foram beijados por uma garota." pensei, e este pensamento me fez corar, pois sabe-se lá o porquê, imaginar que Ikuto nunca foi beijado por uma garota me deixou feliz. Balancei a cabeça para tirar este pensamento bobo da cabeça, pois hoje vai ser um dia bem especial. "Tenho certeza disso." Pensei com um sorriso no rosto indo para a cozinha esperar meus amigos corados e ainda pensando no sonho, sentindo-me mais alegre por finalmente conhecer a minha sósia, ou será que é meu outro eu. Sei lá, só sei que somos como reflexo uma da outra no espelho.
Fale com o autor