Anja Solitária
9 Um dia mais calmo
Notas iniciais
Os três me abraçaram tão forte que eu me senti amparada, protegida, amada novamente, mas eu não conseguia mais falar, só o que eu queria era chorar.
Depois de tanto chorar, respirei fundo e sequei minhas lagrimas. Eu já me sentia mais calma e não mais tão triste. Quando levantei meu olhar vi que meus amigos ainda estavam preocupados. Sorri para eles que sorriram para mim. Quando me dei conta já passava das 21:00 então decidimos que seria melhor irmos dormir e pela primeira vez em meses tive um sonho bom.
Acordei ainda desnorteada e com a cabeça palpitando, deve ter sido de tanto ter chorado ontem. Levantei-me e olhei para o calendário na parede do lado e percebi que hoje ia ser um dia bem preocupante. Fui fazer minha higiene matinal, para depois encher minha banheira e me afundar nela, e a água estava tão fria que senti meu corpo inteiro se arrepiar, mas não liguei para o choque térmico. Sai do banho e me sequei, para depois colocar um vestido de alcinha branco e ir fazer o café. Quando cheguei na cozinha vi um milagre, estava Teito, Ikuto e Natsume fazendo o café; para quem é o ultimo a acordar, Natsume me surpreendeu.
Demorou um pouco para me perceberem na cozinha e quando me viram com uma cara mais surpresa que a de quando os conheci, ficaram um pouco preocupados, mas antes que pudessem dizer alguma coisa eu comecei a rir, espantando ainda mais o trio de cozinheiros.
— O que fizeram com vocês? — perguntei entre risos. — Estou presenciando um milagre, todos juntos acordados fazendo café! — disse tentando não chorar de tanto rir e ao perceberem o porque da minha cara de surpresa começaram a rir também e isso foi muito bom, pois consegui me sentir mais viva.
— Realmente isso está muito estanho, até eu estou acordado há essa hora. Nunca pensei que isso fosse acontecer. — falou Natsume cessando a crise de risos de todos e com uma caixa de suco em mãos.
— Mas como todos nós acabamos acordando cedo pensamos em fazer o café, até porque é você que sempre faz. — disse Teito com uma frigideira com ovos e bacon.
— De toda forma, vou ajudá-los. Vamos, me passe a frigideira, Teito! — disse pegando a frigideira que por pouco não queimava tudo, mas consegui dar um jeito.
— É muito bom ter todos assim juntos, parecemos uma grande famí... — disse Ikuto sendo impedido por Teito que tampou sua boca para não dizer o resto da frase e assim que ele percebeu o que ia falar se calou.
O olhei sabendo o porquê daquilo e apenas sorri e disse com uma voz mais calorosa que eu mesma poderia imaginar.
— É verdade somos como uma grande família, e isso me felicita muito. — falei deixando um enorme sorriso escapar no final fazendo os meninos me olharem e corarem violentamente para depois desviarem o rosto e voltarem a fazer o café.
Quando finalmente terminamos de preparar o almoço/café, decidi dar uma saída para tratar de um assunto, pois mesmo tendo começado cedo Natsume e Teito começaram a fazer bagunça, como derramar o suco, quebrar um prato e no final eu e Ikuto expulsamos os dois da cozinha e só terminamos na hora do almoço, mas mesmo assim foi divertido.
— Mina, vou sair agora, tentem não bagunçar a casa e se bagunçarem... – ameacei-os apenas com o olhar, com uma aura assassina fazendo-os entender. Eles se encolheram com cara de "imagina se que nós bagunçaríamos alguma coisa", entendendo bem o recado. Assim que dei as costas senti alguém segurar minha mão e ao olhar, era Ikuto.
— Tenha cuidado, não faz muito tempo desde nosso ultimo confronto, Kisho pode voltar a qualquer momento. — disse ele cheio de preocupação. — E, além disso, há muitos pervertidos por ai, tem certeza que não quer nossa companhia? — perguntou. Eu vi que os outros também estavam me olhando com cara de preocupados.
— O que eu tenho pra fazer hoje é complicado, mas gostaria muito que viessem comigo, gostaria que "eles" os conhecessem. — disse ao trio com um pequeno sorriso e eles assentiram em vir, até porque era mais seguro e estavam curiosos para saber aonde eu ia e quem eram "eles".
Na estação de trem comprei quatro passagens para nosso destino e seguimos nosso caminho, o qual vai suspreender muito esses meus amigos.
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