Aniversário de Namoro Frustrado
4 O Jantar da Guerra
Notas iniciais
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Depois de fugirem do cinema, a mãe de Satoshi liga para o filho avisando que eles terão um jantar com a família do namorado.
Agora que as duas famílias se encontraram, será que o amor dos dois e teimosia irá ser maior que a pressão dos parentes que são contra?
A noite chegou. Takashi tinha feito o jantar: Yakisoba. A mãe e o pai de Ryo, Chieko e Hiro estavam tranqüilos até. Eles estavam meio cansados por causa da semana, mas tava tudo sobre controle. Percebiam-se os olhos bem puxados do pai e as bochechas da mãe nas feições do menor, como em Satoshi a cara da mãe, mas numa versão masculina.
Todos estavam sentamos no sofá, cada família em um. Isso deixou o clima pesado e muito constrangedor.
-Senta do lado do seu namorado filho. –Falou Chieko o empurrando do sofá. Ryo então se levantou junto com o namorado e repousaram no sofá de dois lugares na frente das famílias. Ryo estava tão envergonhado que estava parado como uma pedra. –Pega na mão dele filho.
-Eu prefiro que os dois fiquem assim. –Falou a mãe do Satoshi.
-Eu também. –Concordou Hiro.
-Mas os dois são namorados, não podem fingir que são amigos de infância. –Falou Takashi. Ele ficou vermelho.
A única coisa que podia se pensar da situação era que iria sair uma briga dali, pois a mãe de Satoshi e o pai do Ryo são contra o namoro, mas a mãe do menor e Takashi são a favor... O maior só conseguia pensar que a Terceira Guerra Mundial iria se travar ali mesmo. Sentiu pena do namorado, pois ele nem respirar conseguia, então sussurrou no seu ouvido.
-Vai ficar tudo bem amor... –Disse o moreno com carinho. –Qualquer coisa você diz: Fudeu o esquema Batman, daí eu te acudo, ok?
O outro menino só balançou a cabeça de leve acenando um sim.
-Como foi o passeio ontem meninos? Proveitoso? –Chieko com um sorriso. –O Ryo ficou um dia todo lá no restaurante comigo pra fazer os bombons.
-Foi legal. –Respondeu Satoshi. –Seu filho deveria se tornar cozinheiro, pois ficaram muito gostosos.
-Quem bom que gostou. –A mãe do menor sorriu. –Eu vi seu presente, ficou muito bonito. Todo caprichado e bem arrumadinho... Deveria se orgulhar disso.
-Os dois devem, afinal com os tempos de hoje é tão difícil um namoro durar dois anos, especialmente entre jovens como eles. –Disse Takashi.
-Com certeza. –Falou Chieko. –Eles me fazem lembrar os tempos que eu e o Hiro namorávamos no cinema e passeávamos de bicicleta pela cidade... Tempos tão gostosos.
-Nunca vai ser igual amor. –Falou Hiro. –Só se você fosse outro menino.
-Pai! –Disse Ryo corado.
Um pequeno bipe foi escutado. Takashi se levantou e anunciou.
-O jantar está pronto! –Falou com um sorriso. –Vamos para a sala de jantar.
Todos estavam sentados a mesa de jantar, cada família de um lado. Todos comiam quietos, com aquele clima de morte e tensão no ar... Satoshi estava na frente de Ryo, que tentava comer e não pensar no quanto iria apanhar ao chegar a casa.
-Satoshi me disse que você toca guitarra. –Começou a puxar assunto Takashi.
-Sim, mas eu estou aprendendo ainda. –Respondeu Ryo fofo.
-Eu também toco, tenho uma banda de garagem com um velho amigo. Deveriam tentar fazer algo assim no futuro meninos.
-Talvez, pois eu quero ser crítico musical. –Falou Ryo.
-Eu vou tentar ser escritor. –Disse Satoshi. –Eu escrevo as letras e você toca.
Todos abriram um belo sorriso.
-Beleza pra fazer sucesso vocês tem, só falta a música. –Falou Takashi levantando o copo em que tomava vinho.
-Você é bissexual? –Perguntou Hiro.
-Não. –Respondeu Takashi um pouco estranhado com a pergunta.
-O pai do Satoshi era homossexual? –Hiro perguntou se dirigindo a mãe de Satoshi.
-Não. Por quê? –Perguntou ela se irritando.
-Não sei então o motivo do seu filho ser homossexual, ele come sem modos! –Falou o pai, deixando todos observando Satoshi que tinha um pedaço de macarrão saindo no canto da boca.
-Pai! –Falou Ryo tentando chamar a atenção do velho discretamente. –Estamos na casa dele, ele come como quiser!
-Se você acha que terá futuro com ele, pode esquecer, ele é um mal criado! Você acha que ele vai ter algum futuro?
-Pai! O Satoshi é muito inteligente! E ele tem o direito de fazer tudo que ele quiser, inclusive de me beijar e me amar! –Falou Ryo.
-Meu filho nunca iria se apaixonar por um garoto sem graça como o filho de vocês! –Falou a mãe de Satoshi.
-O que?! Se eu me lembro muito bem, foi o SEU filho que chegou na minha casa pedindo meu filho em namoro! –Falou o pai de Ryo.
-Não posso fazer nada se o seu filho é a mulher da relação. –falou a mãe de Satoshi.
Hiro se levantou, sendo acompanhado por todos e com o início da batalha. Takashi e Chieko tentavam acalmar os amantes.
Ryo olhou para frente e viu Satoshi subindo as escadas e logo foi atrás dele.
Satoshi estava debruçado na janela olhando o movimento dos carros, parecia muito triste. O menor o abraçou por trás, apertando-o bem forte.
-Gomen, meu pai é um otário mesmo. –Falou Ryo triste.
-Não. É que eu queria que pelo menos eles vissem o que os outros não vêem. –Respondeu Satoshi se virando. –Queria que seu pai soubesse que eu realmente te amo e que não botei esse anel no seu dedo só pra mostrar que você está com alguém! Foi o mesmo motivo que ele usou pra botar o anel na sua mãe: Amor.
-Um dia eu penso que eles irão se entender.
-Cada vez que penso nessa possibilidade, percebo que ela está muito longe de acontecer.
-Então vai desistir de mim? –Ryo deu um passo atrás com uma expressão séria. –Vai deixar eles discutirem até morrer lá embaixo e ainda ter razão no final? Que dois homens não podem se amar?
Satoshi o encarou. Pegou a sua mão e puxou o namorado, descendo as escadas, ignorando as perguntas dele. Parou em frente à briga de pais e assobiou pedindo atenção.
-Vocês vão ficar o resto da vida aqui discutindo! –Falou com raiva. –Não interessa se gostam de nós dois ou não! Eu não vou deixar ele! Eu vou para o outro lado do Japão para ficar com ele! E sem rancor nem dúvida! Então parem de tentar nos controlar, apenas vejam e nos ajudem quando tivermos problemas! De uma coisa eu tenho certeza, que eu amo ele com todo o meu coração, ou seja, espero que os que não gostam de nós dois se acostumem com isso!
Satoshi o puxou e apenas o beijou. Todos ficaram olhando o beijo, sem terem como reagir. Ryo botou os braços em volta de Satoshi e apenas deixou o outro guiar a demonstração de carinho, deixando o namorado até chegar bem perto da sua bunda com a mão.
Os dois colaram as testas e sorriram, apertando as mãos e dando mais um selinho.
-E então... Alguém ainda é contra? –Perguntou Takashi sorrindo.
Depois disso o jantar conseguiu seguir. Comeram a sobremesa, mas quase nenhuma palavra era trocada. Ryo e Satoshi conversavam, riam junto com Chieko e Takashi e até fizeram um aviãozinho com um pedaço do bolo que a mãe de Ryo tinha trazido. Conseguiram até convencer a mãe de Satoshi a deixar Ryo posar lá. Os pais de Ryo foram embora, um pouco apreensivos e nervosos, mas deixaram o menino com um sorriso no rosto ao abraçarem ele forte.
-Se cuide garotão. O papai de ama. –Sussurrou Hiro no ouvido do menino ao abraçá-lo.
Satoshi sentiu a mãe o abraçar também e falar no seu ouvido.
-Ainda não gosto da idéia de vocês dois juntos. -Ela viu o menino ficar com a cara amarrada. -Mas até que vocês formam um casal bonito.
Satoshi sorriu e a abraçou.
Os dois meninos estavam de pijama, deitados no futon e se beijando e distribuindo toques na pele alheia que conseguiam alcançar.
-Você é louco Satoshi. –Falou Ryo deitando a cabeça no peito do outro.
-Por você. –Falou Satoshi brincando nos fios negros do outro.
-Sobre hoje de tarde... no cinema, eu queria me desculpar por...
-Eu sempre boto os pés pelas mãos amor, eu que devo me desculpar.
-Mas...
-Você ainda não está pronto, eu vejo nos seus olhos. É por isso que eu vou esperar. E eu prometo que quando estiver pronto... Você vai ter a melhor noite da sua vida e a maior demonstração de amor do mundo.
-Sério?
-Sério. –Satoshi riu e abraçou o namorado.
-Obrigado por me esperar, eu prometo que não vou te decepcionar koi... Você é tão romântico às vezes, eu não conhecia esse seu lado tão babão. – Ryo sorriu. -Aishiteru ne...
Mas não houve resposta. Ryo levantou a cabeça e viu o outro babando. Sorriu e o abraçou mais.
-Não.. É o meu Satoshi de sempre...
Ryo dormiu e depois de alguns segundos escutou suavemente uma voz:
-Aishiterumo koi... Ryo-chan.
FIM!
Notas finais
Bom gente, acabou. i.i
Gostaria de agradecer a todos vocês que leram essa pequena fic.
Pretendo escrever uma segunda temporada, mas por enquanto tenho outro planos para serem desenvolvidos.
Gostei muito de escrever essa pra vocês.
Mais uma vez eu agradeço a todos e nos vemos em outra!
Atenciosamente
Misora.6
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