Animê Bizarre
16 Uma herança adormecida
A um metro de distância da porta, analisávamos a situação. Como sairíamos dali? A porta foi trancada por um vulto que passou correndo. Pra onde iríamos se o colégio estava sendo inundado por água e névoa? Refleti em meu subconsciente afim de não apavorar Romeu. De nada adiantou, pois ele já estava assustado. Sua mão tremia em meu pulso e seu olhar apreensivo vagava pela sala da secretaria. Passou-se um minuto.
-Temos chance de sairmos daqui se tentarmos. Anime-se Romeu – disse tentando recompô-lo. Romeu não respondeu e isso me forçou a tentar fazer alguma coisa – Vai ficar tudo bem. Acredite! Eu prometo!
-Eu disse a mesma coisa a você – respondeu num tom de tristeza – No entanto, eu estava errado. Não está tudo bem.
-Entramos aqui e vamos sair! Com esses pensamentos negativos não vamos conseguir nada. Por favor, acredite em mim.
Romeu olhou pra mim. Seus olhos estavam obscuros e vazios. Seus pensamentos negativistas estavam vencendo. E eu ali parada, apenas falando palavras vazias. Não adiantava apenas falar, eu precisava fazer alguma coisa que tornasse essas palavras verdadeiras. Romeu interrompeu meus pensamentos:
-Eu fui tão egoísta te trazendo aqui. Em nenhum momento dei valor a sua preocupação. Sempre dizendo que estava tudo bem, mas não estava! Agora estamos aqui, correndo perigo. E o pior é que eu estou te colocando em perigo!
-Você me prometeu – meu tom de voz foi tão carinhoso que Romeu me olhou confuso – Você me prometeu que ficaria tudo bem. E vai ficar... Porque eu confio em você. Eu confiei em você o tempo todo, mesmo quando algo me dizia que não ia dar certo, que nada estava bem... Mesmo assim eu não desisti de ceder ao meu medo pra confiar em você... Porque a segurança que você me passou quando disse ‘prometo que vai ficar tudo bem’ me fez ver que estava tudo bem. Então agora não encare a situação como impossível... A gente consegue.
Romeu tomou um choque. Ele não esperava que eu dissesse isso, na verdade, nem eu esperava dizer. Mas não tínhamos tempo pra pensar nisso, a nossa situação estava crítica, precisávamos urgentemente sair dali! A reação de Romeu foi instantânea, ele se virou pra mim e disse:
-Vamos ter que arrombar a porta.
-Mas e o vulto?
-É isso ou morrer afogado tentando achar outra saída.
-Então vamos nessa – Agora era eu que estava segurando o pulso de Romeu. Demos alguns passos pra traz e depois começamos a correr em direção à porta. Por fim, conseguimos derrubar a porta e sair dali.
Correndo pelo espaço que inicialmente chamei de quadra, olhamo-nos felizes. Estávamos salvos. Porém, nem tudo são flores, ainda faltava chegar ao carro. Apesar de estar um pouco longe, o carro nos era visível. Romeu socou o ar, na felicidade de ter escapado. Depois disso, acabamos nos encrencando. Ele estava contando vitória antes da hora e isso fez com que aquele maldito vulto nos seguisse. O vulto não tinha forma, era apenas uma escuridão materializada e por justamente isso, conseguiu nos cercar tomando a forma de um curral. Foi ai que soltei o pulso de Romeu. Fiquei de costas pra ele e ele de costas pra mim sendo que eu estava de frente pro colégio mal assombrado. A forma obscura, antes perto ao chão, começou a flutuar e tomar outra forma, a forma de agulhas. Centenas delas estavam suspensas no ar apontando para a gente. Romeu por sua vez, virou a cabeça em minha direção e disse:
-Hinata, corre pro carro.
- Não.
-Corre pro carro que assim pelo menos você se salva.
-De jeito nenhum. Nenhum de nós irá ficar por aqui. Se for pra morrer eu te mato depois! Nenhuma assombração barata vai fazer isto por mim! Então fique quieto e observe.
-Observar o que? Vai armar um barraco com o vulto?
-Olhe e aprenda – nessa situação de emergência tive que despertar meu estilo ninja, o meu kekkei genkai. As agulhas estavam prestes a se lançar contra nós, respirei fundo e tudo que ouvi foi o Romeu falando ‘MERDA’ enquanto eu me preparava pra lutar contra aquilo. Eu tinha um apelo, uma defesa absoluta. Foi então que eu revelei meu jutso: ‘Shugo-Hakke Rokuju-Yon Shou’ *(tradução: shugo-hakke – proteção em forma de lâmina; rokuju-yon shou – 46 tenketsu do corpo)*. Consegui defender não só a mim, como ao Romeu. Ouvi quando ele falou entre outros palavrões, parece que ficou bestificado ao vislumbrar tamanho feito.
Assim que todas as agulhas foram repelidas, puxei Romeu que, ainda estupidificado com a cena, tinha se esquecido do perigo. Chegamos ao conversível, eram seis e quarenta da tarde. Estávamos atrasados para a festa, não terminamos de ensaiar e nossas roupas estavam molhadas.
Sentados no carro, Romeu se virou pra mim e ficou me olhando ofegar. Ele também estava ofegante, mas ignorou isto muito bem. A única coisa que interessava era o que eu acabara de fazer. Sei lá o que se passava em sua mente, só sei que me assustava.
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