Animê Bizarre
12 O desespero
Era meia-noite quando meu celular tocou. No susto, Mey bateu com a cabeça no teto do beliche. Eu estava na cama de cima catando o meu celular.
-Eu quero dormir nesse INFERNO!!! Desliga essa...
-Segura esse seu palavreado.
-Quem é o infeliz?
-A infeliz.
-Que seja, quem é?
-Espera um segundinho. O que você quer Suzannah?
-Suze? O que ela quer? Tem que ser muito importante para atrapalhar o meu sono à meia-noite – resmungou Mey.
-Tudo bem Suze, estamos indo pra aí.
-Indo pra onde? Dá pra responder Hinata?
-A Suze precisa de ajuda. Vamos socorrê-la.
-O apartamento ta pegando fogo? Ela foi seqüestrada? Tão pedindo resgate?Ai Meu Deus, eu to pobre!
-Ela não tem uma roupa de ‘princess’ para usar amanhã.
-Ela ta tendo aquele seu ataque de pelanca?
-Pode-se dizer que sim.
-E ME ACORDA NO MEIO DA NOITE PRA ISSO?
-Relaxa, depois de ajudá-la a gente mata ela por isso.
A mãe da Mey estava num sono profundo e provavelmente não deve ter escutado a pergunta direito, mas disse que sim. Em outras condições ela não deixaria a gente sair no meio da noite pra ajudar uma amiga a escolher a roupa. Certamente ela repetiria o seu típico ditado: ‘mulher prevenida vale dobrado’ e reclamaria do tempo que a criatura levou para pedir ajuda. Mas afinal, concordo com seu ponto de vista. A Suze tinha a tarde toda para pedir a nossa ajuda e na madrugada vem ligar dizendo que não tem roupa? É brincadeira, mas a gente perdoa.
-Tem algum plano?
-Não faço a mínima – respondi enquanto Mey se enrolava com as chaves ao trancar o apartamento.
-Aliás, onde vamos arranjar roupa em plena uma da manhã?
- Não sei, mas talvez com as roupas que ela tenha dê para improvisar algo.
-Tem razão. Eu coloquei um kit de emergência na bolsa. To levando bijuterias, uma graninha extra, uma revista e uns materiais para costura. Você sabe... Alguns reparos em determinadas peças sempre são bem vindos.
-Ótimo. Agora só precisamos nos preocupar em como chegar à casa da Suze e voltar sem que sua mãe perceba.
-Já pensei nisso. Liguei pro Yu.
-Mey, você ficou doida? Acordou o Yu só para ele nos ajudar?
-Não acordei. Ele tinha me dito que iria virar a noite numa feste de um colega junto com os outros.
-Não está falando...
-Deles mesmos: Strify, Kiro, Shin, Romeu e Tom.
-Continuando. O que você estava falando?
-Que eu liguei pro Yu para saber como tava a festa e se ele podia nos ajudar.
-E o que ele disse?
-Disse que a festa ta um saco e que adoraria ajudar.
-Que bom!
-Ele vem de moto.
- Mas somos duas.
-Eu sei, já falei isso pra ele. É por isso que o Shin vem com ele.
-O Shin também anda de moto?
-Ah minha filha, aquele ali bem que gosta de uma moto envenenada – começamos a rir.
Yu e Shin vieram como o prometido. Ficaram curiosos para saber o que a gente ia fazer na casa da Suzannah tão tarde * (se o Tom estivesse aqui, logo pensaria maldade) *. Apenas dissemos que era pra salvar a pele da Suze.
Suze estava descabelada de pânico. Um horror. Parecia fadigada. Não entendi o porquê do desespero, afinal, já tínhamos chegado. Mey começou a mexer no guarda roupa de Suzannah procurando algo que servisse de inspiração para ela criar um look meigo. Achou um vestido de tango bem no fundo do armário e a partir disto teve uma inspiração.
-Hinata, eu tive uma idéia.
- Diga.
-Que tal darmos um toque neste vestido? A Suze pode ir para a festa num estilo de espanhola. Que tal?
-Mas os babados deste vestido não estão harmônicos – reclamou Suze.
-Hora pare de reclamar! Estou tendo um ataque de inspiração estilística e você me agradece com queixas.
-Foi mau. É que eu to muito nervosa
-Desesperada – corrigi – Não se preocupe, vamos dar um jeito neste vestido. Precisamos de uma fita de cetim, uma gargantilha, uma rosa de plástico e um tomara que caia que caiba em você na cor branca ou vermelha.
-Vou tentar arranjar.
O vestido era vermelho com detalhes minuciosos em branco, afinava na cintura, tinha um leve decote no qual pretendíamos esconder com o tomara que caia e da cintura para baixo tinha uns babados. Seu comprimento era até um pouco abaixo do joelho.
Suze conseguiu as coisas pedidas. Mey pegou o cetim e costurou-o na cintura, antes dos babados. Eu peguei a gargantilha e a rosa. Manejei os objetos e, com um pequeno pedaço de arame do kit de emergência da Mey, prendi o arame ao pedúnculo da flor. Cortei a parte da rosa (caule, folhas e etc.) abaixo do arame, deixando apenas a flor e o arame.
Quando terminamos, eram quatro e cinqüenta da manhã. Faltava meia hora para a mãe de Mey perceber nossa ausência. Explicamos o que combinaria com aquela roupa. Avisei também que a gargantilha terá que ser colocada primeira para depois prender a rosa com o arame do jeito que eu ensinei. Como um último toque, Mey falou para Suze abusar do salto alto.
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