Animals

1 Don't tell no lies, you can't deny the beast inside


Notas iniciais
Estou de olhos fechados e dedos cruzados! Tomara que vocês gostem, porque eu fiquei bem satisfeita com o resultado, particularmente.

So if I run it’s not enough

You’re still in my head, forever stuck

So you can do what you wanna do

I love your lies, I’ll eat ‘em up

But don’t deny the animal that comes alive when I’m inside you

Nico estava deitado em sua cama no chalé de Hades. Encarava o teto, tentando conter a ansiedade. Fazia uma semana desde que havia recebido alta da enfermaria, onde tinha passado três dias inteiros sob os cuidados de Will Solace. Tinha sido melhor do que todas as vezes em que Percy sorrira para ele juntas.

Ele e Will tinham conversado e dado risadas e, então, discutido seriamente sobre seus poderes. Nico estava surpreso por aquela guerra ter desencadeado algumas coisas em si próprio, as quais ele nunca nem havia imaginado. Ele se sentia feliz, mas, ao mesmo tempo, relutante com o duvidoso orgulho que Hades parecia sentir dele. Ninguém nunca sabia direito o que seu pai estava pensando ou sentindo, mas isso não vinha ao caso. O importante era que, fosse real ou só coisa de sua cabeça, daquela noite não passaria.

Nico estava disposto a ir atrás de Will, quando e onde ninguém os poderia interromper, para ver no que poderia dar. Ele estava cheio de expectativas e, sim, sabia que estava sendo bobo, mas uma parte dele insistia que era a coisa certa a fazer. Todos aqueles sinais, os olhares, os sorrisos, não podiam ser apenas pura coincidência. Ele havia reparado. Tinha certeza de que Will agia assim só com ele.

Com harpias ou sem harpias, à noite e às escondidas, era o jeito. Nico colocou a cabeça para fora da janela e sorriu, silencioso, enquanto pulava na grama. Ele tentou correr e se esconder ao mesmo tempo, mas sua ansiedade era tanta que nem ligou se seria morto por alguma galinha-mulher voadora. Era por uma boa causa, certo?

Quando chegou perto do chalé de Apolo, temeu que algo fosse dar errado. Havia uma silhueta sentada na janela. O garoto estava com os braços em volta das pernas e olhava para o céu, encarando as estrelas e se perguntando se havia se equivocado.

Chegando mais perto, Nico o reconheceu. Ele reconheceria aquele garoto em qualquer lugar. Will Solace. Um sorriso ainda maior se abriu em seu rosto.

— Ei – ele o chamou o mais baixo que pôde.

Rezando aos deuses, principalmente a Afrodite e a Apolo (por mais que nunca fosse admitir), Nico aguardou nas sombras enquanto via a cabeça loira do rapaz se movendo de um lado para o outro. Will tinha ouvido, mas não queria alimentar falsas esperanças. Nico revirou os olhos. Seria possível?

— Will! – o garoto tentou mais uma vez, utilizando aquele sussurro que mais parecia um berro que já vira as filhas de Afrodite usando quando estavam bravas mas tentavam manter a calma.

O filho de Apolo pulou sua janela e aguçou os ouvidos, estreitando os olhos para o escuro. Nico avançou e o pegou pelo braço, transportando ambos até as sombras das árvores.

— Uma semana fora das minhas vistas e você já se acha totalmente recuperado! – Will exclamou, mesmo sem ver Nico. Havia um sorriso em sua voz. – Ah, di Ângelo!

O garoto puxou o filho de Hades para um abraço apertado, sempre sorrindo. Nico não queria que aquele ar travesso fosse algo criado por sua mente eufórica.

— Estive pensando quanto tempo você levaria… estava perdendo as esperanças – Will tocou levemente o rosto do outro, com medo de sua reação. Nico prendeu a respiração, com medo de arruinar o momento. – Ni, por favor... diga que não é só comigo – sua voz estava baixa, trêmula.

Will temia colocar seus sentimentos em palavras, mostrando o quanto sua alma era frágil àquele garoto de cabelos escuros e personalidade única. Se não fosse correspondido, ficaria arrasado.

Lentamente, o rosto de Nico foi se iluminando enquanto ele entendia o significado daquilo tudo. Ele se aproximou, encostando seu nariz no de Will.

— Will Solace, você vem assombrando meus pensamentos há dias e eu não posso mais conter isso.

De repente, a mão de Will se tornou urgente e o puxou, eliminando o espaço restante entre os dois. Eles mergulharam em um beijo cheio de desejo e saudade do pouco que tinham compartilhado, explorando e se deliciando com as sensações que há muito estavam apenas especulando.

Ao se afastar para respirar, Will fechou os olhos e disse:

— Venha. Quero te levar a um lugar – e, puxando-o pela mão, seguiu bosque adentro com passadas rápidas e ansiosas, segurando-se para não sair correndo.

Era uma clareira pequena e aconchegante, e apenas as estrelas iluminavam o lugar. Nico soltou um suspiro quando a viu. Era perfeita, passava-lhes uma sensação de refúgio e segurança, como se só existissem os dois no mundo. Como se pudessem viver o resto de suas vidas ali, sem nenhum incômodo ou responsabilidade, apenas um dia após o outro.

— Ah, Will...

O filho de Apolo se virou, seu cabelo reluzindo prateado. Sem dizer nada, ele beijou novamente o filho de Hades. Foi carinhoso, no início, com a mesma sensação de euforia e de ansiedade, com necessidade de sentir. Sentir que era recíproco, que era intenso, que era real.

Depois… algo mais urgente e animalesco surgiu entre eles.

— Ah, Nico, você não sabe o quanto esperei por isso – disse ele, tirando a própria camiseta. Enquanto o beijava de novo, Will o prendeu contra uma árvore, tentando sentir todo seu corpo ao mesmo tempo, ansiando pelo seu cheiro, pelo seu gosto.

As mãos de Nico encontraram a bermuda do loiro, abrindo-a lentamente.

— Ah, sei – com isso, ele agarrou sem dó o membro rijo do filho de Apolo e sorriu no meio do beijo. – Vou te mostrar como sei.

Notas finais
Sem suspenses, tá? Obrigada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!