Notas iniciais
Oláááááa enfermeeeeira!!
Estoooou de volta, com mais um capítulo enfim! 8D
Sentiram minha falta? Sim? Não?... ok .__.
Entãããão, reviews lindos, muitos lindos que eu recebi, leitores antigos, leitores novos!! Sejam bem-vindos!!!!
Espero que gostem deste capítulo que... custou... muito... pra... escrever... =.= nem mesmo agora estou completamente satisfeita com ele, mas no próximo eu compenso òó/ prometo, prometo.
Consegui meu tablet de volta e consegui instalá-lo, próximo capítulo prometo ter desenho pra vocês. :3

Capítulo cinco.

Vocês sabiam que a cultura norte-americana estava bastante ligada à cultura grega? Suas mitologias ou lendas são partes distintas e, ao mesmo tempo, semelhantes quanto ao desenrolar da história das civilizações.

Veja bem.

Lobisomens são um papel essencial para o cinema norte-americano, assim como vários outros monstros criados pela Hollywood, eles fazem parte de uma marca que, consequentemente, liga-se com a cultura grega.

Os lobisomens ou homens lobos, nascidos da mitologia de dois irmãos cuja história tem como principal ponto o amamento ou criação deles por uma loba. Talvez já tenham ouvido falar de Romulus e Remus ou Romulo e Remo, se formos falar na língua comum. Enfim, a história dos lobisomens tem inicio ai, ou ao menos é o que se acha.

Lobisomens também são conhecidos por serem criaturas pagãs, satanistas, se estudarmos pela bíblia e historiografia da Igreja Católica. Onde o diabo teve filhos com outros demônios ou entidades que aqui não cabem ser citadas, mas conclui-se que a união materna com o diabo criou-se três filhos. Os três, mais conhecidos como Vampiro, Lobisomem e a Morte. Três filhos que se odiavam.

A morte teve um trabalho, como a irmã mais velha e mais responsável, criou uma aliança entre Deus e o Diabo, guiando as almas para o purgatório onde iriam ser julgadas e condenadas a um dos lugares pós-morte. No entanto, nunca intervindo em julgamento por qualquer parte.

O filho sem alma, ou o vampiro, era o mais novo. Rebelde e insolente judiou de seu pai e de sua fraqueza perante Deus, fugindo do inferno e procriando em terra, mesmo contra a vontade do pai ou desgosto dos irmãos. O Vampiro se achava superior a todos os outros, pois, era esperto e, de sua esperteza, conseguiu vida eterna dos braços da irmã morte. No entanto, Deus e o Diabo, depois de milênios, entraram em uma conclusão que, aquele ser era poderoso demais e, por sua insolência, deveria ser castigado. Então o Diabo enviou seu filho do meio, o Lobisomem, para castigar o mais novo, arrancando-lhe o coração de pedra, impedindo-o de circular o sangue entre veias. Desde então, os Vampiros necessitavam de sangue dos outros para sobreviver.

Como recompensa por seus serviços, Deus e o Diabo resolveram entregar presentes ao Lobisomem. O Lobisomem pediu como presente de seu pai poder viver entre os humanos, enquanto sua irmã Morte perpetuasse em suas tarefas, ele poderia viver em paz sem ser percebido e proteger as entradas para o inferno. De bom grado, o Diabo assim fez, deixando o Lobisomem em total forma humana, mas com a condição de, todas as noites de lua cheia seu filho voltasse à forma de lobo para proteger a magia que conectava a terra dos portais para o mundo inferior na época da lua cheia. Deus, orgulhoso do pedido de seu bom feitor, lhe concedeu um presente especial que somente ele poderia fazer e um desejo ao Lobisomem.

Qualquer coisa que ele quisesse.

O Lobisomem, emocionado com a bondade de Deus, pediu humildemente pelo mesmo carinho que o Pai Celeste deu a Adão. Ele desejou alguém com quem compartilhar sua vida na terra, alguém com capacidade e força para suportar suas investidas animalescas, alguém com inteligente e sanidade suficiente para percorrer o caminho ao lado de seu lobo selvagem. Então Deus lançou lágrimas de satisfação pelo pedido humilde sobre a terra, abençoando as almas ali resididas e disse:

“De coração nobre e boas vontades, foste feito seu amor. Lealdade e Paixão foram postas em suas ações. Assim será o teu companheiro. Com minha benção, Eu os uno pela eternidade, até encontrar a paz entre ambos e, como segundo presente, Eu dar-lhes-ei a passagem liberta para meu Reino. Teus filhos nunca hão de temer os seus caminhos, pois Eu os guiarei enquanto fieis prosseguirem ao que digo.”.

E então o Lobisomem tinha a forma humana para andar pela terra, tinha um companheiro destinado por Deus e tinha a benção de procriar sobre a terra, além de servir como um guardião dos portais ao mundo inferior.

Stiles ainda achava tudo isso muito louco.

E olha que ele já tinha uma vida bem maluca com essa história de lobisomens e caçadores.

Imagine só ele descobrir que Deus foi quem o enviou para... foder com Derek.

Estremeceu, sentindo todos os pelos do seu corpo se exaltarem e bateu a cabeça contra o volante do carro, tentando a todo o custo não se imaginar em uma cena tão... exposta e.... pecaminosa com o lobisomem alfa.

Ele inalou uma ou duas vezes. Como diabos ele entrou nessa merda? Perguntou-se pela enésima vez, enquanto se olhava no retrovisor do jipe, seu cabelo tinha crescido de novo, mesmo que ontem ele tenha cortado, seu cabelo estava grande, um pouco abaixo das orelhas e com as pontas onduladas.

Ele odiava o seu cabelo.

Suspirou pesadamente, pegando seu gorro e o puxou com força, obrigando-o a cobrir até a ponta de seus cabelos. O que fazia sua cabeça parecer uma bola de boliche meio peluda e de várias cores, já que seu gorro fora o que seu pai lhe dera no natal retrasado.

“Se quer tanto parecer gay, comece a usar roupas como um.”

Velho espertalhão.

Sorriu para o reflexo do gorro, sentindo o coração bater mais lentamente e algo quente o aconchegar.

Brincou com o gorro por mais alguns instantes, analisando suas feições menos... desajustadas. Algumas espinhas que ele tinha sumiram, seu nariz ficou em um tom meio rosado e seus cílios cresceram um tanto, fazendo uma carreira completa e cheia de pelos, sua boca ficou mais fina e delicada. No entanto, seu corpo não mudou tanto, apesar de ter emagrecido tanto por seu descuido ocasional a saúde, quando Peter acabou por virar seu guardião, Stiles até que engordou um tanto.

Ele parecia mais com um garoto normal e não com um futuro companheiro de alfa que se preparava para o acasalamento eminente.

Ele... voltava, aos poucos, para a vida normal de antes.

Olhou novamente para a casa semilimpa da família Hale, suspirando pesadamente. Por que ele tinha de dar ouvidos para Peter? Só de lembrar-se dos acontecimentos recentes que estão ligados a esta casa, mais aos habitantes desta, Stiles sentia seu corpo inteiro tremer em resposta a várias emoções que o atingiam com rifles.

Peter o mordera ali.

Jackson vivia ali na maior parte do tempo após a escola para treinos obrigatórios de autocontrole.

Derek quase matara Jackson na sua frente.

Derek...

Engoliu em seco, socando sua cabeça contra o volante do carro.

Que merda eu estou fazendo aqui?! Choramingou mentalmente.

Três batidinhas no vidro do carro o fizeram pular, olhando assustado e levemente irritado para um Peter sorridente do lado de fora. Ele equilibrava umas quatro caixas de pizza em uma das mãos enquanto a outra sacudia uma sacola grande de supermercado que Stiles suspeitava serem as latas de bebida.

- Não vai entrar, Precioso? – Tá aí uma coisa que Stiles ainda não se acostumara. Peter sempre que o via chamava-o de “Precioso” e isso era quase o tempo todo, já que Peter praticamente virara seu guarda-costas. – Vamos, tenho Marguerite e Pepperoni!! – falou com uma voz orgulhosa, quase prepotente. Quase…

Engolindo em seco, Stiles saiu do jipe. Ele usava um casaco fino de cores claras com dizeres e números aleatórios como enfeites, fechada até o pescoço para esconder sua camisa, uma calça jeans levemente frouxa nas pernas, mas justa nas coxas e glúteos, e seu inseparável all star vermelho desbotado. E, claro, o gorro de cor indecisa que seu pai lhe dera.

Ele enfiou as mãos nos bolsos do casaco, sentindo-as tremerem em ansiedade e, ele suspeitava, excitação. Ergueu os olhos para Peter, dando um sorriso amarelo, tentando quanto era possível parecer calmo e... educado. Claro, não deu certo, ele estava se borrando de medo.

Peter riu e passou o braço a sacola pelo ombro do menino, trazendo-o para um abraço. – Você está lindo, Precioso, não se preocupe. – sorriu de lado, salpicando um beijo no gorro estranho. Lado a lado, Peter arrastou Stiles para dentro. – Lembre-se do que eu lhe disse e tudo vai dar certo. – sussurrou no ouvido do menino, sorrindo maravilhado em como as reações do corpo dele o entregavam.

Ok, foco.

O que Peter disse?

Além do fato de Stiles estar se vendendo por mixarias para um alfa recém-posicionado e altamente perigoso?

Ah, claro. Sedução.

A arte da sedução ingênua. Stiles podia fazer isso. Ele era tão bobo e atrapalhado, de acordo com Peter, que chegava a ser adorável e irritantemente ingênuo quase inocente.

Novamente. De acordo com Peter.

Ele respirou fundo umas duas ou três vezes, tentando usar todas as suas artimanhas para fazer seu coração parar de bater tão alto aos seus ouvidos, porque, ele sabia, se ele mesmo podia ouvir seu coração, então até mesmo Scott podia ouvi-lo do outro lado da cidade. Imagine dois lobisomens ao seu lado. Eles podiam estar fazendo música ao som do seu coração descompassado.

Engoliu com força antes de ser puxado para dentro da casa Hale que, ao passar de um olhar, Stiles percebeu estar mais limpa. Digo, ela não estava como no seu sonho, impecavelmente mobiliada, aliás, as mobílias pareciam terem sumido. A mansão só parecia mais limpa. Digo, como se Peter e Derek tivessem contratado algum serviço de limpeza para tirar toda a poeira e cinzas do lugar, não se enganem, ainda parecia uma casa que tinha sofrido um incêndio violento, mas... parecia menos, assustadora. Ao passar ao lado das escadas, ele percebeu que algumas molduras queimadas de fotografias antigas tinham sido removidas e os pedaços de madeira que ele tropeçava sempre também. Estranho. Mas… por algum motivo, isso pareceu relaxar mais a Stiles.

Eles chegaram até a cozinha, um lugar que Stiles nunca antes tinha entrado. Esta tinha mobília, mas apesar de Stiles nunca ter entrado ali, ele sabia que não era os móveis antigos. Estes pareciam mais novos, talvez não tenham saído da loja recentemente, pareciam móveis antigos, mas não estavam queimados ou quebrados, só pareciam terem sido usados há tempos atrás e agora estavam de volta. Ao menos era o que os arranhões de garrinhas pequenas nas pernas da grande mesa redonda o falava.

E o mais engraçado era que a cozinha era redonda. Ele achou essa arquitetura interessante. A cozinha era em um formato oval estendido, quase como um círculo, se não fosse pela parte mais estreita dos fundos, onde tinha uma porta ou o que sobrou dela, que dava uma passagem aos fundos da mansão. Respectivamente ao fundo, bem ao lado da porta, tinha um balcão com uma pia um tanto larga e acinzentada, um espaço mais sujo entre esse balcão e uma geladeira seminova. Stiles suspeitava que ali ficasse o fogão, mas visto que eles iriam comer pizza, ele assimilava que nem mesmo Derek, nem mesmo Peter sabiam cozinhar. Anotado. Logo após a geladeira tinha umas caixas mais novas e limpas, várias delas, formando uma torre de três pilastras, no total tinha 18 caixas de tamanhos médios e 4 grandes.

Então tinha um balcão que dividia esta parte da mesa redonda de madeira, suportando 12 cadeiras antigas e com as pernas mastigadas.

Ele segurou um riso. A imagem de Derek criança, com seus caninos recentemente nascidos roendo as pernas das cadeiras passou pela sua cabeça sem que ele pudesse impedir. Ok, ele tinha de rir disso.

Peter o soltou no momento em que chegara para colocar as caixas de pizza e a sacola com as latas na mesa. Ele olhou para o menino e ergueu uma sobrancelha, olhou para onde o garoto analisava, então riu baixinho. Ele sabia o que ele estava pensando. Ele sentiu falta dessa época.

Aproximou-se do menino, fazendo um carinho apertado em seu ombro, chamando sua atenção. – Por que não se senta e termina de arrumar as pizzas na mesa? Eu volto já. – disse em um sussurro calmo, sorrindo de lado para o rapaz, sem esperar que ele respondesse para sair pelo mesmo caminho que haviam entrado deixando Stiles sozinho na cozinha.

O menino olhou para onde Peter havia partido e então suspirou audivelmente. Suspirou, sorrindo para as pernas das cadeiras ruídas, depois riu, fazendo o que Peter ordenara. Ele separou as quatro caixas de pizza sobre a mesa, dando uma espiada e gemendo ao ver que tinha quatro queijos entre as pizzas. Ele amava quatro queijos.

Ele colocou um dos joelhos em uma das cadeiras, inclinando-se para pegar a sacola grande na extremidade da mesa. Ele sentiu a cadeira bambear para frente e um pequeno ataque do coração o sobressaltou, mas então respirou fundo antes de esticar o braço para a sacola, pegando-a pela alça. Puxou. A sacola pesava demais. Franziu o cenho, sentindo-se um tolo por não conseguir puxar uma simples sacola de compras. Puxou novamente desta vez com mais força e a alça arrebentou. A cadeira bambeou bruscamente para trás, fazendo Stiles ter mais um pequeno ataque do coração e perder o equilíbrio.

Fechou seus olhos com força quando bateu em algo duro e quente, gemendo assustado ao ter braços circulando sua cintura com força e um bufar lento bater em sua orelha. Um calafrio passou por seu corpo, eriçando seus pelos do pescoço, num carinho cruel e frio. Ele foi colocado lentamente no chão, afastado da cadeira bamba, em pé, mas não sozinho. Os braços grandes e quentes ainda o prendiam na cintura, mantendo-o em pé com firmeza, já que suas pernas não se garantiam sozinha.

Ele não se garantia sozinho ali com ele.

Oh céus.

Foi girado dentro do abraço firme, revelando seu salvador de bonitos olhos vermelhos penetrantes. Derek o encarava com um misto de raiva e confusão, suas feições estavam sérias e retorcidas, seus olhos vermelhos com pequenas fendas no meio, linhas ficas que cortavam a retina. A boca em uma linha reta, formando uma carranca que fazia Stiles ter receio de estar ali.

- Ahn... O-obrigado... – murmurou incerto, vendo como os olhos vermelhos, depois de uma longa analise de seu rosto, voltava aos poucos a sua cor naturalmente humana. Suspirou em alívio. – Pode... pode me soltar agora? – Derek franziu o cenho e estreitou os olhos sobre o rosto de Stiles. Voltou a ficar tenso. – Ou não. Tudo bem, tudo bem, ahn...

- Peter trouxe você aqui? – falou Derek abruptamente.

- O que? Ah... não, não! Eu vim sozinho. – sussurrou, sentindo-se incomodado por ter de conversar naquela posição com Derek. Dizia para si mesmo que ele precisava se acalmar, que ele tinha de respirar e manter-se frio, ele tinha de... manter a calma.

- Você não pode ficar sozinho, por que Scott não está com você? – rosnou Derek, seus olhos brilhando levemente em um vermelho fraco.

Algo estalou dentro da cabeça de Stiles, fazendo-o encarar sério ao alfa. – Você sabe muito bem porque Scott não está mais comigo. – franziu o cenho, encarando-o por vários segundos que pareciam horas em batalhas silenciosas, até que Derek suspira e afrouxa um pouco o aperto em sua cintura, mas não o solta.

- Sinto muito. – sussurrou, desviando o olhar.

- Como é?

- Você me escutou! Não me faça repetir! – rosnou, fazendo Stiles se encolher e acenar dramático. Derek suspirou. – Não era para isso acontecer. – Stiles mordeu a língua para não interromper o outro, ele não estava ali para brigar ou xingar ao mais velho, eles tinham de resolver essa situação para que não se machucasse mais ainda. – Peter conversou com você.

Não era uma pergunta.

- Eu ainda tenho muitas dúvidas... – sussurrou Stiles.

Derek ergueu as sobrancelhas, esperando Stiles continuar. Ele não o fez.

- Então?

- É... – corou, levando as mãos até o tórax do mais velho. Virou o rosto. – Eu não consigo pensar direito assim... – sussurrou, seu rosto ficando vermelho tomate.

Peter tinha razão. Ele era bem interessante. Pensou Derek contrariado com o desejo que crescia dentro dele, incentivando-o a apertar mais o abraço, puxá-lo para mais perto de si, prendê-lo em seus braços e marca-lo. No entanto, ele lutou contra esse sentimento.

Hesitante, Derek afrouxou o aperto na cintura de Stiles, afastando-o de si. Buscou forças para não inalar com profundidade e sentir o cheiro dos feromônios que o enlouquecia aos poucos e silenciosamente. Perdeu a conta de quantas vezes os ataques dos feromônios o haviam feito ver manchas enegrecidas na sua frente e uma ereção o incentivando a reivindicar seu companheiro.

E novamente, ele lutou.

Colocou Stiles sentado na cadeira mais resistente. A que menos possuía marcas de maltrato. Andou duro ao redor da mesa, levantando uma sobrancelha para o tanto de latas de cerveja e bebida alcoólica que Peter havia comprado para o jantar. Era comum Peter e Derek beberem juntos, não muito, mas era normal, ambos eram maiores de idade e eram lobisomens, então não tinham de se preocupar com problemas nos rins por beberem. No entanto. Tendo em vista que Peter sabia da vinda de Stiles até a mansão Hale, então era previsto que Peter comprasse menos bebida alcoólica...

A não ser que ele esteja planejando embebedar Stiles.

Tremeu imperceptivelmente.

A imagem de Stiles bêbado, com o rosto rosado e falando coisas impertinentes veio sorrateira em sua mente, provocando uma excitação indesejada em uma hora inadequada.

Sozinho, tudo bem. Ele podia se controlar até dar um jeito ele mesmo. Poderia até ir para a cidade e achar alguém.

Com Stiles por perto? Negativo.

A palavra Perigo estava escrito em letras gritantes por toda a parte de Stiles. Por aonde o menino ia, alguma coisa tinha de dar errado. E Derek sempre sofria com isso.

- Eu... acho que não foi uma boa ideia ter vindo...? – o sussurro meio rouco de Stiles o trouxe de volta para a realidade. O humano estava encolhido em sua cadeira, olhando pálido e sem piscar para Derek. Ele estava assustado, podia-se perceber pela respiração levemente mais baixa e as batidas do coração alucinado. – Você quer que eu vá embora...?

Derek prendeu a respiração.

Sim! Era melhor para ambos, Derek podia seguir sua vida como um lobisomem alfa, solitário e sem maiores preocupações além de guiar seus filhotes para maiores problemas futuros. Se Derek possuísse um companheiro, um companheiro escolhido pela natureza, ele teria de se preocupar ainda mais com o bem estar desse companheiro. Não que ele não pudesse manter seu companheiro, mas... luxo não é tudo em um acasalamento, ele tinha de protege-lo, ele tinha de cuidar de suas necessidades básicas... ele tinha de amá-lo.

Derek não amava.

Ele não tinha carinho.

Ele não era carinhoso, muito menos delicado.

Derek só conhecia a morte e a destruição, como ele poderia cuidar de um companheiro assim!?

Por outro lado. Se Stiles fosse embora, se Stiles decidisse se acasalar a outro alfa...

Seu lobo interior estava rosnando alto, insatisfeito. Ele queria seu companheiro. Ele queria marca-lo, mordê-lo, fazê-lo dele.

Ter um companheiro era o auge para um alfa. Era o máximo poder. Ter um companheiro significava equilíbrio, enquanto o alfa luta para manter sua matilha protegida e segura, um companheiro cuida da parte administrativa da casa, alimentação, educação. Ambos, unidos, podiam cuidar de uma matilha poderosa e equilibrada. O companheiro acabaria com as rixas, os desequilíbrios entre os lobisomens menores, ele uniria a matilha sendo o pilar da comunidade.

Ironicamente, Stiles era um companheiro perfeito nesse sentido. Enquanto ele era enérgico e alegre, falante por demais, ele sabia reger uma conversação de maneira adulta e inteligente. Ora essa Stiles era um dos adolescentes mais inteligentes de sua geração. De maneira eficaz, Derek pôde presenciar Stiles repreender seus lobisomens diversas vezes, colocar Scott numa coleira em rédea curta e saber manipular com apelos emocionais o melhor amigo.

Stiles era esperto demais para o bem dele.

E Stiles era esperto o suficiente para ter medo de Derek.

Derek não o culpava.

Não quando algo assim acontecia. Não quando Derek está verdadeiramente ameaçador, rosnando sem motivo algum, seus olhos vermelhos vidrados sobre o rosto do adolescente retorcido em pavor e receio.

Derek respirou fundo uma vez. Relaxando os músculos o máximo possível. Seus olhos voltando ao normal assim que ele encarou Stiles novamente.

Ele pegou duas latas de bebida alcoólica fraca e se aproximou do menino. Viu-o ficar tenso, agarrando as bordas da cadeira em que estava sentado, olhando hipnotizado para o andar pesado de Derek para perto dele. Cada vez mais perto.

Derek estendeu uma das latinhas perto da bochecha do menino, vendo-o piscar para o metal gelado em sua pele. – Fique. – sussurrou, esperando.

Eles olharam um para o outro.

Ambos esperando por algo que não sabiam o que era.

Ambos tentando enxergar o que conseguissem ver pelas retinas do outro.

Conversando em silêncio.

Então Stiles aceitou a bebida, mesmo que não bebesse, mesmo que ele não fosse nem mesmo abrir a latinha. Aquilo era um sinal de paz entre os dois, cumplices em seu próprio drama. Eles iriam trabalhar juntos para que aquilo desse certo.

Stiles arrumou-se na cadeira em que estava sentado, segurando a latinha de bebida sobre a mesa e esperou até que Derek puxasse uma cadeira para perto de si, sentando ali. Um silêncio incômodo se instalou sobre ele em longos minutos enquanto Derek pegava um pedaço de pizza para si e abria sua própria latinha.

- Não pense que vou servi-lo. Pegue o que quer e coma. – tão delicado e carinhoso.

Stiles girou os olhos mentalmente, puxando um pedaço de pizza qualquer e o pondo na boca. Não se lembrava a ultima vez que comera uma pizza na vida, porque, aquela parecia ser a pizza mais deliciosa de todos os tempos. Fechou os olhos, ainda com o pedaço de queijo derretendo na boca, ele enrolou a língua na parte mordida da massa, pequenos sons de deleite escapando baixinho conforme ele mastigava e enfim engolia. Ele abriu a boca para colocar mais um pedaço dentro quando ele sentiu Derek apertar seu pulso e afastar a pizza de sua boca. Teve ganas de bater no outro, ao mesmo tempo de fazer beicinho por ter seu prazer degusto interrompido.

Piscou para os olhos vermelhos o encarando quase assassino.

- Você... – começou Derek, então ele soltou um som estranho pela garganta, uma mistura de gemido e ganido. – O que pensa que está fazendo?

- Eu pretendia comer, se você não estivesse segurando meu braço-

- Precisa fazer todo esse show?! – o mais velho estava irritado. Stiles pensou que eles estariam em paz naquele momento, mas ele se perguntava se Derek pensava assim também. Pelo visto não, já que seu pulso estava praticamente sendo torcido.

- Que show!? Do que você está falando? – grunhiu, fazendo careta. – Está me machucando, idiota! – ok, chamar o lobisomem assassino irritado e seu possível futuro companheiro de idiota não era um bom começo.

Mas, aparentemente, aquilo fez algum efeito. Pois Derek logo soltou seu pulso, passando as mãos pelo rosto e cabelos. – Isso não vai dar certo...

- Perdão?

- Você é idiota?! – rosnou Derek, fazendo Stiles voltar a ficar na defensiva e arisco. Derek bufou. – Pare de ficar nervoso por nada, droga!

- Então pare de rosnar. – sussurrou Stiles, levantando-se da cadeira de maneira ansiosa. Ele começou a esfregar os braços cobertos e mexer nos bolsos. Ele estava nervoso de verdade agora.

- Stiles, eu sou um lobisomem, consequentemente, eu rosno. – e fez a dita coisa como que para comprovar sua sentença.

- Então temos um problema, garotão. Porque eu não vou ficar abaixando minha cabeça e me escondendo com medo do meu companheiro, então pare de rosnar! – rugiu Stiles, olhando para Derek sentado na cadeira e então, sem suportar seu olhar intenso, virou o rosto. – Eu não devia ter vindo aqui. – sussurrou realmente arrependido.

- Você está brincando, não é? – riu Derek, um riso seco, quase cruel. – Você não entende nada do que isso significa, não é? Pensei que fosse mais inteligente.

- O que? Ter de escolher um lobisomem alfa para ser meu companheiro? Acha que eu não sei o que isso implica?! É da minha bunda que estamos falando! Não da sua! Não vai ser você a ser fodido por um animal ensandecido e sangrento que não está pensando em mim ao me foder, só na merda do cio e no seu instinto de merda guiando ele para fazer o que quiser!! Ele não vai olhar para mim quando quiser me subjugar, ele vai pensar na porcaria do poder ao adquirir um companheiro! Ele talvez me maltrate, talvez me tranque na merda do quarto para não ver ninguém ou tentar fugir, porque – riu ensandecido – acredite eu vou fugir se for necessário!! Não vai ser você a ter de abrir mão de tudo o que conhece, de tudo o que ama, daqueles a quem ama para abrir as pernas para um cachorro vira-lata sem coração que só vai me querer por status!– esbravejou, tremendo. – Então, desculpe, se eu não consigo pensar direito quando tem três lobisomens em cima de mim tentando assediar o meu corpo! – seu corpo inteiro estava tremendo, seus pulsos bem apertados contra o corpo, os nós dos dedos totalmente brancos e doloridos.

E então eles ficaram em silêncio. Stiles encarando seus próprios sapatos, inerte em sua raiva e medo, enquanto Derek encarava analítico ao menino em sua frente.

Um menino.

Só uma criança confusa, sozinha.

Totalmente sozinha.

E Derek sabia muito bem o sentimento de solidão. De estar perdido. De não poder confiar em ninguém.

Ele também percebeu que Stiles não estava dizendo que Derek faria isso com ele. Ele não estava acusando Derek de maltratá-lo, ou subjuga-lo. Ele não estava dizendo que não queria que fosse Derek.

Ele só está com medo de tomar a decisão errada.

Mas pensar que Stiles estava considerando qualquer alfa como possível companheiro fazia seu lobo remexer incomodado.

O lobisomem se ergueu, sério, impassível, andando lentamente até o garoto assustado, não querendo que ele tivesse mais medo. Não queria que o coração de Stiles batesse naquele ritmo incerto e nervoso, não por medo, ele queria poder ouvir o coração do menino bater em ritmo calmo e logo rápido, almejava trocar aqueles suspiros tristes por ofegos desejosos, tirar aquela palidez de seu rosto e tingi-lo com o vermelho apaixonado e cheio de luxúria.

Ele piscou algumas vezes para a leve camada de suor que brilhava na testa e têmporas do rapaz. Erguendo uma das mãos, ignorou o encolher de ombros do outro, ele retirou o gorro de cor estranha e deixou cair os cabelos amassados sobre sua testa.

Sorriu.

- Não está com calor? – tirou algumas mexas de cima da testa do menino, empurrando-as para trás de sua orelha.

- Estou sempre com calor... – sussurrou tímido. Derek tinha de admitir que ele ficava bonitinho assim. Menos falante e mais obediente. Ele podia se acostumar com isso.

- Quando começou?

- Na lua cheia seguinte ao... ao... – corou fortemente, desviando-se dos toques de Derek. Ao menos tentou. Pois Derek logo o segurou firme pela cintura, prendendo-o. – A-ah...!

- Ao estupro? – murmurou Derek, causando lágrimas aos olhos do menino. Ele tentou se soltar, ele não devia ter vindo ali. Não era seguro. – Eu não vou fazer isso com você, Stiles.

- Como pode dizer isso?! Que garantias você tem para mim? – soluçou, apertando os dedos contra o peito do mais velho. – Você mesmo disse que nunca confiou em mim! – e aquilo era verdade. Derek não confiava em ninguém. Mas... gostar era diferente de confiar... – Eu não acredito em você. Por que devo acreditar em você? Por que eu deveria...?

- Porque eu parei. – Stiles piscou, olhando nos olhos de Derek. Eles estavam humanos. – Você disse para eu parar e ir embora, eu fiz isso Stiles, eu continuo fazendo isso até... – ele lambeu os lábios, olhando duro para o menino. – Até que você decida vir para mim.

- Eu não...

- Até você vir e me disser que eu posso continuar. – Stiles suspirou audivelmente quando os dedos quentes de Derek começaram a acariciar e esfregar sua bochecha molhada, secando-a.

Movimentos pequenos em circulo, dedos longos brincando com o lóbulo de sua orelha enquanto o polegar penteava os cílios crescidos. Seu rosto ficando quente à medida que o carinho se prolongava, dando uma sensação gostosa e acolhedora. Tudo naquele momento era acolhedor, tudo ali dizia para Stiles que ele era bem vindo, que ele podia aceitar.

Ele podia?

Ele conseguiria?

Mas era tão bom. Era tão quente e gostoso, sentir os braços em torno de si protetoramente, segurando-o para que não caísse, compartilhando do calor dos corpos humanos unidos, equilibrando o calor interno do corpo de Stiles. As bufadas de ar refrescando seus rostos próximos.

A sensação boa de paz.

De calma.

De pertencer.

- Stiles... – ele abriu os olhos abobados. Quando ele os fechara? Quando ele pôde confiar em Derek o suficiente para não ficar de olho nele. Derek segurou com mais força sua cintura, sua mão espalmada um pouco a cima de sua bunda, prendendo-o, enquanto a outra lhe acariciava a nuca. – Eu posso continuar? – sussurrou o mais velho, aproximando seus lábios um do outro.

Não tocando.

Não forçando.

Mas sim perguntando se ele podia tentar.

Ele não estava obrigando, não estava mandando.

Ele estava dando a escolha para Stiles, ele estava dando a chance para o garoto escolher se sim ou não. Ele estava perguntando e pedindo para Stiles tentar.

Se eles iriam tentar. Ao menos desta vez.

E Stiles queria tentar, queria poder experimentar. Droga, ele estava desejando por aquele momento há algum tempo! Malditos hormônios.

Ele ergueu os braços sobre os ombros, arrastando as mãos pelo peito largo até que as enlaçou no pescoço do outro. Seu indicador brincando de desenhar círculos no pescoço do maior, sentindo sua pulsação.

Sorridente, ele constatou que estava acelerada também.

Ambos no mesmo ritmo intenso e descontrolado.

Sincronizados em um.

- Sem rosnar... – pediu Stiles, vendo Derek sorrir aquele sorriso branco e limpo. – Não para mim.

- Ok, sem rosnar para você. – riu Derek e Stiles fez um beicinho de mágoa pelo seu riso. Isso fez o mais velho rir mais. – Sem me desobedecer, então.

- Ah, assim perde a graça. – gracejou Stiles, mas então se arrependeu ao ver o rosto sério de Derek. – Eu vou tentar. – Ele não podia prometer algo que ele não tinha certeza se iria cumprir. — Mas você vai ter de me convencer antes.

- Eu posso fazer isso... – provocou com um sorriso de lado, apertando a cintura do outro, bem próximo às suas nádegas.

- Não nesse sentido seu pervertido! – grunhiu Stiles, corando fortemente.

- Ah... Mas assim perde a graça. – burlou Derek, rindo do olhar indignado e envergonhado do menino humano em seus braços.

- Seu... cachorro tarado. – xingou, tentando fazer cara de zanga, o que arrancou mais um sorriso sedutor de Derek.

- Pirralho puritano. – sussurrou o lobisomem, aproximando seu rosto do garoto. Parando a poucos centímetros de seu rosto, apenas observando. O ar levemente aéreo pela proximidade, o rosto corado, os olhos desfocados, a boca seca pelo nervosismo. E ele não pequeno em seus braços. Aquele jeito indefeso dele. Tudo atiçando seus instintos mais primitivos de possessão e desejo.

Ele imaginava Stiles em seus braços em vários momentos. Eles juntos na cama era o principal em sua cabeça no momento. Exaustos minutos após terem tido sexo, apenas sentindo o calor do corpo do outro, com Stiles ofegante e entregue sobre seu peito, melado e sonolento, com seu cheiro impregnado em todo o seu corpo, marcando-o.

Estremeceu. Sacudindo a cabeça para tirar aquele pensamento antes que fosse tarde.

- O que foi...? – sussurrou Stiles, ondulando a cabeça em confusão. – Derek?

Ele inclinou-se para frente, enterrando seu nariz no pescoço do garoto, inalando seu cheiro fortemente, sentindo-o como despertava seu pênis de maneira dura. Suas calças apertavam e esmagavam seu pênis pulsante, fazendo-o gemer de dor, mas ele tinha de suportar.

Se ele quisesse Stiles como seu companheiro, ele tinha de suportar.

- D-Derek...? – suspirou Stiles, agarrando os braços desnudos do mais velho, fechando os olhos com força a ponto de machucar. Seu corpo tremeu e se contraiu. Choramingou, sentindo Derek apertá-lo ainda mais contra si. – Oh céus... – gemeu, a língua travessa brincando de lhe fazer cócegas contra seu ponto sensível. – Derek... o Peter...

- Esqueça-o. – murmurou Derek, tentando a todo o custo não rosnar. Ele podia ver a mordida quase apagada de Peter no pescoço de Stiles. Era quase imperceptível, mas o cheiro ainda estava ali, ele ainda podia senti-lo. Mesmo que ele soubesse que Peter fizera aquilo para proteger Stiles, mesmo que ele soubesse que era para afastar os outros alfas de seu companheiro, nada dava o direito a Peter profanar o corpo que por direito era seu. O destino o dera. – Concentre-se em mim.

- Mas...

- Stiles, eu disse para esquecê-lo! – demandou, vendo o garoto piscar repetidas vezes, olhando-o ultrajado, quase magoado pela voz firme de Derek. – Stiles, você... – engoliu em seco, sentindo as mãos do garoto se afastarem de seu corpo.

Não, não, não, não! Ele estava perdendo-o de novo! Droga!

- Stiles, você tem de entender que meu lobo vê Peter como uma ameaça. – ele respirou fundo algumas vezes, contando até 10 antes de se voltar ao menino que, por hora, tinha toda a sua atenção voltada para ele. – Eu entendo que ele esteja tentando ajudar, de sua maneira distorcida e lunática de nos manter juntos... mas o meu lobo não. – suspirou, esticando seu corpo e caindo sobre a cadeira antes ocupada por Stiles.

- O seu... lobo...? – entendia a curiosidade do menino, eles nunca conversaram sobre isso antes, nem mesmo Scott poderia explicar a diferença entre nascer lobisomem e se tornar um.

- Sim, Stiles. O meu lobo interior, ele vive, ele respira, ele pensa. É mais instintivo, é forte e selvagem, e faz parte de mim.

- E ele... não confia no Peter?

- Na verdade, nem eu mesmo confio nas intenções de Peter. – falou em deboche, vendo Stiles rir baixinho e relaxar mais. Ok, um ponto para o Derek. – Mas meu lobo não confia por motivos diferentes.

- Ele pensa que Peter é uma ameaça em seu território. – não era uma pergunta, mas mesmo assim, Derek assentiu. – Ele sente que Peter quer me tirar de você.

Novamente, ele assentiu.

- E você concorda com isso? – Derek olhou para Stiles, vendo algo em seus olhos que pareciam mudar levemente com aquela pergunta. Talvez para Stiles fosse algo importante. – Você acha que eu... e Peter...? – Stiles estremeceu, fazendo uma careta. – Sem ofensas, mas... ele é seu tio.

- Eu sei. – sorriu de lado. Stiles era inteligente demais, ele podia ver as peças do xadrez de Stiles se mexendo em direção ao seu rei.

- E ele é velho.

Rainha branca come pião negro.

- Não muito velho, mas com certeza, bem mais experiente. – ele virou-se, olhando diretamente nos olhos de Stiles, esperando por sua resposta.

Cavalo negro sobre a Rainha branca.

- Tá, mas ele é seu tio.

Cavalo branco come Cavalo negro.

- Você já disse isso. – falou, erguendo uma sobrancelha. – Não é como se ele fosse o seu.

Bispo negro come Cavalo branco.

- Sim, mas ele é seu. – sacudiu a cabeça levemente, como se o fato de Derek não conseguir ver o ponto fosse algo estupido demais. – Eu não consigo me ver namorando o tio de... qualquer um de meus amigos. Parece nojento. É como se eu fosse tentar algo com a mãe do Scott ou... ou o irmão do Isaac. – estremeceu enojado.

Torre branca come Bispo negro.

- Bem, eu não sou seu amigo, Stiles. – falou por fim, vendo Stiles hesitar no próximo movimento dando a Derek a chance de comer sua rainha e encurralar o rei. Ele agarrou o pulso de Stiles e o puxou para perto, prendendo com a mão livre sua cintura e o impulsionando para baixo, forçando-o a sentar em seu colo de maneira escarranchada. – E não pretendo ser.

Cavalo negro derruba Torre branca.

- Ouch... também não precisa esnobar... – riu Stiles, totalmente nervoso e na defensiva. Talvez Derek ainda não tenha derrubado a rainha.

Rainha branca recua defensiva ao Rei branco.

- Não estou. Eu só quero que você entenda, Stiles. Eu quero que você compreenda o que é ser companheiro de um alfa, isso implica ser companheiro não só do humano, mas do lobo também. – viu Stiles engolir em seco e se arrepiar.

- Eu vou ter de transar com você em forma de lobo também? – sussurrou de olhos arregalados.

- Não. – riu. – Não transar... mas terá de fazer outro tipo de conexão.

Torre negra come Pião branco. Rainha branca encurralada.

- Que tipo de... conexão?

Rainha branca come Cavalo negro. Diagonal à Torre negra.

- Você sabe como funciona pactos de almas? – Stiles assentiu. – Nossa conexão será parecida, no entanto, eu não tomarei sua alma para mim, eu unirei a sua alma, a minha e a do lobo entre nós. – Ele explicou com calma, vendo os olhos de Stiles mudarem de nebulosos para cada vez mais claros e ansiosos. – Peter lhe ensinou como será feito o acasalamento?

Negação.

Medo.

Curiosidade.

Vergonha.

Oh, como Derek estava adorando ver Stiles envergonhado. Ele já conhecia a maioria das reações do corpo de Stiles, agora, ele estava tendo a chance de aprender reações novas que o estão fazendo ter mais e mais desejo de possuir o garoto.

O seu garoto.

- Em um acasalamento, é quase o mesmo ritual que um casamento humano. Tem a cerimonia, comes e bebes, familiaridades e, alguns lobisomens que tem companheiros humanos costumam trocar votos de maneira simbólica. – suspirou, falando como se fosse algo leviano. Derek foi criado em uma família de lobisomens tradicionais, apesar de ter humanos entre eles, a tradição lupina greco-romana estava entranhada nas suas veias. – Lobisomens tradicionais, como os Hales, apenas possuem uma reunião entre as duas famílias, poucas trocas de palavras entre os pais ou alfas – apontou para si e para o Stiles. – Então os recém acasalados vão para seus quartos, literalmente, acasalam. Até aí, é a parte simples.

Stiles soltou um riso nervoso.

Derek sorriu de lado. Sedutor.

- Então, a segunda parte do acasalamento é a união das almas. Eu, como alfa e herdeiro da família Hale, obviamente, terei de subjugar você. – Stiles estremeceu em seu colo. E de maneira adorável, e extremamente curiosa de como ele conseguiu fazer isso, ele estava vermelho igual a um tomate. – Durante o acasalamento, eu e você tere- — E antes mesmo de poder abrir a boca novamente, Stiles cobriu os ouvidos com ambas as mãos e começou a cantarolar para si. – O que está fazendo?

- Spoilers. – murmurou o menino, sem se mexer, apertando as orelhas com força.

- O que?

- Sabe, quando você está lendo um livro ou vendo um filme e algum cara, na maior parte das vezes é aquele amigo encheção de saco que vem e te joga a parte mais emocionante ou relevante da história.

- Stiles, você está tagarelando. E isso não é um livro, Stiles. É a vida real, a nossa vida.... tá brincando. – Stiles engasgou e corou mais forte ainda. – você achou um livro?

Torre negra encurrala Rei branco.

Cheque.

- Eu meio que... os canadenses são... ahn...!

- Você o que Stiles?

- Eu meio que achei um site que disponibiliza livros e contos sobre acasalamento, shifters lobos e... lobisomens... – Stiles parecia que iria ter um colapso em breve, tremendo levemente nos braços de Derek. Cadê aquele calor nesse momento pra calar a boca dele? – alguns vampiros também...

- E você leu esses livros...? O que eles dizem? – questionou contendo um sorriso. Ele estava se divertindo com a ocasião. Quanto mais ele tinha tempo ele passava com Stiles, mais ele achava divertida a maneira cerelepe do garoto. Algo tão vivo, tão humano.

Ele chegava a ser feliz.

- Eu... ahn... tudo...

Ele teve de rir. E Stiles só corava mais.

Ele podia se acostumar com aquilo.

- Tudo? – esfregou as mãos na cintura do rapaz, afastando as pernas para acomodá-lo de maneira melhor e confortável. – O quão... tudo isso chega?

- O tudo dos canadenses eu acho! – murmurou, vendo Derek erguer uma sobrancelha, fazendo Stiles tossir incomodado. – Eles são bem... detalhistas... – tossiu de novo, tentando esconder o vermelho de suas bochechas.

- Hum... E o que dizem esses livros? – havia aquele tom familiar de diversão, o mesmo tom divertido que o Peter usava quando estava agradável a situação para ele, o mesmo tom de manipulador filho de uma puta. – Será que ele te falou o que eu vou fazer com você quando marca-lo? – o som de sussurros e o hálito quente batiam contra a sua pele avermelhada, causando um ardor constrangedor. – O que você leu, Stiles? – o tom provocante, mas não de deboche, a fala levemente enrolada e sedutora lhe causando arrepios.

“Será que você sabe que, quando eu me enterrar bem fundo em você... eu vou marcar você com meu sêmen?”

Mãos firmes o puxaram para perto. Roçando. Tocando. Prendendo. Suas próprias mãos apoiando-se contra os ombros largos e fortes, tão musculosos.

Protetor.

“Sabe que eu não vou parar até que você esteja bem cheio e cheirando apenas a mim? Sabe que só isso não vai me satisfazer e eu vou querer de novo, e de novo, e de novo...?”

O toque forte e possessivo passeando pelas suas costas e lhe amassando a roupa contra a pele. O pênis duro roçando contra o seu, impulsionando e provocando.

Grande.

Sim, sim, sim!

“Sabe que vou te marcar aqui?” O aperto em sua nuca, alguns fios de cabelos puxados com força, o pescoço exposto. “Eles souberam escrever bem isso, Stiles? Você leu sobre um lobo fudendo outro com tanta força a ponto de deixar seu companheiro de cama por dias?”

Um engolir em seco, um gemido mal contido e um rosnado deliciado.

Sim, sim, sim! Mais, mais, mais!!

Língua úmida e quente passeando pelo seu pomo de adão, empurrando sua cabeça para se expor mais. Pedindo caminho. Exigindo submissão.

“Sabe que não vou parar até que você seja todo meu e só meu, que se entregue só a mim e se torne meu companheiro, tanto do lobo, quando humano?” – Uma mordida áspera em seu lábio inferior, puxando-o levemente.

Fez uma careta e um gemido escapou de novo. A mão livre percorrendo sua coxa com certa brusquidão, apertando a carne vestida em jeans, brincando com os fios soltos nos bolsos traseiros. O polegar zombando de seu pênis duro sobre o jeans, acariciando-o provocante.

Tão perto.

Com um gemido frustrado, Stiles sentiu Derek se afastar e olhá-lo. Seus olhos vermelhos em sangue.

- Se você não sabe disso. – sua voz não era mais que um sussurro calmo. Assustadoramente calmo. – Então eu estou lhe avisando. Eu não vou parar, não vou sossegar, nem mesmo se morrer, — a mão em sua nuca o puxou para perto do rosto de Derek, rosnando baixinho — nem mesmo eu e o meu lobo iremos ter paz até... ter você. – lábios avermelhados e levemente inchados tocando os seus. – Só meu!

Os olhos vermelhos sobre os seus. O ar quente batendo contra seu rosto. As mãos grandes o pressionando de maneira possessiva e um tanto ansiosas. Em volta deles, silenciosa e delicada, a mesma pergunta retorna.

“Posso continuar, Stiles?”

Em um pigarro nada sensual, as mãos trêmulas e o corpo suado. Stiles curvou-se para frente e abraçou Derek pelo pescoço, colando seus corpos totalmente e aprisionando o membro de Derek sobre sua bunda.

Ambos gemidos.

Mas um rosnado.

- Meu! – esse rosnado, colhido entre os lábios entreabertos do humano, aceitando-o como sua única escolha. Permitindo que Derek continuasse o que parou na sua última visita na casa de Stiles.

Eles se beijaram.

Derek continha sua vontade, concentrando-se em pegar todas as sensações daquele beijo para si, a sensação da língua de Stiles contra a sua, o leve tremor de prazer do corpo menor, os ofegos que Derek consumia com prazer, a clara necessidade do humano e seu desespero em acompanha-lo.

Seu lobo rugiu em aprovação.

Inexperiência era sinal de pureza.

Puro.

Limpo.

Nunca antes tocado por qualquer outro.

Suas mãos agarraram possessivamente a cintura do menor, usando seu tronco para se curvar sobre Stiles, a quem lhe segurara com mais força pelo pescoço em busca de apoio.

Seus lábios brigando por controle, quem dominava quem, mesmo que Derek soubesse quem venceria. Suas línguas dançando entre suas bocas, uma forçando a outra, empurrando, provando. Ora e outra os dentes se esbarrando. Salivas escorregando entre as bocas ansiosas.

Um pop e tudo termina.

Ou quase.

Derek não perdeu tempo em levar seus lábios sedentos ao pescoço do mais novo, marcando-o com pequenas sucções violentas que arrancavam gemidos dolorosos de Stiles.

- Nós... ainda não... ahn... terminamos de conversar – gemeu Stiles, segurando os ombros de Derek.

- Hum... – rosnou baixinho, fazendo Stiles contorcer e retesar.

- Por favor, não faça isso...

- Desculpe – soprou contra os lábios do menino, roubando-lhe novamente o fôlego.

Sim, eles tinham muito que conversar, mas, por hora eles podiam viver aquela trégua do momento e pensar no futuro depois.

Notas finais
Entããão? Opiniões? Sugestões? Criticas? Elogios? Nada? D: vamos lá, deixem reviews para minha inspiração e dedinhos felizes!!! por favoooooooor!!! *-*
beijos molhados pra vocês, se este capítulo chegar a 10 reviews ou mais vou postar um capítulo bonus super lindo depois do próximo com direito a uma surpresinha ;D vocês vão gostar, eu acho. heheheeh
pedidos e desejos sempre são bem vindos, adoro quando me dão ideias. Beijos especiais a todos que me deixaram reviews.