Anima Dead- Fic Interativa
55 Earl Braxton- Capitulo 4- Cada dia mais.
Notas iniciais
Espero que gostem e.e
Até o próximo povo o/
Earl Braxton
Dia 18 de Julho.
Fazenda.
Já se passaram mais cinco dias depois da fogueira feita pelo perneta. As pessoas estão abaladas com a morte de Dracule mas para mim não faz nenhuma diferença, eu até podia fingir um luto fajuto. Mas realmente eu não senti nada, nem pena, nem tristeza. Somente cheguei à conclusão de que o militar que eu achava que era fódão, não passa de um covarde bichinha.
É manhã na fazenda, ainda estamos dormindo no celeiro por falta de espaço, até que achei confortável dormir na palha, nesse frio do caralho aqui é um lugar aconchegante. Gaspar dorme sempre do lado de fora em seu jipe, é o único babaca.
Já estou acordado a algum tempo, sentado em um tronco dentro do celeiro comendo vegetais frescos e carne de açougue em volta de uma pequena fogueira. O pirata, a namorada do pirata, o indiano, Bill, o anão e a gostosa genérica também estão comendo. Engulo os vegetais como se fosse um animal, estou faminto, pego minha garrafa de cerveja, uma das últimas da última caixa e tomo alguns goles.
Depois do café da manhã sigo até o lado de fora do celeiro estendendo meus braços e checo se estou com meu machete e pistola. Certo. Meu casaco ainda está manchado de sangue daquele primeiro zumbi quando estávamos indo para Blackwood.
Gaspar está sentado em seu jipe esperando por algo, esse cara é tão trouxa que acha mesmo que alguém ainda liga para nós. Aqueles militares de merda.
A munição está quase acabando, do grupo todo, os idiotas gastaram boa parte das balas atirando no vento. Nem se deram a obrigação de treinar antes de utilizar as armas.
Vejo também o cara fortão, careca e barbudo. Ele está cortando lenha, coloca uma tora encima de uma arvore cortada e a parte com seu machado de incêndio. Mesmo neste frio o cara ainda se exibe usando uma regata branca com alças de couro sobre os ombros. Não gosto desse careca de merda.
Também vejo a loira gostosa e seu namorado soldado, Alexander eu acho, o perneta. Estão sentados em frente à casa comendo frutas. Encima do telhado está o garoto do rifle e sua namorada estranha.
- Não confio em você. – Escuto uma voz com um sotaque francês. Me viro e me deparo com a bela francesa de cabelos loiros quase brancos e corpo magro. Segura uma espada japonesa na outra mão embainhada.
- Pouco me importa, eu só quero encontrar uma moita pra mijar. – Ela cruza os braços séria.
- Tome cuidado, você pode acabar morrendo. – E ela sai me encarando com olhares de relance, o que essa vadia fez? Me ameaçou? Mas pouco me importa.
Vou até uma moita meio longe desses otarios e dou uma mijada. Percebo que alguns zumbis rondam pela floresta e um deles rasteja perto da moita que mijo. Começo a mijar em sua cabeça e rir enquanto vou me afastando. Ao notar que mais zumbis se aproximam guardo meu pau com medo de levar uma dentada e vou me afastando procurando pelo resto do grupo.
São uns dez, nada de muito grave.
- Ei! Vejo zumbis! – Grita o garoto encima do telhado preparando seu rifle.
Todos já se preparam para as criaturas.
- Não usem armas de fogo, vamos tentar mata-los sem chamar muito atenção. – Ordena Alexander para seu grupo, a francesa, o careca e a irmã mais nova do garoto do telhado empunham suas armas, espada, machado e arco.
Puxo meu machete da bainha da cintura e já acerto a cabeça de um perfurando seus olhos e crânio. Puxo com força e empurro o outro que tentava se aproximar. Ouço o som de seus crânios sendo esmagados pelo machado do careca, ele é ágil e forte, corta a cabeça de um e esmaga o crânio do outro, segue repetindo isso com facilidade. A francesa é mais rápida que ele, seus golpes são variados entre cortar a cabeça, perfurar a testa e partir o crânio em dois com um golpe no meio da testa. Levanto o machete e acerto o ombro do desgraçado, puxo ele e acerto a cabeça. A flecha da garotinha perfura mais um o matando, ela é certeira. Somente um resta e este é morto por outra flechada na cabeça. Giro meu machete e o guardo em sua bainha improvisada. O careca segue esmagando os crânios para certificar que estão mortos e a garota pega suas flechas que atirou nos putos. Ela é gostosinha.
Vou até Bill que está sentado em um tronco perto das arvores, ele nem deve ter me visto em ação.
- Cada dia aparecem mais desses putos.
- Eu sei, me falaram. – Ele responde pensativo.
- O que foi Bill?
- Eu estava pensando em como reforçar esse lugar, é perfeito, tem um lago, arvores, paisagem bonita e fica em um local alto. – Puta merda, estão transformando meu irmão em uma bichinha!
- Puta merda Bill, não diga que gostou dessas pessoas?
- Não é que gostei... Mas vejo aqui uma boa oportunidade, estou ficando cansado de correr e lutar, correr e lutar, correr e lutar... Quero descansar, dormir nas colinas... – O que ele quer dizer com dormir nas colinas? Sento a seu lado.
- Dormir nas colinas?
- Sim, descansar... Essa noite eu tive um sonho, não sei se te contei... – Nunca vi Bill tão melancólico assim antes.
- Não me contou não.
- Bem... Eu sonhei com minha irmã, ela estava me chamando, montada em um cavalo branco e linda, radiante... Ela conversou comigo e me disse que queria me ver.
- Bill! Eu sei onde quer chegar, para de pensar essas merdas cara! Para com isso! – O balanço pelos ombros mas ele continua com seu olhas melancólico.
- Não é assim Earl, eu sinto falta dela. Faz tanto tempo mas mesmo assim eu me lembro como se fosse ontem, ela foi morta tão jovem e de maneira tão cruel.
- Mas isso não é motivo para querer morrer!
- Não estou planejando minha morte, mas sinto que ela está próxima.
- Porra cara, para de me assustar, você é meu irmão, se esqueceu disso? Sem você eu tenho que aturar esses merdas sozinhos! – Por dentro estou preocupado com Bill, ele é meu irmão, a única pessoa com quem me importo aqui.
- Não quero te assustar Earl. Mas sinto que isto não está bom, isso tudo, e eu sei que não estou sozinho mas sinto que eu sou vazio! Mato criaturas que um dia foram humanos, mato humanos, mato animais e qual o sentido disso tudo? Não existe cura, não existe salvação, a única coisa que podemos fazer é fugir, correr, esconder... Eu to cansado disso cara... Só queria voltar pra casa, abrir a geladeira, beber uma cerveja e assistir a Oprah.
- Este não é você Bill! Não se lembra de quem realmente é? Você é um motoqueiro de gangue, rouba, espanca e destrói. Tá esquecendo de tudo que passamos juntos é? Você não assisti Oprah, você não é assim cara!
- Earl! Esse é você, eu não sou um motoqueiro de gangue, não mato, espanco e nem destruo! Eu me tornei isto por consequência do destino, matei o cara que matou minha irmã, fui preso injustamente, me revoltei e me tornei o que não queria tornar. Eu não sou assim! – Fico quieto diante das palavras e revelações de Bill, mesmo sabendo disso tudo, eu ainda o quero por perto, ele é meu irmão... Minha família...
- Pensa direito nisso, não faça nada inconsequente, você é minha única família, é tudo o que me restou. – Deixo Bill a sós com seus pensamentos, não gosto de vê-lo assim. Fico preocupado em pensar que ele possa estar tentando se matar, ele não pode fazer isso...
Volto até o celeiro. Pego outra cerveja, ainda sobraram quatro. Deito na palha com a garrafa em mãos e fecho meus olhos. Acabo cochilando...
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Escuto alguns tiros vindos do lado de fora e gritos. Me levanto rapidamente ainda ouvindo os disparos. Pego meu machete e vou até o lado de fora do celeiro. Já é noite e vejo muito sangue no gramado não muito longe dali, puta merda Bill! Corro para ver de quem pertence o cadáver. Vejo um braço e muito sangue, sigo o rastro e lá estão.
Perneta, o garoto do telhado só que não está encima do telhado, sua irmã, a namorada do garoto, o pirata, namorada do pirata, o covardão, o careca, a francesa, o indiano, o garoto, a esposa do perneta... Não vejo Bill. A frente de todos está um puto muito feio. É um daqueles gigantes, só que este é maior que todos que já vi antes. Ele tem cerca de quatro metros, musculoso, tem o maxilar todo aberto expondo seus ossos, carne e dentes afiados, as veias são cheias, mas parece pus, que vaza por alguns orifícios como ouvidos e narinas. É acinzentado e segura Nancy pelo braço, ela está sem o outro e sangrando muito. Todos tenta pará-lo descarregando suas armas. Merda.
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