Animê Bizarre
27 Tensão
Bill parou o Lamborgine na frente do colégio, onde Mey e Yu se beijavam. Foi um pouco constrangedor para ambos serem pegos no flagra, mas logo se ajeitaram. Eu e Bill saímos do carro.
-Bill Kaulitz! Quanto tempo. Como vai essa força?
-Vai bem, Yu. Muito bem.
-E o Tom?
-De ressaca.
Yu e Bill ficaram conversando perto do carro. Mey me cumprimentou e depois brigou comigo pelo sumiço. Foi uma bronquinha estilo Mey desesperada.
-Hinata, você quase me fez enfartar! Como você sai daqui e vai pra lá sem avisar?
-Poxa, foi sem querer. Eu encontrei o Tom, ele estava absurdamente bêbedo e eu estava profundamente triste, então ele me chamou pra festa.
-Ainda bem que eu avisei ao Kiro que você deu notícias. O Strify já estava parindo gêmeos.
-Tomara que ele me perdoe.
-Duvido. Você foi pra outra festa sem chamar ele. O Strify vai fazer um escândalo se souber!
-Então é melhor manter isso em segredo.
-Pode ser, mas você vai ter que se explicar com o Shin, com a Suze e com o Romeu.
-O que?
-O Shin e o Romeu porque foram te procurar e a Suze por aturar o Strify tendo um troço.
-Ai, céus, eu já sou grandinha, ta! Não precisam se matar quando eu sumir. Celular existe pra isso.
-Está falando deste aqui? – Mey tirou um celular do bolso.
-O que? Então...– peguei o celular que estava comigo. Esqueci que o celular que estava comigo era o do Tom, ele me pediu para eu segurar enquanto se acabava. Por isso não tinha nenhuma chamada ou mensagem – Desculpe Mey. Sério.
-Desculpe também. Notamos que o Tom tinha sumido, mas como é normal isso acontecer com ele, nem nos preocupamos.
-Tudo bem.
-Agora conte como a festa foi? Se divertiu muito?
-Foi maneira. O pessoal do Tokio Hotel é bem animado, gostei muito de conhecê-los.
-Diz ai, beijou muuuito? – sussurrou Mey.
-Nem.
-Aff, Hina! Que coisa! Cercada de gatinhos e não beija um. Fala sério.
-Eu não beijei, mas dancei muito com eles.
-Hmm, e eles dançam bem?
-Hmm, me deixa pensar... — fingi uma careta e depois disse empolgada – CLARO QUE SIM!
-Dançou mais com quem, precisamente?
-Bem, dancei com todos um pouco. Até com o Tom – dito isso, Mey arregala os olhos – Mas eu passei mais tempo com o Bill e o Georg.
-Me deixe adivinhar, o Tom capotou?
-Não, ele estava dançando perto da gente. E perto de umas garotas também ¬¬.
-Ah, sei.
O celular de Mey começa a tocar. Era a mãe dela perguntando se estava tudo bem comigo. Mey inventou uma história para não me encrencar. A mãe dela achou melhor nos não demorarmos na rua. Depois do susto, o melhor era obedecer. Então pedi um tempo para me despedir de Bill.
-Desculpa não poder ir, Bill. Eu gostaria muito.
-Tudo bem, eu entendo. É melhor colocarem um GPS em você pra não rolar de novo.
-Engraçadinho... Sendo assim, eu já vou.
-Quer carona?
-Obrigada, mas a Mey vai ficar chateada se não for com o Yu.
-Então me liga quando chegar, só pra saber se você está viva.
-BILL!
-Ok, eu paro com isso. Falando sério, você tem o meu número?
-Não.
-Me passa o seu celular – entreguei o aparelho ao Bill. Ele digitou e gravou nos contatos – Vê se liga. Se não vou ficar preocupado.
-Pode deixar. Prometo que ligo.
Bill sorriu e me deu um abraço. Depois de nos despedirmos ele foi embora. Mey e Yu estavam se beijando praticamente encima do capô do carro de Yu. Procurei não interromper a cena, então fiquei olhando pro céu. A noite continuava maravilhosa, o céu claro de lua cheia repletos de estralas me fascinavam. Fiquei por uns três ou quatro minutos a mirar aquela bela paisagem. Depois que o casal se deu por satisfeito, fomos embora. Levamos cerca de quinze minutos para chegar, e mais cinco para o casal se despedir. Enquanto os dois amassavam suas roupas e seus corpos, eu me divertia lendo as mensagens cheias de pânico que haviam me mandado antes de perceberem que eu estava sem celular.
A mãe de Mey perguntou um pouco sobre o que houve. Mey repetiu o que dissera no celular poucos minutos a trás e eu confirmei. Depois da janta, nos duas lavamos a louça, eu liguei pro Bill e nos trancamos no quarto. Éramos as únicas acordadas naquele apartamento. Ficamos umas duas horas contando o que aconteceu. Mey contava do desespero da galera e eu contava da divertida festa. Foi bizarra a conversa. Por fim, fomos dormir. Ou pelo menos tentamos, mas o celular de Mey não deixou.
-Alô.
-Quem é Mey?
-Não ela está bem – falou enquanto acenava me dizendo para esperar – Ela está aqui, quer falar com ela?
-Quem quer falar comigo? – indaguei, mas a resposta que tive foi outro pedido de espera. Até que Mey me passou o telefone.
-Toma. Ele quer falar com você – peguei o celular, tapei o bocal com os dedos e perguntei:
-Quem?
-Romeu. Anda, fale com ele antes ele vá fazer companhia pro Strify na maternidade.
-Diga que eu estou dormindo e você não tinha percebido.
-Para de enrolar e diga logo a ele que você está viva!
-Por favor, Mey. Se eu tiver que falar com ele, eu saio daqui agora mesmo nem que seja pela janela!
-Ok, ok! Eu falo.
Mey pegou o celular sem vontade e avisou ao Romeu que eu estava dormindo. Ele falou alguma coisa e ela respondeu com um ‘espera aí’ depois virou pra mim tapando o bocal com os dedos e me falou:
-Ele disse para eu te acordar, que ele quer falar com você.
-Diga pra ele deixar de ser mal educado.
-É sério, Hinata. Ele ameaçou vir te acordar. É melhor você falar com ele.
-Droga! Passa o celular – Mey passou o objeto e eu atendi com má vontade.
-Alô.
-Oi, Hinata. Tudo bem?
-ta.
-Estava dormindo há muito tempo?
-Sim.
-Desculpa atrapalhar. Só queria garantir que você estava bem.
-Ok.
-Onde você foi.
-Por ai.
-Onde?
-Andei com o Tom.
-Por onde? – insistiu irritantemente Romeu.
Passei o telefone para Mey. Ela atendeu por uns minutos e depois fez um gesto me passando o aparelho de novo. Bati o celular assim que peguei.
-Você bebeu é? O Romeu é capaz de vir aqui e te obrigar a falar com ele só porque se preocupa com você. Mesmo assim, você ainda bate o telefone na cara dele?
-Mey, você não sabe.
Sentamos no tapete e comecei a contar o que aconteceu a partir do momento que sai puta da vida esquecendo até o celular. Porque até então eu só tinha contado da parte que o Tom me chamou em diante. Durante o diálogo, me lembrei de certa premonição que tive há uns dias.
/[flash back]/
‘’Tudo o que é bom, dura pouco. Ninguém tinha avisado isso, mas eu antecipo que deveriam ter feito. Deveriam ter avisado a Priscilla e a Nathalie que o planinho malvado delas não iria durar por longo prazo. Mas deveriam ter me avisado para não me meter com elas a menos que eu quisesse ser a próxima vítima. ’’
/[flash back end]/
Quando achei aquela pasta, eu pressenti que aquilo me comprometeria. Algo me avisou que eu não devia mexer com elas, e realmente, não devia. Mas eu não obedeço fácil. E por isso, agora mais do que nunca, sei que devo me precaver. Esse pensamento voltou em minha mente porque ele tinha completa razão e na hora, eu nem tinha me tocado que deveria ser cautelosa ao lidar com aquelas duas.
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