Animê Bizarre
3 Será um sonho?
Eu estava subindo as escadas da igreja. Não acreditando, mas subindo. Eu ia casar! Sim, e por sinal com um cantor lindo. Ninguém menos que o Bill do Tokio Hotel. Ah, meu Deus! Tudo estava perfeito. Senti-me nas nuvens. Por um momento eu ainda estava a um metro do altar. De súbito, a imagem mudou. Não era o Bill. Paralisei. Definitivamente empaquei pra nunca mais. Eu mal tinha piscado. Então como aquela pessoa tão diferente estaria se casando comigo? Não era pra isso ser um sonho?
-Hinata, acorde!
-AH! Eu não aceito de jeito nenhum!- gritei
-O que você não aceita, garota? Ter que acordar pra ir pra escola? Pois pode ir levantando.
- Tudo bem pai, foi só um pesadelo- arfei
-Se recomponha e vá se vestir. Está em cima da hora.
Ai, ninguém merece. Eu estava atrasada. De novo. Meu pai me olhou como se eu tivesse perdido uns parafusos. Pelo seu rosto, não tinha entendido porque eu tinha gritado aquelas besteiras. Onde já se viu sonhar com casamento? Em plenos 16 anos? É... Eu estou precisando de terapia.
Tive sorte dessa vez. Não que eu seja de atrasar, mas ultimamente meu despertador não anda tocando. A professora de álgebra ainda não tinha chegado. Acomodei-me aliviada no meu lugar. Tom, infelizmente viu quando cheguei e aproveitou cada minuto que pode para tirar uma da minha cara.
- Tudo bem Hinata? — disse como se isso importasse
-Maravilhoso Tom — disse ironicamente.
-Chegou bem, não é?
-É.
-E como o Romeu está?
-O que eu tenho a ver com isso?
-Quem mais poderia ter feito o Romeu arrebentar o braço daquele jeito? Olha, não sei não, mas, vocês dois dariam um belo casal
-DARIAM, mas não DÃO. Dois verbos de tempos diferentes sua anta – disse enfurecida.
-Ficou brava é? Que foi? É TPM? Também quero.
-Fique querendo.
Naquele momento peguei a crise do ‘eu não conheço o Tom’. Só ele pra falar tamanha besteira. Mas quem sou eu pra impedi-lo de ter seus ataques de pelanca? Eu pagaria pra ver isso.
Fiquei mais calma. Hoje eu iria trabalhar junto com Suzannah. Curiosamente eu não a tinha visto até agora. Bastou que eu me virasse para ver a cena. Suze e Strify rindo no fundo da sala. A conversa parecia estar interessante. Ou o Strify estava contando piada ou estava contando as cantadas mais ridículas que o Tom já usou. E por incrível que pareça estas cantadas deram certo. Fiquei entretida olhando os dois no fundo da sala. Os feixes de luz que transpassavam a janela resplandeciam no sorriso de ambos. A cena era tão meiga.
Romeu me sacudiu. Que garoto educado e paciente. Só porque eu estava entretida com Suze e Strify conversando no fundo da sala não era motivo pra ele ser tão rude. Pensando bem, porque ele estava tão impaciente?
-Hinata!
-Que foi Romeu? Será que você não pode esperar?
-Eu estou aqui há dois minutos e você não me escuta.
-Pode falar.
-Você ainda está olhando para eles.
-Qual o problema?
-O problema é que eu quero falar com você e não com o seu cabelo.
-Hora, então vá se catar! Viu só o que você fez? Se você não ficasse gritando os dois ainda estariam lá conversando.
-Não me venha com essa.
Não tínhamos percebido, mas começamos a gritar e de repente toda turma estava prestando atenção nos berros. Acabei virando as costas pra ele. Tomei uma atitude muito madura, eu sei * (ironia: P) *. Mas funcionou tão rápido que eu me arrependi de não ter feito isso antes.
Com a chegada da professora, um POUQUINHO atrasada, começamos a aula. Suze estava avoada. Estava com uma cara parecida com a Mey depois de olhar para o Yu. Só tenho uma coisa a falar: Não sei bem se era porque o colégio todo estava sob efeito da fase da conquista, mas em relação aqueles dois... É o amor!
-Hina, porque você e o Romeu estavam brigando?
-Por nada de útil. Ele só foi educado o suficiente pra me tirar do sério.
- Francamente, Hinata. Você, nem por um momento, pensou que pode estar gostando dele?
Não respondi. A minha cara de quem acabou de chupar limão foi o suficiente.
-Ódio pode virar amor, lembre-se disso.
-Suze! No meu caso não é ódio, é aversão mesmo.
-Hinata eu te conheço tão bem quanto você me conhece. O que está te incomodando?
-Nada não.
-O Strify estava comentando sobre ontem. Quando você desmaiou.
-É mesmo? Eu jurava que ele devia estar contando piada ou algo assim.
-Não foi piada, mas foi engraçado.
-O que tem de tão engraçado?
-A cara de desespero do Romeu. O garoto parecia mais preocupado com você do que com a quantidade de pontos que teria que levar no próprio braço. Sem brincadeira, você deveria agradecê-lo... Quando fizer as pazes.
-Tudo bem. E quanto a você e o Strify? Estavam rindo muito lá atrás. Movimento suspeito não acha?
-Hum... Mais ou menos.
-Como assim?
-Amiga, fala sério. Até parece que o Strify ta afim.
-Não sei, nem imagino- fiz uma cara de inocente.
-Não é o que parece, somos amigos.
-‘’Não é o que parece’’? Você acabou de entregar os pontos. Se você diz que pode parecer algo é porque você mesma sabe disso. Não é?
- Não é bem isso. Vamos dizer que seja como uma amizade colorida.
-De purpurina- acrescentei
-Está bem! Supondo que eu esteja gostando do Strify. Quais são as minhas chances com ele?
-E você ainda pergunta?
Suze confessou. Isso a deixou meio encabulada, mas feliz. Ela olhou para Strify, que estava do outro lado da sala, e sorriu. Ele não deve ter visto, pois estava terminando de copiar a matéria. Quando bateu o sinal, eu e Suze saímos da sala juntas. Romeu passou por mim cruzando meu caminho e passando na frente. A minha reação não foi bem a que ele esperava. Eu comecei a rir junto com Suze.
-Vocês parecem crianças brigando
-A criança é ele.
-E também foi ele que virou de costas primeiro. Não foi, Hinata?
-Abafa essa parte.
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