Animê Bizarre
8 Revelações
Tudo o que é bom, dura pouco. Ninguém tinha avisado isso, mas eu antecipo que deveriam ter feito. Deveriam ter avisado a Priscilla e a Nathalie que o planinho malvado delas não iria durar por longo prazo. Mas deveriam ter me avisado para não me meter com elas a menos que eu quisesse ser a próxima vítima.
Voltando um pouco a história, eu tinha encontrado um pertence delas quando as duas tapadas se apressavam para ir embora do colégio. E o que eu encontrei? Uma câmera fotográfica? Um mp4 com revelações comprometedoras? Ou um caderno com anotações? Quer mesmo saber? Não foi nenhuma dessas opções.
Quando eu avistei o objeto, desanimei um pouco, mas depois de examiná-lo mudei de idéia. Era uma pasta, e tinha alguns papéis dentro. Olhando a primeira vista parecia ser uma pasta na qual se guardava provas antigas. Mas, depois de abrir a pasta, percebi que as três provas do bimestre passado eram só um elemento fora do conjunto. O que realmente guardavam naquela pasta nada mais era do que os bilhetinhos que a Priscilla mandava para a Nathalie e vice-versa. E além dos bilhetinhos, bem no fundo da pasta, havia fotos. A que mais me chamou a atenção foi uma em que o Yu estava com a Mey.
Na minha percepção, aquele foto mostrava um casal lindo, mas a Nathalie tinha feito um comentário atrás da foto assim: ‘’ um dia isso vai acabar!’’e a Priscilla concordou desta forma: ‘’contos de fada não existem, minha cara Mey.E muito menos duram!’’
No silencio do meu quarto, eu agora estava pensando no que acabara de ler. Eu não tinha olhado os bilhetinhos * (PS: esses tais bilhetinho eram passados durante a aula. Eu e a Lya o chamamos de ‘MSN de pobre’) *
Corri para pegar o telefone. Chamei a Lya para me visitar e ela concordou. Ela ainda não sabia dos bilhetes e das fotos, mas enquanto ela não chegava, eu ficava pensando se devia mostrar a ela. Seria divertido, para Lya, analisar cada fofoca contida naqueles bilhetes. Ainda mais porque a Nathalie sempre falou que não gostava de ficar passando papel no meio das aulas. Seria uma chance e tanto para a Lya revidar o que ela tinha falado a respeito do nosso ‘MSN de pobre’. Hora essa... Quem são elas pra falar do nosso perfeito sistema de comunicação gratuito durante a aula? Epa, dá licença!
-Hina! Como vai?
-Vou bem e você?
-Animadíssima para a festa de dia dos namorados! O Kiro me chamou para dançar com ele.
-Só no agarradinho do forró, né? – fiz um gesto como se estivesse dançando.
-Que isso! O Kiro me convidou na boa intenção.
-Dessa boa intenção o inferno está cheio.
-Hinata!
-Zoa.
-Ele não está com segundas intenções.
-Ainda... Espera para ver!
Começamos a rir. E a conversa rolou numa boa. Lya estava radiante de felicidades, mas ela não me engana. O Kiro bem que gosta de dançar agarradinho que eu sei * (se duvidar nem precisa dançar xD)*.
Inesperadamente a campainha toca. Eu fui atender meio enrolada, pois estava numa guerra de travesseiro no meu quarto. Para sair daquela zona foi meio tenso. Quando eu atendi a porta...
-Hina!
-Mey... E Romeu?
-Oi Hina.
-Oi, como vocês estão?
-Bem – disse Mey – Eu ia passar na sua casa pra fazer uma surpresa e encontrei o Romeu pelo caminho, e como ele queria falar com você...
-Entrem.
Romeu passou por mim um pouco nervoso, parecia desconfortável com a situação. Notei que tinha algo que ele não queria me mostrar. Mey imediatamente puxou Lya para dentro do quarto enquanto Romeu passava pelo meio da sala em direção a grande janela. Entendi o recado. Era assunto particular.
-Bem,... O que te traz aqui?
-Eu passei no colégio para saber da festa e fiquei sabendo da dança.
-Ah, sei. E aí? Já sabe com quem vai dançar?
-Na verdade não. Umas garotas pediram, mas eu não conheço e por isso não aceitei.
-Mas para os solteiros o objetivo da dança é conhecer gente nova.
-Eu tô nervoso. Não conheço muitas garotas. Tipo, a Mey, a Suze, a Lya e você eu conheço.
-Você conhece mais gente do que isso.
-Conhecer, eu conheço, mas falar eu só falo mesmo com vocês.
-Quem pediu para dançar com você?
-A Pri e a Nathy.
- A PRISCILLA E A NATHALIE? — gritei
-O que têm elas?
-Mas de jeito nenhum! Com elas você não dança, mas nem por cima do meu cadáver!
-Calma...
- Olha só, aquelas duas são umas pilantras, está me entendendo? – apontei pra ele como se estivesse dando uma enorme bronca. Mas eu estava mesmo dando uma bronca nele.
-Não! – falou enquanto balançava a cabeça, meio confuso.
- No momento eu não posso te falar – sussurrei – Mas depois a gente conversa sobre isso.
- Promete?
-Claro. Continuando o que você estava me dizendo, você não tem com quem dançar certo?
-É! A Mey talvez dance com o Yu, a Lya com o Kiro, a Suze com o Strify, o Shin com a Dayse e você com o Tom.
-Eu? Com o Tom?
-É.
-Eu ainda não sei com que vou dançar, é provável que seja com o Tom, embora eu não goste muito da idéia, mas no momento eu ainda não decidi. Talvez eu não vá.
- Vai perder pontos se não for – fiz uma cara de desanimo, Romeu respirou. Passou um breve minuto e ele se aproximou de mim suando frio. Estava muito nervoso – Olha... Você não precisa dançar com o Tom se quiser...
-É claro – interrompi dando um leve sorriso
-Você quer dançar comigo? – perguntou pronunciando cada palavra com clareza, e em seguida me mostrou uma rosa, pegou em minha mão, levantou-a no ar e me puxando pra perto de seus braços, estendeu a rosa para mim repetindo a pergunta — Hinata, você quer dançar comigo? – agora num tom mais conquistador.
Já em seus braços eu estava meio confusa. O olhar de Romeu era tão carinhoso, ele estava sendo muito fofo me pedindo daquele jeito, mas eu imediatamente encabulei. Romeu levantou o meu queixo, não tinha mais como desviar o olhar. Estávamos próximos, dava pra sentir a sua tensa respiração enquanto a minha acabou se prendendo. Em meio a toda esta cena, Mey e Lya, que estavam vendo pela brecha da porta, se empolgam com o que vêem e caem no chão, pra fora do quarto. Elas ficaram vermelhas e eu fiquei mais ainda. Romeu controlou sua timidez e aos poucos foi soltando minha mão que eu até tinha esquecido que estava entrelaçada na dele.
Lya, Mey, Romeu e eu ficamos nos encarando por um tempo, até que Mey rompe com o silêncio.
-Meu celular está vibrando, eu vou até a cobertura atender – se retirou indiscretamente na maior cara de pau.
- Acho que ela vai precisar de ajuda – Lya se retirou logo a seguir.
-Nossa, que discreto da parte delas saírem deste jeito – comentei – ninguém mandou bisbilhotar.
-Que comentário.
-Mas por acaso estou errada?
-Nem um pouco, afinal, vamos ou não dançar?
-Tudo bem.
Acompanhei Romeu até a porta para nos despedirmos. Ele disse que a rosa era para mim e logo depois tentamos nos despedir, mas não deu certo. Quando tentei beijar seu rosto, Romeu virou o rosto para me encarar, como tinha feito antes. Era para ser apenas um beijinho no rosto, mas aquele garoto tem sempre que complicar as coisas. Ele beijou levemente meu rosto e depois me puxou pelos dois braços. Imagino que tenha sido ironia, pois ele me suspendeu um pouco para que ficássemos na mesma altura e depois beijou minha outra face. Prestei atenção em cada movimento, não sabia como agir. Por fim, passei meus braços por seu pescoço e dei-lhe um abraço. Ele acariciou meu cabelo e sussurrou um tchau. Logo após, me seguro novamente, com o braço esquerdo e com a mão direita tocou o meu rosto, acariciando-o levemente. Estávamos cara a cara de novo.
Neste instante, Mey desce do terraço com Lya e mais uma vez os quatro ficam encabulados. Romeu vai embora.
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