Animê Bizarre
7 Quebrando a cara
O dia correu tranqüilo. Foi ficando tarde, logo Mey e Suze tiveram que ir. Fiquei pensativa em meu quarto, afinal, eu não falava com o Shin há algumas semanas, desde que ele foi fazer intercâmbio. E pra ser sincera, não tinha muita intimidade com ele. Seria certo pedir pra dançar com ele? Mais que besteira pensar isso! É claro que não tem nada de mais. Não vou morrer por tentar mesmo!
A manhã do dia seguinte foi muito chata. Implicando com o Tom, como sempre. Pegando no pé do Strify e conversando com o Kiro (fazer o que? Hoje ele não estava atacado). Tudo ocorria normalmente. Cheguei a falar com o Shin. Pouco, mas falei. E vi o Yu no corredor, mas não quis falar com ele. Depois do que a Mey disse, eu prefiro esperar as coisas se acalmarem. Afinal, pode ter sido que ele não queria ter traído a Mey, mas num clima tenso como esses, é melhor não botar lenha na fogueira.
Não adiantou nada desviar do Yu no corredor. Eu estaria presa em uma sala por dois tempos de aula sentada ao lado dele depois do intervalo. Ele me pareceu triste. Olhando mais de perto, deprimido.
Yu se virou para falar comigo. Eu não ia deixar de falar, mas isso não quer disser que eu necessariamente tenha olhado pra cara dele enquanto ele falava.
-Hinata, eu estou precisando muito de sua ajuda.
-O exercício está muito difícil?
-Não tem haver com o exercício. É a Mey.
-Jura? E depois de ontem, já não era de se esperar.
-Serio, acredita em mim. A Mey não quis nem me ouvir.
-E tinha toda a razão – interrompi.
-Pode pelo menos me ouvir pra depois me julgar?
Confirmei com a cabeça.
-Foi armação. A sínica da Priscilla admitiu querer acabar com a alegria da Mey antes de me beijar. Eu juro que estranhei quando ela disse que queria falar comigo. Mas como ela começou a falar sobre rock, eu achei menos estranho.
-Priscilla? Então foi ela?
-Sim! Ela estava tramando junto com a Nathalie.
-E você como homem deveria ter força o suficiente pra sair dos braços dela! Por que não fez?
- Eu estava grogue. Elas colocaram algo no perfume que me deixou zonzo. Quando dei por mim ela já tinha me beijado.
-E como você sentiu o perfume daquelas peruas? Você deve ter cheirado o cangote delas.
-Não foi preciso, eu acabei de falar que tinha algo no perfume e que o cheiro era muito concentrado.
- Deve ter sido daqueles perfumes fortes. Você mesmo disse um dia que o cheiro deles te dá dor de cabeça.
-Isso mesmo. Bem lembrado. Mas como vamos provar pra Mey que estou sendo sincero? Ela me disse poucas e boas hoje. Disse que não quer nem olhar pra minha cara.
-Nisso aí meu irmão, VOCÊ QUEBROU A CARA! A Mey tem um gênio terrível, vai ser difícil fazer as pazes.
-Sendo assim Hinata, — ele deu uma breve pausa e respirou fundo para falar mais alto — Fodeu de vez!
-Pois é!
Passei o resto da aula pensando em um jeito de driblar a teimosia de Mey. Para isso eu precisaria de provas concretas, tipo uma foto, uma gravação ou até mesmo fazer com que as duas, tanto a Priscilla quanto a Nathalie, confessassem o crime. É numa hora dessas que eu pego meu MP5 e aumento o volume *(música: ‘’get off – cinema bizarre’’)*, como a música mesmo diz, a imaginação pode nos levar longe. Em contrapartida, a mesma música sugere que quando o tempo se tornar precioso, devemos sair. Essa ultima dica foi meio contraditória, mas eu não ligo. O trabalho de Educação Física que eu deveria começar a fazer após sair da escola passou pra segundo plano. Mey é mais importante, afinal, com um trabalho não se paga uma amizade de longos anos!
Mas se o Yu estiver mentindo? Não tenho provas de que a Priscilla e a Nathalie são exclusivamente as culpadas. Não que eu as esteja livrando da culpa, mas a teoria do Yu foi meio duvidosa. Culpar um perfume por ter ficado incapaz de se desvencilhar não foi muito aceitável de se ouvir. E tem mais; é muito provável que ele realmente tenha cheirado o cangote delas porque de outro jeito seria muito difícil de sentir o cheiro a menos, é claro, que aquelas duas tenham se banhado em perfume.De qualquer jeito tudo me pareceu suspeito.
Dava pra perceber que era armação só pela cara de felicidade que elas fizeram quando viram a Mey brigar com o Yu durante a saída. Parecia ter sido um plano perfeito, mas elas não contavam com certo descuido: com a afobação de ir embora depois do ultimo tempo de aula, acabaram deixando um pertence para trás, um pertence que futuramente comprometerá as duas.
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