Strify, Yu, Romeu e Kiro pertenciam ao Cinema Bizarre. Já o Tom, toca no Tokio Hotel. Além de Tom, a banda era composta de mais três integrantes: Bill, Gustav e Georg. Já o Cinema Bizarre tinha cinco membros: Strify, Yu, Kiro, Shin e Romeu.

Durante o intervalo, Kiro e Strify me convidaram para ver o ensaio da banda, porém eu não tinha tempo hoje. Mey e Suze disseram que iam. Lya ficou de fazer um trabalho e também não pode.

Os garotos adoram se gabar quando tocam neste assunto. Yu e Tom passavam um bom tempo analisando os meios mais maneiros possíveis para segurar uma guitarra. O segundo tipo de foto que o Yu gostava de tirar, sem contar com as fotos de seu perfeito abdômen, era segurando a guitarra.

Assim ia decorrendo o intervalo. Tudo tranqüilo até eu esbarrar com certo cidadão. Romeu não parecia estar zangado comigo. Ele parecia até contente em me ver. Eu não posso dizer o mesmo. Seria criancice dele de esbarrar comigo pelo corredor de propósito. Depois a Suze fala que a criança sou eu. Mas é aquele ser vivo que está agindo de tal forma.

-Está calma agora, Hina?

‘ Mais que absurdo. Depois de discutir feio comigo em sala ele ainda tem coragem de me chamar pelo apelido? De onde ele anda tirando tanta intimidade? Que abusado!’ (pensei)

-Não.

- Me desculpe, eu não queria ter brigado com você daquele jeito, foi grosseria minha.

Eu estava prestes a dar uma resposta. Se eu não tivesse desviado meus olhos do rosto dele, não teria me lembrado do machucado que estava cravado em seu braço. Suavizei a resposta.

-Desculpado.

Romeu sorriu.

-Como está o seu braço?

-Nada de mais, só um arranhão.

-É grave?

-Não.

-Não minta, parece ser bem profundo. Não sente dor?

-Nenhuma.

-Como você se machucou? – como seu eu já não soubesse a resposta ¬¬.

O sinal tocou. Não era uma boa hora pra isso ter acontecido. O malandro aproveitou o fim do intervalo como desculpa pra me falar do corte no braço mais tarde. Mais tarde quando? Isso ele não me disse, repetiu apenas que seria mais tarde. Como se a resposta dele tivesse respondido a minha pergunta ele se virou e andou até a sala na qual teria sua próxima aula. Fiquei a falar com as paredes. Agora, mais do que nunca, reforço a idéia de que ele é muito educado. Nada do que uma boa dosagem de má educação não possa fazer por ele. Pois pelo jeito dele, ‘oi’ e ‘tchau’ parecem ser palavrões que ele jamais deve pronunciar. Expressões mais extensas, que mandam as pessoas para aquele lugar pareciam ser menos problemáticas de se falar do que um simples ‘oi’. Concluo então que o ‘tchau’ devia ser quando se queria mandar o outro (no caso, quem estiver ouvindo) para mais longe (palavrãozinho básico= *PQP*). Brincadeirinha: D

Bastou eu entrar em sala para me lembrar que Romeu seria meu parceiro na próxima aula. Strify e Lya estavam em sala, mas o Tom e o Romeu não. Bem, se a vontade dele é matar aula, eu não me importo. Ele que sairia perdendo. Ou talvez suspenso.

- Lya, você sabe onde o Tom e o Romeu se meteram?

-Não vejo o Tom faz uns dez minutos, ele deve estar paquerando alguém.

-E o Romeu?

-Não estava com você agora a pouco?

- Há uns cinco minutos.

-Tom e Romeu desaparecidos, isso não vai dar certo- adiantou Strify.

-Creio que Tom prefere bisbilhotar o treino das lideres de torcida do que brigar com o Romeu por nada. -conclui

-Isso se o Romeu não tentar fazer o mesmo- disse Lya para Strify

-O mesmo o que? – espantei-me

-Bisbilhotar.

-E porque ele ficaria irritado com isso?- interrompeu Strify- O Romeu se tornaria um companheiro para ele trocar comentários.

-O Tom é muito possessivo quanto a isso. Se tiver alguém aqui que ‘possa’ bisbilhotar o treino das líderes de torcida, esse alguém é ele. E disso ele não vai querer abrir mão.

-Como se ele fosse o único a fazer isso- comentei

Romeu entrou na sala arfando, mas em contrapartida não parecia estar machucado. O Tom não estava com ele. Parecia que tinha acabado de ver um fantasma e achasse graça disto. Dá pra entender? Acho que não. Ele driblou o professor e sentou-se inquietamente do meu lado. Ele não chamou nem um pouco da atenção da turma (ironicamente falando). Romeu virou para mim, arfando mais ainda:

-O que ele passou até agora? — olhou para o professor.

-Ele ia começar a chamada.

Virou-se para mim de novo, mas desta vez ficou me mirando.

-Você está bem?

- Diga você. Parece que viu uma assombração. Estava muito preocupada comigo?

-Vai sonhando, vai.

-Então porque você está tão vermelha?

- Te interessa?

-É feio responder uma pergunta com outra, sabia?- Ele fez uma careta, como se não tivesse gostado do que eu tinha respondido.

-Como se você não fizesse o mesmo.

-Você bem que gosta de implicar.

- Eu estou ouvindo coisas? Repete o que você falou- disse incrédula.

-É verdade, não negue. Você implica mais comigo do que com o Tom.

-Tadinho do Tom, ele vai ficar deprimido se eu trocá-lo por você- ironizei.

-Não estou falando do Tom, estou ressaltando que você gosta de brigar comigo.

-Porque será?

-Fala sério. Acha que eu estou mentindo?

Apontei o dedo indicador pra ele- Morde aqui pra ver se sai coca-cola.

-Lógico que não.

-Então acha que eu acredito?- Mostrei outra vez o indicador e depois revirei os olhos.