Angels and Fairies: The War

4 Desmaios já viraram uma habilidade.


Notas iniciais
Desculpa por não postar no sábado como prometi, estava viajando. Espero que gostem, feliz natal atrasado para vocês

Acordei em um grande quarto. Paredes, chão e teto de eucalipto, eu poderia sentir o cheiro da madeira. Haviam várias beliches com cobertores verdes perfeitamente arrumados, Uma escrivaninha, uma estante com diversos livros, e uma porta. Atrás daquela porta também de eucalipto haviam vozes, me concentrei nelas e, o que antes eram sussurros agora eram vozes nítidas. “— Será que ela já acordou?
— Ela estava desmaiada?
— Qual será a casta dela?
— O Jacob já sabe que ela está acordada?”

Eram muitas vozes femininas, eu não poderia diferencia-las. Karen entrou no quarto.

— Querida, você está bem?
— O que aconteceu?
— Você desmaiou.
— Nossa, já estou adquirindo uma habilidade! — Debochei fazendo ela rir.
— Vou mandar as garotas da minha casta cuidarem de você, elas são ótimas.

Nem quis perguntar sobre o que ela estava falando. Ela saiu e alguns segundos depois, quatro garotas entraram no quarto.

— Oi, eu sou a Nayara. — Ela era morena com cabelos incrivelmente brilhantes, eles eram compridos de modo que batiam em seu quadril. Tinha olhos verdes cor-de-esmeralda.
— Eu sou a Catarina. — A menina morena de olhos castanhos escuros se apresentou. Ela era tão branca que aprecia albina, seus cabelos estavam trançados em um ramo de flores brancas.
— Jamille, prazer. — A loira acenou. Ela tinha olhos azuis e um cabelo estilo anos 80 — E minha irmã, Kamille. Ela é tímida. — A irmã era idêntica a ela.
— Gêmeas?
— Sim. — Elas riram.

As garotas me ajudaram a levantar. Elas prenderam meu cabelo com grampos e me entregaram um saco de papel. Haviam batatas-fritas e suco de laranja. Minhas comidas preferidas.

— Não está na época de uvas e, não dava pra colocar sushi ai dentro, desculpe. — Nayara se desculpou. Essas também são minhas comidas preferidas.
— Não tem problema, isso já está ótimo, obrigado. — Eu sorri e Catarina me levou até fora.

Parecia um acampamento de verão. Natureza mais construções de madeira.

— Bem Vinda a Narshville. — Nayara disse.

Eu queria parar e observar a vista, todas aquelas construções de cor marrom no meio da vegetação rara. Queria parar e observar os pássaros atravessando a linha que separava esse mundo, do mundo real.

As meninas me mostraram uma foto do mapa de Narshville. Estávamos na entrada. Havia um portão que seguia de uma estrada, logo depois a casa das Sangue Médias. Depois o refeitório. Depois um grande espaço dedicado ao treinamento, uma longa extensão de grama com holofotes e arquibancadas em volta, parecida com um campo de futebol. Falaram que ali era a área de treinamento, mas não pude ver como faziam algum tipo de treinamento ali. Atrás da Área de Treinamento existiam quatro casas iguais, de área pequena porém com quatro andares cada. Eram separadas por uma cerca branca e baixa. As casas eram estilo Inglaterra 1980, quadradas com enfeites na parede feitos de gesso. A única coisa que diferenciava uma cada das outras era a pintura. A primeira casa tinha um tema praiesco. Paredes de madeira clara, telhado com palha falsa por cima. Redes de pesca, areia e algas no telhado e nas vigas.

A segunda era feita de madeira escura, mais parecia aquelas casas de inverno. Tinha um telhado de cascalho, uma cadeira de balanço na frente e por dentro eu poderia ver uma lareira ardendo em chamas. A terceira casa era branca com desenhos de flores e arvores. Mal dava para ver que era branca. Tinha um jardim em volta e nas janelas, vasos que escorriam e transbordavam de plantas. A quarta e última casa era simples, não se via nada por dentro e por fora era de madeira simples, não tinha plantas ou pinturas nas paredes. Continuando no mapa de Narshville, tinha mais um monte de outros edifícios que eu não sabia o que eram ou para que serviam, mas estava empolgada para descobrir.

— Verão, Inverno, Primavera e Outono. — Jamille disse apontando para as casas.
— Karen, Jacob, Lillian e Joshua. — Catarina completou.
— Os guardiões das castas, certo? — Não sei como, mas eu sabia disso.
— Sim, Jacob seu pai, filhos da Thalia. — Jamille respondeu.
— Thalia, mãe natureza? — aquilo destruía minha insanidade mental. Uma parte de mim queria ir embora e esquecer, outra parte queria ficar e descobrir mais, por que essa mesma parte de mim sabia que aquilo era verdade.
— Sim, sua avó. Ela teve os seus 4 filhos e eles viraram os Guardiões das Castas das Estações. Os meninos cuidam bem das castas, são ótimos guardiões, já as meninas, tsc tsc. — Kamille pela primeira vez falou algo, e como falou.
— Karen nunca sabe quando o verão entra em cada lugar do mundo. Lillian apesar de ter o dom da primavera, é uma merda fazendo flores. Qualquer garota da primavera faz uma melhor. — Jamille desabafou.
— Gente, olha como vocês falam das autoridades, Thalia castiga! — Catarina advertiu.
— Thalia é outra sonsa que fica o dia inteiro sentada naquela cadeira de flores lixando as unhas e não faz nada que preste. — Kamille perdeu a timidez.
— Gente, concordo com Catarina, acho melhor vocês pararem de falar mal e seguir o tour. — Indaguei.
— Certo. — Jamille concordou contrariada.
— Ali, é o palácio. — Nayara disse apontando a única construção que não era de madeira.

Aquilo realmente parecia um palácio. Era branco com muitas janelas e portas, um ramo de flores coloridas subia até o topo.

— Ai é onde Thalia e seus 4 filhos ficam.
— Achei que os guardiões ficassem em suas castas.
— As garotas ficam nas castas, os guardiões no palácio. — Catarina respondeu.

Comecei a repassar o tour em minha cabeça. Área de treinamento.

— Que tipo de treinamento vocês fazem naquele campo?
— Voo, espadas, poderes, pólen, enfermagem tudo que precisamos para a guerra e para as preparações das estações. — Catarina respondeu.
— Oi? — Perguntei assustada
— A guerra dos divinos contra as fadas. — Respondeu ela
— Fadas? — meu coração parou, eu fiquei branca.
— Ninguém te falou que somos fadas? Você também é.

Diferente das outras vezes que eu acordei desolada em uma cama — de hospital ou beliche. Dessa vez eu ainda estava no chão, as quatro meninas ao meu redor me olhando como se eu fosse um alien.

— Desculpa. — levantei rapidamente do chão. — Eu odeio isso. Onde estávamos mesmo?
— Acho que você deveria falar com seu pai. Ele está no palácio. — Catarina disse assustada.
— Claro. — disse.

Subi por um caminho de pedras brancas. A cada passo que eu dava o palácio ficava maior e mais assustador. Eu não queria falar com meu pai. Dois guardas uniformizados abriram a porta para mim. Um corredor incrivelmente decorado estava à frente. Eu não sabia por qual dos dois lados seguir.

— Os dois levam para o mesmo lugar. — Um dos guardas falou, eu agradeci e virei a direita. Me deparei com uma sala que tinha duas escadas, uma de cada lado que se juntavam em uma só no final. No meio das duas escadas tinha 5 tronos. O do meio, grande e dourado e cheio de flores os outros quatro (dois de cada lado) eram menores e vermelhos. Não tinha ninguém nos tronos. Naquela sala havia somente eu e 6 guardas, iguais aos da porta da frente. Vi eles cochichando entre si até que uma mulher de roupa social com aparentemente 35 anos desceu as escadas. Ela tinha cabelos castanhos escuros, olhos castanhos e usava um óculos quadradinho.

— Posso ajudar, querida?
— Ah sim, estou procurando o Jacob.
— Para quê? Posso saber?
— Disseram que eu deveria falar com ele. Eu sou sua filha.
— Ah claro, sua irmã está lá. Pode subir, segunda porta.
— Obrigada. — respondi.

Subi as escadas, entrei na segunda porta. Havia uma sala com uma lareira, sofás de veludo vermelho. Depois uma cozinha branca muito bem organizada.

— Pai? — chamei com receio.
— Querida! — ele saiu do corredor da cozinha. — Gostou do tour?
— Tirando a parte em que eu desmaiei, foi legal. Aqui é bem bonito.
— Que bom que gostou. Aqui é seu novo lar.
— Uma parte de mim sempre soube disso.

Ele suspirou.

— Acredite, as coisas ficam bem mais fáceis depois que você entende tudo. — Ele afagou minhas costas.
— Esse é o único problema! — alterei a voz e atravessei a cozinha. — Eu não estou entendendo merda nenhuma!
— Eu posso explicar, pergunte o que quiser.
— Minha mãe. — falei com raiva lembrando de tudo que ela passou para criar eu e minha irmã sozinhas. — Me conta, como conheceu ela, por que se separou.
— Vou ir um pouquinho antes disso para não desencadear mais perguntas. Quando Thalia deu à luz a quatro crianças, as batizou de Primavera, Verão, Outono e Inverno. E assim surgiram as estações. Mas, quando crescemos fomos mandados ao mundo real, todos viram a destruição e poluição, mas eu só consegui ver sua mãe. — Achei que iria dormir por um segundo. Mas a história melodramática mudou. — Guardiões não poderiam se relacionar com humanos. Mas eu quebrei essa regra, não exatamente. Guardiões são quem programam suas devidas estações em todo o mundo, nunca tiramos folgas. Guardiões e humanos geram fadas, então você pensa que todos são meus filhos de mães diferentes. Não. Humanos e fadas também geram fadas.
— Então, não somos suas únicas filhas?
— Sou mais velho do que você pensa, já devo ser tatatatatataravô, se elas ainda estivessem vivas.
— 7 gerações de filhos?
— Voltando a sua mãe, Thalia concedeu a ela uma "missão", ela poderia cuidar de vocês até as duas terem 18 anos ou até a situação sair do controle.
— E saiu.
— Sim, mas não culpe sua mãe, ela foi a que ficou por mais tempo com seus filhos.
— Quem são as outras mães?
— Seriam pais. Lillian e Karen também tem filhos com mortais. Duas meninas lindas, — seu rosto se iluminou. — Ah, adoro elas.

Eu não sabia como reagir, eu estava processando tudo.

— E por que só tem meninas aqui?
— Como pode ver, eu e Joshua somos os únicos homens aqui. Todos os meninos, são mandados para Clifiton.
— Clifiton?
— Seu avô. Meu pai.
— E por que?
— Era um trato entre Thalia e ele. Thalia ficava com as meninas e Clifiton com os netos meninos.
— Então, estamos restritas a ser lésbicas? — Ele riu.
— Se quiser, é a sua escolha, mas podem sair pro mundo a fora visitar suas famílias amigos e coisas do tipo. As vezes por diversão, as vezes por missões.
— Ah, claro. — me senti constrangida por aquela pergunta idiota. — Mas os meninos de Clifiton não tem contato nenhum com a gente?
— Tem, eles vem em alguns festivais e, as vezes nós também vamos lá...
— Ah, já entendi.
— Agora, se não tiver mais nenhuma pergunta, sua irmã quer te ver.
— Não tenho.
— Então pode ir.

Entrei pelo corredor, uma porta estava aberta, entrei lá e encontrei uma biblioteca pequena, mas com prateleiras que iam do chão ao teto. Em uma cadeira de balanço estava Clarity lendo um livro.

— Ei.
— Ah, oi. Falou com o papai?
— Sim.
— Da pra acreditar? Eu nem acredito nisso! Não vejo a hora do festival de recrutamento!
— Festival de recrutamento?
— Sim, tem um por ano. É onde definem de que casta cada fada é. Onde as fadas ganham suas asas e, no final tem um teste, tipo um jogo onde mostram suas habilidades, mas não define nada, é mais para diversão.
— Hm, e quando é o próximo?
— Daqui uma semana. Daqui uma semana vamos ter asas e um coroa de ramos!

Daqui a uma semana teremos asas. Isso ecoou pela minha cabeça.

— Não é estranho pra você? — perguntei desolada.
— Não. Bem, um pouco. Pra você é?
— Muito.

Ela parou e pensou um pouco a respeito.

— Esse livro explica muita coisa. — ela apontou para o livro marrom e verde ao seu colo. — Acho que termino de ler ele ainda hoje. Você deveria ler também! Ele parece velho e chato mas, tem figuras! — Ela sorriu. Não pude deixar de sorrir também.
— Garanto que é tão bom quanto você diz!

[...]


No jantar, Jacob, Lillian, Joshua e Karen se sentaram na mesa do canto inferior. O restante das garotas se sentaram nas mesas de suas castas, eu, Clarity, Fany, Heloísa, Isis, Joyce e Kate (todas Sangue Médias) sentamos na nossa mesa.

— Hoje nós tivemos a honra de receber aqui em nossa cidade, Agatha e Clarity, filhas de Inverno. — era estranho remeter ao meu pai como Inverno. — elas se juntarão a Fany, Heloísa, Isis, Joyce e Kate no festival de recrutamento dia sete de dezembro. — ela falava com uma empolgação imensa. — como as outras meninas estão treinando a mais de um mês elas não participarão da prova de habilidade. — vi a expressão triste de Clarity, ela parecia tão relaxada e bem com esses lances de fadas e asas. — Ao menos que queiram. Alguma pergunta? — Karen prossegui. Clarity levantou a mão e perguntou.
— Quando eu começo o treinamento?
— Treinamento de guerra, amanhã bem cedo. Treinamento das estações, bom, só depois do festival. — Karen olhou em volta para ver se tinha mais alguém com perguntas.

Ela bateu o garfo em uma taça dourada e decorada e todas as meninas se mexeram até a mesa no centro e se serviram. Eu fiz o mesmo. Garçonetes serviam as mais variadas bebidas com apenas uma garrafa (colorida e brilhante), era só falar a bebida e ela caia no copo.

Depois do jantar todas as garotas pegaram suas roupas e se dirigiram a casa de banho, como Fany me disse. Havia duas grandes banheiras, com uns 30 assentos para cada pessoa. Clarity disse que havia lido sobre isso no livro, disse eram os melhores e mais demorados banho de todos. Todas se sentamos nos assentos, a banheira se encheu de agua rapidamente. Ninfas colocaram um pó dourado (que mais parecia glitter) na água. Disseram que o banho demorava cerca de 20 minutos. Por incrível que pareça, aquele pó era um faz—tudo e atuava como sabonete e hidratante ali, Clarity havia me contado. Ninfas lavaram meu cabelo e passaram cremes em meu rosto, também passaram no das outras garotas. Fiquei feliz por estar de biquíni.

Depois a banheira esvaziou e todas estavam secas como um passe de mágica. Ninfas secaram, pentearam e arrumaram meu cabelo em um coque esquisito que seria para dormir. Depois todas subiram para suas casas, nós descemos para nossa casa.

— E, ai? O que achou do banho? — Heloísa perguntou
— Estranho, relaxante e pomposo.
— É mais pomposo ainda quando tem algo importante. — Ela riu.
— Importante como, o festival? — Clarity perguntou do beliche em cima de Heloísa.
— Sim. Como os muitos festivais. — Heloísa confirmou.
— Muitos? — Perguntei.
— Muitos! Temos o festival de Primavera, Verão, Outono e Inverno. O de recrutamento, cerimonias para idas e voltas das atacantes para missões sem contar as minifestas de aniversário que temos todos os finais de mês para as aniversariantes. — Clarity respondeu, ela realmente sabia bastante com aquele livro.

Segurei um palavrão, era festa pra tudo!

Notas finais
Espero que tenham gostado, não se esqueçam que comentários matam a fome de escritoras famintas, até sábado.