Angels and Devils

15 Everything will be fine


Notas iniciais
Desculpem a demora! É que graças a ela estou sem muitas recuperações e com boas notas! Estava com pressa de postar para vocês, e sem tempo, juntando a fome com a vontade de comer, tá aí sem revisar. Foi mal :( Mas espero que aproveitem mesmo assim. AH! Esse capítulo é dedicado à IrCaskett, atual Hakka No Togame. Valeu linda!

ANGELS [AND DEVILS]

EVERYTHING WILL BE FINE

A ruiva, cerca de dois passos a frente, continuou a andar alegremente com a manga da camiseta azul entre os dedos finos. Ichigo não fazia esforço para seguir os passos das amigas.

— Pra que essa cara de bunda, hein, Ichigo? – Tatsuki, que acompanhava Orihime, agora voltava os olhos castanhos para o rapaz.

Virando os olhos para a morena ele continuou as seguindo. Era o oitavo dia desde o sumiço de Rukia e ele apenas piorava. Seu humor estava, literalmente, de matar. Não queria ter saído sem ser para socar coisas ou tentar arrancar um braço de Urahara, mas não podia discutir com Tatsuki, podia?

E por isso saía daquela vez, e mesmo que fizesse tudo que as duas queriam, não iria tirar da cabeça o que já havia grudado lá. Sentia os braços frios da saudade sobre seus ombros, apoiando-se totalmente nele. A respiração inquieta dela sussurrava um nome em seu ouvido.

— Kurosaki-kun! – O aperto foi da roupa para a mão dele. – Por favor, pegue um desses pra mim!

Apontando uma das maquinas do fliperama ela o puxou de novo, os dedos tentando se entrelaçar aos dele acabaram por incomodar mais do que deveria.

— Certo, certo. – Vendo Tatsuki se afastar ele presenciou o que já havia previsto. Fora deixado sozinho com Orihime mais uma vez.

Não precisou realmente tentar para pegar uma das pelúcias, foi como se a máquina quisesse dá-los. Acabou por pegar um coelhinho rosa de expressão estranha, que a ruiva amou.

— Obrigada, Kurosaki-kun! – A voz fina quase gritou enquanto agarrava o coelhinho.

Um momento depois ela estava séria, o rosto corado e as sobrancelhas espremidas denunciavam que ela queria falar algo.

— O que foi Inoue? – O desinteresse na voz fora momentaneamente mascarado.

— Kurosaki-kun... – Fora tudo que ela conseguira murmurar antes de se agarrar ao tronco masculino.

Os braços finos o apertavam com uma força que não pareciam possuir, Ichigo não reagiu. A menina murmurou mais um pouco, algo ilegível, e então as mãos que apertavam as costas do maior lentamente faziam um caminho até seu peito, e então pescoço. Ela sussurrou o nome dele mais uma vez e num impulso chocou seus lábios com os dele.

À medida que a garota roçava os próprios lábios nos do rapaz as mãos deste seguravam de maneira mais firme a cintura escultural. Percebendo, a garota tentou aprofundar o beijo, os lábios se entreabriram e no segundo seguinte as mãos masculinas mostraram o porquê de tanta firmeza. Ela fora levemente empurrada.

— Não queria ter te empurrado, me desculpe. – A voz dele era suave, mas a pontada de censura fora o bastante para fazê-la corar com a vergonha.

— Mas, Kurosaki-kun... Eu pensei que você...

Ele apertou o ombro da garota com uma mão e se afastou um passo, a mão esquerda escondida no bolso apertava o tecido. Encontrava-se numa situação péssima, mas a única coisa que podia fazer era falar a verdade.

— Me desculpe. – Uma lágrima solitária ameaçava rolar pelo rosto da garota quando ouviu aquelas palavras, mas esta usou de todas as forças para mantê-la nos olhos. – Mas eu só te vejo como amiga. Você é linda, muito linda, mas eu... – A pausa não durou tanto, mas seus pensamentos eram longos. Complexos. – Eu já tenho alguém.

A menina tocou os lábios com a mão, a expressão de surpresa e vergonha se sobressaía.

— Perdão! Eu não sabia!

— Tudo bem. – Ele interrompeu o ataque de histeria que ela teria. – Só espero que não deixemos de ser amigos.

O sorriso fraco e triste dela revelou o que ele já sabia: aquela lágrima rolaria por sua causa. Assim como, por causa de alguém, ele também sentia vontade de chorar.

— Diga a Tatsuki que nos falamos amanhã. Até mais, Inoue. – Com um aceno ele deixou a garota, encolhida no próprio abraço, para trás.

Após perceber ter saído da vista da garota ele correu, correu para casa apenas para se jogar de qualquer jeito no travesseiro e lá ficara até a noite. Das três horas, horário em que saíra com Tatsuki, até as seis, horário em que Ichigo se encontrava jogado na cama como um travesseiro velho, a temperatura subira desagradavelmente, fazendo-o suar na camiseta de mangas longas que usava.

Tirou roda a roupa que lhe cobria o corpo e as lançou num canto qualquer. Irritado foi para baixo do chuveiro, e depois rejeitou carinhosamente a mãe, apesar do mau humor, quando esta lhe oferecera o jantar. Jogou se na cama novamente e ficou por lá. O peito desnudo doía um pouco com a tentativa de prender os teimosos soluços que queriam sair.

Por que ela o deixara sem falar nada se gostava dele? E por que ele sentia como se estivesse sendo despedaçado quando ela não estava ali? Pelo amor de Deus, ele nem sabia se ela tinha um sobrenome, uma família, qual era sua cor favorita, ou comida favorita, não sabia se ela preferia dormir de lado ou debruçada, se ela gostava de pimenta, ou de chocolate, não sabia nada, e ainda assim... Ainda assim não podia evitar pensar que poderia estar amando a morena.

A mente inquieta impediu que Ichigo se acalmasse por longas horas, até que, sem nenhum lençol, e vencido pelo cansaço, lhe cobrindo o corpo, adormeceu. Talvez. Apenas talvez, tudo desse certo.

X-------------------------X-----------------------------X--------------------------X-----------------------X

O homem tossiu mais algumas vezes para então continuar o trote débil em que se encontrava. Amaldiçoava a energia que queimava dentro de cada alma jovem, na verdade não amaldiçoava isto, e sim o fato de ter que correr atrás de alguém tão enérgico!

Avistou a figura ao longe e estendeu a mão, gritou seu nome três vezes até que a pessoa percebera e decidira voltar correndo com a mesma energia com que se afastava a poucos momentos. Não foi necessário muito tempo até que esta chegasse até o homem, agora sentado, que respirava pesadamente e limpava o suor pegajoso que se formara em sua testa.

— Me desculpe. – Foi o que a voz doce, porém firme, disse ao chegar. – Eu não percebi que havia me chamado. Não deveria ter saído correndo daquele jeito.

— Tudo bem... Entendo que tenha se sentido animada... Com essa notícia. – Ele disse entre arfadas longas.

A mão foi levemente pousada sobre o ombro do maior enquanto ele tinha outra violenta crise de tosse. Se sentindo culpada, a moça decidiu apoiar o corpo do maior com o seu.

— Certo! – Exclamou fazendo força para apoiar maior parte do corpo do homem, ainda em meio a uma crise, sobre o seu. – Vamos voltar! – Sentiu certa resistência do corpo acima do seu e um ou dois gemidos foram ouvidos.

Ignorando os sons do homem continuou a andar, lentamente, enquanto os longos cabelos brancos roçavam em seus braços. Alguns metros depois ele conseguiu parar de tossir e após alguns passos ele conseguiu se afastar do corpo franzino que o carregava.

— Kuchiki. – O tom sério fez com que ela parasse. – Eu só precisava te entregar a carta de permissão, ou você não passa pelo limite...

— Ah! – A surpresa foi evidente. – É verdade. Desculpe-me capitão.

Com uma reverência ela pegou a carta e viu o homem de cabelos brancos e olhos gentis sorrir. Ele lhe deu um abraço apertando os ombros da morena que era notavelmente mais baixa.

— Cuide-se, Kuchiki. – Murmurou logo após soltá-la.

— Sim Capitão! Tudo ficará bem.

Um sorriso, talvez o mais lindo que ele vira em um longo período de tempo, surgiu no rosto dela. A fileira de dentes brancos envolta pelos lábios rosados quase se estendia até as orelhas, e logo ela corria de novo. Antes que ela se afastasse demais ele gritou:

— Ei Kuchiki! – Viu a garota parar e tossiu uma vez. – Cuide do Ichigo-kun!

Ela não conteve uma gargalhada e se pôs a correr novamente.

X-------------------------X-----------------------------X--------------------------X-----------------------X

O homem de olhos extremamente verdes acompanhava o de cabelos azuis com passos apressados. O de gênio impetuoso a sua frente dava passos largos demais para que pudesse acompanhar tranquilamente. Por que tinha que acompanhá-lo mesmo? Sequestrar uma garota não era trabalho para dois! Dois dos soldados de elite ainda por cima.

— Aqui estamos! O limite! – Grimmjow gritou para a escuridão que se estendia a sua frente. – Vamos, Ulquiorra!

Sem mais delongas seguiram seus caminhos, procurando atentos pela energia que a pessoa procurada emanava. Para demônios era fácil localizar suas presas, portanto, em menos de cinco minutos, a encontraram. A mulher tomava chá calmamente, sentada embaixo da janela com os olhos, um pouco inchados, voltados para a lua.

Ulquiorra não entendeu o súbito interesse que os traços de seu rosto lhe despertavam, mas conteve-os o quanto pôde. Observou Grimmjow farejar algo como um cão faminto. Odiava quando ele fazia aquilo, significava que deixaria todo o serviço para ele.

— Pegue-a! – A voz soou rouca, com um tom de excitação pela caçada que executaria. – Nos vemos no limite em cinco minutos.

Não protestou, pois sabia que só o deixaria irritado, e consequentemente, a si próprio também. Lentamente se aproximou da janela da garota e num salto entrou. Observou o ambiente ao seu redor, decidindo entre desacordá-la ou leva-la consciente.

— Você vai mesmo servir pra alguma coisa, mulher? – Indagou à mulher silenciosa enquanto, entre o indicador e o polegar, sentia uma pequena mecha de seus cabelos longos e ruivos.

Por um momento a mulher olhou para trás, fitando de maneira firme um ponto exato atrás dos olhos esmeralda que ela não podia ver. Lágrimas rolavam livremente pelo seu rosto e o moreno passou o polegar na bochecha dela, tentando, inutilmente secar as lágrimas que caíam. Não sabia o porquê, mas queria confortá-la em seus braços, para que não chorasse mais.

Se aquele mundo a fazia mal, não seria tão ruim leva-la para longe.

— Você ficará bem. – Disse enquanto, sem saber de nada, a garota desfalecia em seus braços.

Olhou para a lua com a garota em seus braços. Um passo determinado até a janela, e então se foi.

Notas finais
O próximo é só melação/discussão do nosso casal lindo e maravilhoso! Deixem comentários, ou passo pasta de dente na cara de vocês!