Angels In Heaven

5 Cap 5 - Um Beijo de Anjo


Cap. 5 – Um Beijo de Anjo

Na manhã seguinte, acordei e percebi que estava com outra roupa e coberta com o edredom. Eu não me lembrava de ter dormido daquele jeito então só pode ter sido... ele.
Eu olhei pro lado e ele ainda dormia. Um anjo sem asas. E que belo anjo.
Não podia acreditar que estava pensando isso dele, e o Gerard? Como fica? Minha filha se remexeu mais uma vez. Era bom sentir que eu não estava tão sozinha agora.
Ele abriu os olhos e me viu admirando ele dormir.
- bom dia. – ele sorriu pra mim e se sentou. Eu pude ver então como ele estava: ele vestia um short azul escuro e uma camisa de manga da banda Anthrax, favorita dele.
- bom dia Mi. – eu disse pela primeira vez chamando ele pelo apelido.
- bom dia. Acordada há muito tempo? – ele perguntou indo pro banheiro.
- não, só alguns minutos. Mikey...
- hum...
- você por acaso trocou a minha roupa enquanto eu dormia? — ele empalideceu.
- foi preciso. Quando eu voltei do banho você estava toda encolhida aí na cama, eu pensei que não era muito bom você dormir de calça jeans, podia machucar minha sobrinha. – ele estava vermelho que nem tomate e evitava me olhar diretamente – então, eu peguei uma roupa sua na mala e te vesti. Me desculpe, eu não devia...
- tudo bem, Mikey. Eu não estou chateada com você. Obrigada. – eu dei um sorriso tímido e ele retribuiu, logo depois entrou no banheiro e fechou a porta.
Ele tinha me visto em roupa, ou melhor, apenas de calcinha e sutiã. Isso me fez ficar envergonhada o resto do dia.
Não fechamos nossa conta no hotel, porque talvez dormiríamos por lá mais uma ou duas noites. Eu tinha decidido que durante aquela semana ficaríamos apenas em New York, passeando por todos os pontos turísticos possíveis de lá.
Naquele segundo dia, nós fomos ao Time Square, por pura insistência de Mikey que queria de qualquer jeito me levar ao cinema.
- por favor, Marie. A última vez que eu fui nesse cinema eu era criança. Por favor, vamos. – ele suplicava como um garotinho pedindo doce. Diante daqueles olhos cor de mel eu não tive como dizer não. Aceitei.
Ele comprou os tíckets e nós assistimos o filme “Escrito nas Estrelas”, um romance que se passa em Manhattan e duas pessoas são unidas pelo destino. Parecia ironia. Durante o filme, eu via que Mikey me olhava e quando eu olhava de volta ele virava o rosto.
Saímos do cinema, e fomos parados na porta por um homem que vendia flores.
- compre uma rosa para sua esposa tão bela. – o rapaz disse para Mikey, que olhou pra mim sem saber o que dizer. Eu fiquei muito sem graça, e ele mais ainda.
- ela não é minha esposa. – ele conseguiu dizer quase engasgando.
- ah, me desculpe. Mas vocês fariam um lindo casal. – o cara disse e eu corei.
- eu compro essa rosa, a mais bonita. – Mikey disse entregando o dinheiro ao rapaz.
- muito obrigado. Tenham uma linda noite. – e o cara foi embora sem olhar pra trás.
Achei estranho aquilo tudo, era como se ele nos conhecesse, sei lá. Eu senti um sentimento estranho e quando olhei de novo, ele tinha sumido na multidão que saía do cinema.
- toma, é pra você. – Mikey me entregou o pequeno buquê de rosas cor salmon, minhas preferidas.
- ah Mikey... obrigada. – eu ia beijá-lo na bochecha mas no mesmo momento ele se virou pro mesmo lado e nossos lábios ficaram colados num beijo simples e delicado.
Foi instantâneo, nós dois ficamos sérios sem nada pra dizer. Minha cara foi até o chão de tanta vergonha. Ele ficou ainda mais vermelho do que já estava. Voltamos pro carro em silêncio, envergonhados por nosso primeiro beijo ter sido tão constrangedor.

No hotel, eu não conseguia dormir. Aquela cena não saía da minha cabeça nenhum minuto. Aquele beijo doce, aquela boca macia. Ah, como isso me deixava mais confusa!
- ah, Gerard... por que você tinha que me deixar... por que eu estou me apaixonando logo pelo seu irmão? – eu me perguntava mas não achava nenhuma resposta.
Mikey não estava no quarto. Ele tinha ido até a recepção pagar nossa estadia. No dia seguinte já iríamos viajar novamente, dessa vez pra mais longe, Canadá. Como qualquer grávida que se preze, eu mudava de idéia muito rápido e em pouco tempo já tinha desistido de New York.

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