Angels In Heaven

10 Cap. 10 – Na vida, nem tudo é perfeito


Notas iniciais
Nem tudo é perfeito...

Cap. 10 – Na vida, nem tudo é perfeito

Passamos o Natal felizes. Sem dúvida alguma tinha sido um dos melhores Natais da minha vida. Depois desse dia ainda ficamos mais uns 3 dias em Paris. Eu queria voltar pra New Jersey antes da virada do ano, e assim fazer uma surpresa pra minha grande amiga Kary. Estando tão feliz, nada melhor do que passar o Reveillon ao lado dos meus amigos neh?

Mikey e eu arrumamos nossas malas, que estavam ‘inexplicavelmente’ mais pesadas agora, e fomos pro aeroporto pegar um vôo de volta a NY. Dessa vez eu não tinha nenhum pingo de medo, Mikey estava comigo e era meu anjo sem asas.

O vôo de volta não foi tão tranqüilo, pois muita gente desejava voltar à sua terra Natal e rever amigos. E eu não tinha sido a única a ter essa idéia.

Graças a Deus e ao meu bom anjo da guarda, chegamos com vida. Mas logo nós não teríamos tanta sorte assim.

Pegamos um táxi do aeroporto para casa. No meio do caminho, o táxi onde estávamos foi atingido por um motorista bêbado e eu vi minha vida passar em um instante, como da última vez.

- Mariiieeeeee!!!!! – eu ouvi Mikey gritar antes da batida. Ele me abraçou e eu não vi nem ouvi mais nada.

Mikey foi levado para o hospital às pressas. Seu estado era grave e os médicos já não tinham muita fé que ele fosse sobreviver.

----- Visão do Mikey -----

Eu vi aquele carro vindo em nossa direção e a única coisa que veio em minha cabeça foi proteger às duas o máximo que eu pudesse, até dando minha vida por elas. E isso quase aconteceu.

Eu senti meu corpo me deixar, não sentia mais dor nem ouvia mais as vozes dos médicos dizendo que eu não tinha mais chance. Tudo estava claro e eu achei que tivesse morrido.

- onde eu estou? – me perguntei olhando pros lados e não vendo nada, somente claridade.

De repente tudo ficou normal e eu estava sentado em um banquinho no meio de uma estrada deserta. Me perguntei se o céu era uma estrada no Texas mas fui interrompido das minhas idéias quando ouvi uma voz conhecida, que me fazia querer chorar.

- Mikey....

Olhei pro meu lado e ele estava sentado no banquinho também. Quase dei um pulo da cadeira tamanho o susto e ele riu.

- Gerard??? O que... como.... mas...

- não tente explicar. Você não vai conseguir achar respostas pra isso.

- e você me diz isso assim??? Eu morri? É isso?

- mais ou menos. Na verdade você está vivo, mas eu te trouxe aqui pra gente conversar.

- conversar? Ai, eu não to entendendo mais nada.

- fica calmo, Mikey. Eu só quero saber uma coisa.

- sobre a Marie?

- é... sobre ela. – eu vi que Gerard ameaçou chorar mas nenhuma lágrima caiu – você a ama de verdade?

Eu gelei, se é que meu sangue ainda era quente naquele lugar. Mas eu resolvi responder a verdade, era mais justo não mentir pro meu irmão.

- sim. Eu a amo, sempre a amei. Me perdoe, Gerard.

- não peça perdão por amá-la. Eu não posso mais te-la, ela não é mais minha. Ela é livre para amar quem quiser agora. – os olhos dele se encheram de lágrimas mas nenhuma escorria pelo seu rosto pálido. Era estranho, mas devia ser normal para um anjo.

- Gerard, ela disse que você tinha virado um anjo, o anjo da guarda dela.

- eu sou o anjo da guarda das duas, mas eu só posso protegê-las aqui de cima. Por isso Mikey, eu quero que você me prometa que vai sempre protegê-las na Terra, que nada vai acontecer à ela e à minha filha enquanto você estiver com elas.

- mas como... como eu as protegerei se eu não sei nem se elas estão bem... – eu tentei chorar mas também não conseguia.

- elas vão ficar bem, tenho certeza disso. Agora me prometa, por favor.

- eu prometo. Prometo que sempre cuidarei delas e nunca deixarei que nada de mal aconteça.

- ah meu irmão... como eu sentirei sua falta. – ele me abraçou. Não sei como, mas ele parecia real, vivo. – agora vá e cuide delas. Elas irão precisar.

Nesse momento eu vi tudo ficar claro novamente e Gerard desaparecer. Eu tentei abrir os olhos e vi uma pequena claridade com vozes ao fundo. Logo depois sentir todo o meu corpo voltar a doer.

- ele está vivo! Doutor! – uma enfermeira gritou e vários médicos entraram na sala.

Acho que me sedaram, pois eu não senti mais nada e adormeci.

------ Fim da Visão ------

Me levaram para um quarto onde fizeram curativos na minha cabeça, que sangrava. Eu estava lúcida e preocupada sem saber onde Mikey estava, se estava bem ou... não queria pensar no pior. Já tinha sido terrível perder o Gerard e eu morreria se perdesse o Mikey também.

Coloquei as mãos na barriga e senti uma dor imensa. Parecia que estavam me rasgando por dentro.

- ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! – soltei um grito e todos se assustaram – meu bebê!! Meu bebê tá nascendo!! – eu lembro de ter gritado.

Mas não podia ser, ainda não era hora. Eu só estava grávida de 7 meses e não queria ter minha filha assim, tão precipitada. Mas não tinha outra alternativa, ela iria nascer.

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