Angels Cry

48 Capítulo 48: Pedir a minha mão?


O dia se passou. Brevemente a noite já tinha caído em minha janela.

Eu não tinha ido a lugar nenhum. Para ser sincera, nem queria. Dormi a tarde toda. Não atendi os poucos telefones que tocaram, nem ligo. Com toda certeza, nenhum deles era o “meu príncipe encantado”.

A porta sofreu leves batidas.

Me levantei do sofá, pausando o filme, e fui abri-la.

-O que é que você quer, menino?

Perguntei, olhando tediosamente para Jake.

Jake deu dois breves passos em minha direção e me beijou, calmamente. Não, eu não sei, não me pergunte por quê eu abracei seu pescoço. Não me pergunte também por que eu o deixei entrar.

-Jake, peraí. Jake.

Afastei-o.

Encarei Brian parado na porta.

-Posso falar contigo?

Ele perguntou, olhando para mim, como se Jake não estivesse ali. Me afastei rapidamente dele, limpando a boca.

-Oi, er... Jake, pode me dá um minuto?

Jake assentiu, passando por Brian, esbarrando sem querer em seu braço. Brian manteve-se rígido. Jake fechou a porta silenciosamente; quando escutamos o barulho de seus pés descendo a escada de madeira, Brian gritou:

-Que merda você está pensando, Lisa?

Ergui uma sobrancelha. Pensei que ele iria vir pacificamente, mas se tratando de Brian, nunca espere uma reação educada.

-Como é?

-Você. Tá maluca.

-Por que?

Perguntei, gritando também.

-Eu vi.

Oh, merda.

Engoli a seco.

-O que você viu?

-Você, de palhaçada com o mauricinho babaca.

-Hey, não fale assim dele!

-Está defendendo o...

Dei um tapa na sua cara. Brian me encarou, a marca dos meus cinco dedos em sua cara.

-Primeiro o Dean, depois o Jake. Vai me trocar por mais quem, agora?

Brian me encarou, magoado.

-Por quantos forem precisos, até você se tocar e parar de tomar posse das pessoas.

Brian me encarou com desprezo.

-Não sei. Não sei realmente o que deu em você. Não sei o que fazer.

-Você nunca soube.

Cruzei os braços.

Não sei, também. Não me pergunte o que eu estava fazendo. Só sei que eu estava tão cheia de ser cobrada coisas por Brian... Não queria estar discutindo com ele, logo no final do ano, mas eu não suportava mais. Tinha que falar.

-Você sempre está brigando comigo. Sempre reclamando, reclamando, reclamando... Nunca satisfeito, não posso respirar quando alguém passa que você arranja um motivo para discutir! Parece que você quer me trancar em uma gaiola! Como se eu fosse um cachorro, algo imóvel. Estou cansada.

Falei, já vermelha.

Brian me encarava sem emoção.

-É como se nós nunca tivéssemos dado certo.

Ele coçou a cabeça.

-Sabe essa porra, isso tudo que você está dizendo? Guarde pra você. Não quero escutar mais uma estúpida palavra vinda da sua boca.

-Brian...

-CALA A BOCA, ELIZABETH.

Ele gritou, erguendo um dedo.

-Você estava grávida, de outro cara. Não pensei duas vezes, se você quer saber; só Deus sabe que a primeira coisa que eu pensei foi: foda-se, vai ser meu filho. Vamos ter um casa de frente pra praia, ele vai crescer e aprender a pegar garotas, vamos ter um labrador chamado Klaus e você vai ver sua novela das nove, comigo reclamando querendo ver o filme que passa no Telecine Action.

Ele falou, sem olhar nos meus olhos.

-Mas aí o bebê morreu. Acredite se quiser, fiquei super mal. Mas eu pensei “podemos ter outro”. Vou na casa de Tiffany para falar pra ela não a importunar mais, resisto ás suas tentativas de me seduzir, por que eu só tinha um pensamento na cabeça.

Ele se interrompeu de repente, como se estivesse editando algo na cabeça.

-Qual era o pensamento.

Ele respirou fundo, nervoso e com raiva.

-Fala.

-Quer saber? Tchau. Não vou mais vir aqui, pode se pegar com o bom moço.

Ele me deu as costas, indo em direção da porta. Corri até ele, puxando seu casaco. Caiu uma coisa do seu bolso, que o fez parar. Olhei paralisada para a caixinha felpuda de joalheria.

-Syn... o que é isso?

-Não é nada.

Ele se abaixou, mais nervoso ainda, pegando a caixinha e a escondendo.

-Syn, isso é um anel?

-Não é da sua conta.

Respirei fundo, com dificuldade.

-Você ia pedir minha mão?

Levei as mãos geladas á boca.

-Você não merece. Vou dar agora á qualquer vagabunda na rua que quiser dormir comigo.

Ele me encarou uma breve e longo minuto, se virando e indo embora, batendo a porta atrás dele.

Me senti tonta.

Jake entrou na casa.

-Liss?

-Me ajuda, estou passando mal.

Me sentei no sofá, curvada para frente, as mãos em volta da barriga. Jake se sentou do meu lado, pegando o telefone e discando números.

-O que está sentindo?

-Não sei... Liga pro... pro...

Notas finais
e aí, povo que me faz feliz, como estão? -Q
gostaram? (: não gostaram?
bjbj :*