Angels Cry

41 Capítulo 41: Absolut, please


Notas iniciais
hi people (:

No dia seguinte, eu não consegui me levantar. Sorte que era domingo.

Papai e Chad saíram para pescar. Provavelmente passarei o dia sozinha, as meninas foram acampar hoje cedo. E eu não estava nem um pouco afim de chamar Brian.

Foi quando a campainha tocou.

Xingando Deus e o mundo, me levantei, toda descabelada, e fui ate a porta. Lá estava Brian, com sua velha calça jeans preta e sua blusa não tão velha assim do Slayer, me encarando com um cara decepcionada.

-Por favor, diga que não é verdade.

Engoli a seco.

-Do que você está falando?

-Está grávida? Dele?

Sabe aquele pequeno ataque cardíaco que você tem quando acha que perdeu o celular? Eu tive um desses. Vezes mil.

-Syn, eu...

-Tchau.

-Não, peraí, deixe-me pelo menos explicar.

Pedi, puxando-o pelo braço. Ele riu sem humor.

-Explicar o que? Que você preferiu transar com o seu amigo do que com seu namorado? Explicar que você acreditou tão facilmente numa mentira absurda e que fez isso? Foi pra que, han? Pra se vingar? Parabéns, você conseguiu acabar comigo, Lisa!

-Não, Syn, não foi assim...

-Foda-se!

-Eu estava bêbada! Estava triste por causa das coisas que você me disse, não sabia em quem acreditar! Dean me levou para casa e...

-Você dormiu com ele!

Ele berrou, me fazendo tremer. Engoli a seco, trincando os dentes.

-Era por isso que eu não me apegava ás garotas. Eu só me ferro. Eu sabia que não deveria ter mudado por você, é que nem as outras.

Ele cuspiu as palavras, se virando e indo embora. Desabei no chão, me encolhendo e chutando a porta, entrelaçando os dedos nos cabelos.

Estraguei tudo antes mesmo de ter começado.

A campainha tocou de novo. Logo em seguida, meio segundo depois, Brian entrou, irritado, e se ajoelhou na minha frente, segurando meus pulsos.

-Shhhh, desculpa, eu estava irritado, hm? Vai, para de chorar, Liss, por favor. Desculpe por ter gritado.

-Não, você tem razão! E-eu sou horrível, não podia ter feito isso com você.

-Não, desculpe por ter gritado, eu estou nervoso com isso e...

Ele respirou fundo.

-É que é difícil demais suportar isso, preferia que fosse meu. Ah, como eu preferia.

Ele entrelaçou os dedos com os meus, encostando a testa na minha.

-Eu não posso abandoná-la agora, e nem vou.

Passou-se meia hora. Nós estávamos tão quietos que pareceram três horas. Syn estava sentado no chão do meu lado, olhando para frente.

-Talvez não fosse para dar certo.

-Não, Syn...

-Não acha que se fosse para ficarmos juntos, tudo não estaria ando certo? Quer dizer, está tudo errado.

-Mas eu te amo.

Ele trincou os dentes.

-Eu sei. Eu também te amo, mas...

Senti novamente as lágrimas caindo.

-Talvez fosse melhor se nós apenas fossemos... amigos.

-Não, Brian, não faça uma coisa dessas comigo.

Pedi, sentindo a visão ficar embaçada, puxando seu braço. Quando ele se virou, vi que seus olhos estavam igualmente marejados.

-Eu pensei que você...

-Eu também, mas... Lisa, você não está certa do que quer, não posso ficar voltando e desmanchando com você.

Ele forçou um sorriso carinhoso, mas eu só via tristeza.

Que merda.

-Para com isso, Avril.

Pedi, quando ela enfiava o delineador nos meus olhos.

-Ai, vai ajudar se você parar de piscar.

-Você enfiou isso no meu olho.

Falei dando um tapa em sua mão.

Eu não tinha contado nada pra ela. Não queria que ela perdesse seu tempo tentando me consolar e tal. Preferia ficar quieta, talvez fosse melhor. Talvez fosse melhor contar pra June, afinal, ela sempre fora mais discreta. Avril iria querer partir a cara de Brian, e, acredite, ela faria isso.

De qualquer forma, aceitei ir nessa festa a fantasia – bom, tecnicamente, elas me foraçaram, eu só não discuti – de uma garota lá da escola por que seria um bom disfarce. E eu não pensaria tanto nisso do Brian.

Se ele não estivesse lá.

-Olha como eu sou uma boa amiga: guardei todas as nossas fantasias desde os 14 anos.

-Não acha que nós não vamos mais caber nisso?

Perguntei, e as duas ficaram em silencio durante três segundos.

-É, nós realmente não cabemos mais, mas você cabe. Você sabe, não cresceu muito.

Revirei os olhos.

-Então, o que vai ser? Enfermeira sexy, policial sexy, bruxa sexy ou então líder de torcida sexy?

Mordi o lábio inferior.

-Não tem nada que não seja sexy?
perguntei, June deu uma risadinha.

-Você gostava. Não tinha bunda alguma, fato, mas seus peitos seduziam todos na escola.

June declarou, se jogando na minha cama, já pronta, de alguma coisa que caracterizei por ser a fantasia da Avril, de Bela Adormecida.

-É, June sempre foi traumatizada por ter seios pequenos.

-Podemos por gentileza mudar e assunto?

Pedi, agitando as mãos.

Elas riram da minha cara.

-Fala logo, porra.

-Tá, eu vou de policial.

Avril me lançou um olhar sugestivo.

-Hm, sexy.

Revirei os olhos, pela segunda vez.

-Vai prender Brian hoje?

Ela perguntou, prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo.

Engoli a seco.

-Acho que não, ele não estava se sentindo bem hoje de manha.

-Hm, significa que vocês já...

-Pare de ser pervertida, Avril.

June me defendeu, ajeitando o cabelo encaracolado. Avril deu de ombros, puxando meus cabelos de um lado para o outro.

-Falou a não-virgem!

Arregalei os olhos, teatralmente. Seria uma boa disfraçar sacaneando a June.

-NÃO CREIO!

Falei, desanimada.

-Fala pra ela quem, sua pequena prostituta.

Avril falou, mexendo novamente na minha maquiagem.

-Foi com o Nathan.

-Aff, aquele alienígena cabeçudo.

Avril falou, me fazendo dar uma risadinha.

Quando chegamos na festa da garota, um bando de gente com fantasia ia e vinha, luzes de boate estavam espalhadas por toda parte, piscando e atingindo meus olhos. Uma musica desconhecida estranha tocava no ultimo volume, e bebidas estavam espalhadas por todo canto.

-Quer beber algo?

Avril perguntou, já pulando com a musica.

-Vodka, por favor.

-Mas já?

Respirei fundo.

-Tá, Absolut.