Angels And Nightwalkers
9 Causa vs Tempo
Notas iniciais
Esse cap é curtinho, é só uma ponte... Grande demais pra por no anterior e fora demais pra por no próximo
Só o tempo passando ^^
Curtam =3
Acordar depois de um dia de sono nunca foi tão difícil. A começar pelo fato que Crouser mal tinha dormido, claro. Quem podia dormir depois de uma noite como aquela? Ele dormira pouco e quando conseguia agarrar num sono frágil e superficial, era atormentado por pesadelos, que em geral, envolviam seu passado com Heaven e seu presente com River. As duas coisas que ele evitava ao máximo pensar. Mas, ambas, inevitáveis.
No fundo, ele tinha receio de noite passada ser um sonho. Isso significava que River continuava ali com ele, mas também significava que Heaven continuava por aí, num destino incerto que ele desconhecia. Juntando toda sua coragem ele abriu os olhos cansados e se esforçou para levantar. Apoiou o corpo nos cotovelos e olhou em volta.
O quarto escuro estava vazio, silencioso. Ninguém ao lado de sua cama. Crouser odiou o modo como aquele simples fato o afetava tanto. Ele sempre vivera sozinho, nunca tivera companhia constante, mas River tinha arruinado sua capacidade de suportar o silencio. A quietude estava, de certa forma, piorando tudo porque sem ninguém ali ou conversas (mesmo monólogos de um anjo irritante) sua mente corria solta em círculos e isso estava deixando ele louco.
Demorou um pouco para Crouser se lembrar que ele não devia sentir falta de River, que ele estava bravo com ele. Qualquer um que preenchesse o silencio já seria uma ajuda. Pensou e ir até Other, e se levantou da cama com alguma disposição. Foi até as portas de vidro da varanda e puxou as pesadas cortinas de veludo e, se não tivesse um frio controle sobre suas emoções teria saltado para trás de susto:
Um anjo estava parado do outro lado, os olhos verdes parecendo holofotes de tão brilhantes, de braços cruzados e um certo ar de tédio e espera. Mesmo sobressaltado e surpreso tudo que Crouser fez foi levantar uma das sobrancelhas de um jeito indiferente. O anjo não era tão desconhecido assim.
Agora que tinha parado para prestar atenção, ele se lembrara: Era o mesmo do segundo dia, que estava na sacada e tinha chamado seu guardião de “Rivy”. Ou melhor, ex-guardião. Mas que azar dos infernos, não tinha mais nenhum anjo disponível para o cargo no céu??
O novo Guardião abre um sorriso que é quase simpático quando percebe Crouser e este abre a porta permitindo que ele entre, tentando não pensar em como sentia falta de um sorriso de verdade, o espontâneo e fácil de River.
— Parish, ao seu dispor. – O anjo se apresenta. O vampiro não diz nada, e ele o olha de cima abaixo. Ri. – Não sei o que River viu em você. – Isso incendiou o peito de Crouser, mas ele continuou com a máscara sombria da indiferença; Porém não resistiu a uma boa resposta:
— Nem eu sei o que ele viu em você. – Era um blefe, descarado e desesperado, ele nem sabia se os dois realmente tinham esse tipo de relação. Mas ele tinha aprendido fazia tempo a confiar em blefes. O máximo que podia acontecer era não funcionar. Mas funcionou. Parish ergue as sobrancelhas.
— Touché.
Crouser foi percebendo aos poucos que a presença de Parish não lhe transmitia a mínima segurança ou confiança. Absolutamente. A ausência de River o estava fazendo perceber coisas que ele nunca nem sonharia em admitir.
— Sabe, eu sei que isso provavelmente não é da minha conta, mas ele está melhor agora. Vocês nem eram compatíveis.
— Você tem razão, isso não é da sua conta. Eu não dou a mínima pra onde ele vai, o que faz e o que deixa de fazer. – Crouser rosnou começando a perder a paciência.
— Tudo bem, se você diz. – Parish deu ombros. – Mas isso é tipo negar o óbvio. – Crouser não sente mais necessidade de responder e sai do quarto sem mais uma palavra. Ele se sente grato quando percebe que o novo guardião não tentou segui-lo como River. Mas que infernos, será que ele não podia parar de pensar no maldito anjo por um minuto?! Tudo parecia lembrar-lhe, tudo parecia ser uma referência, e sinceramente ele estava odiando isso.
Ele estava a caminho da arena de treinamento tentando não ficar nervoso para seu primeiro dia de aula. Como tutor. Parecia meio surreal ainda. Ele nunca tinha se imaginado professor. Talvez para um possível filho muito, muito distante no futuro, mas não para um grupo de aprendizes. Quando ergueu os olhos reparou que tinha andado sem realmente prestar atenção onde estava indo e suas pernas acabaram por levá-lo ao destino que seu subconsciente queria, não onde deveria ir.
Com um suspiro ele ergueu a mão e bate suavemente na porta fechada do quart de Other. Depois de alguns segundos o vampiro abre a porta com um olhar surpreso.
— Estranho. Geralmente quando é você consigo sentir sua presença de longe. Sua aura está meio apagada. O que foi? – Other tinha esse dom de sentir almas. Crouser geralmente fazia piada com isso, mas hoje ele estava grato por poder conversar com alguém que o entendesse sem que ele precisasse falar nada.
— Estou nervoso. – Ele murmurou olhando para o chapéu alto na cabeça do amigo. Queria encarar qualquer coisa menos os olhos ametistas de Other. Era engraçado como ele se vestia sempre como um aristocrata mesmo se estivesse em casa ou no campo de batalha.
— Nervoso por que? – As poucas palavras dele eram reconfortantes. Melhor que a tonelada de suposições que River estaria fazendo agora. Ops, pensando nele de novo.
— Virei tutor. – Other dá um sorriso que brinca entre surpresa e orgulho. – Não faça essa cara. Isso é horrível. Ager conseguiu o cargo pra mim pra diminuir minha pena, mas não sei se consigo. Quer dizer, eu não sou uma pessoa muito sociável, você sabe.
— Não precisa ser sociável. – Other sai do quarto fechando a porta atrás de si. – São adolescentes, não precisa falar muito com eles. Só diga onde bater e deixe que se matem. Eles são tão tímidos quanto você. Vamos, eu vou com você. – Other o puxou pela mão seguindo adiante.
— Não precisa. – Crouser disse tentando aparentar indiferença, mesmo que por dentro estivesse derretendo de alívio. O outro vampiro deu ombros com um sorriso.
— Não estou fazendo nada mesmo.
Eles foram juntos até a arena e quando entraram o burburinho das conversas sussurradas cessou por completo, dando lugar a um silencio mortal e olhares de admiração. Crouser com sua altura e seus músculos desenvolvidos intimidadores e a beleza sombria do acompanhante que não parecia tão forte, mas hipnoticamente bonito.
Não eram muitos, Crouser percebeu, três garotos de estatura mediana e braços magros e uma garota de cabelos pretos espetados e um olhar desafiador, mas receptivo. Apesar de tudo isso não serviu para acalmar os nervos do vampiro. Other se afastou se sentando nas arquibancadas e lhe lançando um sorrio encorajador, mas que podia ser uma provocação.
— É... Hm... Oi. – Crouser começou incerto. Os alunos murmuraram uma resposta em voz baixa e ele tentou pensar numa coisa mais inteligente pra dizer. – Então tá. Meu nome é Crouser Treat e eu vou ser o tutor de vocês. Vocês podem me chamar de... Crouser. Ou professor. – Ele se virou em busca de aprovação da parte de Other que fez um sinal de positivo na direção dele. Mais encorajado ele se virou para os aprendizes.
— Perguntas? – A garota levantou a mão.
— Você não vai querer saber nossos nomes? – Ela falava rápido, parecia ligada no 220, o que combinava com o cabelo. A agitação sem motivo meio que o lembrava de alguém...
— Ah claro. – Ele disse tentando se focar. – Isso seria... Interessante.
— Charice. – Ela riu se apresentando. – pode me chamar de Char.
E os outros garotos disseram os nomes em seguida, Core, Inkh e Lucca. Crouser tentou gravar os nomes e mandou eles começarem a se alongar e a fazer o aquecimento. Quando saiu da arena no fim da primeira aula ele se sentia mais esgotado do que se tivesse passado o dia todo em campo de batalha.
— Você foi muito bom. – Other cumprimentou com um sorriso.
Na primeira semana, ele já tinha captado perfeitamente a personalidade cada um. Char não suportava ser corrigida e tinha um lado perfeccionista que a fazia treinar o mesmo movimento cem vezes se fosse preciso. Sem que Crouser mandasse. Vivia puxando briga com Inkh, que apesar de ser o mais forte dos garotos, era o mais quieto. Tinha boas habilidades de defesa, mas parecia inseguro para atacar ainda. Core e Lucca se engalfinhavam a cada cinco segundos com os gritos estridentes e os movimentos descoordenados. As vezes ele mandava Char separá-los só pra rir.
E assim, dia após dia ele se via cada vez mais envolvido com os aprendizes. Ager tinha razão, estava sendo realmente algo bom para ele. Other o acompanhava sempre que podia e os garotos começaram chama-lo de mágico por causa do chapéu.
Era ótimo, pois isso afastava sua mente de coisas que ele não queria pensar, por exemplo uma certa pessoa cujo nome começava com R. Ele passava todo o tempo ou com Other ou com os aprendizes e Parish era tudo que ele queria que River tivesse sido no começo. Ficava na dele e fazia o trabalho sem falar muito. Eles trocavam farpas quando faziam algo parecido com uma tentativa de conversa, mas era algo corriqueiro que já não tinha mais tanta importância.
Ele não dormia muito e dispensou Morgan, passando a se alimentar apenas de Other. E assim, ele se afundou numa rotina que apesar de não ser a coisa mais agradável do mundo, o manteve entretido por quase um mês inteiro.
Notas finais
Quero coment msm sendo podrinho hein u.u
Beijo gente até o próximo! (que não vai demorar, prometo!)
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