Notas iniciais
Não é bem uma história, e sim um texto. Tipo um poema. Só que sem versos nem rima. Mas espero que gostem mesmo assim.

Era o anjo caído sem asas nem auréola a quem fora negado o paraíso. Era aquele que via a todos flutuarem no céu luxuiroso do prazer espiritual e se sentava em um chão duro e mutável.

Areia, pedra, areia. Feliz, triste, feliz. Maleável, mutável, ineterno. Profundamente apagado, sem luz que lhe saísse da pele; esse era o anjo, um anjo da Terra.

Observava calado os outros espíritos celestes que, ignorando a inexistência de Deus, continuavam a servir a que nada mais era além de outro anjo. Se deixavam levar pela grande força que aquela autoridade tinha, sem de fato ter.

Estúpidos, ele pensava. Lhe fora negado o direito de voar, assim como lhe fora negado o direito de ser só mais um. Um daqueles humildes e estúpidos seguidores que se organizavam em filas de luz atrás de uma autoridade inválida para protegê-la com suas vidas imortais, a quem escolheram se submeter.

Oh, aquela maravilhosa ignorância. Se ele pudesse tê-la, talvez ainda sentisse naquele momento o vento bater em seus cabelos ou o calor de uma nuvem que se aproxima, ou o simples contato de outros anjos e seus sorrisos. Mas lhe fora negado o direito de tê-la e de poder resignar-se com esta. Aquela linda dádiva do inferno que permitia aos outros anjos viverem sem buscas, com objetivos já impostos, sem nunca terem que se encontrar, e consequentemente nunca se perderem! Felizes, seguindo naturalmente seus instintos e sensações no nada que sentiam; oh, bela ignorância!

Por que não a desejava?

O anjo caído não tinha asas, auréola, não brilhava, não tinha a mais linda pele. O anjo caído não possuía sedosos cabelos ou olhos azuis que os levassem aos céus, como todos os outros.

E justamente por isso, era inegável que era o mais bonito de todos.

Notas finais
Alguém gostou? Alguma dúvida? Não tenho certeza se passei bem os sentimentos que eu queria na fic...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!