Notas iniciais
Luz na passarela eu lá vem elaaaaaa... na verdade, é ele, né, o capítulo novo ♥ Ah, como é bom se sentir renovada e voltar, confesso que me sinto menos insegura e isso devo ao apoio das migas, né, migas? :3 Amoras... esse é o capítulo 27, o arco termina no capítulo 30 e já to bem adiantada no fim, se preparem :v Ah, também estou adiantada quanto aos próximos arcos e teremos muito mais chão para trilhar do que vocês imaginam XD Sim, atualizei a playlist esses dias e agora temos uma no Deezer também (links abaixo), só com músicas maravilhosas para a nossa fic: — Redeemer of Souls, Judas Priest (assim como Beyond the Realms of Death, elas estarão no capítulo 30); — Boom Clap, Charli XCX (muito Stephen e Wanda, socorro ♥ ); — Seven Nation Army, The White Stripes (vai fazer parte do arco dos Defensores por sim, migues, eles vão aparecer e a Wanda vai estar com eles como já ficou bem claro XD); — Come As You Are, Nirvana (assim como Seven Nation Army, vai entrar no arco dos Defensores porque é a música oficial deles, a que saiu nos trailers e tudo). Agradecimentos a Lídia Albano, Thais Costa, Cherry Bomb, Lilliel Sumire Eucaristia e Lady Liv pelo comentário no capítulo anterior ♥ Apreciem a leitura! PS: alguém aí já leu Me After She e a sua continuação, Raising Lang? Se sim, amoras, teremos uma nova fic AntWitch saindo em dezembro ♥

Se já tivesse controle absoluto dos seus poderes teria sentido quando levaram o grosso volume sobre demonologia de cima da mesa, sob a sua vigília. Contudo, era estranho, geralmente conseguia sentir o ambiente, sentir as pessoas, naquele dia não sentiu nada. A sua conversa com Wong lhe deu certeza de que estavam lidando com um Dividido, mas não qualquer Dividido, um poderoso o suficiente para nublar as suas mentes. Teria, de fato, sentido se fosse alguém assim?

Não adiantava muito poder tomar alguns cálices de vinho em casa se não poderia comprar uma garrafa de vinho branco para cozinhar. Algo novo, algo azul. Stephen estava insistindo bastante nisso, se sentiu até um pouco constrangida quando ele mandou uma mensagem para o seu celular com emojis de diabinhos roxos sorrindo. Pagou as suas compras e pegou as sacolas plásticas, não pretendia demorar tanto assim, estava quase na hora do jantar e estava com fome.

Quando passou pela porta automática, um latido fino veio na sua direção junto de um rabo curto abanando. Já havia notado o cão, ele ficava na frente da loja e possuía uma coleira simples e era bastante solitário.

“Olhando o velho Black de novo, Wanda?”, Stépfan perguntou. “Ele está aí há muitos meses, os antigos tutores resolveram que ele não cabia na mudança, então deixaram o cachorro aqui na frente da loja com comida, água e uma caixa de brinquedos que custam mais que uma calça jeans da minha filha”.

“Ele é bonito”, se limitou.

“O que acha de leva-lo? Ele precisa de um lar om bastante carinho. É treinado, limpo...”

“Acho que o Stephen não vai querer um cachorro em casa agora, ainda não é tempo para um cachorro”, disse triste.

“Se mudar de ideia, Black ainda estará aqui”, o seu conterrâneo lhe sorriu.

Stépfan lhe deu um biscoito pequenino de cortesia e seguiu com as suas compras até o Sanctum. Todos na rua ainda a olhavam atravessado, como se fosse uma aberração por estar entrando em um antro de ocultismo. O local parecia um pouco escuro agora que lembrou deste pequeno detalhe.

Entrou e andou com as compras até a cozinha, precisava desempacotar tudo e guardar, o almoço do dia seguinte estava garantido e seria farto. Wong havia deixado um iogurte aberto e riu disso, um pouco de desleixo e um pouco de confiança de que lá também era a casa dele. As gelatinas coloridas no fundo também eram obra dele em uma tarde de Jam Session quando o ouviu gritando The Final Countdown, do Europe, com fones de ouvido.

O olhar misto que Black que lançou balançou o seu coração, não estavam prontos para ter um bebê, mas estavam prontos para ter pelo menos um cachorro. Se pegou querendo um cachorro. Queria Black e já podia se imaginar levando o pobrezinho para passear de manhã cedo no parque perto do Sanctum.

“Mas que droga, Stépfan”, culpou o homem pela sua empolgação na possibilidade de adotar Black.

“O que ele fez agora?”, a voz de Stephen gritou do corredor. Se virou e o viu entrar na cozinha deixando a pasta no banco. “O que nós temos para jantar?”.

“Eu pedi uns combos do The Royal Dragon, não acho que vão demorar a chegar”, respondeu.

“Eu comeria a sua comida todos os dias, ainda não sei aonde você aprendeu a cozinhar assim”, ele se aproximou para lhe dar um beijo no rosto. “Acredito que você tenha recebido as minhas mensagens...”.

“Ah, sim, e como recebi, inclusive uma senhorinha ficou um pouco constrangida no mercado quando viu o que você pretende fazer comigo hoje à noite”, riu.

“Agora eu percebi que eu sou um pervertido e preciso de ajuda. Eu vou subir, tomar um banho, preparar a nossa cama para jantarmos enquanto assistimos a reprise de Grey’s Anatomy. Só nós dois, eu espero”, Stephen mexeu as duas sobrancelhas sobre o que ele imaginava que seria a sobremesa.

Sim, precisava de um banho e em um banheiro completamente diferente do dele para poder se controlar. Mas também precisava esperar primeiro a comida chegar, o atendente tinha dito que demoraria pelo menos trinta minutos de Chinatown até lá, com o entregador em uma bicicleta enferrujada. Olho no relógio de pulso pequeno e viu que faltavam menos de três minutos e os entregadores do The Royal Dragon eram cópias chinesas de relógios suíços.

A campainha tocou e conseguia sentir um coração acelerado do lado de fora da porta se recompondo de uma corrida alucinada em meio a carros e congestionamento. Andou calmamente até a porta de entrada do Sanctum passando pelas antiguidades e tomando o devido cuidado de não deixar o qualquer desavisado vê-las em essência. Abriu a porta e Hao era o homem da vez. Comer o The Royal Dragon havia se tornado um hábito.

“Bonita noite, não acha, Sra. Wanda? São vinte dólares”, recebeu o pacote e resmungou, se ele tivesse se atrasado um pouco por conta do tráfego, não teria pago dois dólares a mais pela taxa de entrega. “Eu não faço as condições, Kai disse que caprichou nos seus biscoitos da sorte”.

“Espero que Kai não diga de novo que algo que foi perdido vai ser encontrado”, riu.

Fechou a porta atrás de si e agora sim estava pronta para subir. Com o pacote de papel pardo em mãos, subiu a escada clássica do Sanctum de Nova York e tratou de se direcionar para o seu quarto.

Assim que entrou, notou a porta aberta do banheiro e o barulho de água caindo e Stephen tomando banho enquanto cantava, agora tinha descoberto quem era o seu grande fã no Spotify chamado Agsy80. Deixou a comida no criado mudo e entrou o suficiente no banheiro somente para pegar o seu roupão de banho, também precisava relaxar sob água morna. De volta ao quarto, abriu a sua gaveta de roupas íntimas e tirou de lá a tão comentada peça azul e nova.

Olhou para fora da janela rapidamente, a noite de Nova York ainda estava fria e viu Black se encolher no papelão no chão e ser coberto por Stépfan em um manto vermelho. Precisava fazer a cabeça de Stephen.

[...]

O cheiro da comida chinesa estava fazendo o seu estômago implorar para começar a jantar antes de Wanda. Se se lembrava bem, no seu bullet journal tinha marcado como assistidos os últimos episódios da décima segunda temporada, mas faltava o último. Se sentia muito Wong e a séria destoava do que era realmente a vida em um hospital, mas parecia mais fácil só assistir e imaginar que em algum lugar poderia existir um local em que tudo realmente desse certo. Deveria ser fácil salvar vidas assim.

Tinha tido um dia de cão com mais uma briga com West e começava a achar que toda essa birra dele fosse consequência de algo muito maior do que imaginava. Querendo ou não, Christine só havia ficado com Nick porque foi embora e ela só retornou quando descobriu que estava grávida, sabia qual era o sentimento de ter o orgulho ferido e Christine tinha feito ambos sofrerem um bocado com isso. Não era culpa dela, era culpa de todos eles juntos. Parecia estranho se lamentar por Christine e dos dias que tinha que ouvir Nick fazendo piadas sobre Wanda, ele conseguia ser xenofóbico quando começava a falar das mail order brides do Leste Europeu e de como desconfiava que Wanda fosse isso para Stephen.

Vestiu apenas a parte de baixo do pijama e deixou o seu peito nu e ainda secando livre para respirar, sabia que Wanda gostava de sentir a pele deles se tocando quando estavam juntos, algo sobre sentir o seu calor ou algo assim. Se sentou na cama e cruzou as pernas. Olhou no seu celular o dia do mês que estavam e dali a uma semana teriam mais uma visita de Eleanor Janise, estava se armando mais um pouco para as perguntas que ela faria.

Pegou o controle remoto da televisão e ligou o aparelho para logo colocar no canal que exibiria Grey’s Anatomy.

“Wanda, rápido, já vai começar”, gritou, sabia que ela tinha ido tomar banho no quarto que um dia foi o seu.

A silhueta de cabelos molhados entrou no quarto, vestida do modo como imaginava que ela deveria se vestir há algumas semanas. Algo azul, algo novo. Em uma das peripécias de Wanda, ela comprou em uma loja de roupas íntimas uma camisola sensual azul. Vermelho era a cor dela, mas tinha curiosidade sobre o que a levou a comprar uma peça azul assim e tão... tão diferente do que imaginava que ela fosse. Ah, sim, tinha descoberto que ela estava se abrindo às suas pequenas investidas mais fortes na cama e pelo que sentia, ela queria tanto quanto ele essa entrega toda. As rendas no busto eram delicadas e formavam pequenas flores, contudo, o resto da peça era toda em seda verdadeira, isso deveria ter custado uma pequena fortuna para os pequenos bolsos de Wanda.

Ela ficava bonita em azul, mas, acima de tudo, ficava bonita quando estava com ele.

“Stephen?”, a ouviu depois do seu devaneio.

“Ahn, oi”, tentou disfarçar, mas a ereção que estava tendo no momento não ajudava muito. “Me desculpe, é que a sua imagem... de qualquer jeito... me deixa assim”, assumiu envergonhado.

“Acredito que isso vá parar quando tivermos filhos”, Wanda riu sem graça das suas próprias palavras sem graça. “Eu não entendo porque todos sempre perguntam quando vamos ter filhos”.

“Quando você está em um relacionamento sério, sempre vão perguntar quando você vai se casar. Quando você finalmente se casa, vão começar a perguntar quando você vai ter filhos. Quando você tem um filho, eles perguntam quando você vai ter o segundo filho e depois começam a criticar o modo como você cria os seus filhos, dizem quanto você precisa guardar para a faculdade deles... é um poço sem fundo”.

Wanda pegou o pacote de papel pardo e se sentou ao seu lado na cama, desembrulhando as pequenas caixinhas de arroz com legumes, frango xadrez e bifum. Ela claramente tinha problemas com os palitos e pegou um garfo dentro do pacote com os biscoitos da sorte.

“Mas ainda não consigo ver um propósito em até a Sra. Janise perguntar isso”, ela falou depois de terminar de mastigar um pouco da comida.

“Quando estamos em um processo como esse, não é incomum o casal se separar depois que o visto de permanência é aprovado. Perguntar se vamos ter filhos logo é um meio deles pegarem um ou outro na mentira”, explicou.

“Você tem planos de se separar de mim quando o resultado do visto sair?”, a pergunta veio cheia de incertezas pela parte dela. “Eu vou entender totalmente se você achar necessário, você já me ajudou demais”, conseguia ouvir o som figurativo do coração dela se partindo.

Não se separaria de Wanda. Pela visão que teve do Sanctum nos trinta anos que vislumbrou, eles não haviam se separado, só haviam se fortalecido, aliás. Não poderia contar a ela que tinha trapaceado e visto o que eles seriam no futuro, só havia visto algo muito bom e que entendeu depois que retomou o contato com Victor. Tommy, Billy, Luna, Derek... eles seriam os seus filhos dali a alguns, isso respondia à pergunta da jovem mulher que comia em silêncio ao seu lado por estar se sentindo insuficiente e insegura no momento. Parte de ter que lidar com a depressão de Wanda não era só a tristeza, eram essas pequenas coisas que poderiam desequilibrá-la. Desequilibrar é normal para o ser humano, mas não era normal permanecer em desequilíbrio por muito tempo.

“Não tenho planos de deixar você sair por aí livre, vai que alguém encontra você, vê o quanto você é maravilhosa e não deixa você voltar para mim? Não, esta possibilidade está completamente descartada”, tocou a mão dela. “O nós só acaba quando você achar que não sente mais o mesmo por mim e a prova de fogo vai ser o desfile de Halloween do Village em outubro, esteja preparada”.

“Então o nós não vai acabar, sinto muito frustrar os seus planos de eu parar de sentir o mesmo que você”, ouviu a risada dela. Gostava de ouvir Wanda rindo. “Já que estamos de acordo e que filhos não estão nos nossos planos para logo, eu gostaria de fazer um pequeno pedido a você...”

“Não se preocupe, apenas me dê alguns minutos para eu não sentir o meu estômago doer. Eu prometo que faço você ver estrelas hoje”, atiço passando a mão pelas coxas de Wanda.

“Não era bem isso, mas isso também é muito bom”, ela riu, estava confuso agora. “Já que não teremos filhos, podemos ter um cachorro?”

“Um cachorro no Sanctum? Eu não acho isso uma boa ideia, Wanda... um cachorro é um filho. Você andou se deixando levar pelo Stépfan de novo?”

“O Black é um bom garoto, obviamente, ele é treinado e tem olhos pidões”, ela ilustrou.

“Você tem os únicos olhos pidões que eu pretendo ver nesse Sanctum, ter um cachorro por aqui não vai ser tão bom assim. Ele pode derrubar alguma coisa e libertar algum demônio antigo de alguma outra dimensão que eu ainda não conheço”.

“Por favor, Stephen, eu passo o dia sozinha aqui, Wong não pode ficar comigo o tempo todo e você trabalha o dia inteiro. Ter alguém para buscar uma bolinha não parece ser tão ruim assim entre um momento de estudo e outro”, ela estava implorando.

“Depois que eu terminar o que pretendo fazer com você hoje à noite, prometo considerar sobre termos um cachorro, mas depois vemos isso, acho que agora já é seguro eu iniciar o que pretendo”, pousou uma das mãos no interior das pernas de Wanda e sentiu a pele quente dela na sua.

[...]

Esperou Wanda ressonar baixo para se vestir, já havia alguns dias que pretendia resgatar o pobre Black, mas tinha planos de deixa-lo sob os cuidados de Victor e Wanda agora tinha bagunçado tudo. Tinha pena do cachorro, mas cachorrinhos e o carinho que sentia pela garota eram coisas que deveria manter escondidas do mundo, eram só suas.

Depois de dez dias sem ação, conseguiram brilhar até mais do que esperava, inclusive desconfiava que os vizinhos tinham ouvido quando ela gritou alguma coisa em sérvio. Estava dolorido e as sua cabeça doía um pouco por ter batido sem querer na cabeceira da cama no seu momento de paixão violento com Wanda. Estava apaixonado por ela, não tinha outra explicação para sair de casa às duas da madrugada, no meio do frio, para resgatar um cachorro.

Apertou o moletom contra o corpo e correu até a frente do mercado, o cachorro estava deitado dentro de uma caixa de papelão e coberto por uma manta vermelha somente com os olhos de fora. Os mesmos olhos pidões citados por Wanda.

“Vamos, garoto, a sua mamãe espera por você você em casa”, botou o comedouro do cão dentro da bolsa que tinha reconhecido como dele por causa dos brinquedos, o pegou no colo e ele era tão pequeno e indefeso.

Voltou com pressa ao Sanctum que tinha deixado com a porta destrancada e entrou com o pequeno corpo de Black debaixo do braço. Assim que trancou tudo devidamente, deixou o cachorro no chão e ele logo correu para cima farejando onde Wanda estaria.

Sentia que algo tinha acontecido. Não sabia o porquê, só sabia. Não era o mesmo sentimento que Derek teve quando encontrou Addison com Mark na cama, mas se parecia. Só sabia que algo estava errado.

Cauteloso, subiu degrau por degrau devagar até chegar no topo da escada. Se virou para onde as relíquias ficavam o Black estava parado, abandando o rabo e rosnando baixo para algo no chão. Se aproximou do cachorro e viu de perto mais um totem repousando no seu Sanctum. Agora ele tinha a forma de Wong.

Olhou para a redoma da rede de cabelos de Lucrécia Bórgia e somente o busto estava lá. Rodrick sabia o que aquilo fazia, não era um tolo e sabia que ele sempre desejou aquela estranha. Estranha e perigosa. Estava sendo roubado dentro de casa e não conseguia fazer nada. Wanda perguntaria no dia seguinte e tinha que começar a planejar algo logo com ela e Wong, não poderia esperar mais para conter o Mestre dos Brinquedos.

Notas finais
Okay, okay, assumo que até eu me senti tentada a escrever um super hot daqueles, MAS... esse hot ficou guardadinho para um dos próximos capítulos 3:) Todas as músicas do capítulo vocês encontram nas playlists oficiais de Angel of Light no Spotify e no Deezer: — AOL: https://open.spotify.com/user/stormqueen_/playlist/2rFk8r7q09yZDMScy0wYAY — AOL: https://www.deezer.com/br/playlist/3491740646 — Wong: https://open.spotify.com/user/stormqueen_/playlist/5hZZk7g9EsTdTZb5ZgvBw0 Me deixem saber se gostaram ♥