Notas iniciais
Antes tarde do que mais tarde ainda, não concordam? ~moonfacing~ . Meus bebecinhos, como estão nesta noite particularmente fria? (pelo menos está fria aqui na minha cidade desde o meio do dia, então... kkkkkkk) Esse capítulo já deveria ter sido postado porque ele estava pronto desde o domingo, mas acabei tendo uns problemas aqui na minha casa, coisa bem grave mesmo, então assim que eu terminei de revisar, estipulei uma data para a postagem e essa data é hoje, queridxs!!!! . Agradecimentos a Pandora, Letícia Brito, Letícia Chase, Lady Liv, Tharine Lillena Veiga, Lídia Albano e Avelina pelos comentários no capítulo anterior ♥ . Apreciem a leitura!

Passou os dedos pela tampa do baú que Wong guardava os pergaminhos de interpretação de sonhos na biblioteca do Kamar-Taj. Olhou para um lado e depois para o outro, não queria ser visto pegando essas coisas. Tocou os fechos do baú e o abriu, sentindo a poeira de vários anos começando a se acumular nas suas narinas.

Como não era uma ciência exata, precisaria ler o máximo que conseguisse para poder entender algum sentido no sonho de Wanda. Na verdade, sonho era uma maneira muito sutil e calorosa de chamar o transe que a sua garota esteve há algumas noites atrás.

Já havia visto Wanda em transe algumas vezes, mas nunca do modo como ela esteve na outra noite, aquilo era algo ainda mais aterrorizante. Esse não havia sido como o da primeira vez, quando ela estava dormindo a alguns centímetros do colchão ou como quando as habilidades dela se manifestaram e fizeram com que uma onda de névoa escarlate estivesse manipulando objetos ao seu redor, havia sido diferente.

Wanda ainda estava suspensa no ar, mas não estava no quarto. Quando a encontrou, a viu flutuando com uma fina mistura de névoa e energia escarlates nas mãos. Ela movimentava os dedos bem lentamente e isso a mantinha suspensa no exato centro do Sanctum, longe da escada e longe de qualquer coisa que pudesse amortecer uma possível queda. Os olhos dela estavam vermelhos, mas não vermelhos como quando os viu da primeira vez após do incidente da visita clandestina dela a Long Island para encontrar a filha de Scott Lang, estavam brilhando de alguma forma. Contudo, não era um brilho falso, era só como se estivessem tingidos de vermelho vivo... da cor do sangue... se transformasse isso em algum filme, poderia ser facilmente confundido com uma possessão de algum tipo. Ouviu quando ela chamou pelo seu nome e disse que não era o Stephen dela, não entendeu essa parte, mas desconfiava o que isso poderia significar.

Quando chamou pelo nome dela, a magia escarlate de Wanda foi se esvaindo e a sua capa foi mais rápida que ele ao se lançar escada abaixo para que ela não se machucasse já que estava sem o seu anel já que o plano inicial era coloca-la direto na cama. Foi aí que a viu desperta e com o nariz sangrando, como se tivesse usado bastante energia para aquilo. Havia confusão nos olhos dela, ela não sabia o que fazia fora do quarto e estava ofegante em desespero. Estava tão assustada que nunca a havia visto chorar tão intensamente quanto naquela noite. Wanda, mais uma vez, o deixou ver o que estava na sua cabeça. O terror não a deixava dizer, mas ela entendia e sabia que poderia lhe mostrar o que havia acontecido.

Ainda sentada no chão, sendo aninhada no seu colo, ela tocou a sua mão e deixou que a sua mente fizesse o resto ao lhe mostrar o cenário que sempre viam quando estavam juntos. Havia uma voz feminina, feminina e assustadoramente bela dizendo coisas desconexas sobre alguém que sequer conheciam.

Ela me mostrou o Pietro. Pela primeira vez depois de meses, Wanda mencionou o irmão gêmeo. Quando ouvia a voz da mulher na cabeça de Wanda, ela tentava barganhar algo, como se soubesse que ela ansiava por ver Pietro Maximoff pelo menos mais uma vez.

Não o meu Stephen. Ouviu novamente essas mesmas palavras ditas pela voz de Wanda, só que agora no fundo do subconsciente dela. A viu e viu a si mesmo, parado e pedindo para que Wanda voltasse de algum outro lugar que estava, não sabia muito direito. Era ele, mas ao mesmo tempo não sentia como se fosse, era como se naquele momento existissem dois Stephen no limbo da mente de Wanda e isso estivesse pregando uma peça que não fazia o mínimo de sentido.

Sentia temor pelas peças que a sua mente estava juntando no momento. Fechou os olhos e deixou os pergaminhos na mesa enquanto se lembrava de coisas que haviam lhe sido ditas nessa mesma biblioteca há um pouco de tempo atrás. Massageou as têmporas porque agora tudo aquilo, de fato, fazia um sentido tremendo. Pegou os seus pergaminhos de volta e retornou ao Sanctum de Nova York.

Aprender sobre o infinito multiverso é aprender sobre infinitos perigos. Parecia que a voz da Anciã estava na sua cabeça o tempo alertando-lhe de que algo ocorria incógnito. O sonho que havia tido com as palavras dela ao lhe deixar no Everest para que aprendesse a abrir portais também lhe parecia difícil de decifrar. Todas as vezes que buscava na memória o dia de sua morte e se via conversando com o espírito dela enquanto estava em projeção astral, se recordava dela dizendo que poderia ser bondoso, mas que a sua vontade de ser grande o impedia de ser o que deveria. Havia abraçado as Artes Místicas do mesmo modo como havia parcialmente retornado para à sua prática da Medicina, poderia levar essa vida dupla... queria muito acreditar que poderia, de verdade, mas estava vendo que teria que fazer alguns ajustes agora que Wanda precisava dele.

Mexer com as probabilidades do continuum é proibido. Também se recordou da voz de Karl Mordo falando quando ele e Wong o flagraram na biblioteca usando o Olho de Agamotto pela primeira vez. Quaisquer usos da Joia do Tempo podem criar linhas de tempo adjacentes, aberturas temporais instáveis, paradoxos e loops infinitos...

Agamotto protege as crianças e os tolos. Wong o havia puxado a orelha quando usou a pedra verde para ver coisas que seriam dali a alguns anos. Trinta anos, para ser mais exato. Trinta anos talvez fosse algo muito maior do que analisar probabilidades de acontecimentos. Coisas assim deixavam marcas por onde passou. Poderia ser que a instabilidade experimentada agora fosse culpa da sua curiosidade vaidosa ao querer ver o seu futuro ao lado de Wanda, poderia ter criado assim um canal entre dimensões e linhas de tempo que tivesse ligação como eles dois.

Pensou mais uma vez nos dizeres que um dia ouviu quando era apenas um aprendiz no Kamar-Taj assim como Wanda era agora. Os Vingadores protegiam o mundo de ameaças físicas e dimensionais até certo ponto, como o robô Ultron ou a horda alienígena chitauri, mas os Mestres de Artes Místicas protegiam esse mesmo mundo de ameaças que as pessoas não estavam prontas para encarar como verdade maior do que as coisas um dia enfrentadas pelos Vingadores. Fosse o que fosse o que havia assolado Wanda na outra noite, não era uma coisa distante daquelas que deveria combater. Decisões precisavam ser tomadas, compreendia isso, e compreendia a possível ameaça que estava perambulando nas cabeças de todos agora.

Ao se lembrar do que havia visto e da sua própria visão espelhada no sonho de Wanda, suspirou. Precisava fazer algumas ligações.

[...]

“Dois cafés, Stépfan, um deles é descafeinado”, disse ao seu conterrâneo ao pedir o seu café para começar o dia. Ou não deixar que o anterior terminasse. “E dois pãezinhos com cream cheese e geleia de uva”.

Todas as vezes que se lembrava do seu sonho, um arrepio passava pela sua espinha como um resquício de água gelada percorrendo os seus nervos, havia sido tão vívido. A voz... aquela voz demoraria para sair da sua cabeça. A voz que lhe deu a sensação de que Pietro estaria de volta com uma falsa promessa, não sentia que fosse possível que os mortos voltassem à vida e se fosse, o preço estaria além da compreensão racional. Teria que brincar com os mortos e brincar com o tempo para tanto e brincar com eles era um perigo que não deveria estar nem alcance de adultos.

Stephen contou como a havia encontrado planando no meio do Sanctum a partir das suas habilidades e não sabia como haviam se tornado mais intensas. Sentia como se alguma coisa tivesse mudado com elas, mas não sabia exatamente o quê. Era de conhecimento seu que o contato com a rede de cabelos amplificava tudo aquilo que uma pessoa poderia oferecer, mas duvidava um pouco que essa amplificação fosse permanente.

Não havia uma noite que não demorasse para dormir ou acordasse no meio da noite assustada com os terrores que havia visto no outro lado.

Havia visto o Stephen e depois... havia visto o Stephen... e havia visto a si mesma vagando por aquele limbo que parecia a sua cabeça. O ar faltava quando se lembrava da cena de que o Stephen não era o seu Stephen. Se não era o seu Stephen, que Stephen era aquele? Por que a sua cabeça estava lhe pregando peças assim?

Sentiu a garganta se fechando e um pouco de dor enquanto isso acontecia, essa sensação sempre demorava a desaparecer. Os seus olhos começaram a se encher porque estava, de fato, se desesperando. A sua visão escureceu. Sentiu dedos cobrindo os seus olhos e se assustou.

“Um caramelo se você conseguir adivinhar quem é”, uma voz masculina falou no seu ouvido. Conhecia essa voz. O sentimento de alívio veio no seu peito ao perceber que ele estava de volta. Os dedos dele deslizaram pelo seu pescoço e pararam nos seus ombros. Se virou e deu uma boa olhada no seu amigo que agora estava havia retornado. Agradecia que agora estivesse bem, são e salvo.

Se jogou contra ele e o abraçou pelo pescoço fortemente e sendo abraçada na mesma intensidade. “Você me matou de susto! Não pode sair por aí e me deixar sozinha por muito tempo, Danny”, riu sentindo a sensação se afastar aos poucos e se lembrou da bronca que levou de Stephen meses atrás por ter saído sem avisar para visitar Cassie. “Você está tão... diferente”.

“Bem vestido, você quer dizer?”, ele piscou sorrindo.

Danny rodou um pouco para que o visse em seus novos trajes de menino crescido nos melhores bairros da cidade de Nova York. Ele vestia um blazer azul marinho com um suéter cinza por dentro e uma gravata da mesma cor do blazer, uma calça jeans de modelagem cáqui e skinny e um tênis branco. O cabelo também estava cortado com o corte de alguém sério e responsável, mas que deixava a verdadeira forma dos cachos ainda aparente. Ele também havia feito a barba.

“Quem deu esse banho de loja em você?”, perguntou rindo depois de tocar o rosto de Danny com afeição.

“Jery-Grana”, ele disse. “Jeryn Hogarth. Ela é advogada da Rand Enterprises. Ela acreditou em mim”, ele disse coçando a nuca. “A Joy me deu uma peça que pode provar quem eu sou, um brinquedo feito à mão que tinha uma impressão digital minha no fundo”, ele assumiu.

“Então isso quer dizer que você finalmente vai ser o Daniel Rand, tipo, para todo mundo?”, perguntou ansiosa.

“Sim, até que enfim!”, ele exclamou rindo. Danny tocou o seu rosto e sorriu, então ele beijou a sua testa e a abraçou fortemente como quem sente saudades de um amigo querido. “Eu dei uma passada para pegar as minhas coisas, a Jeryn disse que eu preciso do meu próprio canto e ela disse que a Rand mantém uma cobertura num hotel para essas eventualidades”.

“Parece que foi ontem que você apareceu em casa pedindo ajuda e um lugar para ficar e agora está seguindo a sua própria vida”, suspirou tocando as mãos dele. “E agora vai seguir a sua vida como um adulto responsável”.

“Eu meio que preciso, Wanda. Eu vim para Nova York para reencontrar o meu passado, eu quis voltar de verdade”, Danny coçou o nariz. “Acho que o seu café está pronto”, ele acenou com a cabeça. Pagou Stépfan e sorriu para o seu novo velho amigo, sendo acompanhada por Danny até a porta do Sanctum para que entrassem. “Mas alguma coisa aconteceu com você, eu consigo sentir você angustiada”.

“Coisas estranhas estão acontecendo, Danny, eu não saberia nem por onde começar a explicar a você”, como num rompante, parecia que tinha sido levada de volta à realidade dos seus sonhos aterrorizantes.

“Eu estive em um pesadelo também, eu acho que compreenderia”, ele abriu a porta para que passassem. “As últimas semanas não foram exatamente normais para mim”.

“Se você quiser me acompanhar para o café da manhã, poderá me contar tudo o que aconteceu e talvez, só talvez, eu decida se é hora de compartilhar as minhas suposições sobre sonhos com você”, riu fraca.

“Mas pode compartilhar coisinhas sobre o meu... afilhado... que cresce dentro de você. Não existe milagre maior que esse para uma mulher, Wanda”, Danny tocou o seu ventre por cima do vestido e sentiu que ele estava tenso. Riu um pouco disso, talvez fosse um dos ensinamentos de K’un-Lun sobre o significado da vida ou algo assim, embora isso parecesse demais com os discursos conservadores que uma vez ouviu em Sokovia.

Talvez fosse bom passar um pouco de tempo em uma companhia que já não via há algum tempo. As palavras de Danny soavam como se ele desejasse aquilo que conseguiu ser apenas por um pequeno tempo antes, sabia. Entretanto, isso não lhe conseguia tirar o peso e a angústia de imaginar que poderia haver alguém por aí interessado em lhe mostrar coisas estranhas.

Notas finais
Me deixem saber de gostaram ♥