Angel of Darkness
1 A Máquina de Segredos de Madame Giry
— Você é uma grande mentirosa, mamãe. – dizia Meg sem hesitar – Só poderia ter sido de você que eu herdei o meu talento de ser astuciosa, mas você....- sua voz era carregada de raiva -....você vive naquela Igreja, agora eu compreendo o por quê de toda a sua devoção, você tem muitos pecados nas costas e vive se culpando por isso, eu nunca imaginei que você passava pano para os crimes de um louco. – seus olhos estavam vermelhos e Meg custava à acreditar que era mesmo a sua mãe cúmplice daquele Fantasma. – Se fosse para eu me tornar a bailarina titular, que fosse do meu próprio merecimento, não iria querer que você e esse Fantasma louco conseguissem de maneira suja! – Ao meu ver, você protege mais essa “coisa” que nós duas juntas! – dizia Meg se referindo à ela e Christine, que olhava para a situação assustada e com os olhos arregalados, estava sentada em uma das cadeiras ouvindo a conversa e vez ou outra abaixava o rosto e fechava os olhos, querendo fugir daquilo tudo.
— Filha....não sabe o que está dizendo. – Eu sempre fiz de tudo, sempre protegi você e Christine. – E não, não, ele não é isso. Eu sei que é difícil aceitar, mas.... Ele nunca matou ninguém sem que houvesse motivos para tal, não que eu defenda os crimes, mas não havia outra maneira, se eu nunca te contei nada minha querida, é porque sei muito bem como é a minha filha, e o quão espalhafatosa você pode ser, Meg! Era melhor do jeito que as coisas estavam! – Eu nunca vi ele, quase 30 anos trabalhando nesse Teatro e nunca o vi, mas se o Teatro é reconhecido, tudo deve-se à ele, ele é o verdadeiro dono daqui, sem ele esse Teatro não seria nada. Me lembro da primeira vez que recebi uma carta dele, para mim, ele é um amigo, não o vejo de outra forma, não consigo odiá-lo, ele sempre foi cordial, atencioso e bem humorado comigo, confia em mim. – E sua voz....é algo único! Lindíssimo! Nunca vi nada igual. Ele tem um talento incomparável. Para mim sua voz soa como a de um anjo, um anjo-fantasma da música. Quando estava triste, ele sempre começava à cantar para mim aqui no meu camarim.
— Hã....por acaso vocês trocam codinomes entre si?....”Lanterninha”?— Meg pegou uma das cartas avulsas do Fantasma pelo quarto da mãe, e começou a ler, franzindo as sobrancelhas – Isso é sério? Não é possível....São tão íntimos que até apelidos tem – Phantom
— Ah! – Madame Giry começou à rir – Lanterninha....ele inventou esse nome para mim, eu gosto
Christine e Meg se entreolhavam, como se dissessem “Não é possível que isso seja verdade!”
— Para mim essa é nova, nunca vi o Erik apaixonado. 30 anos e nunca vi. Muito menos dando aulas particulares para alguém. – Madame Giry olhava para Christine nesse momento, que estava com mil pensamentos na cabeça – Christine....minha querida,
***
[ Raoul & Christine ]
— Pare, Raoul, pare de me pressionar – Christine estava com os olhos marejados – Não quero mais falar sobre esse assunto – soltou-se dos braços de Raoul e deu-lhe de costas olhando para a paisagem do Lago Opera Palace.
— Pois eu quero, Christ....Eu quero saber a verdade, apenas isto. – sua voz era séria e seu olhar era fixo em Christine, sentia uma mistura de sentimentos, de tristeza, de ciúmes, de raiva. – Me fale a verdade, por que não o odeia? O que te impede de odiá-lo? E se não sente nada voltado à querer mata-lo, o que sente por ele?
— Sinceramente, Raoul? – dizia Christine ainda olhando fixamente para o Lago –....Eu não sei, não sei – seus olhos estavam entregues em lágrimas, em pequenas gotas, que se assemelhavam à pérolas de marfim. -....Eu só sei, que posso te dizer, ódio eu não sou capaz de sentir por ele, na verdade já senti tantas coisas nesse passar de tempo, estou confusa, estou cansada.....- Começou a andar pela ponte em que estavam -....Eu queria um pouco de paz, estes dias foi o que eu menos tive, e você, você Raoul, foi o primeiro à me acusar o tempo inteiro, logo você.... – o choro se intensificava em seu rosto -....Você....meu melhor amigo, toda a nossa história....Mas você, não teve consideração por tudo que vivemos juntos. – então Christine voltou seu olhar para Raoul -.....Por você, eu até reconsidero perdão, mas perdão é algo tão fácil de obter não é?....Principalmente quando várias vezes isto foi pedido e feito, repetidas vezes....Quantas vezes eu fui boba, jogada aos seus pés, pedindo um pouco da sua atenção?....Eu já estive nessa posição, e eu posso dizer, que é pior sentimento, como eu queria não sentir....
— Você sabe, Christ....você sabe! – ele pegou em sua mão – Não foi a minha intenção, você entende isso, não é? Eu te conheço muito bem, sei quando está confusa....sei quando mente, principalmente para mim. – ele olha para Christine, e ela por um momento se assusta com suas ditas palavras. – Quando sorri, quando brinca e é gentil de forma demasiada e esconde as coisas, acha que eu não percebi? Se eu não percebesse, aí sim talvez poderia me dizer que eu não conheço você. – o rosto de Christine estava pálido, completamente -....Eu queria muito sua companhia esta noite, queria muito que dessa vez você não fugisse de mim, aquele dia que você fugiu....se trancou no quarto e todos não entenderam, aquele dia....eu fiquei tão mal, sem poder falar a minha versão do que aconteceu realmente.... Queria sair com você, e que pudéssemos conversar sobre....tudo, esses 5 anos foram como a eternidade, por hoje....posso ser seu velho amigo Raoul? – assim Raoul sorriu e Christine retribui o sorriso, logo lembranças vieram na sua mente, lembranças boas. Christine, Raoul, Philipp, Louis, Meg, todos, se divertindo, contando contos, cantando, dançando, a infância, a juventude, tudo.
Então, por aquela noite, Christine queria a companhia de seu amigo Raoul, aquele menino tão dócil que sempre brincava com ela, que corriam pelos grandes bosques e criavam histórias, e faziam faz-de-conta, e que se apaixonaram um dia, um dia deu certo, mas nesse momento, o que mais ela queria era resgatar a sua amizade.
O Mascarado
Universidade de Paris, 16 de Setembro de 1875.
Eu o beijei, involuntariamente, meus sentimentos se tornaram maiores que a minha razão naquele dado momento, e seus lábios eram gélidos, haviam uma textura diferente, um gosto diferente, uma forma diferente, e ao mesmo tempo que estranhava, estava encantada, fascinada, como em um feitiço, no passo em que o beijei, ele retribuiu, e o que senti foi....Que ele retribuiu, como se esperasse aquilo à anos, mais do que um beijo, uma súplica, não era qualquer beijo, ele esperava pelo meu beijo todo esse tempo, será que....o tempo todo, era ele o admirador secreto? O Mascarado que eu via no baile? Foi tão rápido, não vi seu rosto, ele estava com a máscara. Por que se escondia? Será que eu estava enlouquecendo, como Liz, Margareth, Meg diziam? Vendo simplesmente coisas do além, que não existem à não ser na minha cabeça? Eu até pensava nessa possibilidade, mas....como? Esse beijo foi algo tão real, e eu me sentia completamente anestesiada quando o via, mesmo estando com Pierre e sabendo que aquilo era errado, eu estava com outra pessoa, alguém, ou uma entidade passeando pelos meus pensamentos, pela minha mente, e até mesmo navegando pelas profundezas do meu coração, como se....Eu já conhecesse, não fosse algo novo para mim, mas não sei ao certo o que isso significa, esse sentimento.
***
[ Christine & Meg ]
— Faça como eu, Christ....simplesmente não se apaixone e sempre sairá ganhando! – Meg falava sorrindo para Christine enquanto andavam pelo Campus – Temos que aproveitar, principalmente esse tempo na Universidade, e esquecer do passado, e você esquecer aquele chato do Raoul que só fez você sofrer, ok, vocês eram amigos – Por que estragar tudo assim, Christ?
— Ele mudou tanto....- Christine dizia com um aspecto triste
— É, Christ, são assim os homens, todos eles mudam, do bobinho romântico para o cara que mal falava com você direito, nem parecia que você era importante para ele, vocês podem recuperar a amizade, mas nem pense em voltar com ele! Conselho de sua melhor amiga.
— Eu sei Meg, não quero perder a amizade dele, ele sempre vai ser importante pra mim, independente de tudo.
— Isso, amada, só não fique melodramática e melancólica durante esse tempo, seguir em frente, lembra? A partir de agora não pronunciaremos o nome “R” do rapazote, viu? – as duas riram e Christine revirou os olhos rindo – Ok, Meg, vamos arrumar o nosso trabalho, esqueceu da aula de Artes?
— Como eu poderia esquecer, Christ? Estou esperando por esse momento há meses! – dizia Meg com um brilho nos olhos – Temos que mostrar nosso talento! Quem sabe assim....eu consigo pelo menos uma pequena participação no Musical do Senior Feltrin, e você....- seu sorriso alargava mas Christine logo vetou a amiga -....Ah, Meg, eu sou outro caso, você sabe, não sei se..... – Meg interrompeu – Não faça a tímida, Christ! Eu sei do seu potencial, todos sabem, eu sei que o pessoal avacalha, mas você tem talento, de verdade. – Christine olhava para Meg insegura, não acreditando tanto em suas palavras
— Papai acreditava em mim....Quero dar esse orgulho pra ele....Mas às vezes, nem eu acredito em mim.
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