Angel Rebel
25 Angel Rebel
Notas iniciais
Aqui esta o ultimo capitulo dessa história para voces
Eu espero que gostem, ele esta enorme *---*
***QUINN***
Um tremor percorria todo meu corpo desde que abri os olhos. Estava sozinha na cama, mas eu sabia que não havia sonhado. Eu estive com Rachel noite passada, ela esteve aqui e acabou com o “tempo” que ela resolveu dar.
Harmony talvez tivesse razão a respeito dela, eu não contei nada, mas o ponto de vista que ela teve, serviu para o momento. Essa garota é uma aventureira, um rostinho bonito querendo fama e dinheiro. Olhe para ela. Eu relembrava as palavras de Harmony,
Droga! Eu não a via assim, mas como foi mesmo que ela apareceu na minha vida?
Ah sim, invadindo meu apartamento, me deixando sem voz, mostrando toda sua alto-confiança, destruindo minha empresa, fazendo todo mundo surtar.
Foi assim que ela apareceu. Qualquer um que a visse, com toda certeza, a acharia uma mulher luxuosa.
Sim, ela era assim. Não importava, ela poderia estar com a roupa mais barata que você imaginar. A luxuria, querendo ou não, sempre estaria em seu olhar. Às vezes, é algo natural. Mas ela representava poder. Não era o tipo de anjo que você confiaria cegamente. Eu não confiava ate tudo mudar, estou segurando as pontas com todas as minhas forças, ou pelo menos estava.
Também sei que ela é um anjo, não pode me contar tudo. Mas a confiança é a força da coisa. E ela não confia em mim. Ela confia nos outros. Ela não acredita em mim. Um filme se passou na minha mente, pontos positivos e negativos da nossa historia.
Querendo ou não, as coisas aconteceram. Coisas negativas aconteceram. Eu não queria ter motivo para desconfiar dela, para usar os pensamentos de outros contra ela, mas estava acontecendo, porque ela me dava esses motivos.
–Quinn! Sai dessa cama!
Encarei Brittanny parada a minha frente. Cabelo arrumado, perfume invadindo meu quarto. Ela estava pronta.
–Estou tentando falar com você desde que o dia começou. E nada.
–Não grita. Por favor.
Pegou a garrafa de vodca que deixei no chão Torceu o nariz e voltou a me encarar.
–Você bebeu?
Isso não era obvio?
–O que aconteceu Quinn? Sabe que hoje temos um momento importante para festejar. Pessoas importantes estarão nos esperando, você sabe.
Minha cabeça estava doendo.
–Você passou o dia todo na cama?
–Não. Eu me levantei para ir buscar a garrafa-. Sorri ironicamente.
Bufou, sumindo dentro do meu guarda-roupa.
–Você e a Rachel brigaram?
–Eu não sei. Não sei de mais nada Brittanny. Não sei quem ela é e o que realmente quer comigo.
Sorriu colocando um vestido do meu lado.
–Vocês se amam. E eu vi quando Harmony tentou fazer sua cabeça ontem, antes do episodio “Briga”. Não acredita nela, não acredite em palavras de ex namorados. Nunca será para o seu bem, nem quando eles usam a famosa frase: Te conheço muito bem. Ok, a mamãe te conhece mais.
Voltei a me deitar, deixando que suas palavras se transformassem em zumbidos. Como vou explicar que ela era um anjo? Anjos tem faces diferentes e pelo que sei ate hoje, são bem traiçoeiros quando querem. Afinal, eles querem viver aqui, no meio do pecado. E Rachel, já me provou que esse é o seu mundo.
–Banho Quinn, temos uma hora.
Me arrastei até o banheiro e fiquei lá por quase meia hora. Me peguei chorando e isso era loucura. Não havia motivos. Havia sim, ela fugiu de você depois de dormirem juntas. Ela sempre foge, sempre te esconde.
–Quinn, já deu-. Brittanny bateu na porta.
Antes de sairmos, bebi mais um pouco, ela que iria dirigir mesmo.
A casa estava cheia. Sam me arrastou para escritório assim que me viu, ganhei um tapinha na cara para acordar. Mesmo acordada. O empurrei, me afundando na poltrona Fabray.
–Qual é Quinn? Por que esta bêbada?
–Eu posso andar. Não estou bêbada.
–Também não esta sóbria. O que fez?
Segurei a cabeça. Algo dentro dela não estava funcionando.
–Ela esta me enganando-. Murmurei
–Quem?-. Franziu a testa confuso.
–A droga do meu demônio. Rachel esta me enlouquecendo!.
Sam bateu em meu ombro.
–Ah para! Ontem à noite, vocês estavam bem.
–Ontem a noite ela me fez ficar do lado dela Sam e hoje acordo sem ela. E ainda era cedo, eu digo muito cedo. Qual é a dela?
–Não sei. Talvez ela tivesse outro compromisso.
Bufei pegando seu copo. Virei a bebida de uma vez na boca e o puxei comigo.
–Preciso que me leve de volta ao meu apartamento.
–Pra que?-. Perguntou confuso.
Cortei as perguntas. Vamos lá, jogar o jogo do anjo. Em minutos ele me deixou na portaria e só levei cinco minutos para pegar a caixa com a sua pena escondida na cômoda e voltar ao carro.
Ela disse que isso era importante. Ela me deixou claro seu currículo. Eu não seria mais uma, se esse fosse seu planos. Voltamos e tudo parecia estar igual. Ou não.
Brittanny voltou para dentro do salão, a seu lado Rachel e sua amiga. Amiga o qual eu não sabia de nada sobre a verdadeira existência. Algumas pessoas conversaram comigo, me fizeram perguntas que talvez fosse normais, mas o grau de álcool no meu sangue as destorcia.
Rachel não veio em minha direção quando meu olhar era um aviso para me seguir. Ela simplesmente se juntou a Sue com um sorriso amigável
Sue. Também me pergunto qual é a ligação que elas tem. Rachel não é confiante. Ela esta se mostrando assim. Soquei a parede seguindo para o escritório Fiquei lá por um bom tempo, ate Harmony aparecer.
–Sua festa, por que esta aqui?-. Perguntou com um pequeno sorriso.
–Quero ficar sozinha.
Se encostou na mesa.
–Eu nem devia estar aqui. Ainda estou chateada pelo que fez Quinn. Mas sei que esta sendo induzida pela Berry. Ela não presta e talvez você nem...
–Eu a amo. Eu não queria, mas a amo. Eu sinto muito. O que eu posso fazer? Eu amo aquela desgraçada que só ferra a minha vida desde apareceu.
Harmony me encarava.
–Você me esqueceu rápido assim?
–Eu ainda gosto de você, mas é gostar com um amiga ou irmã. Eu...
–Você esta enfeitiçada e sei que irá se arrepender quando ver que ela é uma aproveitadora. Ela não te ama, ela ama seu dinheiro. Isso será provado, um dia. E você verá que tenho razão
Se afastou, mas parou na porta. O olhar era magoado.
–E sobre vocês se conhecerem um dia em Londres. Eu não acreditei nessa historia. Você não a conhece de verdade. Algo que me diz que não... Parabéns pela festa.
Essas palavras ficaram se remoendo na minha cabeça. Eu não queria pensar que ela tivesse algum interesse humano a rondando. Anjos são tentados a invadir o mundo da luxuria, mas ela era diferente. Eu sei que era, tanto sei, que estava me ajudando. Me ajudando contra Sue. Rachel prometeu que me ajudaria contra ela. Algo secreto, algo dela. Eu não sei.
Ouvi os sussurros nos corredores e sai da sala, decidida a arrasta-la ate ali e obriga-la a dizer o que tanto estava me escondendo. E como se o destino quisesse isso, a vi sair do banheiro. A puxei pelo braço ate um dos corredores e olhei bem dentro dos seus olhos.
Ela não mentiria com eles. Mas eu sou cega, mesmo a questionando, tudo o que ela me mandou fazer foi prometer que confiaria nela. E eu me via manipulada, porque querendo ou não. Eu confiava. Ela me mandou ir atrás de Santana com Brittanny.
Era como uma missão, e eu fui. Mas não consegui chegar ate elas. Sam me arrastou para o meio do salão Onde pessoas conhecidas e desconhecidas para mim, estavam reunidas. Eu sabia, aqueles que mais sorriam, estavam esperando que eu assinasse um contrato de “sócio” com sua marca.
Brittanny era a mais feliz de todas naquele meio. Sam falou quando foi sua vez, um telão logo atrás mostrava tudo, cada peça, como nosso trabalho era feito. Brittanny e suas obras, modelos e mais modelos. Mas tudo o que eu fazia era procurar Rachel por ai, no meio de tantas cabeças.
–Quinn-. Brittanny me chamou. -Sua assinatura.
Li e reli aqueles papeis por uma eternidade. Era só assinar e sair daquele lugar. Então, quando todos pareciam satisfeitos. Sue entrou no meio. Sorrindo, o que não seria possível ali. Mas ela sorria. Pegou o microfone de Sam e com sua pose anunciou.
–Acho que agora posso revelar a surpresa-. Falou nos dando as costas pegando as folhas na mesa. -É com um enorme prazer e agradecimento, que anuncio que a nova campanha e mais da metade das ações da empresa Fabray, agora é uma Sylvester.
Sam urrou um “O quê” nos meus ouvidos e aquele som de surpresa varreu todo salão Acho que apenas puxei a folha de suas mãos e passei os olhos no contrato. O que estava acontecendo? Não eram esses o contrato. Segui o olhar de Sue pelo salão ate parar na escada, onde Rachel estava.
Eu não queria acreditar, então Santana surgiu a tirando de lá. Eu tentei passar por Brittanny. Mas ela me fazia perguntas. Harmony apenas me encarava. Estavam todos confusos.
Mas consegui me desvencilhar e seguir ate o segundo andar, a encontrando no escritório. De alguma maneira ela queria se explicar. Explicar que ferrou minha vida quando eu confiei nela?
E porque eu tenho certeza que foi ela? Desde o começo, seu jogo de intriga com Sue, Rachel me odiava, ela esteve com ele antes, com Finn, se sentou a mesa com eles no começo da campanha. Eu sempre chegava e o assunto terminava. Ou ela dava um jeito de terminar.
Desde o começo ela seguia meus passos. Era uma informante, mas a troco de que? Santana me segurou e a mandou sair e ela obedeceu. Quando consegui me soltar, não a encontrei em lugar nenhum. Eu não fazia a mínima ideia de onde ela poderia estar.
–Quinn, como isso aconteceu?-. Brittanny gritou me parando na saída
–Eu vou resolver isso, a culpa é toda minha. Mas vou resolver isso.
Uma mulher parou a minha frente e Brittanny parecia não vê-la. Mas que droga, eu não quero mais saber dessas entidades.
–O tempo dela acabou. E precisamos do que você escondeu.
Passei as mãos no cabelo, nervosa.
–Ela a entregou.
–A caixa? Uma maldita caixa?-. Eu estava completamente irritada, eu não estava nem ai para o que aquela mulher faria com a pena daquele demônio.
Assentiu. Segui para o estacionamento abrindo a porta do carro com todas as minhas forças, puxando a pequena caixa que escondi ali. Apenas entreguei, mas lá no fundo, algo me mandava recuar, dizendo que eu não deveria fazer isso.
Mas como recuar? Eu não sabia. Segundos depois estava sozinha ali. E voltei. Sam conversava com os acionistas, Sue era cumprimentada. Havia uma pequena festa, não vi muita coisa quando parti para cima dela conseguindo acerta-lo pelo menos, umas três vezes. Então me afastaram.
Brittanny passou correndo para o segundo andar.
–Aonde vai?
–Preciso achar a Santana. Rachel me mandou acha-la.
–Onde Rachel esta?
–Lá fora.
Manipulada. Brittany estava sob efeito de manipulação Sai para fora mais uma vez sentindo o vento frio em meu rosto. As lagrimas de ódio não era nem pelo fato de ter praticamente perdido a empresa e sim ,por perder quem eu aprendi a amar. Porque eu devia odiá-la. Mas isso não estava acontecendo.
Me arrastei para entrada, e lá estava ela. E não estava sozinha. Seus amigos estavam juntos.
–O que ainda faz aqui?
Se virou me encarando assustada.
–Quinn...-. Seu sussurrou era sofrido, mas eu não estava nem aí.
–Eu a quero longe daqui!-. Era difícil dizer essas palavras. Mas ela me traiu. -Eu te renuncio-. Gritei.
–Não!-O som da sua voz soou abafado e ela simplesmente desapareceu.
***RACHEL***
Estava tudo girando. Minha cabeça parecia ter sido esmagada enquanto me levavam para longe dali. Tudo despareceu em uma fração de segundos. Não podia nem considerar magica. Mas me tiraram de lá e minhas mãos foram presas por dois brutamontes ainda maiores que Sam.
–Santana!-. Chamei fracamente. Ela estava entre todos ali.
As primeiras filas a minha frente. Santana era um deles, de cabeça baixa. Eu não conseguia entender nada mais. Eles falavam rápido e a cada palavra, meus pulsos eram apertados. Inferno. Era o lugar que eles decidiam me levar. Eu tinha certeza.
–Como prevemos, você falharia na missão
Bufei.
–Claro. Vocês preverão. O que a guarda poderosa não preveria, não é mesmo?-. Gritei de dor quando senti minha o aperto em meu pulso ficar mais forte.
Santana me ajude. Pensei, mas sabia que ela não poderia fazer nada.
–Vamos ler a clausula-. Alastair encarou os “juris”
Cada palavra, não me interessava nos primeiros minutos. Eu fui legal com algumas crianças, talvez a garotinha suicida. Ou ao gordinho que escondeu pasta de amendoim dentro das meias para levar não sei aonde no dia seguinte. Ou os gêmeos do peixinho. Essas eu ate gostava.
Eu odiei a loira frustrada, ou aquele taxista que me fez de psicóloga e eu conhecia mais a vida do que ele mesmo. Ou aquele adolescente que me fez de gênio e seus três desejos eram me beijar e tudo o que fiz, foi arranjar alguém para satisfazê-lo, isso é, a ruivinha de aparelhos.
Eu não fui ruim com todo mundo. Mas meu caso era daqueles que só veriam o lado ruim, o lado bom nunca importaria. Então o assunto foi mudando. Minhas noitadas, minhas quebras de regra, minha violação com uma humana, os anjos caídos que me cercavam. Quinn. Amar uma humana. Ferir pessoas por causa dela. Essas palavras me atingiram, me machucaram de verdade.
–Chega!-. Gritei. Meu cabelo bateu em meu rosto.
–Você violou todas as regras.
–Que se dane. Vocês nunca tentaram mudar.
Alastair apenas mexeu as mãos e senti mais uma vez a força em meus braços.
–Eu não tenho medo de você-. Falei entredentes por culpa da dor para o grandão que me segurava.
Minha bunda doeu quando me sentaram com toda a força no banco. Senti meus pensamentos serem invadidos. E então, eu não parecia mais estar ali naquela sala. Eu estava com Santana, no apartamento de Quinn há mais ou menos, um mês e meio. Eu fiz alguma coisa com Harmony, conhecia os Fabray. Odiava Quinn... As imagens iam passando e eu ia assistindo meu próprio filme. Então passou rápido demais, dentro de mim tudo estava mudando. Minha vida não era mais uma comedia engraçada. Estava sendo tão real quanto aterrorizar Roma inteira.
Quinn era diferente e real. Eu não queria mais que a vida dela se ferrasse mais do que já estava. Eu queria ajuda-la e em momento algum, me coloquei fora dessa depois que a ajudasse. Eu queria estar com ela ate no depois. Mas as coisas não aconteceram assim. A confiança que eu pedi a ela sumiu.
“–Porque não posso contar a ela?-. Perguntei a Santana quando havia decido que contaria”
“Eles desconfiam de sua ligação com Quinn. Você contando, Quinn será um alvo fácil Eles não querem que você acerte, e sim, que erre. Fardo, esqueceu?”
“Se eu pedir para ela não contar, ela não irá contar”
“Eu sei. Mas os arcanjos tem a mente dela livre. Acha que se não fosse por mim, eles já não teriam te arrastado para o inferno? A noite com a Fabray, é o pensamento mais vivo que ela tem. E eu bloqueio essa parte. Não se preocupe, eu corro os riscos”.
Quinn era o sinal mais forte que eles tinham para o meu fracasso. Então eu não podia lhe contar nada. Mesmo ela não contando, sua mente era aberta demais e Santana já se arriscava demais. Mais rápido do que imaginava, estava de volta a sala. Os brutamontes me arrastaram e, o grito engasgou em minha garganta.
Por mais que algo tentasse bloquear o que estava acontecendo. Eu sentia a pressão em minhas costas. E mais a fundo, sentia a dor em cada pena que eles arrancavam. Eles podia acabar com isso logo, queimando a que eles provavelmente já tem em mãos, mas eles queriam que eu sofresse.
Tentei enxergar Santana ali, mas não a vi. Ela não estava mais ali. Mordi os lábios com força quando meu corpo se curvou para trás. Era como se puxassem meu cabelo e me chicoteassem. Mas falar, não era algo que eu conseguia. Então o grito rasgou meu peito, quando involuntariamente, Quinn passou por meus pensamentos.
Era hora de dizer “oi” ao inferno.
***QUINN***
Uma semana, encarei o teto branco do meu quarto. Minha vida parecia querer voltar ao normal. Mas levaria tempo. Um bom tempo. Harmony parou de me ligar quando percebeu que atender a maldita ligação, seria impossível.
Faz dois dias que a nuvem cinza deixou nossas cabeças. Isso era bom, não era? Talvez. Eu queria esquecer tudo ,acho que consegui por algumas horas naquela noite onde dormi no chão do escritório me perguntando aonde foi que eu errei. Mas quando acordei, fui invadida pela minha loucura.
Sam recolheu todos os contratos. Dividimos, metade-metade. Mas eu estava atrasada. Só pelo fato de que, não me importava tanto. Estava tentando entender o que se passava dentro de mim.
Pi! Secretaria eletrônica. Apertei o botão fazendo isso pela primeira vez na semana. “Bom dia Quine, é a Ângela. Ainda sou sua secretaria, eu acho. Bom, Sam passou aqui mais cedo e disse que precisava dos documentos que deixou com você. Espero que tenha se lembrado disso. Um rei não fica sentando esperando seu império crescer sozinho.” Sorri. Isso viria com toda certeza de Ângela.
Tomei um banho e desci. Enchi uma tigela de cereal e me joguei no sofá Deixei o resto das mensagens virem. Eu precisava ouvi-las. Mesmo sendo desnecessárias Passou quase uma hora, lendo cada paragrafo. Procurando qualquer erro que fosse naquele contrato, quando em uma das folhas, estava escrito abaixo.
“Se lembre de mim. Apenas se lembre de mim, você consegue.”
Se lembrar de você? Eu queria esquece-la. Não queria nunca mais ter que me lembrar que já existiu. Na outra folha, outro pequeno recado.
“O terceiro livro da estante. Você devia ter encontrado... talvez seja tarde, mas veja mesmo assim. E por favor, acredite em mim”.
Encarei a estante por um tempo. Poderia ser um jogo. Ela sabia jogar. Mas que droga! Por que eu tenho essa mania de me sacrificar? Não posso simplesmente deixar essa rebelde sumir dos meus pensamentos?
No momento, meus pensamentos se juntaram com tudo o que tinha de pior em mim e a curiosidade foi maior. Segui para estante e puxei o terceiro. Percebi que era um livro que eu estava lendo, mas acabei parando a minha leitura há uma semana, por falta de tempo. Uma folha dobrada caiu em meu pé e a peguei, na duvida de ler ou não. Mas eu leria de qualquer jeito.
Voltei a meu posto no sofá, abrindo a carta.
Querida Quinn (Não estou sendo irônica)
Isso é diferente para mim. Escrever uma carta para alguém. Ou melhor, escrever uma carta para uma humana como você. Nossa, humana, isso foi estranho. Mas bom, você deve estar surtando a essa hora, sei que no “seu mundo”, acordar sozinha depois de uma noite daquelas é como uma traição.
Eu sei também que não vai adiantar te dizer sempre que não posso te contar tudo. E sim, eu não posso. Não posso porque tenho o Leroy, meus amigos, Santana e tenho você para proteger.
Já te falei que nem todos os anjos são bonzinhos? Digamos que alguns deixam a parte suja da historia para os vingadores, que apesar de andar por ai com o nome de Vingador, eles o julgam algo bom.
Aquele cumpridor de ordens, tipo esses policiais sabe? Mas eu cansei disso. Fiquei te olhando enquanto você dormia e minha mente fervilhou. Não sei se era efeito da noite passada, mas que seja. Não me importo. Eu não quero correr o risco de perdê-la e mesmo sabendo que posso ser acorrentada no andar de baixo por vários motivos que você mesmo sabe. Quero arriscar.
Vai ser difícil você acreditar em mim se tudo isso der errado, afinal, meu sobrenome é rebeldia. Sou um anjo rebelde, bem antes de descer a terra. Eles me deram corda, mas não sou boba, eu não iria puxa-la. Apenas deixei estender-se por ai.
Ate você aparecer e me fazer parar. Quando eu cheguei a sua casa, a primeira vez, eu achei que seria fácil. Eu pensei que seu problema fosse algo emocional (também, era). Achei que seria como todos os que eu já ajudei, ou tentei, cada um faz o que pode.
Mas não, a bomba era ainda maior. Você era uma mulher linda, gostosa, que chamava a atenção por onde passa. Rica. As pessoas que te cercavam, ou te cercam, eu não sei como as coisas estão. Você não era nem de longe, como as outras que eu já conheci. Posso dizer que você viveu em um mar de monstros por muito tempo.
Mas vamos pelo começo. E guarde isso com você...
Quando Sue entrou na empresa, ela tinha um único objetivo. Se juntar a fama dos Fabray. Por azar da sua empresa, Sue não estava sozinha. Me pergunto como vocês nunca se perguntaram o porquê dela nunca mencionar sua pequena empresa.
“Ah sim, os Fabray era os melhores, pra que se preocupar com o vizinho?”. Isso foi um erro Quinn. Dentro dessa pequena empresa falida, estava Paul. Sócio de Sue, marido de Marley, irmã de Harmony.
Se a pequena empresa crescesse, os Sylvester’s e a família de Harmony desbancariam os Fabray's. E a única saída que tiveram, foi vender metade da ação da “pequena empresa” e leva-la ate a sua.
Sue cresceu em muito pouco tempo. E isso passou despercebido por todos. O objetivo dela, nunca foi tomar a sua empresa em si, mas sim, destruí-la e formar seu império. Mas ela não fazia sozinha.
Como Sue sabia das negociações? Como ela aparecia do nada, quando havia uma reunião em segredo? Por que estava sempre interessada em ações que nem estavam sendo negociadas? Como ela sempre sabia de tudo?
Você pode não acreditar em mim agora, mas a única pessoa que sempre esteve ao seu lado, fingindo pouco interesse com todo o seu trabalho, sempre esteve na verdade ligada a cada detalhe: Sua querida Harmony (pode bufar ironizando).
Ela sempre esteve ali, fingindo não se importar, mas servindo de pombo correio. Paul faz parte da família dela. Por que ela se negaria a fama? Sim, possivelmente haveria uma fama.
Mas as cabeças estavam pensando errado, Sue não se importaria com o depois. Já Harmony, tentaria talvez se explicar com você e quem sabe usar a frase: “Não perdemos nada meu amor, seremos uma família mais forte agora”.
Acho que se você se atirar de uma ponte de cabeça, a realidade é bem mais verdadeira.
Agora você sabe porque a odeio, eu poderia tê-la deixado ferrar sua vida como já vi muitas mulheres fazendo por ai. Mas eu não consegui. Desde o começo. Faz duas semanas que Santana e eu descobrimos sobre os contratos falsos.
Segui Finn, o obriguei a me contar tudo. Fiz o que podia e o que não podia para te ajudar. Mas faria mais, faço qualquer coisa. Eu só preciso que confie em mim, eu não quero deixa-la e nem quero que você me deixe.
Então você já sabe, os arcanjos me obrigaram mentalmente a prometer que não contaria nada a você, humana vulnerável. Mas que se dane, eu nunca segui regras mesmo.
Mas preciso ir. Preciso cuidar de tudo, para que nada dê errado. A maior prova de que pode confiar em mim, esta em suas mãos.
Você tem a minha pena Quinn. Se os anjos a pegarem, eu estarei perdida.
Se eu errar, ou te trair. Pode me mandar para o inferno você mesma. Mas espero que não pense: Ah, ela esta ficando louca. Quer matar Harmony. Sim, eu quero, mas posso ter um momento melhor do que esse. Espero que entenda.
Ainda estamos dando um tempo. Nada de mão dadas e nem olhares. A casa vai estar cheia e não quero correr perigo, pois provavelmente terão anjos me vigiando naquela festa.
Prometo que assim que eu conseguir trocar as pastas e Sue for desmascarada, tudo vai se resolver. Eles não me mandarão embora e eu vou ficar você.
Não se esqueça de mim meu amor...
Seu demônio, ou, seu anjo Rebelde.
Não sei estava respirando. Estava tentando entender tudo. Tentando seguir as palavras na carta, mas eram obvias demais. Eu não precisava pensar. O telefone tocou e o nome de Harmony piscou algumas vezes. Respirei fundo antes de atendê-lo.
–Oi.
–Que bom que me atendeu. Por deus Quinn, como você esta?
Fechei as mãos com força.
–Bem.
–Sabe que estou com você, não sabe?
Emiti um som, incapaz de responder. Mas eu precisava dizer alguma coisa. Precisava fazê-la confessar.
–Posso ir ate ai?-. Perguntou.
–Estou indo para mansão Pode me encontrar lá?
Ouvi seu breve sorriso.
–Tudo bem. Quanto tempo?
Encarei o relógio
–Vinte minutos.
–Ok. Te vejo lá-. Respondi e desliguei.
Atirei o telefone longe. Corri para o quarto e troquei de roupa. Nunca cheguei tão rápido ao estacionamento. Mas porque eu estava correndo? Eu não acreditei nela.
“Se você me renunciar, eles acabam comigo”. Me lembrei de suas palavras.
E eu como uma grande idiota, a renunciei! Soquei o volante nervosa... O celular tocou. Sam.
–Fala-. Tentei ser o mais calma possível.
–Estava lendo uns papeis aqui. E algo não esta batendo.
Suspirei.
–Eu sei.
–Sabe?-. A confusão era nítida em sua voz.
–Sei. E não vou me perdoar nunca por isso... Preciso desligar, te ligo depois. Tente falar com Brittanny.
Brittanny não fala comigo desde episodio na festa.
–Tudo bem, mas preciso de você aqui. Já!-. Exigiu.
–Preciso resolver algumas coisas importantes. Te ligo em seguida-. Desliguei e parei o carro em frente à mansão.
Passei por Judy quase como um borrão, avisando que poderia deixar Harmony subir. Empurrei a porta do escritório e segui para as mesas. Eu havia guardado o contrato original em uma delas. Mas com a bagunça que fiz no meu melhor momento de raiva. Não sei se ainda estava lá.
Em um dos armários, uma pilha de papeis organizados, não sei por quem. Me chamou a atenção A puxei para mesa e revisei uma a uma. Ate que a ultima e por alguma sorte, era a que eu queria.
Era o contrato que recebi semanas antes. O contrato que li e reli mil vezes antes de tomar a decisão que ajudaria muito a empresa. O contrato que fora trocado por Harmony aquela noite, antes, ou depois de eu ter deixado a sala, no episodio: “Você vai se arrepender de ter tomado essa escolha”.
Quanto mais pensava. Mais me odiava. Coloquei tudo de volta no lugar e minutos depois a porta estava se abrindo. Um sorriso tímido surgiu em seus lábios. Fechei os olhos, contando ate três.
–Que bom que quis me atender Quinn.
–Dessa vez, sua presença é essencial para mim-. Eu ainda estava tentando manter a calma
Caminhei a passos largos ate a porta a trancando.
–Por quê?-. Levantou uma sobrancelha, ainda com um pequeno sorriso no rosto.
Indiquei a cadeira.
–Vamos conversar um pouco.
Seu pequeno sorriso já não existia mais.
–Não estou entendendo seu tom de voz Quinn.
Sorri. Um sorriso sem humor algum.
–Vai entender-. Passei a folha para suas mãos. -E aproveita e me explica-. Falei entredentes.
Encarou a folha por um tempo e sorriu.
–Isso se parece um contrato.
–Esse é o contrato que te mostrei. Lembra?
–Foram tantos Quinn-. Tentou desconversar.
–Tantos que me arrependo! Abre o jogo Harmony, eu sei que foi você que mostrou esse contrato a Sue. Sei também que isso ajudaria na empresa do novo membro da sua família. Que droga! Eu confiava em você. Foram dois anos Harmony! Dois malditos anos que eu tentava algo, que sempre deu errado-. Gritei.
Ela pareceu entender.
–Eu abri mão de uma pessoa, induzida por suas palavras. Porque eu confiava em você-. O desgosto era enorme em minha voz.
–Quinn...
–Qual será a desculpa?
–Não é desculpa. Sue me prometeu que não tomaria a empresa. Que seria a mesma coisa, que nada mudaria.
Uma risada nervosa escapou.
–Muito ingênua você, Sue me tirou tudo, tirou ate o que não era meu. Todos vocês são culpados. E isso não vai ficar assim.
Peguei o telefone. Dois toques e Sam atendeu e eu pedi para que ele viesse imediatamente para casa. Ultimamente ele andava pra cima e para baixo com seus advogados, quase como agentes da CIA. Harmony se lamentava do lugar, pedia perdão, mas nada disso mais importava.
Perder a empresa não se comparava a mandar alguém para o inferno. E quando Sam chegou, entreguei todos os papeis que comprovava a fraude. O resto, ele cuidaria.
Me joguei no sofá e encarei a mesinha de centro. Um bilhete aberto que não estava ali quando sai, me chamou atenção
“Eles saberão te ajudar”
Ele dizia. Abaixo estavam dois nomes e um endereço. Eu conhecia o endereço. Encarei o relógio, perdi a manhã toda e a tarde passou voando, peguei as chaves do carro e segui para a boate.
Aquele lugar já foi palco de uma rebelde a solta. Fiquei no carro por algum tempo, ate tomar coragem e sair. Ainda não sabia o que o bilhete queria dizer, mas entrei. Achei uma mesa vazia e me afundei na cadeira. Esperando. Quando uma das garçonetes se aproximou para anotar o meu pedido, fiz minha pergunta.
–Jake e Kitty. Estão aqui?
A loira abriu um sorriso.
–Sim, quer que os chame?-. Perguntou simpaticamente.
–Ficaria agradecida.
Se afastou com o sorriso ainda em seus lábios. Minutos depois uma loira e o cara moreno de dias atrás de aproximaram de mãos dadas. Me encararam por alguns segundos, pareciam incrédulos.
–Você?!-. A loira falou com raiva.
Não sei qual foi minha reação
–Tenho um ótimo soco de esquerda e não me importo nem um pouco com o fato de você ser uma mulher. -O moreno ameaçou.
–Não quero brigar-. Falei erguendo as mãos
–Eu não me importo-. Espalmou as mãos na mesa. -Você mandou nossa pestinha para o inferno a essa hora.
Rachel!
–Foi uma confusão-. Tentei me explicar.
–Eu sabia que os humanos não sabiam confiar nas pessoas certas, só não sabia que era assim-. A garota loira puxou uma cadeira se sentando a minha frente.
Meu coração estava doendo. Isso era visível
–Armaram para mim.
–Sabemos, e essa era a primeira vez que vimos Rachel querer ajudar alguém. Ainda me pergunto como ela não jogou aquela vadia na frente de um carro.
Jake acenou para o barman.
–Tentamos tira-la de lá aquela noite. Mas ela queria voltar e consertar as coisas com você-. Jake me encarou. -Pena que essa foi a primeira vez que ela deixou a Rachel ingênua entrar em ação. Isso era novo pra ela.
–Recebi um bilhete hoje-. Peguei o papel no bolso. -Eu não sei quem o mandou, nem como entraram no meu apartamento. Mas me mandaram procura-los.
Kitty leu a frase e encarou Jake.
–Isso é uma piada?-. Me perguntou.
Não entendi. Jake pegou o papel.
–O que isso quer dizer?-. Perguntei.
As bebidas chegaram.
–Faz uma semana que tudo aconteceu. No máximo a guarda já deveria tê-la mandado para o inferno. Infelizmente todos nós sabíamos que isso aconteceria. Mas esse bilhete te manda nos pedir ajuda e a única ajuda que poderíamos dar nesse momento e relacionado a isso. É a passagem, no parque depois do lago. Os anjos caídos normalmente caem ali. Nós dois caímos ali e outros muitos também. Mas acho que se Rachel tivesse caído, já teríamos sabido disso.
Um sorriso se abriu em meus lábios
–Pode esconder esse sorrisinho. Você a renunciou-. Jake falou nervoso.
–Ela caiu?-. Uma pequena chama de esperança nasceu em meu peito.
–Não sei. A única maneira de saber é esperar.
–Como assim esperar?-. Perguntei confusa
Kitty virou a garrafa na boca e fez uma careta.
–Daqui a dois dias, é o dia de rebaixamento. Dois ou três caem. Ela adorava ir ver, mas no caso, essa seria a sua vez. O que acho impossível acontecer, eles não dariam uma vida na terra a ela, isso era o que ela queria e eles estavam doidos para manda-la para o andar de baixo. Às vezes você leu o bilhete no tempo errado.
Eu torcia que não.
–Mas...-. Jake começou. -Vamos estar lá primeiro. Ela pode não se lembrar de você, ou vir pior do que antes. Ou bem deteriorada. Se ela quiser vê-la, vamos permitir. Se não, já sabe... Suma da vida dela!-. Seus olhos pareciam queimar em minha direção.
...
Eu não consegui dormir quando voltei pra casa. Não consegui pensar em nada. Apenas esperei os dias se arrastaram, e ele finalmente chegou.
***RACHEL***
Minha cabeça já não doía tanto. E meus olhos ainda pareciam me pertencer. Xinguei baixinho algumas vezes ate a luz se acomodar. Um par de botas pretas, foi a primeira coisa que vi. Acho que fui torturada o suficiente para eles pararem, me depenaram como uma galinha. Então uma mão tocou a minha e a porta se abriu trazendo uma velha baixinha.
–Que bom que acordou. Como se sente?-. Perguntou em um tom preocupado e sorriso reconfortante.
Hã?
–Eu sei, ainda deve estar confusa. Mas isso já já passa-. Falou, quando eu não a respondi.
Ela saiu depois de mexer em uma coisa pendurada a meu lado. Só então encarei a pessoa que segurava minha mão
–SANTANA!
Sorriu. Era um sorriso diferente de todos que ela já me deu.
–Estou sonhando? Isso faz parte da ilusão-. Fechei os olhos.
–Não esta não. Sou eu mesmo.
–Cortou o cabelo? Santana, eu não estou entendo nada.
Se virou para mim.
–Você caiu-. Disse simplesmente.
–Não. Eles iam me mandar para o inferno.
–Eu sei. Mas, acho que eles deveriam ter verificado os votos antes de manda-la aos “vingadores”.
–O que você fez?-. Arregalei meus olhos.
Encarou a janela.
–Violei todas as regras. Troquei todos os votos, eu sabia desde o começo que eles não te perdoariam. Então, quando você não me obedeceu, eu não tive escolhas a não ser fazer isso. Bloqueei sua mente enquanto eles queimavam sua pena e tiraram as que você tinha. E quando estava no fim, devolvi sua consciência Você não vai se lembrar agora. Eles te jogaram antes que os arcanjos intervissem. Então eu deixei que eles descobrissem o que eu havia feito e cai pouco depois.
Balancei a cabeça tentando limpar a mente. Santana acaba de me dizer que caiu por minha causa.
–O que você em na cabeça sua idiota? Santana! Isso foi loucura.
–Não Eu não posso mudar a ordem, eles tem toda a razão e sempre vão ter. São poderosos demais para nós mudarmos algo. Eu não podia deixa-la aqui sozinha. Agora você é vulnerável
–Eu sei me cuidar-. Fiz um pequeno bico.
Bufou divertida.
–Precisamos ir-. Falou tocando no soro. -Isso realmente é bom. Tomei duas bolsas dessa e me sinto ótima-. Sorriu abertamente. Eu nunca a vi sorrir assim.
Inacreditável
–Avisei ao Leroy que você estava de volta. E ele esta surtando.
–Você o que?-. Gritei animada.
–Bem vinda a terra Rachel Berry. Essa é a sua vida agora. Anda, consegui andar? Vamos ao lago.
A encarei.
–Por que você quer ir ao lago? Quer voltar para o céu?-Perguntei escondendo o riso.
–Ali não é o ponto de partida-. Abriu a porta. -Dez minutos-. Saiu me dando privacidade.
Passei um bom tempo sentada. Respirando fundo. Me encarando no espelho, me sentindo estranha. Belisquei meu braço e senti a dor fazendo uma careta. Corri pelo quarto. Tudo bem, eu fazia isso antes. Mas agora, tudo parecia diferente. Estava tudo diferente.
Santana me mandou uma calça jeans e regata. Seu casaco estava no encosto da poltrona e o vesti. Minhas costas estavam queimando muito. Isso passaria uma hora.
Abri a porta e a encontrei encostada a poucos metros. Agora, a vendo de longe, percebi o quanto estava diferente. Os cabelos estavam mais curtos. Usavam botas de salto, calça jeans escura e uma camisa branca, escrito Freedom em negrito.
Estendeu a mão e a passos largos, eu a segurei.
–Estamos fugindo?-. Sorri maliciosamente.
–Talvez-. Seu sorriso era a altura.
Sorri mais ainda.
Pegamos um taxi. Mas descemos um pouco longe do lago, na verdade, o outro lado do lago. Santana me fitou.
–Rachel-. Me parou
–Hm-. Perguntei distraída com a paisagem.
–O que esta pensando em relação a Quinn?
Doeu ouvir esse nome.
–Ela não confiou em mim. O que acha que penso em relação a ela?
Fingir que não estou irritada com isso, não era comigo.
–Você sabe o que aconteceu?
–Eu deixei as provas para ela, não sei se ela acreditou-. Dei de ombros.
–Tudo bem. Então isso é uma negação? Você não quer mais saber dela?
Estaria mentindo se dissesse que não, entao, resolvi não responder essa pergunta.
–Eu sempre quis essa vida Santana. Eu sempre fiz tudo errado na outra. Acho que mereço recomeçar.
–Vai voltar para Lima?-. Perguntou.
Sorri.
–Eu vou cuidar do Leroy. Nunca vou deixa-lo agora.
–Tem certeza que essa será sua escolha?-. Tentou confirmar, mas eu não disse nada.
Segui em frente. O sol estava indo embora e aquela linha alaranjada já começava a aparecer, deixando o lago escuro. Santana conseguiu me acompanhar passando o braço por meu pescoço.
–Qualquer decisão que tomar, eu ficarei feliz-. Sussurrou em meu ouvido.
–Eu sei-. Respondi no mesmo tom.
–Hey-. Uma voz nos chamou.
Parei, olhando para trás assustada. Mas o sorriso voltou quando uma loirinha de sorriso fácil abriu os braços.
–Kitty?-. Arregalei meus olhos.
–Qual é? A queda mexeu com seu cérebro?-. Implicou.
Quatro passos e estava abraçando ela. Era engraçado o quanto eu sentia falta dela sem perceber.
–E eu que achei que você ia para o inferno-. Falou dando risada.
Santana bufou com um sorriso.
–Onde esta o Jake?
Percebi a troca de olhares entre as duas.
–Bom... esta vindo ai-. Desviou o olhar do meu.
–Estão me escondendo alguma coisa?-. Levantei uma sobrancelha desconfiada.
Ela bateu de leve nas minhas costas. E sim, ela sabia que ainda era dolorido. Me encolhi, gemendo baixinho de dor. Jake apareceu. Em seu famoso estilo bad boy. O abracei.
–E não é que ela apareceu, mas pra quem caiu, esta bem arrumadinha-. Me analisou
–Longa historia-. Santana sussurrou atrás de mim.
–Bom, estou com os punhos prontos para o trabalho. Pode me chamar se precisar-. Sorri
Kitty o puxou pelas mãos e Santana os acompanhou. Abri a boca para perguntar o que estava acontecendo, o porque deles estarem se afastando, mas não precisei seguir adiante. Meu coração falhou uma batida e segurei a cabeça para conter uma tontura de repente.
Quinn estava parada há poucos metros de onde estávamos, as mãos no bolso da calça, o olhar baixo. O capuz da camisa cobria sua cabeça. Quando me encarou, eu não sabia o que sentia. Queria soca-la e fazer perguntas, também queria abraça-la e pedi desculpas. Queria sair dali, me afastar dela para sempre e evitar que tudo acontecesse de novo.
Mas a quem eu estaria enganando? Humanos iguais à raça fraca. Sou uma agora, não sou?
Não sei quanto tempo se passou em silencio. Ate sua cabeça tombar levemente para o lado e suas mãos deixarem os bolsos da calça.
–Me perdoe-. Falou sentida, batendo nas laterais do corpo, como se não soubesse o que fazer com elas. -Eu fui uma idiota. Uma completa idiota. Eu sei. Eu devia ter confiado em você, mas as coisas acontecerem erradas na minha cabeça. Me perdoe por não ter achado o bilhete a tempo, me perdoe por ter gritado com você, por ter te machucado de alguma maneira. Me perdoe por ter te renunciado. Só quero que saiba que me arrependo todos os dias por isso.
Respirei fundo e deixei as lagrimas saírem.
–Você... não teve culpa. Você não teve culpa por desconfiar de quem nunca fez um serviço completo. Você não tem culpa por ter sido eu a entrar na sua vida-. Sequei as lagrimas e quando pisquei, ela não estava mais tão longe assim. -De verdade, eu queria que tivesse sido outro que cuidasse de você. Alguém mais fácil. Um coração bom. Que não demorasse tanto para resolver seus problemas. Eu nem conseguiria sozinha de qualquer maneira, se não fosse Santana. Então... não se culpe. Por nada.
Negou.
–Não Eu tenho culpa sim-. Seus olhos também estavam marejados.
–Se você não tivesse me renunciado, talvez eu não estivesse aqui hoje.
–Eu já li sobre essas coisas. Vocês sofrem de alguma maneira, então eu fui a causadora desse sofrimento.
Senti a dor em minhas costas, me lembrando da tortura que me causaram.
–Não se culpe. Como já disse. Esta tudo bem, estou aqui de alguma maneira, na verdade, da maneira que eu sempre quis. Eu vou poder voltar para Lima, sem sumir do nada dessa vez, vou poder ficar com o Leroy. Com as pessoas que me amam.
–E eu?-. Perguntou em um sussurro.
O ar saiu pesado pelos meus lábios.
–Quer dizer... Eu sei que não mereço nem os minutos que estamos tendo aqui, mas... Me aceita de volta... Por favor. Ou pelo menos me diga que me odeia tanto a ponto de nunca mais querer olhar na minha cara, vai ser mais fácil-. Continuou quando eu não disse nada. Naquela altura, ela já estava chorando.
Mais fácil pra quem? Eu teria a vida que sempre desejei, mas não a teria com quem eu sempre desejei.
–Eu devia dizer tudo isso-. Me aproximei a passos largos. –Dizer que eu te odeio e quero que você nunca mais chegue perto de mim-. Me aproximei ate estar perto o suficiente para soca-la no ombro. -Mas eu não consigo. Eu nunca vou conseguir... Seja lá o que essa droga do amor seja, ele me pegou. Eu não vou a lugar nenhum sem que você não esteja comigo.
Suas mãos seguraram meu rosto. Senti a pressão de seus lábios contra os meus. E meu coração bateu em ansiedade.
–Não esta mentindo para se vingar, não é? Não vai me atirar na frente do primeiro carro que achar?-. Sussurrou contra os meus lábios, mas eu sabia que ela estava brincando.
Sorri enlaçando sua cintura e a puxando para mais perto.
–Eu devia. Mas não posso. Não posso perdê-la por uma raiva de momento.
Ela me abraçou e eu apertei meu rosto contra seu peito e tudo parecia mais seguro agora.
–O que vamos fazer agora?-. Perguntei.
Quinn beijou o alto de minha cabeça.
–Quer ir a Lima?.
–Eu vou a Lima-. Disse como se isso fosse obvio.
–Posso ir junto?-. Perguntou. Ela parecia uma criança pedindo doces.
Não consegui conter o riso.
–Pode... Será oficial? Só pra saber, Leroy vai querer saber.
Entrelaçou nossos dedos e me afastou dali.
–Será oficial-. Voltou a me beijar.
Dois dias depois...
–Quero sair antes de Brittanny chegar, ou não sairemos. Ela vai querer saber como foi Londres-. Quinn me fitou enquanto fechava a mochila.
–Disse que fui a Londres?-. Fiz uma careta divertida.
–A historia verdadeira a faria me achar uma louca, mais do que ela já acha-. Deu de ombros com um pequeno sorriso.
Sorri com a ideia.
–Bom, já esta tudo no carro. Tomamos café em qualquer lugar e depois, estrada-. Falou sentando ao meu lado na cama e me dando um carinhoso selinho.
Assenti me arrastando da cama. Descemos as escadas e lá estava Santana. Segurava uma caixa, era um presente a Brittanny. Ela vinha fazendo isso nos últimos dias.
–Isso vai mimá-la-. Quinn falou, em tom de aviso.
–Essa é a ideia-. Sorriu sonhadora
Ate você se cansar. Aposto que foi isso que Quinn pensou.
–Bom-. Passei a frente. -Minha chave já esta com você O apartamento esta no lugar. É só ir pra lá quando precisar. Obrigada mais uma vez Sant.
Me abraçou apertado.
–Tomem cuidado vocês duas-. Falou ainda me abraçando –E Loira, não deixe a baixinha dirigir. -Falou rindo. Eu bufei batendo em seu ombro e me aproximando de Quinn.
–Pode deixar-. Entrelacei meus dedos ao de Quinn.
–Vamos.
Santana acenou quando entramos no carro. Nunca vi essa latina tão feliz antes. Quinn dirigiu ate o centro onde havia uma pequena cafeteria. Ela insistiu para que eu contasse tudo o que aconteceu, mas as minhas lembranças começaram a apagar desde que a encontrei. Então só falei ate onde me lembrava. Mais uma vez, nossas mãos se uniram. Ela me guiou para entrada, escolhemos uma mesa não muito longe da saída
–O que vai querer?-. Uma garota perguntou simpaticamente.
–Um suco. Não estou com fome-. Pedi e Quinn pediu uma xícara de chá.
O pedido chegou. Quinn agora queria saber mais sobre Leroy, levando a serio os tiros que ela iria ganhar um tempo atrás. Falar de Leroy fazia com que eu me sentisse mais viva. Me sentia pertencer a algo.
Quinn saiu uma vez da mesa, foi pagar a conta, estava me preparando para levantar, quando vi Harmony entrando. Não estava sozinha. Quinn voltou mais rápido do que eu poderia pensar. Segurou minha mão quase me arrastando para fora, mas a parei dando um passo atrás e bloqueando o sol em meu rosto.
–Hei, esta tudo bem-. Lhe assegurei.
–Ótimo. Vamos?-. Tentava me tirar dali o mais rápido possível.
Dei as costas, eu precisava disso. Uma ultima vez.
–Rachel não...-. Sussurrou.
–Eu não vou fazer nada-. Avisei segurando a porta. -Me espera aqui fora.
Ela tinha medo que eu pegasse a primeira faca da mesa e a acertasse. Bem que a vadia merecia, mas não. Seus amigos, ou não, estavam se servindo em uma das mesas. Ela estava sozinha, segurava a cabeça entre as mãos e respirava fundo. Afastei a cadeira a sua frente e ganhei o olhar mais gelado que vi em toda a minha vida.
–Sai daqui.
–Eu vou fazer isso, assim que eu terminar de dizer o que tenho a dizer.
–Eu não quero saber!-Trincou os dentes.
Encarei Quinn parada ao lado do carro com as mãos no bolso e um olhar preocupado. A vadia seguiu o meu olhar.
–Como se sente sabendo que ajudou a destruir parcialmente a vida de quem um dia te amou?
–Não estou interessada em suas lições de morais. Você não sabe de nada.
–Sei o suficiente para saber que você não presta. Que nada justifica suas intenções Aquela mulher lá fora, é bem mais do que o dinheiro que você queria. Posso ate dizer que você nunca a conheceu de verdade. E seria uma grande pena se tivesse conhecido. Talvez eu não estaria lutando mais profundamente para acabar com você agora na minha frente. Bom, era isso que eu queria dizer. Sinto muito pelas suas intenções, talvez eu ate teria sumido se você fosse realmente boa para ela.
–E você se acha boa o suficiente para ela?-Seu olhar endureceu.
Encarei a senhorita impaciência, mais conhecida como Quinn, andando de um lado a outro lá fora.
–Não sei. Só sei que não vou descer tão baixo como você. E ela me escolheu. Acho que isso é o suficiente-. Sorri de lado.
Sua respiração ficou pesada.
–Bom, só queria dizer o que perdeu mesmo. Preciso ir, não vou dizer “ate qualquer dia”, porque não quero que esse dia chegue nunca. Mas, passar bem Harmony.
Me levantei quando senti alguém atrás de mim. Meu sorriso devia estar rasgando o meu rosto. O sol quase me cegou, mas antes que Quinn Fabray começasse com as perguntas. A beijei. Não para provocar alguma coisa para a vadia, mas para ter certeza das minhas palavras ditas. Só então me afastei.
–Me diga que ambulâncias não entrarão lá dentro, que esta tudo em ordem. Que você foi gentil-. Segurou meu rosto, focalizando meus olhos.
Beijei sua mão em meu rosto.
–Fui.
–O que disse a ela?-. Perguntou abrindo a porta do carro para mim.
Me sentei e pisquei.
–A verdade.
–Que verdade?-. Insistiu
–Posso apenas garantir que ela esta viva?-. Desconversei com um sorriso brincalhão.
Se debruçou na janela.
–Vai me deixar curiosa?
–Acho que temos uma estrada para enfrentar-. Não lhe respondi.
Sorriu em desistência dando a partida no carro. Meu coração bateu irregular por alguns segundos.
–Pronta?. Perguntou.
–Sempre-. Beijei seu rosto.
Contei ate três
–Se importaria se eu te tratasse como propriedade, pelo menos em algumas frases indiretamente?-. Pedi com um bico de manha.
–Não. Por quê?-. Perguntou confusa
Porque foi dessa maneira que mais ou menos disse que você era minha.
–Para o bem da humanidade. Elas precisam saber que você tem dona. Vai ser difícil me acostumar a não ter dons.
Gargalhou.
–Sou sua. Sua propriedade. E você é minha-. Falou com determinação.
–Não diga isso ao Leroy-. Lhe aconselhei.
–Recado anotado-. Assentiu varias vezes com a cabeça, me fazendo rir.
–Preciso de uma namorada viva-. Coloquei os óculos escuros. -Para sempre de preferencia.
O som do carro foi aumentado. Era hora de começar a vida o que sempre desejei. Só que os planos mudaram, dessa vez, não estaria sozinha nessa.
Notas finais
Muito obrigada por todos os comentarios, pela recomendaçao e por tudo mais
Até a proximo história...
sz
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