Notas iniciais
Capítulo dedicado pra minha nova leitora o/ Pra Lu.

— Não está conseguindo me responder? — Miguel ironizou, dando um sorriso diabólico ao ver Luna se debatendo contra sua mão. Os olhos dela estavam esbugalhados pela dor e o rosto estava vermelho pela falta de ar que ela aparentava estar sentindo agora. Ele a jogou para longe, e o corpo dela voou contra a árvore.

— Miguel... Perdoe-me... — ela implorou, com dificuldade.

— Não. — ele rugiu, deslocando sua atenção para Pedro.

— Você será o primeiro. — Miguel ameaçou, parecendo estar tão descontrolado quanto um demônio vingador.

O céu estava furioso agora, tão furioso que por um momento eu achei que ele iria desabar sobre todos nós.

— Pare! — Aurora gritou, se pondo em frente a Pedro, o protegendo.

Eu escutei Luna chorando, enquanto a outra Nephilim estava encolhida em um canto, tampando os ouvidos por causa dos sons guturais emitidos pelos trovões. Nathanael estava gargalhando, parecendo estar tão feliz quanto eu estava assustada.

— Miguel... — eu sussurrei, mas ele parecia estar obcecado demais em matá-los para me escutar.

Ele caminhou, lentamente na direção deles dois.

— Por favor... — eu pedi, e minha garganta doeu ao fazer isso.

— Pare Miguel! — eu fiquei surpresa ao ver o diretor Thomas chegando, juntamente com Adelle. — Não faça isso! Nós os puniremos, não precisa matá-los!

— Cale a maldita boca! — Miguel gritou, e mais relâmpagos surgiram naquele céu tão imenso.

Eu tinha que pará-lo. Eu tentei me levantar uma vez, mas eu nem ao menos consegui ficar de joelhos. Mas eu tinha, tinha que fazer isso. Por eles.

Eu me levantei, mesmo com as minhas costas parecendo estar quebradas, fazendo-me ficar curvada. Mesmo parecendo que minhas pernas estivessem torcidas, e todo o meu corpo estivesse triturado.

Eu estava tentando ignorar toda a dor que eu estava sentindo por Pedro e Aurora. Mesmo eles não merecendo nem o mínimo do que eu estava fazendo.

Os meus passos eram pequenos, e a minha respiração estava fraca. Eu não queria ser a causa da morte de ninguém.

— Miguel... — eu sussurrei, e ele se virou para mim agora. Seus olhos estavam encobertos por uma maldade sem fim, e seu sorriso se desmanchou no mesmo instante que ele me viu andar em sua direção. — Não faça isso. — eu consegui pedir. — Por mim. — completei, sentindo ainda mais dor.

Mas eu não consegui dar mais nenhum passo sequer. E o meu corpo iria cair no chão, se não fosse pelos braços quentes de Miguel, que me seguravam agora.

A última coisa que eu vi antes de desmaiar, fora os olhos dele queimando intensamente nos meus.

Quando eu acordei em meu quarto, eu não sentia nenhuma dor pelo meu corpo. Os raios de sol estavam fortes naquela manhã, e me cegou por um lento segundo. Suspirei pesadamente enquanto tirava o cobertor sobre o meu corpo, e fiquei surpresa ao não ver nenhum ferimento. Eu me sentei, tentando descobrir o que havia acontecido.

Eu havia sonhado?

Não, não havia. E tive plena certeza disso quando eu vi Miguel saindo do meu banheiro, com o peito desnudo e molhado pelo banho que ele havia tomado. Mas ainda assim, a calça jeans que ele estava usando agora, estava completamente seca.

Eu não tive tempo de perguntar sobre o que aconteceu com Luna, ou o que curou os meus ferimentos. Pois ele estava se aproximando a passos lentos de mim, jogando no chão a toalha que estava em seus ombros.

— Está se sentindo bem? — ele perguntou quando se sentou na minha cama.

— Estou.

Olhando naqueles olhos tão profundos e tão misteriosos, fora que eu percebi. Eu percebi o quanto o meu coração se acelerava quando ele estava perto, e o quanto nervosa eu ficava quando ele falava. Eu percebi o quanto eu adorava o jeito dele, o quanto eu adorava tudo nele. Eu poderia dar a minha vida pela de Miguel, e ainda assim eu morreria com um sorriso no rosto. Porque, sentada ali, tão perto dele, eu soube imediatamente. Eu soube que eu o amava.

Um silêncio havia se instalado entre nós dois, e eu sabia exatamente o que eu tinha que fazer agora. Algo que eu já deveria ter feito há muito tempo.

Eu o beijei.

O meu coração fora a mil em um milésimo de segundo quando ele me correspondeu, e parecia que eu estava no céu quando a língua quente de Miguel se sincronizou com a minha. Estava sendo um beijo calmo e lento, como se tivéssemos conhecendo cada parte da boca um do outro. As mãos dele estavam sobre em minha cintura, segurando-as enquanto ele mordia levemente o meu lábio inferior.

Ele me puxou para me sentar em seu colo, e em nenhum momento seus lábios deixaram os meus. Suas mãos passeavam pelas minhas costas agora, e quando o beijo havia ficado mais intenso, as mãos de Miguel apertaram as minhas coxas, fazendo-me dar um suspiro no beijo que ele estava me dando.

Todo o meu corpo estava gritando por ele, em chamas pelo desejo ansioso que crescia a cada toque que Miguel me dava. Eu o queria como nunca um dia quis alguém. Eu queria os pesadelos que ele tinha, e toda a maldade que ele possuía quando ele estava furioso. Eu ainda não sabia se ele era um Anjo, ou um Demônio, mas eu tinha a mais clara certeza que eu o aceitava das duas formas.

Batidas foram escutadas, mas ainda assim Miguel não havia parado de me beijar. Por um momento eu pensei que tais batidas haviam parado, mas eu me enganei quando elas voltaram ainda mais persistentes.

Eu parei o beijo, irritada ao me levantar. Pela primeira vez eu vi desejo nos olhos de Miguel, e eu sorri enquanto ele me analisava.

Quando eu abri a porta, eu dei de cara com Nate.

Oh céus, que merda.

Miguel o fitou, e depois seus olhos se direcionaram a mim.

— Vocês estavam ocupados? — Nate perguntou, e a insinuação estava transbordando de sua voz.

— Isso te interessa? — Miguel se levantou da cama, ficando atrás de mim. — Quer alguma coisa aqui? — perguntou de forma ríspida e fria.

— Quero algo que você não pode me dar. — Nathanael falou, rindo debochadamente em seguida.

— Não provoque quem você não pode aguentar, Nathanael. — eu disse, me virando para Miguel. — Eu quero falar com ele um minuto. — eu pensei em ter visto um lampejo de raiva nos olhos de Miguel, que estavam inexpressivos novamente.

— Faça o que quiser Annelise. — e então saiu do quarto.

Ele realmente havia ficado com raiva, ou apenas fora impressão minha? Eu balancei a minha cabeça levemente, espantando tal pensamento.

— Obrigada por ontem. — eu falei, sorrindo.

Eu fui sentar na minha cama, e Nate fez o mesmo ao acabar de fechar a porta.

— É, pelo visto o sangue dele lhe curou mesmo.

— Que sangue?

— O sangue de Miguel. — ele disse, como se isso fosse o óbvio. — Se você tiver completamente coberta por feridas e beber o sangue de um anjo, certamente tais feridas se curarão em um segundo. Nossa, em nenhum momento eu havia pensado que fora Miguel quem havia me curado. Eu sorri, e Nathanael me olhou estranhamente quando eu fiz isso. — Você está apaixonada por ele, não está Anne? — ele perguntou, e eu pude escutar a raiva em sua voz.

— Não, eu não estou. — menti, tentado parecer convicta.

— Então me beije agora.

Algo se remexeu no meu estômago quando eu o escutei me pedindo isso.

— Eu não tenho que te provar nada, Nate. — eu falei, e me doeu quando eu vi decepção em seus olhos. — O que aconteceu com Luna e seu grupinho? — eu perguntei, tentando mudar rapidamente de assunto.

— Eles foram aprisionados.

— Aprisionados?

— Sim, eles foram levados pelos Híbridos e aprisionados pelos mesmos. – ele disse, enquanto fixava o seu olhar além de mim. — Os Híbridos possuem um calabouço, tão grande quanto uma cidade, ou até mesmo maior, para aprisionar quem quebra as regras.

E algo deslizou sobre mim como uma luva. Minha mãe estava lá?

— Tem algum jeito de invadir?

— Não. É impenetrável, apenas quem tem a permissão deles entra, e sai. – ele me olhou agora, e eu me senti estranha quando ele alisou o meu rosto. — Annelise, eu tive medo de te perder ontem. Quando eu e Adelle vimos Luna e seu grupinho te levarem para floresta, sabíamos que elas estavam planejando algo não muito bom. Eu pedi para que Adelle fosse chamar o diretor, enquanto eu tentava te salvar. Desculpe-me se eu falhei. — e então ele se levantou. Mas antes de sair, ele me analisou por um instante, e sorriu maliciosamente ao dizer: — Você está bem sexy com essa blusa, Anne. Seus seios são tão... Irresistíveis. — e riu enquanto fechava a porta.

Esse era Nathanael. O meu Nathanael. Pensei com um sorriso bobo no rosto. Eu fiquei surpresa quando eu pensei assim. Ok, eu ainda estava um pouco agradecida por demais com ele.

Quando eu terminei de tomar o meu banho, coloquei minha roupa e sai do meu quarto. O Internato estava cheio, e quando eu passava, tirava a atenção de vários Nephilim ao meu redor. Certamente eles já deveriam saber de todo o acontecido.

Eu avistei Adelle, e corri em direção a ela, abraçando-a. — Muito obrigada, amiga! — eu falei alegre.

Ela me olhou, sorrindo. — Nossa Anne, tão feliz assim por quê? Hm. Olha, tenho algo para te contar! — ela sussurrou. — Ontem, quando a Luna fora levada embora, ela havia gritado algo bem estranho, dizendo: Ele é o culpado Annelise! O culpado de tudo o que está acontecendo com você e sua mãe! — Adelle riu ao prosseguir. — Somente eu e o diretor escutamos isso. Thomas pareceu que havia morrido de tão pálido que o cara ficou.

Eu suspirei. A vampira havia falado sobre Miguel no meu sonho, e a minha mãe havia descrito na carta como se ela o conhecesse há anos. E agora, isso. Qual eram os segredos que ele tanto guardava?

Adelle puxou a minha mão, me levando em direção a onde ficava o prédio de um andar que eu presumi que fosse da direção. — O que você está fazendo? — eu perguntei, não fazendo a mínima idéia.

— Indo descobrir qual a relação de Miguel com a sua família. — ela disse, transmitindo tanta certeza que por um segundo eu poderia ver os segredos de Miguel sendo revelados.

Notas finais
E agora? Será se ela vão mesmo invadi o prédio da direção? Será que elas juntas, vão descobrir alguma coisa? Só lendo o próximo capítulo, é.