Notas iniciais
Bom, é minha primeira vez escrevendo aqui, espero sinceramente que gostem. Trilha sonora, para começo de uma história: (http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=oapLb7KeNZk)

Ela me olhava com pânico. O motivo daquilo tudo eu não sabia, talvez ela estivesse pirando por causa da idade, será que eu também ficaria assim?

— Annelise, tem certeza que não deseja me contar nada? – mais uma vez naquela noite, sentada naquele macio e quentinho sofá, me deu vontade de levantar e a deixar falando sozinha. Isso já estava ficando totalmente um tédio.

— Não mãe, eu não quero lhe contar nada. — Respondi voltando minha atenção para a televisão, onde passava uma serie onde dois homens — Bastante sexy por falar nisso — caçavam coisas sobrenaturais, ah claro como se isso realmente existesse. Vampiros, lobisomens, fantasmas, entre os coisas. Eu não prestava atenção, mas fingiria se fosse pra ela não me encher mais com as paranoias dela.

— Eu sinto em você... — ela tentou controlar, mas eu percebi o medo em sua voz. Eu não estava entendendo nada, absolutamente nada. E isso já estava me dando nos nervos.

— Olha mãe, você está passando bem? — Perguntei com ironia novamente a olhando, talvez ela estivesse tendo alucinações. — Eu não sei do que você está falando, e já disse isso um milhão de vezes!

Ela me analisou por um minuto, e pareceu duvidosa ao fazer isso.

— Vá para o seu quarto. — ela disse aliviada. — Qualquer coisa de estranho que acontecer, me diga, entendeu bem?

— A primeira pessoa que irei procurar se algo de anormal acontecer, será você... — sussurrei quando cheguei ao topo da escada, indo em direção ao meu quarto. — Como se isso fizesse alguma diferença. — Sussurrei revirando os olhos.

Eu não saia do meu quarto para quase nada. Ele tinha um enorme banheiro com uma penteadeira, o que era ótimo para mim quando eu queria passar maquiagem, e tinha uma banheira parecida com aquelas de hidromassagem. Era tudo bastante luxuoso e delicado. Sem contar com a pequena varanda, que era o meu refúgio quando queria esquecer os problemas. Enfim, eu poderia dizer que minha mãe ao trabalhar cinco dias na semana, sete horas por dia, havia conquistado tudo o que ela queria: dar-me conforto. Ela apenas esqueceu-se de me dar mais amor e mais atenção. Mas eu já havia me acostumado com isso.

Deitei na minha cama, me deliciando com a maciez da mesma. Rolei de um lado para o outro até achar uma posição confortável, e me cobri com o cobertor quentinho, tentando dormir. Ultimamente parecia que algo estava faltando em mim, como um imenso e assustador vazio. Eu estava sentindo falta do desconhecido, ansiando para que alguém me tirasse desse lugar monótono. Só que o porquê de eu estar me sentindo assim eu realmente não sabia. Respirei fundo, tentando mais uma vez fechar os meus olhos.

...O meu instinto estava gritando-me para correr para bem longe daqui. Só que, de que jeito eu iria fazer isso, eu realmente não sabia. Pois a maldita névoa da floresta estava me impossibilitando de enxergar qualquer coisa.

― Tem alguém aí? ― Gritei ao vento, com esperança de encontrar alguma pessoa para me ajudar. Mas nada, nenhuma resposta fora dada. Procurei com as minhas mãos alguma árvore para pelo menos eu poder me apoiar, mas não encontrei nenhuma. Engraçado que eu sempre pensei que em uma floresta sempre tinha muitas e muitas árvores – isso era o óbvio – só que agora, aqui aparentemente estando sozinha, eu não conseguia encontrar nenhuma. Andei para frente, tentando achar com as mãos algo para que eu pudesse me sustentar, mas tudo foi em vão, e... Merda. Meu pé havia ficado preso em um raso buraco. Esse tipo de coisa boba realmente só acontecia comigo mesmo. Fora então que inesperadamente eu senti uma presença que por sinal estava poucos metros atrás de mim. Paralisei por um instante, uma sensação muito estranha estava me dizendo que eu já havia passado por isso antes.

― Preste atenção no que ela vai dizer. ― A voz não desconhecida por mim, soava em meus ouvidos como um aviso. Uma dor lancinante e horrenda vibrou por todo o meu corpo, me fazendo suspirar para buscar o ar que ficou preso em meus pulmões.

― Q-que diabos está acontecendo? ― Consegui perguntar com dificuldade e desespero. Eu estava ficando cada vez mais sem ar.


Uma mão tocou o meu braço, arranhando-os gentilmente com suas grandes unhas.

― Sua hora está próxima... Annelise. ― Ouvi o leve sussurrar de uma voz feminina em meu ouvido. ― Você irá se descobrir...

Eu abri meus olhos, totalmente atordoada.

Já era a quinta que vez que eu sonhava com isso. E pela quinta vez, parecia que eu estava vivenciando realmente cada parte do meu sonho. Balancei a minha cabeça negativamente, pois eu não poderia deixar ficar me abatendo por causa disso. Afinal, é apenas um sonho como qualquer outro. Certo?

― Lise! ― Escutei minha mãe me chamar do outro lado da porta, batendo freneticamente na mesma. Levantei-me sonolenta, afinal, ainda estava meio dormindo. Quando eu abri a porta, fiquei assustada ao ver o quanto minha mãe parecia louca.

― Não quero que você a tranque mais a porta. ― Então estranhamente ela chegou mais perto de mim, e me analisou, tocando cada parte do meu rosto.

― Você está ficando louca? ― Perguntei descrente do que ela estava fazendo.

Ela me olhou como se eu fosse de outro mundo, e falou com o tom de voz mais baixo que eu já a escutei falando: ― Minha filha, eu apenas quero te proteger. — E com isso ela saiu, me deixando estranhamente com muito, muito medo.

Fechei a minha porta com um pressentimento que algo não muito bom estava prestes a acontecer. Andei até a minha varanda, e quando abri a porta de vidro dela, o vento lavou o meu rosto. Senti-me melhor ao escutar o barulho do mar que ficava a metros de distância da minha casa. O dia estava ensolarado hoje, assim como qualquer outro aqui na Califórnia. Sentei-me na rede, me sentindo confortavelmente melhor e sorri ao sentir o calor do sol na minha pele, me aquecendo. Era uma das sensações mais maravilhosas que existia para mim. Mas nem isso poderia me fazer perder a hora para o colégio.

Tomei um banho quente e rápido, e quando acabei coloquei rapidamente a mini-saia escura de pregas, juntamente com a blusa branca de manga e de botões. Esse era o uniforme do meu colégio – que horrivelmente parecia com aqueles de animes.

Sai à contra gosto da frente do espelho quando percebi que eu estava atrasada. Certamente que Jerry estaria irritado, me esperando lá embaixo. Eu apenas sabia que eu não tinha culpa alguma, afinal, uma menina precisa se arrumar devidamente para ficar pelo menos apresentável. Quando desci, minha mãe ainda estava na cozinha, tomando café da manhã.

― Annelise! ― Ela me chamou quando eu estava quase abrindo a porta da sala, para sair, soltei um suspiro e caminhei em passos longos até a cozinha.

― O que foi agora? ― Perguntei quando cheguei à cozinha.

― Volte direto para casa está bem? — Ordenou ela a mim.

― Mas mãe, eu tinha combinado de ir para a casa do Thiago... ― Protestei, tentando manter a calma.

― Mas não irá. E ponto final. — Porque ela sempre tinha que dá a última palavra? Porque era a mãe? Nada a ver isso. A raiva me inundou, e sai batendo a porta fortemente, causando um alto estrondo pela casa. Vamos ver se eu não irei senhora Katherine Martín, vamos ver!

― Lise, tudo bem? ― Jerry perguntou, abrindo a porta do carro para mim.

― Aham.

Silêncio era tudo o que eu mais amava quando estava irritada, e Jerry me conhecia o suficiente para saber disso.

― Ela te ama demais Lise. ― Ele falou minutos depois de estarmos a caminho do colégio. — Não a julgue pelas atitudes que ela toma.

Ignorei-o e prestei a atenção nas pessoas que estavam na rua. Uns corriam desesperadamente – talvez estivessem atrasados para alguma coisa. — Outros já estavam andando tão lentamente, que pareciam ter todo tempo do mundo. E eu, eu apenas sabia que estava cansada. Cansada demais para tentar adivinhar o que cada uma daquelas pessoas estavam sentindo, ou qual seria a história delas. Cansada demais para prestar a atenção em Jerry, e na qual lição de moral ele queria me dar. Meus problemas eram fúteis, e eu também estava cansada deles.

Quando cheguei ao colégio, me deu alívio quando vi Thiago no portão, encostado na parede, me esperando como fazia todos os dias.

― Tchau Jerry. ― Sai batendo a porta do carro sem ao menos o olhar, correndo em direção ao loiro que me olhava com um sorriso meia boca.

Ele era bonito. Os seus olhos eram azuis, de um azul tão limpo como o céu. E eles transpareciam tudo, como se fossem um livro aberto que se você olhasse muito mais afundo, você poderia saber todos os segredos que haviam guardados ali. Ele era um pouco mais alto que eu, e tinha um corpo magro, mas ainda assim definido. Eu não o amava, e sabia muito bem disso. Mas ele enchia o meu ego e me alegrava. E isso bastava. O carro de Jerry contornou a esquina e quando não estava mais avista, Thiago sorriu maliciosamente.

― Eu posso sentir que você não quer assistir aula hoje, estou certo?

― Você ainda pergunta?

Ele então pegou a minha mão, sem dizer nenhuma palavra, e me levou diretamente para o carro dele. ― Um momentinho só.― Ele falou entrando no carro pela porta de motorista, e então por dentro ele abriu a minha.

Só que, diferentemente das outras vezes, algo de muito estranho aconteceu.

Eu a sentia, bem ali atrás de mim. Fiquei estática de tanto medo, e me virei lentamente para olhá-la. Eu nunca a tinha visto em meus sonhos, mas eu sabia e tinha certeza absoluta que a mulher com os olhos cor violeta e com o cabelo tão loiro como a areia, era a mulher dos meus sonhos. E de repente, eu parecia estar muito louca. Pois isso era realmente impossível e não podia estar acontecendo de jeito nenhum. Mas ela ainda estava ali, me olhando seriamente. Um sorriso se abriu em seu rosto. Um sorriso completamente maldoso, mas estranhamente eu me peguei o retribuindo.

Fora então que aconteceu algo tão rápido que eu não pude registrar na minha mente. Eu apenas sabia que agora, o carro do Thiago estava completamente esmagado por um caminhão que surgiu sei lá de onde, e eu estava inexplicavelmente longe demais para ser atingida.

E a mulher havia desaparecido.

Em questão de segundos uma multidão se formou em volta do lugar em que o carro do Thiago estava completamente esmagado. Pânico preencheu-me por inteira, e minhas pernas não tinham mais força para sustentar-me. Cai no chão frio e sujo, com um nó formado em minha garganta. Senti as lágrimas de desespero e de medo escorrerem pelo meu rosto, e logo em seguida uma escuridão tampou os meus olhos. Eu havia desmaiado.


Notas finais
Então o que acharam do primeiro capítulo? Daqui a uns dois dias, posto mais :)