Notas iniciais
Primeiramente peço desculpa pela longa demora, é que eu andei muito ocupada mas irei postar o segundo capítulo. Espero que gostem;

― Não acredito, não acredito que pude deixar isso acontecer com você, minha Lise...

Abri os meus olhos, e me vi deitada na cama no meu quarto, com a minha mãe sentada do meu lado, me olhando com seus olhos inchados de tanto chorar, eu me perguntava o que estava acontecendo.

― Oh Lise, ainda bem que acordou! ― Ela me abraçou apertadamente. ― Arrume suas coisas querida, temos que fugir! ― A voz dela estava urgente, como se não restasse tempo no mundo para o que ela queria fazer. Fora então que tudo explodiu em minha mente, tudo o que havia acontecido comigo naquele dia. Uma dor tão forte parecia estar rasgando cada parte da minha cabeça, e arfei. ― Calma! ― ela me abraçou mais uma vez, e estranhamente isso me acalmou, melhorando a dor em minha cabeça.

― Era para eu estar naquele carro também. ― Eu vi claramente o medo passando dentro de seus olhos, e a tensão se apossando dela. Isso só me fez sentir ainda mais desolada, desamparada.

― Querida... Nada será a mesma coisa daqui adiante.

― Claro que nada será mais como antes!

― Eles te descobriram mais uma vez, Lise. E agora eles querem te tomar definitivamente de mim. ― afinal, do que ela estava falando? Será que ela não estava preocupada com o que aconteceu com Thiago?! Céus, que raios atingiram ela?

― Preste atenção em mim mãe, pois só vou falar uma vez! ― Eu estava começando a ficar irritada com as atitudes paranóicas dela, e isso estava precisando de um basta! ― Thiago morreu, e alguém me salvou! Eu estava prestes a entrar naquele carro quando uma mulher, que estranhamente era a mulher cuja qual eu estava tendo sonhos, me tirou dali. Você tem noção disso?! Tem noção da loucura disso tudo?! ― Dei uma pausa e continuei logo a seguir ― Era impossível eu sair tão rápido de onde o carro dele estava, para ir parar na porta do colégio, a metros de distância! ― Me levantei bruscamente, indo diretamente para o banheiro. Eu precisava sentir a água fria molhando o meu rosto, eu precisava me agarrar a algo sã. Ela me seguiu logo em seguida. Pelo espelho, vi que ela olhava-me com apreensão.

― Filha, eu preciso que você se acalme. ― Ela falou lentamente, esperando alguma resposta minha. Mas eu não dei nenhuma e então ela continuou. ― A mulher que você viu... Ela era parte da família de seu pai.

A bile subiu pela minha garganta, e eu estava me sentindo tão nauseada, mas tão nauseada que eu tive que me apoiar na pia de mármore para não cair.

― Como assim parte da... família do meu pai? ― Ela nunca havia falado que meu pai tinha uma família. Na verdade, eu nem ao menos sabia se ele estava vivo ou morto. Eu apenas sabia que ela o odiava, odiava o bastante para nunca falar sobre ele comigo.

― Querida, é que... você não é... normal. — Disse pausamente quase como se as palavras estivessem engatando pelo caminho.

― Como assim não sou normal? ― Eu não sabia se realmente queria saber a resposta. Meus ouvidos pareciam estar mais aguçados para escutar o que ela iria falar.

― Quando eu conheci seu pai, eu me apaixonei perdidamente por ele. ― Ela suspirou, e eu vi que ela parecia estar voltando toda a história em sua mente, se relembrando de como tudo havia começado. ― Só que, eu não esperava que eu ficasse grávida de você. ― Ela parou de falar abruptamente.

― Eu já esperava isso. Pode continuar agora, mãe. A camisinha furou, e ele não quis assumir, foi isso? — Sibilei subindo dois tons a mais que o normal.

― Eu não podia ficar grávida Annelise. Era errado, muito errado. Era proibido. — Eu me virei para ela, de repente estando com muito medo do que viria a seguir. ― Existem regras, Annelise. Mas não regras normais que são feita por humanos. — Eu gargalhei de nervoso. Ela só podia estar tirando uma com a minha cara. Ela me ignorou e então continuou, falando seriamente ― Existem vampiros, anjos caídos e lobisomens. E existem os híbridos. Eles são os que fazem as leis por serem mais poderosos, os que resolvem os problemas entre todas as três espécies.

― Mãe, do que você está falando? Isso é insano!

― Preste atenção Annelise! Eu não estou brincando! ― Ela falou nervosamente, e então retomou o controle. ― É restritamente proibida uma relação amorosa entre uma espécie e outra, ou uma espécie sobrenatural com um humano.

― Como assim? Isso não existe. ― Tentei apagar tudo o que ela estava me contando naquele momento. Meu mundo estava desmoronando, e o que ela estava me dizendo era completamente impossível. Ela se aproximou de mim, o bastante para ela olhar bem no fundo dos meus olhos.

― Esqueça o que você ouviu sobre vampiros. Eles podem sair à luz do dia, e continuam intactos. Eles podem atravessar rios, e ver o próprio reflexo no espelho. Inevitavelmente eles precisam beber sangue humano. Mas quando eles bebem até matar a vítima, todos os órgãos deles voltam a funcionar por um determinado período de tempo de no máximo dois dias. Por isso há como procriar.

― Mãe, pelo amor de Deus, olha o que você está dizendo! É um absurdo! — Percebi que estava gritando as palavras, nada o que ela dizia parecia fazer sentido.

― Os vampiros que nascem de outros vampiros são puro sangue e por isso tendem a ser mais maldosos e mais poderosos que os vampiros de sangue não puro, que eram humanos, mas foram transformados.

― Pare! ― Minha cabeça estava latejando, minha visão estava ficando turva. Era impossível, impossível...

― Você tem que aceitar mais cedo ou mais tarde Annelise! Essa é a verdade, preciso que, por favor, me escute, não temos tempo a perder. — Isso não podia ser verdade, não podia... Eu queria tampar meus ouvidos, mas eu não conseguia levantar os meus braços, pois eles estavam dormentes demais. Não só eles, mas eu por inteira. ― Seu pai me enganou, Annelise. Ele era muito ambicioso, mas eu não enxergava isso pelo simples fato de que eu o amava! — Lágrimas incontidas estavam molhando o meu rosto, e eu estava me sentindo extremamente mal. Eu estava esgotada demais. ― Ele era um vampiro sangue puro, e aquela que você tinha visto em seus sonhos e hoje no acidente, era a irmã dele. ― Eu conseguia ver como ela estava abatida. Doía-me ver que ela estava com dor. ― Eu engravidei porque no dia anterior que fizemos amor ele havia matado uma pessoa a drenando. Eu apenas era uma humana encantada pela sua beleza extraordinária, e iludida pelas promessas que ele me fazia. Mas a verdade era que ele queria criar um híbrido.

Choque percorreu o meu corpo, e eu teria que me acalmar, mas estava sendo difícil ao perceber que eu era uma aberração. Eu não podia ser uma... Híbrida.

― Os anjos caídos são temidos pelos vampiros e pelos lobisomens, por serem imensamente mais poderosos. Eles foram expulsos do paraíso, e foram amaldiçoados a viver tempo indeterminado aqui na Terra. Os únicos que são mais fortes que eles, são os Híbridos. E o que seu pai queria, era criar um, para se vingar de um anjo que ele terrivelmente odiava, pois tal anjo havia exterminado os criadores de Alex, e a maioria de sua família. Mas o que ele não sabia era que a porcentagem de criar um Híbrido era extremamente pequena, pois eles já nascem com a benção divina. O que pode acontecer entre uma relação entre espécies diferentes, é indefinido. E por isso que é proibido. Pois pode nascer um demônio, ou uma nova espécie incontrolável, gerando assim o caos entre os humanos.

― E-então eu não sou uma híbrida?

― Não Annelise. Você é uma mestiça, mais poderosa que um vampiro puro sangue. Você é imortal, mas você não precisa drenar o sangue de ninguém para ter seus órgãos funcionando, e não precisa beber tanto sangue como os vampiros para sobreviver. Mas os seus poderes são desconhecidos por todos nós, o que ainda a torna bastante perigosa. Eles ainda não foram despertados, e conseqüentemente seu desejo de beber sangue também não foi.

― Mas por que eu não noto nada de diferente?

― Se olhe no espelho, Lise. Nesse último mês o seu cabelo cresceu consideravelmente, e seus seios aumentaram imensamente. — Eu me virei para o espelho, e olhei para mim mesma. Meu cabelo negro estava desgrenhado, mas ainda assim deu para perceber que havia crescido consideravelmente. Abaixei meus olhos castanhos escuro para os meus seios e levei um susto ao ver o quanto eles haviam crescido desde o início do mês. Na verdade, eu não sabia como eu não pude reparar nisso antes. Devia ser ao fato de que eu raramente usava sutiã.

― É verdade... — Afirmei boquiaberta virando-me para ela.

Ela deu um pequeno sorriso, e alisou o meu rosto com carinho. Então ela continuou a história sobre ela e meu pai, com uma voz carregada de emoção. ― Quando contei a ele que estava grávida, ele me revelou seus planos. Ele devia pensar que eu concordaria com aquilo tudo, mas ele estava muito enganado. ― Os seus olhos estavam cheios de água. Eu nunca a tinha visto chorando. ― Eu fugi, mas até hoje eles me perseguem.

Então de repente tudo estava começando a se encaixar. Era por isso que a gente nunca ficava muito tempo morando no mesmo lugar, ou porque ela me proibia tanto de sair. Era por isso que ultimamente ela estava tão paranóica, devido ao fato de ela achar que estava próxima a minha ‘transformação’. Todos os meus sonhos, todos os avisos que aquela mulher — que era a minha tia — me dava, pareciam fazer sentido agora. Sua hora está próxima, ela sempre falava a mesma frase.

― Por que ela me salvou? Digo, minha... Tia?

― Ela não te salvou. ― Eu vi o momento em que os punhos de minha mãe se fecharam, e uma máscara de ódio transformou as feições dela. ― Fora ela que causou aquele acidente.

A dor que eu estava sentindo, apenas estava aumentando a cada coisa que a minha mãe me revelava. Eu estava despedaçada, quebrada como nunca estivera antes.

― Mas por que ela fez isso?

― Para brincar, Annelise. Eles gostam de nos caçarem. É como se fosse uma brincadeira muito divertida para eles. Mas agora eles sabem que o dia está próximo, e é por isso que eles não irão querer ficar nessa brincadeira por muito mais tempo.

― Mas ainda eu não entendo... Como ela entrou nos meus sonhos assim? — Perguntei lembrando das vezes em que eu deparava-me em uma floresta.

― Apenas vampiros puro sangue podem ter poderes especiais, e são raros os que o tem. Ela tem o poder de entrar nos sonhos dos humanos e também decifrar qual é o maior medo deles. ― Ela pausou, e suspirou pesadamente ao continuar. – Essa mulher perturba os meus sonhos desde que eu fugi.

― Então como ela consegue entrar nos meus sonhos, se eu não sou... Humana?

Só que não houve resposta nenhuma. Pois um estrondo ensurdecedor aconteceu no andar debaixo. E de repente, eu estava correndo o mais rápido que eu já corri em toda a minha vida, juntamente com a minha mãe ao meu lado. Indo diretamente para a varanda, sendo que nem ao menos deu tempo de pulá-la, pois algo surpreendente aconteceu. E fora naquele instante, que eu confiei inteiramente no que minha mãe havia me contado.

Trecho do próximo capítulo

Eu fiquei perplexa com a beleza estonteante e arrasadora daquele homem. Sua clara pele e seus profundos ― como um abismo ― olhos azuis claros, causaram-me arrepios que percorreram por todo o meu corpo. Seus lábios não muito carnudos – mas ainda assim cheios – me fizeram ficar boquiaberta de tão sedutores que eram. Seu rosto fazia uma combinação perfeita, gloriosa e única, uma na qual eu nunca me imaginei ver de perto em toda a minha vida.

Notas finais
O que será que apareceu, e seduziu Anne com tal perfeição? Aguarde o próximo capítulo.