Angel Or Devil?
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Outro estrondo ecoou pelo pátio, me fazendo levantar da cama rapidamente. Afinal, que diabos estavam acontecendo?
Eu coloquei uma blusa que estava jogada no chão, enquanto eu abria a porta de meu quarto. E quando eu corri para o pátio, eu fiquei extremamente surpreendida com o que eu estava vendo.
Vampiros estavam por cada parte. Diante de meus olhos, uma intensa atrocidade estava sendo feita. Vários corpos de Nephilim estavam jogados ao chão, enquanto que outros estavam sendo drenados. Uns tentavam lutar, mas os vampiros eram mais fortes, mais rápidos, e muito mais ameaçadores.
O cheiro de sangue estava forte, tão forte que por um momento eu pensei estar entorpecida. Eu senti minhas presas crescerem sem permissão em minha boca, juntamente com o desejo de beber cada gota daquele líquido quente e vermelho que cada um daqueles Nephilim possuía.
Não.
Só que o que eu não esperava, era que o maior grupo de vampiros que estavam naquele pátio, viesse em minha direção. Sorrisos macabros estavam presos em suas bocas, enquanto que o sangue escorria pelas mesmas, pingando ao chão.
Eu suspirei, tentando controlar a minha imensa vontade de fugir.
Oh, cadê os anjos deste internato? Cadê a segurança desta merda?
Quando eles estavam próximos o suficiente de mim, diferentemente do que eu pensava, eles não me atacaram.
— Annelise. — o que parecia ser o líder daquele grupo, deu um passo à frente, se destacando dos demais. — Você terá que vir conosco agora.
Eu já deveria saber desde o primeiro instante em que eu botei os meus pés aqui fora, que tais vampiros vieram a mando de meu pai. Um ódio intenso cresceu em meu peito, vindo de minhas entranhas. Pois fora por mim que tantas mortes aconteceram esta noite, e por tantas outras que ainda estavam acontecendo.
Eu me aproximei dele, ficando tão próxima que nossos corpos se encostaram. — Eu não irei a lugar nenhum com vocês.
O sorriso se alargou ainda mais em seu rosto pálido. — Você tenta ser corajosa? — ele perguntou-me, irônico. — Mas por que eu ainda sinto o cheiro de medo em você?
Eu ri. Na verdade, eu gargalhei bem na cara dele. — Você acha que eu estou com medo? — Uma faísca se acendeu bem em meu corpo agora, quase imperceptível para mim. E o sangue que corria em minhas veias, de repente, havia ficado muito quente, tão quente como fogo. — Eu não irei. — rosnei.
Ele me pegou pelo pescoço, consequentemente me levantando do chão. — Quem disse que você tem uma escolha? — e então, me jogou contra a parede do dormitório feminino, que estava bem atrás de nós.
Uma forte dor se alastrou pelas minhas costas agora, e eu poderia sentir o sangue escorrendo em minha cabeça, molhando os meus cabelos. O fogo parecia que era uma parte de mim, parte do meu sangue. Ele não crescia, mas também não diminuía.
Ele se aproximou de mim, se agachando para me fitar diretamente nos olhos. — Adelle está te esperando. Você irá a deixar morrer?
Eu senti dor agora, mas tal dor não era física. Eu teria que salvá-la.
E fora ali, que eu descobri a mais pura verdade, a mais pura realidade na qual eu estava vivendo. Sempre seria assim. Afinal, por que eu fora uma tola em pensar que eu poderia ignorar tudo o que estava acontecendo ao meu redor?
Eu teria que viver na solidão pelo resto da minha existência, se eu quisesse me manter a salvo, e as pessoas que eu amava também. Por que, Deus, é assim comigo? Você não percebe que eu sofro, e que tudo em mim dói?
Os outros vampiros se aproximaram de mim, e uns até mesmo me arranharam com os seus dentes pontiagudos. Eu estava me sentindo tão violada, tão acabada.
E então, eu vi Nate. Mas ele não estava vindo para me ajudar, que nem da ultima vez. E sim sendo tacado pela janela de seu quarto, do dormitório masculino. Estava longe para vê-lo, mas eu tive quase a plena certeza que ele estava morto.
Uma dor muito mais forte me atingiu, e o fogo que estava diminuto, parecia que havia crescido enormemente, se expandindo rapidamente por cada parte do meu corpo.
Não, Nate não poderia me deixar.
Uma força havia surgido em mim agora. Eu queria ver cada um desses vampiros sendo mortos, sendo destroçados pelos meus próprios dentes.
Eu os empurrei com minhas mãos, mas muitos estavam ao meu redor.
— Adelle irá morrer! — ele gritou de felicidade.
— Não. Você que irá morrer. — e então, eu o mordi no pescoço. Eu arranquei a pele que estava ali, e fora mais afundo, não parando nem mesmo quando os meus dentes se encostaram ao osso de seu pescoço.
Ele riu sufocado, enquanto me dava um forte empurrão, me distanciando dele, e dos outros vampiros ao meu redor. — Vadia. — ele disse, enquanto que eu via o seu pescoço voltando ao normal.
Era essa a minha intenção. Então eu me levantei, ignorando todas as dores que eu estava sentindo. Mas me arrependi amargamente de ter feito isso, quando ele me chutou bem no rosto, fazendo com que as minhas costas batessem na parede novamente. Eu arfei, em busca de ar.
— Maldito... — murmurei. O fogo se alternando estranhamente em meu corpo, diminuindo e aumentando.
Então eu vi Ethan e Nicole rapidamente matando vários vampiros que estavam pelo gigantesco pátio. O relâmpago estourou no céu agora, e os pingos de chuva que tocaram a minha pele ensanguentada, me causaram um inigualável alívio. Era ele. O vampiro líder sorriu ainda mais, enquanto que os outros pareciam estar apreensivos.
Miguel saiu do dormitório masculino, e com uma velocidade que eu não consegui acompanhar com os meus próprios olhos, ele parou a poucos metros de distância de nós.
Seus olhos estavam penetrantes agora, e fitaram-me por um longo momento. O seu corpo estava encoberto de sangue, e eu presumi que dentro do dormitório masculino, ele havia matado vários vampiros.
Os relâmpagos estavam mais ameaçadores do que nunca, e algo dentro de mim disse que algo de ruim, pior do que já estava sendo, iria acontecer. — Bridget, pode aparecer. — Miguel falou, sua voz estava baixa, mas ainda assim aparentava ser tão perigosa quanto ele. Eu percebi que apenas o líder dos vampiros não havia ficado tenso ao escutá-la.
Eu não esperava que isto estivesse acontecendo agora, e eu não conseguia acreditar no que os meus próprios olhos estavam observando. A mulher cuja qual Miguel falou para aparecer, era a minha tia. E eu tive a absoluta certeza disso, quando eu acompanhei os olhos dele, e a vi pulando da cobertura do prédio do dormitório feminino. Pousando delicadamente, e graciosamente, entre mim, e os vampiros. Ela estava de costas para mim agora, mas ainda assim eu senti o poder emanando dela. Ela era diferente de todos os vampiros que estavam ao meu redor. E eu pude perceber isso, no exato momento em que ela desviou do relâmpago de Miguel.
A tempestade estava ficando ainda mais intensa, e com isso, grossos pingos de chuva estavam sendo formados. O céu que antes era tomado pela escuridão, agora estava sendo iluminado pelos relâmpagos que Miguel comandava.
— Peguem-na, enquanto eu cuido dele. — ela mandou, enquanto ia para cima de Miguel.
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