Angel Or Devil?
18 Capítulo 18
Notas iniciais
— Miguel... — eu sussurrei, e minha voz saiu tão baixa, que fora quase inaudível até mesmo para os meus próprios ouvidos.
— Lise... — ele murmurou, causando-me arrepios ao pronunciar o meu nome daquele jeito.
Os olhos dele estavam cheios de dor, uma dor da qual eu nunca o vi sentindo antes. Um sentimento cujo qual eu tinha certeza que Miguel nunca havia tido. Mas eu percebi que estava totalmente enganada ao pensar isso dele.
Eu queria abraçá-lo agora. Mas eu conseguiria fazer isso sem cravar os meus dentes em seu pescoço? Sem desejar que seu sangue escorresse pela minha boca, enquanto suas mãos explorassem cada parte do meu corpo?
Lentamente, os olhos de Miguel voltavam ao normal. Voltavam a ser completamente indecifráveis, rodeado de segredos que eu nunca poderia nem sequer descobrir.
Ele abriu o armário que ficava bem ao lado da mesa, e retirou uma garrafa térmica cujo conteúdo eu não sabia o que era. Mas quando ele destampou tal garrafa, o cheiro atingiu-me em cheio.
Eu sentei na cama, enquanto eu o via se aproximando de mim.
— Beba tudo. — ele falou, enquanto entregava a garrafa em minhas pequenas mãos.
Quando o sangue tocou na minha língua, se espalhando pela minha boca, eu senti um forte alívio. Extremamente saboroso, eu me deleitava a cada gole longo que eu dava.
Ele se sentou ao meu lado, e o seu cheiro havia se tornado algo muito suportável de se aguentar, muito menos irresistível do que ele era há poucos minutos atrás.
Eu havia terminado de beber tudo, e a ardência em minha garganta havia melhorado demasiadamente. Mas ainda assim ela estava ali, me incomodando. — Tem como você me dar mais? — eu perguntei, tentando transmitir o desejo que eu estava sentindo.
— Não. — ele respondeu-me, mas eu já esperava isso. — Isso é apenas no início.
— Como assim?
— Depois você aprenderá a controlar o seu desejo de sangue, e conforme o tempo, o cheiro não irá te afetar como está lhe afetando agora. — algo estava presente em sua voz, mas eu não conseguia identificar qual sentimento era. Na verdade, eram raras às vezes em que eu conseguia lê-lo.
— Você sabia que o verdadeiro treinamento iria começar somente após de você me dar sangue... Por que você demorou tanto a fazer isso? — indaguei, enquanto eu sentia algo se remexendo ansioso na boca do meu estômago.
Ele não me respondeu imediatamente. E eu senti que ele estava sendo cuidadoso sobre o que iria falar. — Você ainda não estava preparada, Annelise. — eu sabia que era mentira. Ou eu apenas queria acreditar nisso?
Eu respirei fundo, e o doce cheiro de Miguel inundou as minhas narinas. — Por que você mente? — eu perguntei, enquanto ele fixava seu olhar na parede do quarto a nossa frente.
— Isso não importa. — ele disse, e sua voz estava forte, tão profunda que me causou arrepios em todo o meu corpo.
— Para mim importa.
Ele fitou-me nos olhos agora, e eu me senti nervosa ao ele fazer isso. — O meu autocontrole está por um fio com você, Annelise. — seu tom estava mais grave, e sua voz soou em meus ouvidos como uma música inconfundível.
Eu não queria que ele estivesse controle nenhum comigo. Não mesmo. — Eu não estou pedindo para você fazer isso, Miguel. — e então, quando eu reconheci o desejo inegável presente em seus olhos, meu coração bateu em meu peito em um ritmo descontrolado, tão rápido que eu poderia até mesmo escutá-lo.
— Eu não posso te ter. — ele murmurou, enquanto tudo em mim se remexia ansiosamente, tão nervosamente que até mesmo eu havia ficado trêmula. — Mas ainda assim... Eu te quero.
E então, ele me beijou.
E quando os seus lábios macios tocaram os meus, quando eu senti o contato da pele quente dele com a minha, houve uma explosão de um intenso desejo vibrando por todo o meu corpo. Eu fiquei inebriada pela sensação de ter a língua de Miguel dançando e se enroscando com a minha, e em completo e puro êxtase quando ele me segurou pela cintura, enquanto que sua outra mão deslizava pelo contorno do meu corpo.
E fora ali, naquele beijo que estava me tirando totalmente o fôlego, fora que eu percebi que todas as feridas que a minha alma possuía, e que as dores que assolavam a minha existência, poderiam sim ser curadas. E que o doce, mas ainda assim amargo antídoto para isso, para toda essa dor interminável, era Miguel.
Ele me deitou lentamente na cama, enquanto que o seu corpo se moldava inteiramente no meu. Suas mãos prenderam as minhas, enquanto que o beijo a cada segundo que se passava, ficava ainda mais selvagem, cheio de um desejo que até então estava completamente incontido.
Os sons das batidas na porta soaram por todo o quarto, mas nem eu, e nem Miguel nos importamos com isso.
Eu suspirei pesadamente quando ele desceu os seus lábios para o meu pescoço, e quando sua língua quente encostou-se no mesmo, eu me senti extremamente excitada.
Mas ainda assim, as batidas não paravam.
— Miguel... — eu sussurrei o seu nome, o distanciando de mim lentamente. — A porta...
Mas eu não pude dizer mais nenhuma palavra, quando a sua boca se colocou sobre a minha novamente, iniciando assim outro beijo. E tal beijo estava tirando todo o controle que me restava, cujo me fazia ter os pensamentos mais impuros, e mais carnais que eu já tive em toda a minha vida.
Agora, as batidas estavam mais altas, ecoando por todo o quarto. Ele parou, e falou algo em outra língua que parecia como se fosse algo sujo e chulo.
Quando ele abriu a porta, eu fiquei enraivecida ao ver quem estava ali.
— Eu soube o que aconteceu entre você e Ethan. — ela disse, e mesmo não querendo, sua voz estava sensual, convidativa.
— Estou ocupado agora, Nicole. — Miguel disse, e ela me olhou logo em seguida.
Eu fiquei surpresa ao ver a cor dos olhos dela. Antes eram de um castanho escuro, e agora, era de um azul tão límpido, que até mesmo se igualava a um céu no seu dia mais bonito.
— Mais tarde eu passo aqui então. — ela falou baixo, mas ainda assim deu-me para ouvir claramente.
Droga.
Ele não disse mais nenhuma palavra, e fechou a porta. Eu não sei por quantos segundos ele ficou de costas para mim, mas eu tive a leve impressão que ele estava se... Controlando.
Ele se virou para mim agora, me fitando. A feição de seu rosto estava séria, mas quando ele falou, sua voz ainda estava rouca, transbordando de desejo. — Isso não vai mais voltar a acontecer, Annelise.
E então, quando eu ia dizer que eu não me importava, que eu o queria mais do que tudo, nós ouvimos outras batidas na porta do quarto. Ele abriu, e parecia estar irritado quando fez isso. — Thomas? — ele perguntou surpreso.
— Nós precisamos conversar. Sobre a invasão que aconteceu com o Internato. — ele disse, e sua voz parecia até mesmo estar cansada.
O diretor colocou o rosto para dentro do quarto, enquanto eu me levantava da cama rapidamente. Ele deu um leve aceno de cabeça para mim.
— Tem que ser agora? — Miguel indagou, me olhando logo em seguida.
— Tudo bem. Eu vou dormir agora, hoje foi um longo dia. — eu passei por entre eles dois, e o sorriso que estava em meu rosto, não queria se fechar de forma alguma.
Eu não desistiria de Miguel. Eu não desistiria de descobrir os segredos que ele tanto guardava debaixo de sete chaves. E eu decidi isso, no momento em que eu ouvi de sua boca, que ele me queria.
Quando eu coloquei os meus pés para fora do dormitório masculino, o ar frio daquela noite envolveu-me, e imediatamente eu senti falta do corpo quente de Miguel sobre o meu.
Poucos Nephilim estavam pelo pátio agora, mas ainda assim eu sentia o cheiro de cada um.
Eu suspirei, enquanto eu andava a passos lentos para o prédio do dormitório feminino, e quando eu cheguei ao corredor, havia um grupo de garotas conversando no mesmo.
Elas me olharam, e riram logo em seguida. — O que foi? — eu perguntei.
— Sua blusa... — eu ainda estava de top. Como eu não havia percebido isso antes?
— Vocês fazem coisas bem piores. E sem ela. — eu retruquei, enquanto adentrava em meu quarto. Mas ainda assim eu consegui escutar as altas gargalhadas maliciosas que elas deram em seguida. Oh, elas realmente haviam levado aquilo como um elogio?
Quando eu deitei em minha cama, o cansaço me inundou. E quando eu estava prestes a fechar os meus olhos, eu escutei um alto estrondo no pátio, me dando um enorme susto. E então, eu escutei gritos. Muitos gritos.
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