Notas iniciais
Fala sério, os leitores aumentam, mas comentário que é bom nada, tudo bem que eu não sou movida a Reviews, mas não custa nada né? até ajuda na hora de escrever.

— Adelle, não há como fazer isso o que você quer agora! — eu exclamei, parando, e recobrando a sanidade.

— Claro que há...

Não, não havia como. Pois com certeza antes de podermos entrar na sala de Thomas, teríamos que passar pela recepção, e alguém sem dúvidas alguma estaria lá.

— Eu tenho um plano melhor. – eu sussurrei, afinal, ninguém poderia nem ao menos sonhar que estávamos planejando algo desse tipo. — Podemos adentrar de noite. Na hora do toque de recolher. — falei, como se isso fosse o óbvio.

Ela suspirou. — Você está certíssima. — disse, dando-se por vencida.

— Eu acho que não há nada de Miguel em um papel, Adelle. Acho que tudo isso será em vão.

— Não irá custar nada em tentar, Anne. Pensamento positivo. — ela cruzou os dedos e fechou os olhos ao falar isso.

— Assim você realmente está me convencendo. — ironizei, tentando segurar o riso.

Ela abriu um dos olhos, sorrindo. — Essa foi a minha intenção. — e então, estranhamente Adelle voltou a ficar séria, olhando para um ponto fixo atrás de mim. Eu acompanhei o seu olhar, e vi Demétrio e Nathanael conversando com outras duas garotas.

— Ele não serve pra você. — tentei reconfortá-la, mas aparentemente não havia adiantado em nada.

— Você terá aula de Tiro ao alvo agora? — ela perguntou, claramente mudando de assunto.

— Na verdade, eu estava pensando em não ir. Eu estava pensando em procurar, hm, Miguel...

— Ok então. Se não achá-lo, eu estarei na aula.

O primeiro lugar que eu fora procurá-lo, fora na cabana. Mas ela estava vazia.

Então, me veio em mente: Ele deveria estar no quarto dele, que com certeza deveria ficar no dormitório masculino. E fora para lá que eu fui. Fiquei cansada ao procurar o nome de Miguel escrito em cada uma das portas, mas acabei por encontrar no terceiro andar.

Antes de bater, eu escutei vozes estridentes de dentro do quarto. Eu coloquei o meu ouvido na mesma, para escutar melhor.

— Você não pode... — a voz do diretor não terminou a frase, pois a porta se abriu, fazendo-me cair para dentro do quarto.

Eu olhei totalmente sem graça para Miguel, enquanto o mesmo olhava para Thomas.

Eu me levantei, ajeitando minha roupa. – Eu não escutei nada. – tentei me inocentar. Mas era mentira. E agora, havia varias especulações se criando em minha mente. Ele não poderia o que?

— Nos dê licença, Thomas. — Miguel pediu, de forma educada.

O diretor saiu do quarto, nos deixando a sós.

— É feio escutar atrás da porta, Annelise. — ele disse, se escorando na parede.

— Eu não escutei...

— O treino será apenas de noite. — ele me interrompeu. Sua voz estava fria, e ele parecia estar tão distante quanto ao primeiro dia que eu o vi.

— Você não pode ignorar o que aconteceu mais cedo entre nós, Miguel.

— E você não pode ignorar o fato de você ser Intocada. — ele disse. Tão calmo que parecia que nada estava o afetando.

— Nós podemos resolver isso com o tempo. – eu tentei convencê-lo. Eu tentei convencer a mim mesma.

— Não podemos! — ele explodiu. — Será que você não se importa com a sua mãe? Não se importa com nada do que os Híbridos falaram?

— Mas Miguel...

— Foi um erro. — a voz dele havia voltado a ser fria. — Essas são as regras Annelise, e nós não podemos fazer nada contra elas.

— Eu queria poder voltar no tempo... — eu suspirei pesadamente ao continuar. — E não me apaixonar por você. — eu disse, e por um segundo eu pensei em ter visto mais alguma outra emoção naqueles olhos tão indecifráveis.

Sai do quarto, e uma melancolia sem fim havia se instalado no meu peito agora. Eu tentei sorrir, tentei dizer que estava tudo bem e que tudo iria passar. Mas como poderia? Eu estava chorando por dentro. Eu estava desabando.

E o pior de tudo, era saber que eu estava sozinha. Era saber que eu não tinha ninguém para me ajudar a levantar-me de uma queda, ou curar todas as feridas que a minha alma possuía. Eu tinha que fazer isso por mim própria, pois eu não tinha ninguém do meu lado.

Eu fora para floresta, mesmo sabendo que ali a entrada de alunos era extremamente proibida. Mas por quê? Eu sinceramente não conseguia enxergar nenhum perigo ali.

Eu a adentrei, e corri por entre as árvores, sentindo o vento gélido tocar o meu rosto e balançar o meu longo cabelo. Parei imediatamente quando eu vi uma figura encapuzada de costas para mim, abaixada sobre algo que eu não estava conseguindo ver. Eu tinha que sair daqui, e rápido. Só como eu poderia fazer isso, se as minhas pernas não estavam me obedecendo mais? Minha respiração estava ficando pesada, e um calafrio passou pelo meu corpo quando a tal figura parou de se mexer. Oh meu Deus, eu estava com tanto medo que eu poderia sentir o cheiro do mesmo.

Quando a figura se levantou, eu vi o quanto ela era mais alta que eu. Ela se virou lentamente para mim, e choque percorreu-me quando eu vi o que era. Quando eu vi a crueldade naquela feição tão bizarra.

— Nós estamos te observando, Annelise. — a voz insana do Híbrido preencheu todo o silêncio daquela parte da floresta. E eu poderia ver o sangue escorrendo de sua boca agora. — O amor irradia das pontas de seu cabelo, irradia do seu coração. — ele riu. Tão sinistramente que me deu uma intensa vontade de fugir dali. De fugir dele. — Não se esqueça Annelise, que você é intocada. — e então, ele sumiu. Deixando-me com pernas trêmulas e com tanto medo que por um momento eu pensei que tudo ao meu redor poderia explodir, em pequenos e afiados cacos de vidro.

Só que eu levei outro susto enorme quando eu vi Luna estendida naquele chão. O Híbrido havia comido parte do braço dela, e deformado a pele de seu pescoço. Oh céus, como aquela criatura poderia ser tão maldosa?

Eu me aproximei de Luna, e quando eu me abaixei para fechar seus olhos, cujos estavam olhando fixamente para o céu, eu quase desmaiei de medo quando a mesma me olhou. — Ele, ele matou! Ele matou! — ela repetiu desesperadamente, e o outro braço dela que estava inteiro, agarrou minha blusa. — Miguel... Miguel matou! — ela conseguiu dizer, antes de realmente morrer.

E a próxima coisa que eu fiz fora correr, tão rápido como eu nunca havia corrido antes em toda a minha vida. Eu nunca mais botaria os meus pés nessa floresta novamente.

Quando eu fui para fora da floresta, eu ainda não havia parado de correr. Eu estava esbarrando em vários Nephilim que andavam pelo pátio, mas eu não me importava com as caras emburradas que eles faziam ou palavras feias que eles me mandavam por isso.

Todas as dúvidas que estavam martelando em minha mente, e todo o medo que estava me aterrorizando, pareciam melhorar conforme a cada passo rápido que eu dava. Eu estava enlouquecendo, e essa era a mais pura verdade. Eu estava enlouquecendo por causa de Miguel, e por causa dos segredos que ele guardava.

Eu fui para o meu quarto, e tomei um demorado banho, tentando me acalmar pelo menos que um pouco.

Só que tive que terminá-lo, quando eu ouvi uma baixa batida na minha porta. Quando eu fora abri-la, enrolada na toalha, fiquei surpreendida ao ver quem estava ali.

Notas finais
Quem será que estava na porta? Será que é Miguel? Nathanael? algum amigo dela? O Diretor Thomas? Ai ai, só aguardando o próximo capítulo o/