Angel On Fire
1 Don’t Be Like a Prey
Notas iniciais
Boa Leitura!!!
Olhar para Park Jimin era quase que uma terapia de relaxamento. Suas feições eram angelicais, seu sorriso era lindo, tudo nele parecia perfeito. Exceto pelo fato de ele não ser nenhum pouco do que aparentava.
Todos dizem que as aparências enganam, e no caso de Jimin era isso mesmo que acontecia. Ele sabia o que fazia com as pessoas com um simples sorriso e aquela era sua principal arma.
— Está meio quieta hoje. Aconteceu algo? – perguntou piscando os olhinhos de maneira fofa.
— Não. Só estou cansada. – respondi tentando não alongar o assunto. A verdade é que eu estava algumas noites sem dormir na volta dos demais pacientes e ajudando quem precisasse.
— Tem certeza que é só isso? Pode me falar, sabe que sou melhor amigo _______.
— Você não é meu melhor amigo, Jimin. – ele bateu forte a mão na mesa. Se não tivesse acostumada com suas atitudes, teria dado um pulo de susto.
— Porque você insiste em me tratar dessa forma? – reclamou enquanto eu arrumava suas roupas e colocava as mesmas dentro da cômoda que havia no seu quarto.
— De que forma? Você não é nada além de meu paciente. – ele soltou uma risada irônica. Talvez tenha doído tanto em mim quanto nele.
— Ah claro! Quem é que está tentando te tirar de mim? É o Jungkook né? Aquele cara vive mais na academia do que no trabalho. Ou é o Seokjin? Não, só pode ser o Taehyung. Ele nunca gostou de mim mesmo.
— Jimin, ninguém me tirou de você, porque eu nunca fui sua.
— Você não entende, ______. Você é minha, sempre foi minha, não adianta negar o inevitável. Você também me quer, sei disso. – mentiria se dissesse que não fiquei no mínimo arrepiada com suas palavras.
— E de onde você tirou isso? – questionei ainda de costas, guardando suas coisas. Estranhei o silêncio, pois ele não havia respondido. – Jimi...
— Do seu olhar. – senti a sua voz próxima ao meu ouvido e paralisei. Jimin estava parado atrás de mim e logo colocou suas mãos na minha cintura – Não seja uma mentirosa. Não negue o que está estampado no seu rosto.
— Jimin, acho melhor...
— O quê? – ele me virou devagar de frente para si e eu cambaleei para trás, escorando as mãos na cômoda – O que você acha doutora?
— Que seria melhor você se afastar. – nunca estive tão próxima assim dele, não sabia o que fazer.
— Não precisa ficar nervosa. Eu sou louco, mas nunca machucaria você.
— Você não é louco.
— Fui esquecido pela sociedade em um hospital psiquiátrico. – se aproximou mais. Tentei recuar, no entanto não dava para atravessar a cômoda, por mais que eu quisesse. – Sim, eu sou louco. – levou a mão direita até o meu rosto.
— Jimin! – o alertei.
— Shhh! – deu um sorriso e colocou o dedo indicador em frente aos meus lábios para que eu me calasse. Jimin segurou meu rosto novamente e aproximou sua boca da minha. Eu simplesmente estava paralisada enquanto ele chegava mais perto. Porém, de repente ele me soltou e sentou na cama risonho. – Você deveria ter visto a sua cara, foi hilário!
— Nunca mais faça coisas do tipo! – o repreendi tentando recobrar minha postura, mas provavelmente falhando miseravelmente. Talvez, mas só talvez, minha irritação se desse pelo fato de que Jimin tinha parado de me tocar. É errado gostar do seu paciente? É claro que é, mas era inevitável.
— Você foi uma presa fácil, doutora. – encarei o garoto incrédula enquanto ele apenas ria de uma maneira que eu acharia muito fofa se não o conhecesse.
Virei as costas pronta para sair, porém Jimin se movimentou rápido e parou em frente à porta.
— Aonde vai? Ainda não terminou seu serviço.
— Em primeiro lugar, você não tem o direito de me dizer se eu terminei ou não o meu serviço. – ele tentou colocar sua mão no meu rosto, mas eu a afastei com um tapa – Não me toque!
— Você não reclamou antes.
— Jimin, será que você pode sair da frente da porta?
— Porque essa agressividade toda? Porque eu não te toquei como gostaria, é isso? – arregalei os olhos.
— Para com isso e me deixa sair!
— Não estou com vontade. – se escorou na porta e eu bufei irritada. Coloquei a mão no bolso do jaleco e procurei pelo celular. – O que está fazendo?
— Chamando ajuda.
— Espera! – levantei meu olhar para o garoto que depois de um longo suspiro, saiu da frente da porta.
— Obrigada. – aliviada, passei por ele e coloquei a mão na maçaneta, mas antes que abrisse a porta, senti os braços de Jimin ao redor do meu corpo e novamente paralisei.
— Sabe porque não te beijei antes? Porque você foi uma presa fácil, ______. E eu não gosto de presas fáceis.
— Eu não sou uma presa. – tentei me desvencilhar do seu toque, mas foi em vão.
— Não mais. Não gosto quando cede às minhas investidas.
— E isso faz sentido?
— Olhe ao redor doutora, estamos num hospital psiquiátrico, nada faz sentido aqui dentro. – é verdade, nada faz sentido. Então a linha entre o certo e o errado seria muito tênue e eu poderia considerar o fato de gostar de Jimin como algo normal?
Antes que eu pudesse travar uma linha de raciocínio, Jimin colocou sua mão no meu pescoço me puxou para perto selando nossos lábios de vez. Confesso que aquilo não era nada comparado ao que eu já imaginei.
— Isso é errado. – sussurrei após o rápido beijo.
— Errado é sua boca ter ficado longe da minha por tanto tempo.
— Mas Jimin...
— Eu sei que gosta de mim também, ______. Sou louco, não burro.
Jimin de fato era um anjo, porém quem o conhecia sabia das chamas que exalavam de si. E o pior de tudo é que eu sabia onde estava me metendo, sabia que se brincasse com fogo iria me queimar. Mas como ele mesmo havia dito, era inevitável.
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