Angel Of Mine

13 Monstros, Brian e Macarrão.


Notas iniciais
Oi de novo, olha só como eu sou boazinha, havia dito que iria postar hoje mesmo e olha eu aqui. Não vou pedir desculpas pela demora, acho que vocês estão acostumados com a minha enrolação de postar capítulo aqui né? Enfim, espero que gostem desse capítulo.

Londres, 28 de Dezembro de 2040.

- Você nunca me disse que tinha uma melhor amiga — disse Allie me olhando séria, seu tom era completamente acusatório.

- Não? Pois bem então, Candy e eu, nos conhecemos ainda crianças... Enfim, nós eramos muito próximas, sempre juntas, pareciamos até irmãs...E logo depois eu me separei dela quando saí do país — respondi dando de ombros.

- Queria saber porque nunca me disse do seu passado — reclamou ela.

- Quem vive de passado é museu, Alisson — girei os olhos.

- Mas você conviveu com uma banda! Uma banda de sucesso! Porque nunca me contou isso?

- Allie, isso foi há tanto tempo — suspirei pesadamente.

- Não importa, eu gostaria de saber.

Ela me olhou com raiva, mas dois minutos passou e ela voltou ao normal. O fato era que Alisson não conseguia ficar por muito tempo com raiva de mim, não estando desabilitada desse jeito que estou. Pensava se ela tinha medo de perder sua mãe.

Acho que sim, mas por incrível que pareça sua mãe não tinha medo de morrer. Pelo menos não mais.

Huntington Beach, 04 de Fevereiro de 2009

Uma coisa era certa: Jimmy como namorado era duas vezes pior. Duas vezes mais desconfiado, duas vezes mais ciumento e duas vezes mais grudento.

Eu realmente não sabia o que fazer, e olhe que não estavámos juntos faz nem uma semana! Já havia até pedido ajuda ao Johnny, e a única coisa que aquele idiota fez foi rir de minha cara.

"Se você não sabe o que fazer, imagine eu. Jimmy nunca foi assim com ninguém"

Então porque logo eu tinha que ser a exceção de tudo isso?! Ok, eu o amava, amava mesmo, (não era pouco, era muito. Um amor bem de gente retardada) mas ele é muito desconfiado! Não posso nem olhar pro lado, isso me irritava. Qual é não vou trair ele com o primeiro que passar na minha frente! Mas acho que aquela desconfiança toda tinha um motivo, ou melhor dois motivos. O primeiro era por causa de sua ex que o vivia traindo e não estou inventando nada ele mesmo havia me dito e o segundo motivo era por causa de Arin. Coitadinho daquele magrelo, os olhares que ele ganhava de Jimmy eram mais que fatais quase saiam faíscas, e eu ficava com vontade de cavar um buraco e me enterrar dentro, queria saber o que aquele Arin estava fazendo por aqui. Joguei pedra na cruz cara.

"Ainda estavamos no ZeroSum, estava mais idiota e lesada que de costume. Estava ao lado do homem mais lindo do mundo, eu sei que sou exagerada mas veja bem James é tão lindo! Principalmente quando está todo sorridente e seus lábios mais rosados que de costume. Cara, era muita beleza pra esse pobre coração aguentar, eu não aguentaria, sério. Ele é tão bonito... Eu preciso urgente manter o foco e parar de olhar pra ele feito uma idiota débil, eu tenho problemas e sei que ele deve pensar isso de mim também, mas pelo menos eu faço ele sorrir com isso. Olha que legal.

E tentava esquecer que Arin estava ali também, e ele sempre me olhava. Eu realmente não sabia o que fazer, já estava pensando em avisar pra Candy esquecer daquela história de trabalhar no ZS. Ainda não acreditava que Arin seria o mais novo DJ dali, eu queria sumir com Jimmy que não parava de encarar o pobre coitado. Admito que isso era meio lisonjeiro ver Jimmy todo possessivo comigo, mas nem queria imaginar quando eu desse a notícia que iria trabalhar ali também.

- Jimmy, poderia ser mais discreto? — perguntei ao sair de meus devaneios

- Quê? Porquê? Não estou fazendo nada Kaya, ou estou? — rebateu ele confuso.

- Você ainda pergunta, por que fica encarando o Arin?

- Não estou olhando Kaya! — mentiu na cara de pau

- A claro! Você nem pisca. Francamente, Jimmy. Isto já está me irritando — disse girando os olhos. Ainda não acreditava que ele se lembrava de Arin.

- Kaya, espera — pediu ele.

- Você precisa confiar mais em mim! Aquilo já foi, passou dá pra entender?

- Kaya, desculpa — disse Jimmy sincero.

-Tá, James! Depois nós conversamos — era melhor sair de perto ou acabariamos brigando.

- Kaya! Volte aqui — disse ele me puxando pela cintura.

- Quando você parar com suas neuras quem sabe — falei tentando me soltar dele e não olhar em seus olhos.

- Olhe pra mim — pediu ele levantando meu rosto e fazendo eu encarar aquelas orbes azuis.- Eu amo você entende? Acha que eu ficaria como vendo que um carinha que você já pegou está no mesmo lugar que você?

Eu suspirei pesadamente já ficando completamente sem vontade de sair de seu aperto, suas palavras e aqueles olhos. Aquelas malditas órbitas azuis me prendia no mesmo lugar. Inferno eu nunca iria conseguir ficar muito tempo brigada com Jimmy se ele fizesse sempre isso.

- O fato é que Arin é passado. E quem vive de passado é museu, tenho cara de museu por algum acaso? — perguntei olhando seu rosto.

- Espero que ele pense assim também — murmurou olhando pra onde Arin estava.- Que fique bem longe de você.

- Porquê sempre faz isso comigo, Sullivan? — perguntei meio que choramingando. Ele é tão lindo.

- Isso o quê Kaya? — perguntou confuso.

- Fica me olhando desse jeito — expliquei suspirando, era muita maldade quando ele me olhava daquele jeito abrasador. Fazia eu esquecer até de meu nome.

- Você não gosta, é isso? — perguntou om um meio sorriso no rosto.

- O problema é esse, eu gosto. Quando você está assim, próximo... me sinto como se nada, podesse me tocar, Jimmy.

- Minha Kaya, nunca vou deixar que nada te aconteça...

Ele sorriu daquele jeito perfeito e me beijou, fazendo eu quase levitar de tanta alegria, ainda beijá-lo era meio que surreal, seus lábios eram surreais. Tão macios e quentes, suspirei quando suas mãos grandes apertaram minha cintura, senti um arrepio enorme quando sua boca pairou em meus ouvidos. Fazendo eu sentir um enorme frio na espinha com sua respiração um pouco ofegante.

- Poderiamos sair daqui, fugir e encontrar um quarto. Ou melhor meu quarto, minha cama eu e você — sussurrou ele, fazendo minhas pernas virar gelatina. Santo Deus, é hoje que morro.

- Fugir? — perguntei engolindo seco. Fechei meus olhos ao sentir seus lábios na lateral de meu pescoço.

- Aham, vamos fazer um tuor pela minha casa. Já que você não conhece ela posso te mostrar do melhor jeito possível.

- Você vai me matar antes mesmo de chegarmos lá — disse completamente sem folêgo.

- Vou não, eu juro. Vou ser bonzinho — disse ainda sussurrando. Sua voz estava mais rouca que de costume e aquilo me deixava mais sem folêgo ainda.

Mordi meu lábio e olhei na direção de Candy e dos outros. Nem reparavam na gente que estava no local mais distante da boate, estavam bem distraídos e Candy estava bem com eles, mais do que bem. Então porque não? Eu sorri e olhei pra Jimmy e aquilo foi a deixa pra ele me puxar em direção do estacionamento e deixar aquela boate sem olhar para trás.

Se disser que prestei atenção no caminho até a casa de Jimmy estaria mentindo. Eu não reparei em sua casa e muito menos nos jardins. Não vi porra nenhuma de móveis, sala, cozinha ou muito menos banheiro. A única coisa que realmente vi foi o seu quarto e sua cama. E nem vi assim tão detalhamente porque Jimmy me puxou de novo e me colando em seu colo, suas mãos ágeis tiraram com uma rapidez incrível meu vestido e o jogou longe fiz o mesmo com sua camisa. Arranhei sem dó alguma suas costas nuas, fazendo ele urrar de prazer. Eu sorri sádica e empurrei ele em direção da cama. Subi em seus quadris e me remexi sentindo sua ereção, seu corpo se arqueou em minha direção e eu sorri mais ainda quando ele soltou um palavrão.

- Porra, Kaya...

- Você jurou ser bonzinho — murmurei sussurrando em seu ouvido.- Mas eu não, que os jogos comecem.

Ele me olhou arregalando os olhos e sorriu, invertendo nossas posições fazendo eu ficar por baixo, seus lábios passaram pelo meu pescoço com uma lentidão exagerada, depois colo e por ultimo mas não tão menos importante os seios. Sua boca chupou com extrema lentidão meu seio, fazendo eu gemer alto e pedir por mais, com a mão ele apertou o outro fazendo eu arquear meu corpo em sua direção e me remexer na cama inquieta, eu queria que ele fosse mais rápido. Quase tive um infarte quando aquela mesma mão que estava em meu seio passou por minha barriga e lateral do meu corpo e quando foram para meus quadris e logo em seguida virilha ofeguei intensamente. Ele iria acabar comigo antes do tempo. Nossos olhares ficavam presos um no outro, mas perdi aquele contato quando ele mordeu meu seio, fechei meus olhos e gemi chamando seu nome.

Senti o peso do seu corpo no meu, abri meus olhos e ele estava ali me encarando. Puxei ele para mais perto e o beijei desesperadamente ele correspondeu de boa vontade, minhas mãos foram em direção de sua bermuda e tentei arrancar aquilo de alguma forma, mas fraquejei quando senti sua mão me impedindo o olhei frustrada, mas ele sorriu e sacudiu a cabeça.

- Fique quietinha — pediu sussurrando.

O olhei curiosa quando ele baixou a cabeça em direção de meu corpo, me arrepiei quando senti seus lábios mais uma vez em meus seios mas ele não ficou ali por muito tempo. Jimmy fora descendo sempre olhando em minha direção, eu ofegava não sentia nada, apenas um prazer eminente. Cara, sua boca era tão quente e...."

Acordei de meus mais profundos devaneios quando ouvi sua respiração um pouco alterada, olhei para o lado da cama em que Jimmy estava achando que ele já havia acordado, mas não, ainda continuava ferrado no sono. Eu sorri, adorava ver aquela expressão relaxada em seu rosto, os lábios entreabertos até parecia com uma criança.

Mas uma criança não iria provocar aquilo tudo em mim, certo? Ainda era possível sentir a sensação de queimação em minha pele, por onde Jimmy havia passado tinha deixado um rastro de fogo, encarei meu corpo nu e lembrando de seus lábios em minha pele ainda não sabia definir o que sentia quando ele estava dentro de mim, não era apenas prazer, não mesmo era algo à mais. Eu me sentia a mulher mais sortuda e afortunada do planeta terra, de todas as mulheres que Jimmy poderia ter, ele escolheu logo eu a garota meia perturbada e drogada que não tinha pra onde ir. Era engraçado ver mulheres lindas desejando ele na rua e ele ter olhos apenas em mim, isso é a coisa mais lisonjeira que já aconteceu comigo. Nenhum homem fora tão amoroso, dócil e gentil como Jimmy foi comigo. Nossa relação sempre fora meia estranha, mas do melhor jeito possível, olhei em sua direção outra vez, meu coração palpitou e sentia como se tivesse milhões de borboletas em meu estômago. O fato era que depois desse dia eu o amava mais ainda, parecia que meu coração havia inchado e aumentado de tamanho e quem ocupava todo esse espaço era somente Jimmy não tinha mais espaço pra ninguém, somente ele.

Aproximei meu corpo do dele e observei suas tatuagens, toquei seu braço sentindo a suavidade de sua pele era tão clara e macia, subi minha mão um pouco mais em direção de seu ombro, depois pescoço e por último seus cabelos negros tirei eles de sua testa e toquei ali também, meu dedo desceu em direção de seu nariz fino, logo depois as maçãs de seu rosto, apertei ali de leve. Eu adorava suas bochechas, ri ao lembrar que tinha mordido ela hoje. Jimmy me olhou assombrado depois que fiz aquilo e riu junto comigo, toquei delicadamente seus lábios, eu amava aqueles lábios, deixava até a Angelina Jolie no chinelo. Cara, era tão bonitos, me sentia uma pequena filha da puta sortuda, tinha um namorado tão bonito que chega doía.

Namorado.

Isso ainda é meio impossível de acreditar.

- Porque você fica me encarando? — perguntou Jimmy ainda de olhos fechados.

- Você é muito estranho, como sabe que estou te encarando? — perguntei surpresa.

- Eu sinto — explicou ele rindo.- Isso é bom.

- O que é bom? — perguntei curiosa.

- Você aqui do meu lado — ele sorriu de canto.- Posso te fazer uma pergunta?

- Que pergunta?

- Já teve muitos namorados? — ele perguntou abrindo aqueles faróis azuis e me encarando curioso.

Pisquei atônita me sentindo corar.

- Acho que não, eu não lembro. Acho que tive somente uns três namorados na época do colégio e mais outro na faculdade. Se bem que não poderia ser chamados de namoros, nunca dava certo — murmurei franzindo minha testa. Eu era um horror pra namorar, passado me condena.

- E porque não dava certo? — Jimmy me puxou para mais perto, fazendo eu ficar a centímetros de distância de seu rosto. Ele sorria tranquilo mas o olhar estava curioso.

- Eu não sei, Jimmy. Eu nunca fiz do tipo que se apegava muito e se caso isso acontecia eu terminava logo — dei de ombros.

- Não gosta de se apegar? — ele riu repousando sua mão em meu rosto. Era a melhor sensação do mundo sentir sua pele contra a minha.

- Não gostava, minha mãe dizia que seria um milagre se eu encontrasse alguém que fizesse meu coração ficar completamente abalado de amor — ri lembrando das conversas malucas que tinha com minha mãe.

- Como eram seus pais? Como eles se conheceram e porque nunca me disse que você era brasileira? — perguntou de um folêgo só me fazendo rir.

- Eu não sou completamente brasileira, meu pai venho de lá, minha mãe é filha de francês com uma britânica. E eles se conheceram no natal de 1985 no Times Square em Nova York. Se casaram sem a permissão dos meus avôs e cinco anos depois minha mãe engravidou — expliquei calmamente.

- Interessante — murmurou ele sorrindo.- Me conte mais sobre você, é legal saber desse tipo de coisa.

Estava em um grau de felicidade tão grande que não me importei de relembrar do passado ao lado de Jimmy, eu acabei contando tudo sobre meu passado desde meus tempos na escola e de como era minha relação com meus pais. Eu não tinha um passado assim tão interessante, mas para Jimmy a cada detalhe que acrescentava seus olhos brilhavam.

- E porque seu pai deu uma árvore de presente pra sua mãe? — perguntou arqueando a sobrancelha, ele ainda não acreditava que minha mãe havia ganhado uma árvore de presente de casamento.

- Porque ela gostava.- dei de ombros.- Não era uma árvore qualquer, era uma cerejeira, acho que ainda está na antiga propiedade de meus pais.

- Eu sinto muito por você, Kaya — ele suspirou.

- Não sinta — disse tocando seu rosto.- Já passou, estou bem. Um pouco melhor do que bem, sério.

- Nunca me contou do que seu pai faleceu — murmurou ele baixinho, até um pouco cauteloso. Tinha medo de qual seria minha reação ao tocar naquele assunto.

- Infarte — me aproximei mais de Jimmy, ficar próxima dele era bom eu não ficava triste ao me lembrar daquilo.- Mas acho que meu pai já sabia que iria acabar morrendo, ele sempre achou que minha mãe seria forte como sempre foi. Mas ele pensou errado, Elena não teve estrutura física e emocional pra ficar sem Walter.

- E você teve? — perguntou me abraçando.

- Tive que ter, quem cuidaria de minha mãe além de mim? — perguntei mas estava falando comigo mesma.- Foi horrível, Jimmy.

Ele me abraçou apertado, fechei meus olhos. Eu tentei não me lembrar, juro que tentei mas aquelas imagens tomaram conta de minha mente.

"Me olhava no espelho sem emoção alguma, já estava tão sem vida quanto minha mãe abaixo de meus olhos tinham intensas olheiras que mais se pareciam hematomas. Eu não dormia à dias, me sentia pessíma mas tinha medo de dormir e quando acordasse encontrasse minha mãe morta, fazia apenas um mês da morte de meu pai e ela não havia melhorado. Pelo contrário só estava piorando, seu estado de catatônia já estava mais que elevado, não era mais minha mãe que estava ali e sim uma morta viva. Eu já não sabia o que fazer com ela. A cada dia que se passava ela piorava, o que me deixava mais atormentada, eu sentia uma dor tão grande, quando olhava pra ela, não podia acreditar que aquela era mesmo a minha mãe, eu não sabia o que fazer... Depois de algum tempo, achei realmente que ficaria como minha mãe, quando fechava os olhos lembrava de meu pai, e me sentia vazia, exatamente como ela.Parecia que eu nunca voltaria a sorrir. Suspirei pesadamente, estava na hora de dar o calmante que o medico havia recomendado, fui até a cozinha e peguei dois compridos, amassei eles até virar um pó branco e despejei em seu suco de laranja, misturei bem pra que ela não desconfiasse de nada. E fui até onde ela sempre ficava em frente da janela de nossa casa vendo a neve cair.

- Mamãe, está aqui seu suco — disse docemente.

- Porque Walter não trouxe? — perguntou ela com a mesma voz morta de sempre.

- Ele teve que ir ao trabalho, disse que vai voltar logo e pediu pra você tomar o suco — disse reprimindo o nó em minha garganta.

Cara, eu tinha perdido meu pai, era uma dor tão grande que quase não dava para suportar, eu não sabia ao certo o que fazer, ou como lidar com a morte, ou com a minha mãe... Achei que estava enlouquecendo, entrando em estado catatônico igual ela, mas eu tinha que manter a minha sanidade não por mim mas sim por ela. Eu não poderia me deixar levar pela insanidade, eu tinha minha mãe pra cuidar. Ela achava, ou melhor ela tinha a plena certeza que meu pai estava em seu trabalho e voltaria a qualquer momento.

As vezes tinha pena de minha mãe.

Não aguentando mais ficar ali no mesmo lugar que ela fui para meu quarto, tranquei a porta com uma pressa exagerada e corri em direção de minha mochila, revirei ela até encontrar o que queria. A única coisa que poderia me fazer esquecer de tudo aquilo, peguei o pequeno frasquinho e a seringa que tinha ali, amarrei aquele elástico ao redor de meu braço e injetei aquilo em minha veia e esperei o efeito da heroína vir.

Aquilo era o único jeito de fazer as coisas parecem um pouco normais. Saindo de minha realidade tão desgraçada."

Enfim, acabei chorando ao lembrar de tudo aquilo.

- Acho melhor pararmos, com esse assunto. Minha Kaya, não fique assim, eu estou aqui – disse Jimmy afagando meus cabelos.

- É tão difícil Jimmy...

- Não quero que pense nisso, nem mais um segundo. Olhe pra mim! – ele tocou meu rosto delicadamente e limpou as lagrímas que se encontravam ali.

- Promete que vai ficar bem?

- Prometo que vou tentar — disse o abraçando e respirando fundo, tentando trazer todo seu cheiro para meus pulmões aquilo me acalmava. Jimmy era meu calmante, o melhor calmante que poderia ter.

- Isso já é um começo. – disse sorrindo. – Agora, vem aqui. – me puxou fazendo eu ficar por cima dele.

- O que quer agora, Sullivan? – perguntei arqueando uma das sobrancelhas.

- Porque não adivinha? — perguntou sorrindo malicioso.

Sua expressão de galeanteador de esquina me fez rir alto, Jimmy era um completo idiota.

— James Sullivan! Por que sempre me faz rir quando estou com raiva ou triste?

- Mas não estou fazendo nada. – disse levantando as mãos mostrando que era inocente.

- Você nunca faz nada — girei os olhos.

- Exato — disse convincente.

- Nem pense nisso! — exclamei percebendo qual era a sua intenção.

- No quê? Cocégas, você disse que sempre te faço rir, não estava fazendo nada, bom... agora estou prestes a fazer — murmurou invertendo nossas posições e fazendo cocégas em minha barriga.

- Aaaaaaah! JAMES, PARA! NÃO CONSIGO RESPIRAR! — gritei já sem folêgo algum.

Ele parou e me encarou divertido, seu olhar preso ao meu, respirava aos arquejos meus olhos estava lacrimejando mas dessa vez as lágrimas era de alegria, eu sorria tanto que minhas bochechas doiam.

- Eu gosto de ver esse sorriso em seu rosto, aparece sua covinha no queixo — disse Jimmy aproximando seu rosto no meu.

- Eu gosto quando você me faz sorrir — disse com sinceridade, mas já estava ficando sem folêgo outra vez, ele estava tão próximo...

- Amo você, Rose — disse antes de selar nossos lábios.

Te amo muito mais, meu anjo. Pensei enquanto beijava a pessoa mais perfeita de meu mundo.

Huntington Beach, 06 de Fevereiro de 2009.

- Eu já disse pra você ter paciência comigo. Eu não sou uma barmen experiente igual você! — exclamei irritada pela décima segunda vez. Chad era tão impaciente e irritante.

- Bargirl — corrigiu ele. — Tente mais uma vez, é fácil.

Olhei pra ele frustrada ou ele estava querendo me irritar pra valer ou Charles era mesmo insistente.

- Eu já disse que não consigo — bufei soltando aquelas garrafas.

- Você desiste fácil demais — murmurou ele.

- Chad, porque você não fica com essa parte de fazer essas boiolices de acrobacia e eu preparando as bebidas? — perguntei esperançosa, Chad era bom naquilo, não em fazer boiolice mas sim acrobacia com as garrafas.

- Você aprendeu tudo que eu te ensinei mesmo? Muito boa essa sua ideia, pela primeira vez disse algo produtivo — disse sarcástico. Fuzilei ele com o olhar, ele nunca perdia a oportunidade de me sacanear.- Qual é, Kaya. Você apenas reclama.

Girei os olhos e me sentei em cima do balcão, estava cansada demais ficar ali com Chad quase o dia todo era cansativo, meus braços doiam e minha cabeça também e sentia fome. A pior ideia que já pude ter foi essa de me candidatar a ser assistente de Chad, eu tinha achado mesmo que iria ser apenas uma simples assistente. Mas estava gostando, Chad não era assim tão ruim como imaginava ele até poderia ter um senso de humor um tanto irritante, mas ele era uma pessoa legal. Era bastante desajeitado também, as vezes me perguntava como ele poderia ser um barmen mas depois eu vi, quando ele lidava com as garrafas era tão gracioso, sentia até uma certa inveja. Porque eu sabia que nunca iria ser daquele jeito, e o mais engraçado e estranho era que tinhamos quase as mesmas origens, ele também era britânico -como minha mãe e avó- e achava que Sheffield é melhor que Bristol, eu discordava dele Sheffield era muito mais fria que Bristol e as pessoas de lá era bem mais mal educadas, eu não gostava de jeito nenhum.

- Você diz isso, mas sua banda favorita é de lá — argumentou ele arqueando as sobrancelhas.

- Mas eles são educados como as pessoas de Bristol. Ainda tenho minhas dúvidas sobre Arctic Monkeys ser de lá — respondi mordendo meu burrito.

- Você é muito teimosa — queixou-se ele.- Arctic Monkeys é de Sheffield!

- Ok, Chad. Não precisa ter um ataque de pelanca — girei os olhos rindo.

Outra coisa em comum que eu e Chad tinha, ele também era fã da banda britânica Arctic Monkeys e por incrível que pareça esse simples detalhe fez a gente ficar mais próximos.

- Você não acha o Matt Helders do caralho? — perguntou Chad, seus olhos brilhavam, assim como eu ele ainda não acreditava que logo eu poderia gostar da mesma banda que ele.

- Ah sim, meu segundo baterista favorito — respondi sorrindo.

- Quem é o primeiro? — perguntou ele curioso.

Senti meu rosto corar com a pergunta.

- Fala sério! O Sullivan é seu baterista favorito? — perguntou indignado.

- Qual é o problema nisso? — rebati ainda corando. Tudo bem, eu admito antes de conhecer Jimmy eu não tinha outro baterista favorito em minha lista, mas francamente ele tinha um talento e tanto.

- Você é a namorada dele — respondeu o óbvio, ele girou os olhos.

- Não posso admirar o trabalho de meu namorado? — perguntei sem deixar de sorrir ao dizer "namorado" ainda era meio difícil de acreditar nisso.

- Isso é a mesma coisa da Monalisa admirar seu quadro, isso é injusto uma namorada como fã, se é que você me entende — disse se sentando do meu lado e dando um tempo naquela coisa de me ensinar a girar garrafas nas mãos.

- Eu não sou fã dele, apenas admiro que ele faz — expliquei calmamente.

- Sei — bufou ele.

- Depois eu que reclamo de tudo, pare de ser chato! — murmurei bagunçando seus cabelos desalinhados.

- Eu não sou chato! E pare com isso! — ele riu tirando minhas mãos de seus cabelos.- Você me faz lembrar do meu segundo baterista favorito. O Joey Jordison mas não pelo talento que ele tem mas sim pela altura.

Eu fuzilei ele com o olhar, Chad riu gostosamente. Eu disse que ele tinha um humor irritante né? Estou com vontade de estrangular ele nesse momento.

- Finalmente estão se entendendo? Ah como isso é maravilhoso! — olhei pra Candy, fazia tanto tempo que não via ela ali que até tinha me esquecido que ela era minha patroa, não sabia responder o que sentia ao pensar nisso.

- É bom ver você também, Candy — murmurei, pulei do balcão e fui em sua direção. Ela sorria abertamente mas tinha algo à mais ali em seu olhar, talvez medo?

Ela me puxou para um abraço apertado, eu conhecia Candy muito bem e sabia que ela queria me dizer algo atráves daquele abraço, mas o que seria? Não entendendo nada apenas a abracei, tentando fazer que sua aflição parasse.

- Está tudo bem? — perguntei baixinho.

- Sim — respondeu fungando.

- Tem certeza? — perguntei insistindo.

- Acho que estou apaixonada e não é pelo meu namorado — falou Candy me abraçando mais apertado.

Brian.

Foi o primeiro nome que surgiu em minha cabeça, estava claro que era por ele. De uns dias pra cá Candy frenquentava muito o apartamento onde eu morava que consequentemente era o mesmo lugar que meu amigo morava, eu não sabia o que dizer, nem o que sentir mas uma sensação estranha se apoderava de mim, o que seria?

Meu.

Ofeguei assustada por causa da intensidade do meu pensamento. Não, não, não e não, Brian não era meu coisa nenhuma! Sou namorada de seu melhor amigo e estou muito feliz, mais do que feliz, estou radiante. E Brian é livre e pode namorar quem quiser!

Meu.

Ele não é meu, brigava com meu inconsciente que insistia nisso, em meu peito algo rugia furioso, era como um monstro que tinha acabado de despertar. Ele rosnava intensamente, fazendo eu estremecer.

Meu.

Pare com isso!

Meu.

Brian não é um brinquedo pra me pertencer!

Meu.

Consciente filho de uma puta.

- O que eu faço, Kaya? Estou em um mato sem cachorro, Adam nunca iria aceitar nosso término.

- Pense com calma não pode ser isso — falei tentando acalmar aquele monstro que tinha dentro de mim, ele estava furioso.

- É sim, quando Brian me toca é como se ....

- Ele já te tocou?! — exclamei surpresa. Me remexi tentando sair de seu abraço.

- Quando ele iria me ensinar a tocar o solo de Scream. Porque? — perguntou ela piscando confusa.

- Por nada — respirei fundo e forçando um sorriso.

Tentei me acalmar, dentro de mim estava um caos tremendo aquilo que eu tinha acabado de descobrir em meu peito ainda rugia, eu não conseguia imaginar Brian com ninguém, ele não poderia ficar com ninguém!

Meu.

Respirei fundo algumas vezes, tentando esquecer aquele pensamento possessivo, mas era impossível, ele tomava conta de minha mente.

- Poderiamos conversar sobre isso mais tarde? — perguntei olhando pra Candy, seu olhar estava aflito. Ela me odiaria se soubesse o que estou pensando à respeito de tudo isso.

- Está cansada? — perguntou cabisbaixa.

Olhei pra ela mais uma vez, os olhos azuis estavam tristes e confusos. Eu não poderia deixar minha amiga daquele jeito, poderia? Não, não teria coragem, deixei meus sentimentos possessivos de lado, guardei eles em uma gaveta e tranquei com a chave. Eu iria fazer qualquer coisa pra anima-la e até mesmo ajudar ela com Brian, soltei um suspiro pesado e deixei minhas emoções de lado e me sentei em uma das mesas junto com Candy. Ouvi ela dizendo tudo que estava sentindo, eu me remexia inqueta na cadeira. Como ela pode sentir tudo aquilo? Por favor faz nem um mês que conhece o Brian! Mas ela é fã dele e misturou amor normal com amor de fã e fudeu tudo, ou talvez, só talvez fosse um amor de fã muito, muito, muito confuso e ela achasse que seria amor normal.

Eu pedia silenciosamente que fosse amor de fã mesmo.

Sabia que estava passando dos limites, mas eu não conseguia ver Brian com outra mulher do lado... Ela tomaria meu lugar.

Ok, estou enlouquecendo.

- O que eu faço, Kaya? — perguntou olhando-me aflita.

- Use a razão e não a emoção, Candy. Você está levando muito pro lado... emocional — esquece isso, ele é meu, meu, meu!

Sacudi a cabeça, tentando que aquele monstro chamado possessividade saísse de dentro de mim.

- Você usou a razão quando era o Jimmy? — rebateu ela.

Ok, eu mereci isso.

- É diferente, eu não estava namorando — disse na defensiva.

- Mas ele estava — respondeu sorrindo.

- O que quer dizer com isso? — perguntei estreitando os olhos.

- Nada — ela deu de ombros, aquele sorriso não saía de seus lábios.

- Ok, eu tento ajudar mas saio como puta na história. Que se foda, também. Se vire, Candy — falei me levantando da cadeira e dando as costas pra ela.

- Kaya, espere. Eu não quero brigar! — exclamou ela arrependida.

- Devia ter pensado nisso antes de me chamar de puta — respondi friamente.

- Eu não disse isso — falou arregalando os olhos, aquilo não iria me comover. Estava com raiva de Candy.

- Ah, sério?! Você jura mesmo? — perguntei ironicamente.- Depois a gente se fala.

Sai daquela boate batendo os pés, sem olhar pra trás. Estava com raiva, muita raiva, Candy sempre falava as coisa "indiretamente" isso me irritava tanto ela poderia ter jogado a verdade nua e crua na minha cara, eu não me importaria poderia até concordar com ela. Porque de fato estava me sentindo uma puta, eu estava namorando mas sentia medo de perder outro cara, qual mulher apaixonada faria isso? Eu estava feliz, certo? Sim, eu estava feliz, muito feliz.

E quer saber? Ela não tem o direito de me chamar assim, o que pensa?! Eu que tinha apresentado Brian à ela, ela deveria ser eternamente grata!

O que está acontecendo, Kaya? Ela é sua amiga, melhor amiga. É sua culpa também, porque está com ciúmes do Brian? Porque ainda nega?

Nego o quê?

Sacudi a cabeça fortemente, e tentei ignorar meu consciente, estava enlouquecendo e aquele monstro ainda rugia em meu peito, eu queria gritar com todos a minha volta dizendo que Brian me pertencia.

Isso só pode ser o efeito colateral das drogas que já usei, não é possível isso está acontecendo de verdade, isso só pode ser uma brincadeira de muito mal gosto.

- Kaya, o que você está fazendo aqui sozinha? — perguntou a voz que eu não queria ouvir por muito tempo.

- Brian! — exclamei me jogando em seus braços. Aquele monstro que estava agora à pouco rugindo em meu peito começou a ronronar satisfeito.

- O que aconteceu? — perguntou ele confuso mas mesmo assim não deixou de me abraçar.

- Nada, estava sentindo falta de seu abraço — respondi deitando minha cabeça em seu ombro.

- Kaya, é sério. O que aconteceu? Você nunca falou assim — insistiu ainda confuso.

- Não fode, Brian — disse sorrindo. Estava me sentindo tão bem que não sabia definir o que pensar sobre aquilo tudo.

- O quê? Eu não fiz nada — respondeu rindo.

- Cale a boca.

- Ok.

Ele me abraçou apertado, o que me fez sentir a pessoa mais sortuda e filha da puta do mundo, enquanto estava em seus braços minha melhor amiga estava sofrendo por ele. A vida é uma droga mesmo.

Você está em seu lugar.

Não respondi meu inconsciente, porque talvez, só talvez ele estivesse certo. Merda, será que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Desejá-las ao mesmo tempo? Eu amo Jimmy, isso é fato mas também amo Brian. Quando estou com o moreno de olhos castanhos me sentia bem, nada mais importava, eu esquecia até o que tinha ao meu redor, era somente eu e ele. Mas com Jimmy era duas vezes mais intenso, era um bem tão grande e até impossível de se explicar, eu me sentia a pessoa mais poderosa do mundo ao seu lado, a mais amada e sortuda, me sentia intocável.

Estou ferrada.

- Porque você está aqui? — perguntei desconfiada, e se ele tivesse aqui pra ver Candy?

- Vim te buscar — respondeu ele de modo doce.

- Sério? — perguntei sentindo-me corar.

- Jimmy me pediu, ele não pode vir — respondeu tocando minhas bochechas quentes.

- O que ele está fazendo?

- Coisas da banda — disse dando de ombros.

- Ah — murmurei. As vezes esquecia que eles eram integrantes de uma banda famosa.

Depois disso nenhuma palavra fora dita, sai do círculo de seus braços e rumei em direção do carro, sentia que precisava ficar sozinha. Meus pensamentos estavam um caos total e ficar perto de Brian estava ajudando em nada. Sentei no banco do carona e liguei o rádio, isso eu precisava de música aquilo iria fazer eu voltar ao normal, acabei escolhendo uma estação de música dos anos 80 e 90, fechei meus olhos e me ocupei de ouvir apenas a música.

- Você está muito estranha, aconteceu algo? — perguntou Brian assim que entrou no carro.

- Aconteceu nada, estou apenas cansada.

- Tem certeza?

- Já se apaixonou alguma vez, Brian? — perguntei de repente, sem olhar em seu rosto. Continuava de olhos fechados eu não conseguiria levar aquela conversa adiante olhando pra ele.

- O quê? Porque? — perguntou ele confuso.

- Só responda — pedi suspirando.

- Apenas uma vez, no colegial. Isso foi à muito tempo — falou dando de ombros.

- Como foi? — perguntei sem abrir os olhos.

- Bem... Acabei me fodendo no final, descobri que ela gostava de outro e...

- E...? — perguntei o cortando.

- E esse "outro" era meu melhor amigo.

- E abriu mão dela por causa de seu amigo? — perguntei, finalmente abrindo os olhos e o encarando curiosa.

- O que eu poderia fazer? Ela gostava de meu amigo e não de mim — ele deu de ombros e sorriu.- Isso foi a muito tempo, Kaya.

- Ela poderia ser apaixonada pelos dois — respondi baixinho, sentindo meu rosto corar.

A única coisa que Brian fez foi rir gostosamente, acabei descobrindo que gostava do som de sua risada também.

- Ninguém pode se apaixonar por duas pessoas, Kaya. A menos amada sempre vai se foder no final, fato — disse Brian ainda rindo.

- Claro que pode! — exclamei energeticamente.

- Não pode, Kaya. Você conhece alguém assim? — perguntou ele arqueando a sobrancelha.

- Não mas...- você está falando com ela, idiota.

- Mas nada, isso é impossível — me cortou bufando.

- Hmmm, e o Jimmy? — perguntei, a final queria saber o que aconteceu com ele e a tal garota.

- O que tem ele?

- O que aconteceu entre ele e a suposta garota? — perguntei curiosa.

- Nada, não precisa ficar com ciúmes — ele riu de minha careta.

- Não estou com ciúmes — respondi girando os olhos.

Ele me olhou por algum tempo desconfiado, se Brian sacasse o porquê daquelas perguntas estaria ferrada. Mas veja bem, estou confusa se apaixonar por duas pessoa não é coisa de gente normal, eu já tinha minhas suspeitas sobre minha sanidade, mas agora tenho certeza que sou do tipo que tem uns neurônios a menos. Eu não machucaria Brian, e muito menos Jimmy então aquela coisa de monstro iria ter que dormir outra vez, porque uma hora Brian iria acabar cedendo aos encantos de minha amiga, disso eu tinha certeza.

E eu não quero isso pra mim, não quero ser a pessoa que vai ser lembrada por ele como uma filha da puta egoísta, porque de fato estava sendo egoísta, estava achando que ele me pertencia, mas Brian nunca me pertenceu e nem vai pertencer, porque eu mesma já pertenço a outra pessoa e nunca iria conseguir amá-lo como ele realmente merece, Candy sim o amava e eu deveria ficar feliz por isso, ela desde sempre fora minha melhor amiga, a única que tinha de fato. Então porque sentia raiva dela por se apaixonar por ele? Aquilo não fazia nenhum sentido, e como a Candy pode ter tanta sorte assim?! Synyster Gates estava gostando dela, eu sabia disso sempre via um certo brilho em seus olhos quando mencionava ela em alguma conversa. Seria um pecado atrapalhar esses dois.

Então, não aceito isso dentro de mim, eu amo Jimmy e só Jimmy.

Fui para o apartamento de Brian em silêncio, eu nunca deveria ter tido aquele maldito ataque de ciúmes e possessividade, mas estava claro que eu sentiria aquilo. Só de pensar que toda atenção de Brian poderia ser voltada para outra.... Ri com meu pensamento idiota, sou uma tola mesmo, vi Brian me olhando de esguelha tinha certeza que ele me achava uma maluca. E estava ficando aos poucos, isso era interamente culpa dele.

- Kaya, é serio. O que você tem?

- Porra! É a milésima vez que você me pergunta isso hoje, já disse que estou bem! — exclamei irritada, não era hora dele ficar reparando em mim, não mesmo.

- Você sabe que pode falar o que quiser comigo, não sabe? — perguntou gentilmente.

E como sabia e sentia falta daquilo, mas o que eu diria?

"Olha, estou confusa porque supostamente estou apaixonada por dois caras" Que merda hein.

- Sei sim, Brian. É só que...

- É só que..? — perguntou me cortando.

- Esquece, é coisa de mulher — falei virando as costas pra ele.

- Você mente muito mal, volte aqui — chamou me puxando de volta para perto.

- O que você tem? — perguntou pela milésima vez, me levando a um nível alto de irritação. Ele insistiria até eu contar, merda.

- Não é nada — murmurei girando os olhos.

- Ok, não vou insistir — disse me soltando.

Entrei em desespero quando vi ele indo em direção da porta, eu não queria ficar ali sozinha, só iria piorar minha situação.

- Onde você vai?! — perguntei indo atrás dele.

- Vou sair — ele deu de ombros.

- E me deixar aqui sozinha?!

- Tá, eu fico — ele girou os olhos e foi em direção do sofá.

- Obrigada — respondi me sentando do seu lado.

- O que eu faço com você? — perguntou Brian indignado.

- Não me deixe sozinha, apenas isso — respondi divertida.

- Kaya, Kaya... — suspirou Brian.

- Synyster, Synyster — imitei o tom de sua voz o fazendo rir.

- Eu te amo, sabia? Baixinha — murmurou bagunçando meus cabelos.

- Me ama? Ah eu já sabia — disse convincente e rindo.

- Convencida — ele riu, e outra vez gostei do som da sua risada.

- Sou realista — dei de ombros fingindo indiferença.

- Realista? Tá, acredito nisso — murmurou sarcástico.- Kaya, estou com fome.

- E dai? — perguntei arqueando a sobrancelha e fingindo não me comover com seu olhar pidão.

- E dai que estou com fome, não seja mal comigo — disse fazendo bico.

- Awn, ok! Pode deixar, só queria ver você implorar — falei divertida, me levantei e rumei para cozinha.

- É mesma coisa dizer "Kaya, seja mal comigo!" — bufou ele vindo ao meu encalço.

- Bom, eu não sei porque tenta então — disse dando uma risadinha.- O que você quer?

- Qualquer coisa, desde que seja comestivel — falou se sentando no balcão de sua cozinha e me observando.

Não disse nada, abri os armários a procura de algo para fazer. Eu não reclamava porque gostava de cozinhar, não era algo difícil pra mim, aquilo fazia eu lembrar de meu pai. Era por causa dele que sabia fazer tanta coisa porque se dependesse de minha mãe eu iria morrer de fome. Então meu pai me ensinou basicamente tudo que ele sabia.

Acabei escolhendo fazer macarrão com queijo porque era a única coisa comestível que tinha ali, Brian precisava fazer compras, mas quando havia mencionado isso ele disse que eu que teria que fazer isso. Além de tudo é folgado, ele me ajudou com os ingredientes provando de quando em quando. As vezes sorria, as vezes fazia careta pra me sacanear, aquilo tudo me irritava e divertia ao mesmo tempo, ele não conseguia fazer caretas e ficar feio, pelo contrário só ficava mais bonito ainda, droga.

- Porque tá me olhando desse jeito? — perguntou desconfiado.

- Ahn... De que jeito, Brian? — rebati corando.

- Desse jeito, parece que nunca me viu — falou girando os olhos.

- Não é nada — disse me irritando.

- Ah, não mesmo? — perguntou me encarando.

- Aaaaaaargh, Brian. Me deixe — falei voltando minha atenção pro macarrão.

- Você anda se irritando muito fácil — disse ficando do meu lado e me encarando como se eu fosse algum tipo de bicho exótico.

- Já disse pra você me deixar quieta! — exclamei me irritando pra valer.

- Ah não mesmo, vem aqui — disse divertido me puxando para perto dele, bem perto. Ele avaliou minha expressão por alguns minutos, um sorriso zombeteiro apareceu em seus lábios.- Eu nunca vi você assim, até parece que tá com medo de mim.

- Eu não estou com medo de você — respondi ofegante.

- Não? — perguntou, tirando uma mecha de cabelo de meu rosto e colocando atrás da orelha.

- Não.

- Não? — perguntou arqueando a sobrancelha.

- Sim! Quer dizer, não! — exclamei confusa, do que falavamos mesmo?

- Kaya!

- Ah, me deixa. Olha, vai queimar todo seu macarrão — reclamei voltando pra perto do fogão.

- Não, vem aqui — ele me puxou novamente, estava querendo me matar. Não estava em condições de ficar muito perto de Brian.

- Brian, é sério! Vai queimar seu macarrão — reclamei tentando me livrar de seu aperto.

- Ok, então. Pequena chefe — murmurou me soltando.

- Foda-se! Fala isso porque eu sei cozinhar e você não — disse zombando dele.

- Eu toco guitarra e você não! — exclamou no mesmo tom.

- Ah, saia daqui — disse jogando o pano de prato em sua direção.

Eu ri, enquanto fuçava nos armários, as vezes Brian conseguia ser mais infantil que uma criança de cinco anos! E veja bem, depois que seu macarrão ficou pronto ele comeu, até ai tudo bem, mas ele se lambuzou todo, acho que o cerébro de Brian esqueceu de crescer junto com seu corpo. Estava quase me levantando do sofá e indo pegar um babador pro crianção.

- Brian, você quer um babador? — perguntei o olhando divertida.

- Não fode, Kaya — me respondeu sem tirar os olhos da tv.

- É sério, precisa?

- Não — respondeu rabugento, me fazendo rir.

Mas de qualquer modo, ele ficava lindo até parecendo com uma criança lambuzada de queijo. Eu ainda não sabia o que fazer com aquele sentimento que estava nutrindo por ele, talvez era só fazer aquilo que sempre fiz me desapegar das pessoas, mas pra fazer aquilo eu precisaria me afastar e não estava nem um pouco a fim de fazer esse tipo de coisa. Eu poderia cuidar de Brian, mima-lo e adora-lo mas não passaria disso, eu faria tudo aquilo como uma irmã mais velha. Porque de fato eu gostava de cuidar dele, e não deixaria ele fazer o mesmo, seria de uma coisa linha única, nada de trocas. E iria dar um jeito dele ficar com Candy, mesmo não gostando muito da ideia eu iria faze-lo porque sabia que ela seria uma boa namorada pra ele.





Notas finais
Então, está ai o capítulo 13, espero que gostem :3