Notas iniciais
Vou dedicar esse capítulo pra minha amiga Gabi que fez aniversário ontem e vou dar isso aqui como um presente à ela.
E muito obrigado pelas duas recomendações, vocês são fodas ♥
E esse aqui sim é o último capítulo postado no Nyah :( espero que gostem.

Ainda não sabia o que era pior: Ficar naquela casa sozinho ou ter que suportar o cheiro dela por toda parte de meu quarto.

Inferno.

Eu não aguentaria, já havia ligado pra ela umas trinta vezes e nada de Kaya atender.

Suas palavras ecoavam em minha mente.

"Você é despresível."

Eu sentia mesmo isso, ela devia estar me odiando. Porra, porque só vacilava com ela? Tinha certeza que dessa vez ela não iria me perdoar e só de pensar que tudo isso começou por causa de meu ciúmes bobo.

Eu não me reconheço, como fiz isso? E como ela até mesmo disse, tenho que sentir por mim mesmo, eu fui burro ao ponto de perdê-la.

Eu já estava ficando preocupado, e se acontecer alguma coisa com ela? Nunca vou me perdoar! Eu nunca tinha visto a Kaya daquele jeito.

Não com os olhos injetados daquele jeito e cheios de ódio em minha direção, o como ela ficou pálida quando terminou de ler aquela maldita mensagem de texto. Ou como jogou seu presente no chão e saiu sem olhar pra trás, aquilo acabou comigo, acabou com a moral e dignidade que tinha.

Pela primeira vez em toda minha vida senti que meu coração estava aos pedaços.

O que era meio irônico pois geralmente eu que quebrava o coração das pessoas.

E como diz a lei de Newton: Tudo que vai, volta.

E mereci isso, com toda certeza.

E como mereci! Agora sei como é ter o coração em pedaços, é uma dor tão grande, que quase não dá pra aguentar! E o pior é que é tudo culpa minha... Não sei o que faço.

Segurava o presente de Kaya, queria que fosse possível seu cheiro ter ficado ali simplesmente adorava, não era algo muito forte. Poderia ser considerado ser aqueles cheiros florais como por exemplo jasmin, adorável, assim como ela.

O fato era que estava enlouquecendo sem ela.

Merda, merda, merda, merda.

E sentia dor em meu peito, mas não sabia se era dor física ou emocional.

Kaya era tão filha da puta, fazia meu lado maricas florescer e me deixar assim, pior que um emo com vontade de cortar seus pulsos, inferno.

(Jimmy's POV'S OF)

Uma semana, uma longa e dura semana. Eu nunca pensei que poderia ficar sem ele por uma semana, mas veja só! Estou aqui, com raiva o suficiente pra querer socar sua cara e saudades ao mesmo tempo, o que era uma merda. Não deveria sentir nem um pingo de saudade dele, não merecia aquele sentimento de mim. Ele não merecia absolutamente nada! Eu havia mudado, estava com tendência de odiar tudo e todos ao meu redor, ser ignorante com quem não merecia era uma droga, tudo me irritava muito fácil, meu humor e coração estava em frangalhos.

- Bom dia, Kaya — não entendia o porquê de Brian ser todo sorrisos nessa hora da manhã, não havia nada de bom.

- Bom? Você acha isso? — perguntei monótamente.

- Que bicho te mordeu garota? — rebateu ele.

- Brian... Desculpa, não estou muito bem — suspirei sem olhar seu rosto.

- É eu te entendo, mas você não pode ficar assim, Kaya. O que posso fazer pra te deixar melhor? — perguntou ele se sentando ao meu lado.

- Você já está comigo, não preciso de nada — dei de ombros, traguei meu cigarro profundamente. O que era uma merda, havia voltado a fumar, não era bom sinal.

- Como sempre teimosa...

- E você, sempre achando que estou precisando de alguma coisa — respondi rispída.

- E você está! Kaya. Uma semana já se passou, você precisa sair. Vamos à praia hoje? — perguntou Brian, sem se abalar com minha ignorância.

- Brian, não estou muito afim.

- Não aceito não como resposta.

- Se eu falar que vou, você me deixa em paz? — perguntei sem um pingo de paciência.

- Não — ele sorriu.

- Então não vou — girei os olhos.

- Sim, eu deixo.

- Ok, praia.

- Viu? Dessa vez eu ganhei — disse com um tom cheio de zombaria.

- Cala a boca — bufei.

- E está muito cedo pra você fumar desse jeito — repreendeu ele e atrevidamente tirou o cigarro de minha boca.

Fuzilei ele com o olhar.

- Quer mandar em meus vícios também? — perguntei irritada.

- Se eu puder, vou sim.

Ele sumiu de minha vista, e tenho certeza que ele não deixaria eu fumar mais, estava mesmo exagerando. Mas não me importava, estava com vontade de pegar cancêr e sumir da vida dele, Brian se preocupava demais comigo e eu não tinha nada pra oferecer à ele, estava quebrada e perdida. E tudo que sentia era cruel e feio, não merecia nem um terço de sua atenção, desejei que ele não se importasse comigo nem um pouquinho e que ficasse magoado com minhas aparentes "patadas" mas como sempre era egoísta não conseguia me imaginar sem ele. Iria ser demais ficar longe de Brian também, eu não surportaria. Estava magoada demais pra ficar sozinha.

- E pare de reclamar, vá se vestir. Vamos na praia agora — disse Brian daquele jeito mandão.

Bufei e me levantei do sofá, fui para meu quarto e prendi a respiração. Não queria sentir aquele cheiro, não mesmo, iria trazer lembranças e quando se tratava daquele cheiro meio apimentado e almiscarado ficava mais pior do que já estava. Inferno, eu era como uma drogada quando se tratava daquele maldito cheiro, fui para meu closet e peguei o primeiro biquíni que avistei, me vesti sem me olhar no espelho. Sentia-me um pouco mais magra e pálida e tenho certeza que estava com olheiras também, pois não dormia como antes. Com uma certa relutância me olhei no espelho e minha aparência estava mesmo feia, meus cabelos se pareciam com um ninho de ratos e tinha mesmo olheiras que estavam parecendo hematomas, meus olhos estavam opacos e cansados, soltei um suspiro pesado, lavei meu rosto umas cinco vezes e tratei de meu cabelo os soltei com desânimo e ficou daquele jeito de sempre os cachos pesados e mal feitos. Não estava tão ruim e fiz uma coisa estúpida passei maquiagem, o que era inútil pois estava indo para uma praia e não uma festa de gala. Mas queria ficar com uma aparência razoável, pois iria estar com Brian.

Sai daquele banheiro nada satisfeita e tentei não respirar quando passei pelo meu quarto, quando cheguei na sala Brian já me esperava, estava com uma mochila nas costas e toalhas nos ombros e sem camisa, vestia apenas uma bermuda. E tentei não olhá-lo daquele jeito, estava tão bonito...

- Vamos? — perguntou ele.

- Claro — respondi corando.

No elevador foi um inferno, meus olhos não me obedeciam sempre me traiam e fazia eu olhar seu corpo. Cara, ele era tão bonito e forte... Santo Deus, sua pele me dava inveja me sentia um fantasma perto de Brian.

E chegamos tão rápido na praia, era só atravessar a rua e pronto. Estávamos na bela praia com um mar azul e brilhante e areia branquinha e sol à pino. Era tão maravilhoso e odiei o fato que a cor do mar fizesse eu lembrar da cor dos olhos de alguém.

- É você tinha razão — admiti suspirando.

- Razão? Sobre o quê? — perguntou curioso.

- Sobre eu sair um pouco — girei os olhos, aquilo só iria deixar ele com o ego mais inflado.

- Viu? Sempre tenho.

Não disse?

- O dia está realmente lindo — falei sem me importar com ele.

- Vamos nadar? — perguntou, olhei seu rosto incrédula. Não acreditava que ele estava pedindo pra eu fazer aquele tipo de coisa.

- Não — disse sem hesistar.

- E por que não?

- Eu não sei nadar — respondi o óbvio e nem tinha vontade em aprender.

- Eu ensino.

Claro que ele iria ter aquela ideia idiota, tipíco de Brian ter ideias idiotas.

- Só vou concordar, porque sei que não tenho escolha — murmurei azeda.

- Aprendeu rápido! — exclamou ele feliz.

- É vamos logo, antes que eu desista — bufei.

Ele sorriu e deixou suas coisas ali, me perguntei se não era perigoso, já que estava apenas eu e ele. Mas concluí que não tinha nada de importante naquela mochilha, pelo menos eu achava né. Soltando um suspiro pesado tirei a camiseta enorme que escondia meu biquíni e fui atrás dele. Quando as ondas molharam meus pés estaquei, eu realmente tinha medo de me afogar.

Brian sorriu de modo gentil, era se como ele lesse cada pensamento meu e isso era irritante e bom ao mesmo tempo pois não precisava dizer a ele que estava com medo. Pegando minha mão fez eu entrar no mar e minha pele se arrepiou o mar estava tão gelado.

E quando água chegou em minha cintura apertei a mão de Brian. Aprender a nadar em alto mar não era um boa ideia, sentia isso. Vendo que estava com medo ele me pegou pela cintura, me agarrei a ele como se fosse um gato escaldado querendo fugir dali, ele riu baixinho o som de sua risada me arrepiou. Inferno, iria começar aquelas reações idiotas quando estava perto dele.

- Primeira regra: não fique assustada assim, você não vai conseguir boiar se tiver nervosa — disse ele de modo calmo.- Estou bem ao seu lado.

- Eu não quero fazer isso — choraminguei e me agarrei mais a ele.

O encarei, ele sorria de canto e me olhava de um jeito esquisito, odiava aquelas ondas se quebrando em meu corpo mas para minha sorte o mar não estava muito agitado. Graças a Deus.

- Kaya, relaxe — pediu ele tocando meu rosto.

- Não mesmo.

Era impossível ficar parada na água, eu sentia que estavamos nos afastando da baía e não sentia mais aquela areia em meus pés, me agarrei aos ombros de Brian que batia seus pés e o braço esquerdo tranquilamente e mantinha a gente na superfície.

Sua mão que estava em minha cintura deslizou para meu quadril e depois subiu de modo lento, senti um calorzinho subindo pela minha espinha e esqueci completamente que estava tentando aprender a nadar.

- Brian... — o chamei suspirando, aquilo era tão bom...

- Quê? — perguntou sem parar o que estava fazendo.

- Sei o que você está pensando.

Olhei seu rosto, ele tinha um sorriso malicioso, eu não pude deixar de reparar que ele estava muito sexy molhado daquele jeito.

- E no que estou pensando? — perguntou me puxando para mais perto, senti que ele nadava para trás para ficarmos em um lugar mais raso.

- Preciso falar – disse tentando não olhar seu peito nu. – O que aconteceu naquela noite foi um erro.

- Um erro? — perguntou sorrindo de canto.

- N-não, quer dizer sim — Deus, quando ele sorria daquele jeito esquecia até de meu próprio nome

- Vamos voltar a nadar, o que acha? — perguntou ele. O que me irritava era que Brian sabia que me afetava quando fazia aquele tipo de coisa.

- Melhor você nadar sozinho, eu te espero em terra firme. Ok?

- Nada disso — disse ele.- Você vem comigo.

Girei os olhos, Brian me chamava de teimosa mas era duas vezes pior que eu.

- Desisto — murmurei, afinal eu não iria aprender a nadar.

- Como vai desistir se ainda não tentou? — perguntou indignado.

- Não fode. Por favor, Brian. Vamos parar um pouco então? — perguntei olhando nos olhos dele, eu sabia que ele não me falaria um não se o olhasse daquele jeito pidão.

- Você é um monstro, vamos sair daqui — ele bufou e me puxou, para minha alegria estávamos voltando para tão linda areia da praia.

Nos sentamos onde estava sua mochila que para minha surpresa estava no mesmo lugar onde deixou e ao que parecia estava intacta. Brian parecia estar bravo comigo pois me fuzilava com o olhar, mas eu não fiquei com medo pois ele reprimia um sorriso.

- Por que tá me olhando assim? — perguntei corando.

- Você é linda, Kaya — disse Brian de modo arrastado. Santo Deus, a voz dele ficava muito mais atrativa daquele jeito, ele ficava mais atrativo.

- Para! — exclamei envergonhada.

- Não estou fazendo nada — ele riu dando de ombros.

- Está sim!

- Por que você não me deixa cuidar um pouco de você? — perguntou ficando mais próximo.

- Brian, não — sacudi minha cabeça, estava querendo dizer sim só pelo simples fato dele estar tão próximo a mim.

- E por que não? — perguntou já tão próximo que pudia sentir seu cheiro.

- Eu não posso.

- Kaya... algum tempo quero te falar isso, não sei o que está acontecendo comigo, eu não consigo ficar longe de você! E acho que amo você — falou olhando diretamente em meus olhos sem hesitar.

- Você o quê? — perguntei não acreditando, aquilo só podia ser uma brincadeira de mal gosto.

- É isso mesmo que você ouviu. Eu amo você — repetiu daquele jeito arrastado. Senti um arrepio percorrendo minha espinha

- Você não pode falar essas coisas pra mim, eu... Eu estou confusa.

Admiti e não consegui olhar em seus olhos, estava mesmo confusa uma parte de mim estava se perguntando que porra era aquela. Brian não poderia estar me amando, ou poderia? E a outra parte estava radiante, querendo saltar em cima dele e o beijá-lo sem medo algum, essa parte ansiava pelos lábios de Brian, ansiava por ser feliz novamente.

Estou tremendamente fudida.

Ele levantou meu queixo com um dedo e avaliou minha expressão, fiquei ofegante eu não conseguia olhar pra ele sem ficar naquele estado. Brian estava tão lindo com seus cabelos molhados e aquelas íris castanhas me fitava de maneira intensa, e ele não estava brincando. Eu nunca tinha visto Brian tão sério em toda minha vida.

- Brian... — suspirei seu nome quando a mão que estava em meu queixo passou para meu pescoço.

- Shh, não fala nada — disse sussurrando.

E com isso ele se aproximou mais um pouco, fechei meus olhos esperando o que viria depois, achei que ele beijaria meus lábios mas pensei errado. Senti os lábios frios de Brian em meu pesçoco, ele beijou ali de maneira delicada e foi descendo em direção de meu ombro, minhas mãos foi para seu cabelo macio o puxava de maneira brusca, queria seus lábios nos meus. Agora, precisava daquilo e com um ofegar intenso ele fez isso, me beijou de maneira lasciva me derrubando na areia e ficando por cima de mim. Ofeguei quando uma de suas mãos foram parar em minhas coxas ele apertou ali e levantou minha perna afim de deixa-la em seu quadril.

Esqueci completamente que estava em um local público.

Seus lábios nunca deixavam os meus e estava começando a ficar sem ar mas não me queria afastar dele.

Pela primeira vez em uma semana não me senti em frangalhos.

Meu corpo reagia de maneira intensa aos toques de Brian, era bom me sentir daquele jeito, era bom ficar com meu corpo preso ao dele e sentir sua língua roçando na minha. Mordi seu lábio e trouxe ele para mais perto, minhas mãos sempre ficavam em seu pescoço e ombros. Eu gostava dos ombros de Brian, eram largos e eu adorava apertá-los.

Depois de um tempo meus pensamentos tomaram um rumo diferente, me lembrei de um dia que também estava na praia com ele e ficamos daquele mesmo jeito, eu deitada na areia e seu corpo aquecendo o meu. Parecia que isso tinha acontecido à anos.

Meu peito protestou com dor, ofeguei e me afastei de Brian. Eu não poderia estar fazendo aquilo, não tinha capacidade de fazer mais ninguém feliz.

E uma coisa muito idiota passou pela minha cabeça: A única coisa que sentia por Brian era um estranho e cruel desejo.

- Me desculpe — disse Brian depois de um tempo.

- Esta tudo bem, só preciso de um pouco de ar — disse rindo sem humor algum. Minha respiração estava um pouco falha, não me sentia nem um pouco culpada em beijar Brian e queria que ele reparasse isso.

Só não havia gostado da sensação de nostalgia que tive ao beijá-lo. Fora isso foi maravilhoso.

(Kaya's POV'S OF)

Nunca pensei que beijar alguém fosse tão bom, estava parecendo com um adolescente que havia dado seu primeiro beijo. Não me leve a mal, eu sempre quis fazer aquilo, sempre quis beijar Kaya e ser correspondido, mas me sentia mal as vezes. Não tinha notícias de Jimmy, ele não atendia minhas ligações e sempre inventava alguma desculpa quando dizia que queria vê-lo. Tenho certeza que ele tinha medo de levar uma bronca minha e não era somente eu que estava com raiva dele. Zacky e Johnny também, assim como eu eles não acreditavam no que Jimmy tinha feito, não era certo mas eu achei meio estranho de todos nós Jimmy era o único que poderia ser considerado fiel, sabia disso principalmente quando estavámos em turnê. Enquanto todos se divertiam com groupies Jimmy ficava na dele, e se divertia de seu jeito e isso só mudou quando Kaya apareceu em nossas vidas.

Me perguntava se poderia ser assim comigo se fosse eu que tivesse salvado ela, se tivesse sido mais rápido e ido salvá-la assim como Jimmy havia feito.

Olhei na direção de Kaya que estava em silêncio, ela parecia também estar perdida em seus próprios pensamentos.

Me lembrei do dia que a vi pela primeira vez.

" — Você fica aqui com ela, vou comer alguma coisa — disse Jimmy com seu tom mandão.

- Tudo bem, vai lá — girei os olhos.

Só me faltava essa, ser guarda costas de uma desconhecida.

Não tão desconhecida, sabia o nome dela. Era bem estranho e diferente.

Kaya Rose.

Segundo nome era de origem francesa, será que ela não era daqui? A observei dormindo, sua cor estava melhorando, pelo menos aquele tom estranho de cinza estava sumindo e um leve rubor aperecia nas maçãs de seu rosto. Me aproximei mais um pouco do sofá pra vê-la de perto, seu rosto era em formato de coração, sobrancelhas sem falhas e bem feitas, boca pequena porem bem desenhada e rosada, percebi que estava meia ressecada também. Seu nariz era bonitinho e arrebitado, seus cabelos eram fartos e castanhos nas pontas tinha cachos mal feitos e muito bonitos. Pela cor de seu cabelo sabia que na infância ela fora uma menininha loira. Não sabia a cor de seus olhos, tinha uma certa curiosidade, estava tão ansioso quanto Jimmy pra vê-la acordando. Suas mãos estavam descobertas então essas estavam ainda meia cinzas de frio, com cuidado peguei uma delas e coloquei debaixo das cobertas e logo iria fazer com sua outra mão mas no entanto quando peguei ela apertou meus dedos, estremeci. Estavam frias, muito frias, fiz atrito com minhas próprias mãos afim de aquecer a dela. E quando vi que estava quente o suficiente não quis soltar, sua mão era pequena perto da minha e mil vezes mais delicada, na verdade ela inteira era delicada. Sua pele parecia ser frágil, pensei se era possível que por debaixo de sua pele poderia ser cristal em vez de carne e osso. Me perguntei como ela tinha sobrevivido a esse frio intenso do Canadá, será ela havia ficado por muito tempo exposta na neve?

Não porque me importava, era apenas curiosidade.

Pelo menos era que achava.

Fiquei encarando a estranha por mais um tempo e reparei no quanto ela era bonita e delicada dormindo.

Soltei sua mão pequena e me afastei dela, antes que pensasse mais alguma coisa insana à respeito daquela garota.

Sai daquela sala minúscula e Jimmy entrou, tenho certeza que ele iria ficar velando seu sono a noite inteira.

E pelo que conhecia Jimmy ele iria praticamente obrigar a garota ficar com nós.

Espero que ela não aceite o convite."

Mas como sempre Jimmy não deu opção de escolha, ele disse que Kaya iria ficar e ponto, e de má vontade Kaya ficou, me lembro nitidamente a quantidade de palavrões que ela falava e no quanto ela era ignorante e irônica. Mas acho que foi tudo isso que fez eu me aproximar dela.

Kaya foi a primeira mulher que riu na minha cara ao dizer meu nome artístico, riu tão gostosamente que me irritou um pouco, porque nunca, nenhuma mulher riu de Synyster Gates pelo contrário elas faltava fazer referências ou pior ficavam histéricas. Aquilo me irritava, odeio mulheres histéricas demais.

E meu lado gay florescia quando ela estava por perto, adorava a cor de seus olhos tão estranhos e bonitos, azul profundo e acinzentado. Que mudavam de cor de acordo com seu humor, por isso a conhecia tão bem, sempre prestava atenção na cor de seus olhos.

E tinha coisas mínimas que gostava nela como por exemplo suas mãos, pequenas, pálidas e elegantes.

Saber tudo isso dela era uma merda, não deveria saber. Nunca foi de meu interesse saber desse tipo de coisa.

O fato era que Kaya havia me mudado tanto quanto por dentro e por fora.

E ainda tinha o fator Candy, melhor amiga de Kaya. Eu sabia que ela gostava de mim, havia ficado com ela algumas vezes mas do que adianta? Eu ficava com uma mas pensava em outra e isso não era correto, Candy não merecia isso, ela é uma pessoa legal e gostava bastante das conversas que tinha com ela. Mas ai Kaya chegava e bagunçava tudo, droga.

- Brian, você tá ai?

Olhei para Kaya e quase ri, geralmente era eu que fazia aquela pergunta à ela e não o contrário.

- Desculpa, estava pensando — disse rindo.

- Jura que você sabe fazer isso? — perguntou ela ironicamente.

A encarei arqueando a sobrancelha, ela deu um meio sorriso em minha direção e quase soltei um palavrão. Kaya não era boa pra mim mas eu a quero. Deus, como eu a quero.

- Meu nome não é Kaya, sei muito bem pensar — respondi no mesmo tom que ela.

- Idiota — ela riu.

Eu sorri, reparei que ela estava quase voltando ao normal percebi aquilo rapidamente, pois fazia tempo que não via aquela covinha em seu queixo e aquilo aparecia só quando ela ria mesmo com vontade. Pensei se aquilo tudo era por minha causa, um calor estranho tomou conta de mim era bom ver Kaya sorrindo novamente, não aguentava mais ter que lidar com seu lado razinza de ser.

Depois de um tempo resolvemos dar uma volta na praia, ela se mantinha longe do mar, andavamos um ao lado do outro às vezes ela me tocava aqui e ali era bom, me lembrei da última vez que me senti tão bem do lado de alguém e só me venho uma pessoa em mente.

Cara, acho que estava apaixonado.

- Brian, você é gigantão — disse Kaya depois de um tempo.

- Essa palavra não existe, Kaya — respondi rindo, todo mundo ficava gigante ao seu lado isso era um fato.

- Gigantaço então — disse passando seu braço em minha cintura.

- Nem essa existe — ri outra vez, meu braço se encontrava repousado em seu ombro e me sentia bem com aquilo, parecia... Certo.

- Cale a boca — murmurou ela.- Quero sorvete.

Depois de comprar um enorme sorvete pra Kaya estavámos sentados em um dos bancos do calçadão, ela tagarelava um monte de coisas sem sentido e eu como sempre acompanhava as conversa sem noção dela. Sempre fora assim, desde sempre.

- Brian, você me acha bonita? — perguntou ela de repente.

Pisquei atônito, que tipo de pergunta era aquela?

- Sim, acho — murmurei franzindo a testa.

A observei, Kaya não era nem um pouco feia, comecei avaliar seus ombros. Eram estreitos e combinavam com sua cintura fina e seus seios não eram muito grandes. Eram... Caramba, perfeitos,pequenos, redondos e fartos. Me remexi desconfortável, suas pernas também eram bonitas, assim como suas coxas mas o que mais gostava nela eram seus quadris bem feitos. Nada em Kaya era exagerado, seu corpo me lembrava o de uma boneca barbie.

- Perfeita — murmurei comigo mesmo.- E você, me acha bonito?

Perguntei curioso, afinal eu sempre quis saber aquilo vindo dela.

Kaya riu gostosamente mas corou intensamente. Seus olhos brilharam de maneira intensa ao me avaliar e me senti satisfeito ao ver aquilo, sim, ela me achava bonito.

- Vamos pra casa? Acho que vai chover — disse mudando de assunto e olhando pro céu.

Reparei que a curva de seu pescoço era bonito também e sorri ao ver a corrente prateada ainda ali.

- Claro — falei já me levantando.

Cara, ela me enlouquecia. Me pergunto como tenho tanto auto-controle.

(Brian's POV'S OF)

Tudo bem, ganhar aqueles olhares vindo de Brian fora... Estranho, não acreditava que ele me achava... Perfeita?

Olhei em sua direção e ele me encarava ainda, tive vontade de me jogar em seus braços e ficar ali por bastante tempo, mas reprimi aquela vontade e continuei o olhando. Cara, ele ficava tão bonito quando jogava sua cabeça pra trás e ria, ficava se parecendo com uma pequena criança. Eu entrava em estado de graça ao vê-lo rindo quando era por minha causa, estava tudo tão estranho, confuso e... Deliciosamente perfeito, desde quando Brian iria se tornar aquilo tudo em minha vida?

O fato era que eu gostava quando ele me beijava ou quando me olhava daquele jeito, parecia que eu era a... Coisa mais importante em sua vida, o que era uma droga, me iludia tão fácil. Eu deveria pegar trauma de caras de bandas, certo? Sim, talvez mas sentia aquela coisa que Brian era diferente e outra não tinha ninguém em sua vida, pelo menos era o que eu sabia.

Caramba, eu poderia sair por ai girando com os braços abertos e falando para o mundo todo ouvir que Brian me achava perfeita, ai como é bom ser idiota às vezes. Ri ao pensar em uma bobagem daquelas.

Já estavamos no edifício Commodore, me sentia quente dentro daquele elavador junto com ele e a chuva castigava lá fora, o que era estranho achava que aqui nunca chovia.

- Kaya... Kaya? Está ai dentro? — chamou Brian impaciente.

- Desculpe — disse rindo.

- Por que sempre faz isso? — perguntou curioso.

- Não sei, tenho essa mania. O que você ia falar?

- É estranho quando você fica paradona assim — ele me imitou, ficou paralisado sem piscar. Eu ri alto, Brian é tão idiota.

- Gay! — exclamei rindo, não sei porque mas era bom chamá-lo de gay.

- Gay? Deixa eu te mostrar então.

Ele me pegou pela cintura e me encostou na estrutura fria do elevador. Seu corpo estava completamente colado com o meu, era possível sentir sua respiração em meu pescoço. Aquilo me deixava arrepiada, sua mão repousou em meu pescoço e foi descendo aos poucos em direção de meu ombro, minhas costelas, cintura e por último mas não tão menos importante quadris.

- Ainda me acha gay? — perguntou sussurrando em meu ouvido. Sua voz estava outra vez arrastada, deixando ele sexy.

- Ok! Me convenceu. – falei ofegante.

- Não te ouvi — sussurrou rindo.

- Não te chamo mais de GAY! — exclamei nervosa, eu juro se ele não saisse perto de mim iria fazer uma coisa.

Sai correndo daquele elevador quando abriu as portas, me sentia quente mas dessa vez por causa de Brian. Deus, ele era tão sexy e tudo mais, seu perfume estava por todo meu corpo, eu juro se ele fizesse aquele tipo de coisa de novo iria atacá-lo e isso não era uma coisa muito boa, minha cabeça ainda pensava em Jimmy. Seria maldade com ele fazer aquilo ou será que não?

- Por que saiu correndo? — perguntou ele assim que colocou os pés naquele apartamento.

- Tenho medo de você — disse tentando não ficar muito perto dele.

- Kaya, não vou te morder... Só se você quiser.

Droga, aquele sorriso malicioso e aquelas palavras me deixavam com mais calor. Deus, estava quente, muito quente.

- Brian, não me provoque — pedi ofegante.

- Ou o quê? — perguntou com um sorrisinho sacana no rosto.- Vem aqui, Kaya. Não tenha medo de mim.

Ele pegou minha mão, e me puxou para mais perto. Seu braço enlaçou minha cintura, eu já tinha esquecido como respirar. Eu nunca achei que Brian iria agir daquele jeito comigo algum dia.

- Porque tem medo? — perguntou, seus lábios traçavam beijos em meu rosto e foi descendo em direção de meu queixo.- Não vou matar você.

- Vai sim — ofeguei, quando ele mordeu de leve meu lábio.

- Vou? — perguntou, ele olhava em meus olhos com sua sobrancelha arqueada. Sua mão subiu e desceu em minhas costas, eu já não sentia minhas pernas.

- Bom, n-não exatamente — gaguejei, não conseguindo pensar em alguma coisa coerente.

- Não acha melhor falar disso depois? — perguntou com seus lábios ainda em minha pele.

- Brian, não posso.

Eu não poderia fazer aquilo com ele, era errado. Aquilo nunca deveria ter acontecido, eu não vou usar ele como um curativo pra esquecer Jimmy.

- Por que? — perguntou me olhando e esquecendo de suas carícias.

- Estou confusa, Brian. Eu não esqueci o Jimmy e não sei o que estou fazendo é certo! Não quero decepcionar você... Não quero te perder — respondi suspirando, não poderia nem pensar o que seria de mim sem ele.

- E você não vai, Kaya. Eu amo você! Eu sei que isso tudo é difícil.

- Sim é, me dá um tempo. Eu preciso pensar. E não fica dizendo que me ama, por favor — falei saindo do círculo de seus braços.

- Porque?

- Não mereço seu amor — disse dando as costas e indo em direção de meu quarto.

Na verdade ele merecia alguém bem melhor que eu e tinha, porque as coisas sempre complica pro meu lado? Eu o desajava, isso era um fato pois ainda dava pra sentir seus toques em minha pele, mas não o usaria. Estava frágil e qualquer tipo de atenção ou carinho iria ser bem vindo, mas não poderia fazer aquilo com ele, Brian era bom demais pra mim. Eu não iria estragar a única coisa boa que ainda estava ao meu lado e se ele mudasse por minha causa? Nunca me perdoaria.

Então resolvi ligar para a única pessoa que entenderia aquele meu estado de confusão.

- Chad? — perguntei assim que ele atendeu.

- Kaya?

- Sim, está ocupado?

- Não, aconteceu alguma coisa?

- Até parece que você lê minha mente — ri sem humor algum.

- O que posso fazer? Sei bem quando você sua, teimosa. Está mal.

- Estou confusa, Chad — suspirei pesadamente, mais que confusa. Estava um caos total dentro de mim.

- Onde você está? — perguntou preocupado.

- No apartamento do Brian e antes de alguma coisa NÃO DIGA NADA A CANDY! — exclamei gritando, eu nem queria imaginar sua reação se ela soubesse daquele tipo de coisa.

- Ok! Vou falar com Candy... Vou tentar sair mais ced...

- Está bem, estou te esperando — disse o cortando e desligando em sua cara.

Sentei em minha cama e olhei para meu quarto desanimada, aquilo tudo estava uma bagunça, mas quem liga? Estava combinando comigo, e tinha uma certa relutância em limpá-lo e se aquele cheiro apimentado que eu tanto gostava sumisse? Eu gostava de me torturar, mas sempre gostei do cheiro dele, era algo tão... Bom e diferente, não poderia me imaginar sem ele já que estava sem o dono do cheiro pelo menos poderia ficar com aquilo, certo?

Pelo menos era que eu pensava.

Sentia uma saudade tão grande de Jimmy que dóia, será que ele estava bem sem mim?

Escutei a campainha tocando estridente, sai de meu quarto correndo e fui atender a porta antes de Brian e sorri ao ver quem era.

- Chad! Que bom que veio — exclamei feliz, ele era o único que poderia me ouvir.

- Não vai me convidar pra entrar? — perguntou arqueando a sobrancelha.

- Sempre inconveniente... Entra — disse girando os olhos, o jeito amável dele era de encantar qualquer um.

- Então?

- É, vamos para meu quarto — não iria falar nada com ele perto de Brian.

- Ok.

Assim que chegamos em meu quarto fechei a porta, e me preparava mentalmente pra falar tudo a Chad, eram tantas coisas! Por onde eu começaria?

Chad se sentou em minha cama e esperou pacientemente, me olhava de um jeito questionador e curioso. Como sempre um chato, mas do melhor jeito possível.

Uma batida rude na porta fez eu acordar.

- Kaya, abra essa porta! — exclamou Brian um pouco alto.

Abri a porta de meu quarto surpresa e vi um Brian vermelho de raiva tentando olhar pra dentro do quarto.

- Aconteceu alguma coisa? — perguntei confusa.

- Aconteceu, o que aquele Chad está fazendo aqui? — perguntou fechando suas mãos em punhos.

- Brian, como já te falei... Olha eu estou confusa e preciso conversar com alguém — expliquei calmamente.

- E por que tem que ser ele? — perguntou outra vez, certamente estava irritado.

- Por que, eu preciso me abrir com alguém que não esteja no meio dessa bagunça toda — disse suspirando.

- Não poderia ser a Candy?

Olhei para seu rosto surpresa, como eu poderia contar aquele tipo de coisa pra Candy? Brian ficou louco mesmo.

- Você é louco, Brian. Como vou falar pra minha melhor amiga que estou traindo ela e... — não consegui terminar aquilo.

- É já entendi, desculpe — murmurou já virando as costas pra mim.

Uma coisa muito sinistra passou pela minha cabeça, será mesmo que Brian estava com ciúmes de mim?

- Espera — disse pegando em seu braço.

- O quê? — perguntou ele.

- Você está com ciúmes? — perguntei e não pude deixar de sorrir com aquilo.

- C-ciúmes? Claro que não! É só que você não avisou que aquele Chad viria aqui — respondeu dando de ombros. E por incrível que pareça não acreditei em sua desculpa.

- Hum... sei — disse rindo.

- Quer saber? — perguntou ele.

- Claro que sim — murmurei olhando seu rosto que ainda estava vermelho de raiva.

- Estou mesmo! — exclamou carrancudo.

- É sério? — perguntei arqueando a sobrancelha.

- Sim e deixa a porta aberta — bufou ele.

- Depois de tudo que te falei, ainda existem dúvidas?

Aquilo estava mesmo acontecendo?

- Sim, deixe a porta aberta — ele tirou minha mão de seu braço e cruzou os mesmos, ele não estava nada confórtavel em ter que admitir aquilo.

- Pode deixar, Senhor Haner — disse ainda rindo e fiz algo que o pegou de surpresa. Me aproximei dele e beijei seu rosto, ele não tinha motivos pra sentir ciúmes de mim.

Voltei para meu quarto rindo e vi um Chad me esperando sem paciência e curioso.

- Chad, desculpa por isso. É só que o Brian, estava sendo o Brian — esclareci me sentando ao seu lado.

- É eu sei. Então vai falar o que se passa nessa sua cabeça? — perguntou ele.

- Sim... Como já havia falado estou confusa. Eu não esqueci o Jimmy, não sei se estou fazendo certo em ficar aqui com Brian, eu sinto que estou traindo a minha melhor amiga! Quer dizer eu estou. Eu sei que ela gosta dele. E... faço isso com ela — disse tudo aquilo em um folêgo só, era tão bom desabafar com alguém.

- Kaya, eu não sei realmente como você está se sentindo. Mas sei que é uma sensação terrível, olha que o Jimmy fez com você, foi algo muito errado! Você não deveria se sentir culpada pela Candy, sei que ela é sua melhor amiga... Mas quem decidi isso não é nenhuma de vocês e sim o Brian, ele não vai ficar com ela pensando em você.

- Eu sei.

Na verdade eu não sabia de nada e nem sabia se Brian pensava desse jeito.

- Então não se sinta culpada — disse Chad de modo gentil, ele me abraçou e beijou minha testa.- Sei que é difícil, mas você vai se arrumar no meio dessa bagunça toda.

- Vou tentar — suspirei, nada daquilo estava sendo fácil.

- E quanto ao Brian, lembra que eu te falei pra não pensar e sim agir? Bom, você tomou a decisão certa, está agindo. Posso imaginar o que o Brian está sendo pra você... Tudo que o Jimmy não foi ele está sendo. E você se sente culpada por amar ele!

- Chad, já te disseram que você seria um ótimo psicólogo? — perguntei sorrindo. Nunca tinha conhecido alguém tão bom pra conselho como ele.

- Sim, mas decidi salvar vidas e não ajudá-las com problemas amorosos — respondeu divertido.

- Porque está me ajudando então? — perguntei rindo.

Ele sorriu mas não me respondeu. Caramba, Chad seria um médico e tanto, ele era tão bonito! Me perguntava como ele não arrumava uma namorada com todo aquele seu jeito meigo e compreensível.

- Você poderia ir trabalhar hoje né? Lá fica um inferno sem você — falou bagunçando meus cabelos.

- Está sentindo minha falta, Charles? — perguntei sarcasticamente.

- Claro, só você que gosta de ser minha escrava. As outras funcionárias não — respondeu no mesmo tom que eu.

- Se fode, Chad — disse batendo em seu ombro.- Mas eu vou com você sim, ok? Me espere na sala, vou tomar banho e vamos pra lá.

(Kaya's POV'S OF)

Tudo que eu mais queria era não estar dentro daquele rolo todo, se eu estava gostando de ver Kaya triste? Nem um pouco, já vi aquela garota chorando e acredite ela ficava idêntica a Chloe e odiava isso, odiava lembrar de minha irmã quando estava perto de Kaya.

Então eu ajudava ela como se fosse mesmo seu irmão, não fazia do tipo que gostava de ajudar as pessoas mas a Kaya era tão...

Soltei um suspiro e fui para a sala, não gostei de ficar ao lado de Brian e no mesmo sofá que ele, ganhava olhares homicidas dele.

- Cerveja? — ofereceu Brian.

- Não — respondi de modo seco, até parece que iria aceitar alguma coisa dele. Sim, aquele olhar dele me assustava.

- Eu não gostei nem um pouco de você com Kaya... sozinhos no quarto — murmurou Brian, bebendo sua cerveja e me encarando com sua sobrancelha arqueada. Acho que ele pensa que me intimida.

- Ciúmes? Sério? Não se preocupe, somos apenas amigos — disse ironicamente.

- Acho bom.

- Você não me respondeu está com ciúmes? — perguntei encarando ele.

- Se fode — disse ele rispidamente.

- Então se você tem tanto ciúmes dela, porque não entra com atitudes de homem? Acho que isso iria fazer passar a confusão dela, sei lá. Só acho — disse dando de ombros.

Ele não me respondeu, olhou de má vontade para a tv e ficou com a cara amarrada e eu nada disse fiquei apenas na minha observando ele. Esse cara gostava dela, ela gostava dele. Se tudo isso era um sentimento mútuo porque os dois não ficavam juntos e ele fazia ela esquecer do Sullivan?

Não consigo entender essas pessoas que só conseguem complicar mais suas vidas.

Ouvi passos no corredor e olhei para trás era Kaya que reclamava de alguma coisa sobre sapatos, ela estava com os cabelos soltos e vi pela primeira vez seus cachos bem formados e bonitos. Seus olhos ganhava todo o destaque pintados e seu corpo também já que vestia cores neutras como jeans negro e camisa com gola "V" branca.

- Você está linda! – disse indo na direção dela.

- É está mesmo — Brian me fuzilava com o olhar e eu apenas ria.

- Parem vocês dois! Então vamos, Chad? — ela me olhou sorrindo, seu rosto estava corado e os olhos brilhando.

Oh, aquilo tudo era por causa de Brian? E aquele tapado não percebia isso.

- Vamos? Vão pra onde?

- Eu trabalho, Senhor ciumento — Kaya riu mas se aproximou dele e aquilo apareceu acalmá-lo.

- Ah.

Eu apenas sacudi minha cabeça em desaprovação e fui em direção da porta, quanta enrolação já estava perdendo a paciência com aqueles dois. Kaya estava ao meu encalço e ficou em silêncio até chegarmos em meu carro.

- Me esperem, vou com vocês — disse Brian de modo ofegante, eu não entendia esse cara.

- Como? — perguntou Kaya surpresa.

- Vou com vocês. E você, Kaya. Vai no banco de trás comigo — ele pegou sua mão de modo possessivo e a obrigou ir no banco de trás com ele.

Eu apenas observei aquilo de modo clínico, passou pela minha cabeça se caso Kaya voltasse com Jimmy o que seria dele.

Kaya só se complica, fico impressionado com sua capacidade pra fazer discórdia entre amigos.

(Chad's POV'S OF)

Olhei pra Brian arqueando a sobrancelha, aquilo era engraçado. Acho que ele não tinha se tocado que ainda só usava a bermuda que ele havia ido na praia, eu apenas ri de sua aparente pressa e ciúmes, não imaginava o quão fofo ficava daquele jeito.

Peguei em sua mão e subi de volta com ele e Chad até seu apartamento, ouvia meu amigo reclamando mas não dei atenção pra ele. Iriamos esperar Brian pacientemente, afinal não tinhamos hora certa pra chegar no ZS mesmo.

- Vá tomar um banho, vou te esperar aqui — disse de modo tranquilo. Seu olhar estava ainda daquele jeito homicida em cima de Chad.- Vá logo, Brian.

- Já estou indo — bufou ele.

Ri de seu comportamento infantil, ele saiu da sala batendo os pés e murmurando coisas que não prestei atenção.

Brian com ciúmes era a coisa mais adorável do mundo.

- Ele parece uma criança, as vezes — murmurei comigo mesma.

- Ciúmes? — perguntou Chad bufando, via que ele estava completamente sem paciência. — O que viu nele?

- É está com ciúmes — respondi me sentando ao seu lado.

- Não sei o que viu nele — repetiu Chad, balançando a cabeça em desaprovação.

Olhei pra Chad arqueando a sobrancelha, tudo bem. Eu nunca tinha me feito aquela pergunta, mas o que vi em Brian?

- Ele pode ser um babaca as vezes porém eu gosto dele... E não me faça falar do quanto que ele é sex...

- Não fala, já entendi — disse me cortando

- Ah sério! Quanto que ele é sexy e babaca, ele tem um sorriso bonito e é muito lindo e... Ah você quer saber tudo que penso dele? — perguntei divertida.

- É não, nem ouvi as que você falou. Assunto encerrado — ele bufou sem um pingo de paciência.

- Mas foi você que começou — respondi dando de ombros.

- Eu sei, mais uma mancada — ele girou os olhos.

Eu ri e pensei mais um pouco naquela pergunta, Brian não era apenas um rostinho bonito às vezes nem lembrava desse minímo detalhe que era sua beleza. Ele me conquistou com outros detalhes, com seu sorriso, com sua aparente preocupação comigo, ele era meu melhor amigo e companheiro e não se importava com meu jeito chato. O que era bom, também gostava de outras coisas minímas.

Era tanta coisa que esquecia, eu nunca pensei que teria um melhor amigo ou uma aparente amizade colorida. Aquilo não tinha nada a ver comigo.

Passei as mãos em meus cabelos afim de parar de pensar naquele tipo de coisa. Desejava tanto que aquela confusão toda passasse, que eu estivesse bem e feliz sem ter ninguém em minha vida. Afinal eu nunca fora assim, nunca dependi de ninguém para ser feliz, só tinha exceção de meus pais. Apenas isso.

Fechei meus olhos e lembrei de como estava à uma semana atrás. Estava feliz e completamente apaixonada e me encantava com pouca coisa um exemplo daquilo eram pares de olhos azuis como o céu. Um azul bonito, celestial, gostava de como eles me prendiam e faziam eu ficar sem ar.

" — Eu te amo, Rose."

Palavras, apenas simples e falsas palavras. Ele não me amava como eu o amava, não era correspondida, como alguém pode brincar assim com meus sentimentos?

Deus, como sentia falta de ouvir sua voz chamando meu nome.

Respirei fundo, na esperança de sentir aquele cheiro apimentado que pinicava em meu nariz. Me lembrar daquilo estava sendo nada bom, acho que estava virando masoquista. Porque de certo modo era bom sentir dor ao lembrar daquilo.

Acordei de meus devaneios quando senti Chad me sacudindo e dizendo pra ir ver se Brian estava pronto. Me levantei de má vontade, ele era pior que uma noiva pra se arrumar, incrível.

Entrei no quarto sem bater e me deparei com um Brian apenas de jeans e com os cabelos molhados, tentei não achar aquilo atrativo.

- Vai demorar muito? — perguntei arqueando a sobrancelha.

- Só preciso achar uma camisa, será rápido — disse não olhando em minha direção e indo até o closet. A boa notícia era que ele já estava de sapatos.

- Kaya, venha aqui — chamou ele.

Bufei e fui até o closet, se ele fizesse o que estava pensando...

- Poderia me ajudar? — perguntou ele.

Coloquei minha mão em meu rosto sem acreditar muito naquilo, era sério mesmo que ele estava pedindo ajuda sobre roupas à mim?

- Quando te chamo de gay você reclama, não é mesmo? — perguntei indignada.

- Vai ajudar ou não? — perguntou impaciente.

- Tudo bem, vou escolher uma camisa bem bonita — disse de modo irônico.

Minhas mãos passavam por cada camisa que tinha ali, de todas as cores e jeitos possíveis. Me perguntei se todas tinha o cheiro de Brian.

- Rápido — apressou ele.

- Se está com tanta pressa, por que não me ajuda? — perguntei me irritando, uma coisa que odiava era ser apressada.

- Tentador — disse sorrindo.

- Hã? — perguntei, piscando confusa.

- Nada. Escolhe logo a porra da camisa — disse de modo ríspido.

- Grosso — murmurei virando as costas pra ele.

Procurei de má vontade uma porcaria de camisa pra aquele ser que estava ali naquele closet sem camisa bem atrás de mim. Senti ele se aproximando e sua mão ir diretamente em minha nuca.

- O que você quer? — perguntei, estava com o coração na garganta. Seus dedos se movimentavam de modo lento em minha nuca.

- Você — disse ao pé de meu ouvido.

Eu suspirei quando seu corpo entrou em contato com o meu, seu braço esquerdo estava em minha cintura e ele acariciava minha pele de modo delicado. Era terno seu toque e causava um turbilhão de sensações, estava incapaz de pensar em alguma coisa naquele momento.

- Brian, pare. Chad está na sala — falei sem um pingo de vontade de sair do círculo de seus braços.

- Ele pode esperar — murmurou baixinho.

- Não, não pode.

Tentei me afastar dele mas Brian era mais rápido a mão que estava em minha nuca também foi para cintura e me apertou ali, fazendo seus braços de gaiola. Inferno, tudo bem, Kaya. Não entre em estado de pânico, ache uma camisa e dê pra ele vestir, pois sentir aquele peito nu em minhas costas não era uma coisa muito boa. Peguei a primeira que vi e me virei em sua direção, tentando não ficar muito próxima de seus lábios.

- Sua camisa.

- Hum, hum não quero — murmurou distraidamente, estava ocupado demais me apertando.

- Brian, temos que ir — disse ofegante. Santo Deus, ele queria me matar.

- Então quer sair? – perguntou enquanto beijava meu pescoço.

- S-sim — gaguejei.

- Sério? — perguntou me apertando mais um pouco.

- Brian! — exclamei, consegui finalmente me livrar de seu aperto.

Ele riu e colocou a camiseta vermelho sangue que havia escolhido.

- Como fiquei? — perguntou, seu sorriso era malicioso. Era como se ele já soubesse minha resposta.

- Bonito, agora vamos? — perguntei girando os olhos.

- Falta meus cabelos.

Olhei pra ele irritada e o puxei pela mão, a única coisa que fiz com seus cabelos foi bagunçar com as minhas mãos e nada mais e o levei pra longe dali.

Depois de ouvir algumas reclamações de Chad fomos finalmente para o ZeroSum, e como Brian havia dito fui no banco de trás com ele e ganhando olhares carregado de malícia de Chad. Se ele não parasse com aquilo iria mostrar meu dedo do meio pra ele, tentei ficar um pouco longe de Brian mas ele não deixava.

Fico me perguntando se ele é chato assim com toda mulher que ele se sente atraído.

Mas seu aparente comportamento grudento mudou quando ele viu Candy, se aquilo havia me irritado? Sim e muito, mas evitei ter um ataque quando vi Candy o abraçando.

Vamos lá, animação. Eles são apenas amigos.

E se for algo mais que isso não é da sua conta.

Rumei para dentro daquela boate irritada e Chad ao meu encalço, até sua presença estava me irritando, então perguntei pra ele o que tinha que fazer. E ele de boa vontade disse que tinhámos um estoque de bebidas para arrumar ainda hoje.

- Faço isso sozinha.

- Não vou deixar você arrumar tudo aquilo sozinha.

- Vai sim, você fica aqui. Arruma essa porra toda, eu já volto — murmurei já saindo daquele bar, eu não ficaria ali pra ver Candy cheia de amores com Brian.

Todos os homens são iguais, incrível.

(Kaya's POV'S OF)

Brian estava tão lindo que havia ficado sem folego, nunca tinha reparado mas ele ficava lindo de vermelho. Como alguém poderia ser assim tão perfeito? Ele não estava prestando atenção em mim, seu olhar estava meio distante e eu olhei na mesma direção. Ele observava Kaya que estava falando alguma coisa com Chad e ao que parecia estava brava, muito brava.

- Brian, aconteceu alguma coisa com Kaya? — perguntei curiosa. Ela estava muito estranha e sabia que não era por causa do seu fim de namoro com Jimmy.

- Não que eu saiba, porque? — perguntou ele olhando em meu rosto.

- Ela nem me disse oi — dei de ombros.

- Hmmm...- murmurou ele voltando sua atenção pra cerveja que tomava.

- E você, está bem? — perguntei, adorava conversar com Brian e era assim que começava nossas conversas e terminava com... Beijos.

- Sim e você?

Achei aquilo estranho pois ele parecia tão desinteressado em conversar comigo, percebi que não era apenas Kaya que estava diferente.

- Estou bem — respondi meia desapontada.

- É... Candy, acho que ouvi Kaya te chamando.

Olhei pra ele surpresa, era aquilo mesmo que estava ouvindo? Brian estava me dispensando? Mas que diabos tinha acontecido com aquele homem?

(Candy's POV'S OF)

Tudo bem, não pense naqueles dois lá sozinhos, pare de ser lunática! Chad está lá com eles! E você não tem absolutamente nada com Brian! Ele pode ficar com quem bem entender!

Inferno, ser ciumenta demais é um inferno.

Estou cheia disso, disso tudo, quero minha vida de volta. Quero meus pais de volta e quero ficar longe desses caras!

Porque nada em minha vida dá certo? Porque? O que eu fiz pra merecer isso? Fui a Maria Madalena na minha vida passada? É isso? Eu desejei Jesus por isso que to fudida nessa vida? Isso é um castigo, não é mesmo? Eu só queria ser normal.

E me apaixonar por caras normais e não ficar toda bagunçada, queria ser uma pessoa normal, será que isso é pedir demais?

Quase peguei aquelas garrafas de vodcas e joguei longe, queria gritar até minha gargante doer, isso não era pra estar acontecendo. Não era pra eu estar me sentindo deslocada, era pra eu estar sentindo medo de estar nesse maldito estoque completamente sozinha mas não sentia. Passou pela minha cabeça se eu poderia ficar ali sozinha e tomar todas aquelas bebidas e morrer de cirrose.

- Rose?

Senti um arrepio em minha espinha quando ouvi aquela voz, veja só eu nem bebi ainda e estou tendo alucinações.

- Só posso ter mesmo jogado pedra na cruz! O que você está fazendo aqui, James?! — exclamei sem me virar, eu não aguentaria olhar em seu rosto.

- Dá pra se acalmar? — perguntou ele. Deus, como sentia falta de ouvir aquela voz.

- Não porra, não dá!

Eu estava tentando fazer aquilo, me acalmar. Mas não porque estava irritada mas sim porque meu coração estava mais acelerado que de costume.

- Olha que eu fiz...

- Ah por favor! Me poupe de suas desculpas ou explicações. Eu não quero saber! — gritei irritada e fiz algo que temia, me virei em direção de sua voz.

E perdi o folego, não era nenhuma alucinação. Jimmy estava mesmo ali, tentei não olhá-lo e ver se estava bem aparentemente. Mas meus olhos não me obedeceram, eles encaram Jimmy avidamente, checou cada parte de seu corpo se parecia o mesmo de sempre, lindo e inabalável.

- Afinal, que porra você venho fazer aqui? Já não basta conviver com isso tudo? Você acha pouco? Quer me torturar mais?

Respirava com dificuldade pois fazer aqueles tipos de perguntas olhando pra ele era realmente difícil.

- Por favor! Dá pra você me escutar?! — exclamou ele irritado.

- Estou ouvindo — disse de modo frio.

- Kaya, você acha que quis fazer isso? — perguntou olhando-me diretamente nos olhos.

- Então porque fez? — rebati, tentando não ser tragada por aquelas íris azuis.

- Deixa eu terminar! Não foi porque eu quis, não sabia o que realmente estava fazendo. Eu fiquei sim com Leana, admito, mas em minha cabeça era apenas você, entende? E foi a pior coisa que fiz em toda minha vida, Kaya. Eu nunca imaginei o quão ficaria mal sem você. Não precisa me perdoar, eu já sei que te perdi mas...

- Mas...? — perguntei o cortando, não suportaria ouvir mais nada daquilo. Eu não iria me iludir.

- Rose, eu te amo.

- Palavras! — gritei em sua cara.- Malditas e falsas palavras! Sai daqui, James. Vai embora me deixa em paz! Me esquece! — gritei outra vez, eu não queria olhar mais sua cara e ouvir suas palavras.

- Eu não vou sair daqui — disse ele de modo firme.

O fuzilei com meu olhar, se ele não saisse eu iria sair. Simples assim.

- Adeus, James Sullivan. Não quero ver mais essa tua cara — disse, passei perto dele e tentei não respirar e não olhar em sua direção.

Ok, talvez passar perto dele não foi uma ideia muito boa. Ele me puxou e me jogou na parede de modo brusco, senti minhas costas colidindo com a parede e não foi uma das melhores coisas que já senti.

- Você vai me escutar, queira ou não — Jimmy me olhava de maneira intensa, senti minha boca ficar seca, eu seria idiota se achasse ele bonito agora? Talvez sim.- Você é minha, me pertence, não importa o que diga o que faça. Não adianta você pedir pra eu te deixar em paz ou querer que eu suma de sua vida. Eu sei que você me pertence e não é apenas seu corpo, seus sentimentos também assim como sua alma. Não queira tentar fugir de mim, Kaya Rose. Porque nós dois sabemos da verdade.

O olhei incapaz de pronunciar alguma coisa, minha mente estava oca. Como ele ousa?! Como pode ser assim tão convencido? E tão... Lindo, olhei seus lábios e passei a língua nos meus próprios, sentia falta daqueles lábios, como eu sentia falta... Não era apenas dos lábios, eu sentia falta dele por inteiro.

- Solta ela!

Fechei meus olhos com força quando ouvi a voz de Brian naquele ambiente, merda, merda, merda, merda. Porque eu sinto que as coisas não vão ficar muito boas agora?

- E o que vai fazer, Synyster Gates?! — perguntou Jimmy, claramente estava irritado.

- Kaya, se afasta — pediu Brian.

Pisquei atônita olhando pra aqueles dois, ambos estavam vermelhos de raiva e com os músculos rígidos, mas não precisei me afastar pois Brian pegou Jimmy pelo colarinho. E jogou ele longe dali e seu punho acertou em cheio seu rosto, soltei um grito surpreso.

Ah meu Deus, porque esses dois idiotas tão fazendo isso?!

Jimmy revidou com um soco no estômago de Brian e não demorou muito para os dois estarem com sangue nas mãos e rosto. Trinquei meus dentes e tomei coragem de entrar no meio daqueles dois e por incrível que pareça nenhum estava em desvantagem.

- PAREM! PAREM AGORA! — gritei desesperada, mas os dois não parecia me ouvir. Meus olhos quase saltaram das órbitas quando vi Jimmy jogando Brian na parede com força.

Quando vi que não teria jeito entrei no meio da briga e quase levei um soco no rosto. Mas agradeci aos céus quando eles perceberam que eu estava no meio deles.

- Parem! Não vão brigar por mim! — exclamei gritando só assim conseguiria chamar a atenção deles.

- Kaya, se afasta eu vou arrancar a cabeça dele! – murmurou Brian e de alguma forma eu sabia que se não estivesse impedindo ele arrancaria mesmo.

Senti náuseas ao imaginar aquilo, isso não pode estar acontecendo.

- Porra! Gates! Vocês são amigos, não precisam fazer isso — minha voz era apenas um fiapo. Sentia minha garganta fechada, iria chorar a qualquer momento.

- Que tipo de amigo trai o outro? – perguntou Jimmy friamente.

- Foi você que me traiu — acusou Brian.

Silêncio.

- Quer saber! Estou cansada disso! — gritei para os dois.

Os dois me encaravam, eu não acreditava ainda que os dois tinha acabado de brigar por minha causa, mas porque diabos fizeram isso?

- Você vai se decidir — murmurou Jimmy.- Ou eu ou ele.

Pisquei não acreditando naquilo, vou desmaiar. Sinto isso.

- SE VOCÊS TÃO ACHANDO QUE VOU ENTRAR NESSE MALDITO JOGUINHO ESTÃO ENGANADOS, VÃO SE FODER E ME DEIXEM EM PAZ E EU JURO QUE SE VOCÊS BRIGAR OUTRA VEZ POR MINHA CAUSA EU VOU SUMIR DA VIDA DOS DOIS! PRA BEM LONGE E ACHO QUE VOCÊS SABEM MUITO BEM QUE TENHO O DOM PRA SUMIR QUANDO QUERO NÃO É MESMO?! — gritei já sentindo as primeiras lágrimas caindo, virei as costas não esperando por respostas de nenhum dos dois.

A única coisa que fiz foi sair daquele maldito estoque de bebidas e ir em direção da boate, não dei satisfações para Chad e muito menos Candy, sai dali com a minha bolsa e peguei o primeiro táxi que avistei.

Não acreditava que estava chorando e que tinha estragado a amizade de dois melhores amigos.

Eu era o pior tipo de pessoa possível.

Não aguentava mais aquela pressão toda pra cima de mim, aquilo era duas vezes pior que passar pela morte de meus pais e ficar abandonada. Eu vi duas pessoas que amo brigando! Minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento, me sentia sem folego e cansada, completamente cansada. Não queria pensar na possibilidade de ter que escolher entre os dois, como eu iria fazer aquele tipo de coisa?! Os dois eram importantes em minha vida, não poderia ficar sem nenhum.

Que ironia, já estava sem um deles.

Quando cheguei no apartamento de Brian que infelizmente era meu também fui para meu quarto e tranquei a maldita porta com a chave. Ficarei ali até que tudo passasse, será que eles estavam muito machucados? Nem havia reparado nisso e se eles brigassem de novo? Acho que eles não seria capaz disso, pelo menos espero.

Respirei fundo e olhei ao redor de meu quarto e meus olhos se repousaram na minha velha mochila que usava antes de ficar com eles. Será que tinha alguma coisa ali ainda? Me levantei e fui até ela, e a peguei, me sentei no chão e abri com uma certa relutância. Meu álbum de fotos estava ali, completamente esquecido por mim o tirei dali e o deixei por perto. Remexi em mais algumas coisas e acabei achando o maldito fundo falso que havia feito nela, aquilo não trazia boas lembranças.

Porque era ali que guardava as porcarias que usava antigamente, não era uma coisa boa de se lembrar, não naquele estado deplorável que me encontrava.

E acabei achando algo nada bom.

Oh inferno, aquilo era brincadeira né? Peguei aquela velha seringa que estava cheia com um líquido claro, bem cheia. Minha mão tremeu quando vi aquilo, como pude me esquecer disso? Será que heroína tinha data de validade? Acho que não porque o líquido ainda estava tão claro....

Joguei aquilo longe, eu não vou usar mais heroína, isso ficou no passado. Eu não iria ter que passar por aquilo novamente e...

Mas quem se importa? Estou precisando, como estou precisando, sentia saudades do orgasmo abdominal que sentia ao usar aquela coisa.

Me levantei e peguei aquilo de novo e encarei aquela seringa, eu usaria apenas hoje só um pouquinho...

Sentei outra vez no chão e encostei minhas costas na parede fria. Estiquei meu braço esquerdo e olhei a veia azul que tinha ali, sentia o sangue correndo com velocidade naquele ponto. Adrenalina tomava conta de meu ser, com uma certa ansiedade espetei minha pele e gemi de dor. E apliquei o líquido aos poucos, eu não iria usar tudo... Mas quando percebi a seringa já estava vazia ao chão, fechei meus olhos esperando o efeito vir. Primeiro senti aquela aparente alegria, depois a depressão e senti náuseas, recebi todas aquelas sensações de braços abertos.

E depois de um tempo ficou muito mais intenso de um jeito que nunca tinha acontecido.

Passou a ficar ruim, não queria mais sentir aquilo.

Meu coração batia muito forte e estava ficando sem ar. Minha cabeça latejava de um jeito horrível, meu peito estava doendo muito e minha visão ficando escura. Ah meu Deus, vou desmaiar.

Não, não, não, não...

Tombei no chão e bati minha cabeça em alguma coisa mas não senti dor, minhas pálpebras estavam pesadas. Sentia minha consciência indo e embora e tudo ficou escuro.



Notas finais
Então é isso, vejo vocês ano que vem :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.