Angel Devil
25 Você pertence à mim.
Notas iniciais
Quando voltamos eu respirava meio aliviada, meio sem graça, meio triste, meio lenta. Preferi ficar longe do álcool por tempo, entretendo nas brincadeiras dos meninos para esfriar a cabeça. Eu corria em volta da piscina ofegante, mas não fui capaz, Matt com seus 1,70 tanto de altura me alcançou facil e me lançou na água com roupa e tudo. Quando voltei para a superficie ouvi todos aplaudindo o único que conseguiu me derrubar. Tentei jogar água nele, que se afastou da beira rindo da minha cara vitorioso.
Todos decidiram brincar da classica guerrinha de braço entre meninas. Eu perdi todas com meus primeiros parceiros, até na oitava rodada Brian sobrou por pura coencidencia (ou não). Ele afundou na piscina e eu subi nos seus ombros sem escolha, ao ver quem era minha adversaria ri com escárnio, comemorando na frente dela antes da hora. Em resposta Vic mostrou suas garras e dentes ''ameaçadores'' para mim que acabou dando certo: eu cai de primeira na água para a sua alegria, porem, não me dei por vencida, temos 3 chances se na segunda ficar empatado.
– Venci! Eu venci! NÓS VENCEMOS! — gritei por fim, levantando os braços enquanto via a ruiva ir para o fundo junto com o garoto que a carregou.
Olhei para Brian embaixo de mim e bati na sua mão, comemorando juntos. Ele riu, fazendo eu engasgar com a minha propria respiração. Sua risada era gostosa de ouvir, e me peguei rindo feito boboca por causa daquele som.
– De repente você ficou tão empolga, não é? — a perdedora provocou e eu fingi não ligar pela pontinha de verdade ainda com a minha pose de vencedora. Não vou dar este gostinho á Vic, muito menos á Brian.
A proxima brincadeira foi Rugby. Como ninguem aqui sabia a maioria das regras e não estão ligando para nada, apenas dividimos o time ( 12 pra lá, 12 pra cá) e começamos a correr atras de uma bola improvisada. Minha barriga doia de tanto ri dos tombos e correr ao mesmo tempo, pedi um minuto para recuperar meu folego, escondendo a bola atras de mim, mas Zacky-mau veio com tudo para cima e caiamos no chão igual fruto maduro. Plaft!
Fiquei por aqui mesmo, atirada na grama, enquanto tentava descobrir como respirar novamente.
– FALTA. FALTA. FALTA! — o menino que dizia ser o juiz assobiou com ajuda dos dedos, vindo checar meu estado. — Ele te machucou? — tocou minha barriga nua, a onde sofri um dos impactos.
– Qual é Zacky, ela é a melhor jogadora do meu time!Não fode! — mais um estranho apareceu do outro lado, brigando com Zacky que escapou com a bola ileso. Eu só sabia achar graça de tudo, olhando para aquelas duas cabeças tampando toda minha visão do céu escuro.
– Ela esta bem, não ver seus idiotas? Saiam! — também surgiu um Brian folgado, empurrando os dois garotos para longe com grosseria.
– É, é, é, eu estou bem — sentei na grama rápido, fugindo do novo aperto na minha barriga por causa da sua presença.
Brian me ajudou a levantar, tocando minhas costas nua sem permissão. Aquela mão, naquela parte do meu corpo, não estava dando certo.
– Tem certeza? Eu posso...
– Tenho! — o cortei e sai na direção que os outros foram, sem agradecer sua ajuda.
Até tentei tratar Brian bem, quando insistia algum contato comigo. Mesmo não merecendo, eu agi como qualquer outra garota aqui: divertindo-me sem dar a louca para cima dele. Mas não tenho capacidade de ficar muito tempo por perto, apenas respondia qualquer bosta sem emoção e fugia. Claro, admito, eu estava gostando pra caralho dele correndo atras de mim. As vezes, Brian se fazia de engraçadinho e me carregava pelo ''campo'' com bola e tudo, dando oles quando Jimmy (ou qualquer outra pessoa) tentava nos barrar. Só que...Eu não sei o que é mais revoltante, gostar das suas brincadeiras ou ele nenhum pouco interessado em me dar uma explicação sobre o que acontecia aqui antes de eu chegar. Era só um Brian confiante, divertido, e foda-se o mundo. Foda-se Melinda.
Na hora de fazer outro time eu lutei contra ''minha vontade de Brian'' e pedi para ser do mesmo que ele, pelos menos ficariamos um pouco afastados. E sabe o que aquele cafajeste fez?! Sabe o que aquele idiota fez?! Passou a correr atras de uma loirinha magricela, que não parava de chamá-lo, cheia de sorrisinhos e mão bobas.
'' Ele só pode esta pedindo para mim arrancar suas bolas...Só pode!'' — pensei ao mesmo tempo surpresa comigo mesma. Eu nunca fui apegada á ninguem, nunca fui possessiva por nada, muito menos paranoica, e de repente aqui estou eu morta de ciumes, decretando que Brian é meu. Meu cafajeste. Meu guitarrista. Meu idiota. Meu. Se não era antes, passou a ser agora.
Determinada seguir a vadia-2 desta noite, esperando uma oportunidade para acabar com a sua existencia. Eu disse que não ia bancar a louca para cima do Brian, só que não tenho sangue de barata para ficar assistindo esta palhaça sem fazer uma estupidez. Vic que me desculpe, infelizmente me importo com aquele idiota mais do que o necessario, e quando eu percebi já tinha puxado a bola da sua mão brutalmente, acabando por arranhar seu braço esquerdo.
– Ai gatora! — resmungou, alisando o grande risco formado por pequenos furinhos-vermelho-vivo.
– Foi mal — eu realmente não queria machucar, mas não me senti mal por isso.
Da outra vez que a bola foi nela para meu azar Brian chegou primeiro. E a putaria recomeçou: Ela soltava uns nhenhenhens, tipo: '' Ai Syn'', " Pára Syn'',''Não Syn'', com aquela voz super fininha e irritante. Eu revirava os olhos, sentindo-me patetica por ela e doida para torce seu pescoçinho magrelo.
– Calma, a garotinha é de vidro — Vic zombou, entendendo finalmente que a segunda vadia tinha passado dos limetes.
– Brian vai ter que juntar os cacos dela então — correspondi voltando para o no meio do ''campo'', na sua cola.
Infelizmente eu não tive outra oportunidade tão cedo, mas teve uma hora que Brian — com seu jeito esfomiado — conseguiu roubá-la e passou pela defesa facilmente. Nós duas começamos a correr na direção do mesmo ponto, ao em vez de tentar rouba a bola dele eu fiz meu papel perante o time: Derrubei o adversario, agarrando sua barriga magra de frente (como aprendi com o Zacky, só que com raiva) e fomos parar no chão com seu corpo amortecendo minha queda. Ouvi-o bater na grama, aquele tipico barulho quando o crânio recebe uma pancada...Será que quebrou? Um sorriso satisfeito espalhou pelos meus lábios, esperando que ela aprenda a lição e fique longe dele e do meu caminho, mas esse sorriso se foi da mesma velocidade que veio quando ergui meus olhos e encontrei a galera paralizada, olhando nós duas com cara de choque.
Levantei do chão naturalmente, sem nenhum dano, tirando os pedaços de grama que grudou em minha pele enquanto a menina começou a rolar pelo chão e gemer alto, com as mãos atras da cabeça.
–...Você é louca? Ai, ai, ai — conseguiu falar entre os gemidos.
– Ah qual é! Eu só tentei ajudar Brian, você ia roubar a bola dele — menti descaradamente, mas é o obvio, ele é do meu time. Ninguem deu ouvidos, de repente em volta de nós, preocupados com a garota dramatica.
– Onde esta doendo? — um idiota qualquer agachou perto dela, tocando sua cabeça — Você esta sangrado — vimos as pontas dos seus dedos manchadas de sangue e meus olhos cresceram diante daquela cena. — É melhor ver este corte perto da luz. Precisamos de gelo e pano — acrescentou para alguém ajudar.
– Nãoooo...Esta doendo...
O menino não deu ouvidos, pegou a magricela no colo e abriu espaço pela pequena multidão que se formou em volta de nós, levando-a na direção da casa. Eu não sabia o que fazer ou falar, foi muito rápido para calcular se tinha alguma coisa embaixo de nós duas, provavelmente sua cabeça bateu em alguma coisa dura na grama, talvez uma pedra escondida, sei lá. Sei lá! Não é culpa minha, não é mesmo. Se não tivesse acontecido este pequeno acidente com certeza ela continuaria arrastando suas assasinhas para cima do meu Brian, como estas filhas da mãe sabem fazer sem pudores. Ela provocou isto!
Depois de mandarem diversos olhares em minha direção o grupo se espalhou pelo quintal aos poucos, criando um clima exagerado, como se a menina tivesse acabado de ser atropelada por um caminhão. Quanta babaquice!
– Por que estão me olhando assim?
– Agora você esta falando comigo, é? — ele provocou de costas para mim, catando sua camiseta do chão. Suspirei impaciente, preferindo ficar de boca fechada a espera de uma resposta. — Ela é irmã do Smith — vestiu a camisa ao responder.
– Estou muito ferrada?
– Não pequena dinossarou, mas por via das duvidas é melhor parar, a menina caiu feio.
– Que exagero! Eu fiz igual o Zacky quando me derrubou ali — gesticulei nervosa para onde caiamos e bufei, seguindo Brian pelo jardim ao perceber que ele tinha começado a andar sem mim. — Não foi nada demais, eu só...- ele se virou pela primeira vez, interrompendo o que eu queria falar com todo seu poder estranho sobre mim.
Eu ainda não estava pronta para ficar frente a frente sem senti aquele familiar nó no estomago e meu corpo paralizar de nervosismo. Desviei dos seus olhos, mas os meus são uns filhos da puta traidores e voltaram olhá-lo como atração de imas. É bom pra cacete olhar aqueles orbitas castanhas.
Seu cabelo estava caido de um jeito desmazelado que senti vontade de tocar — ficar por horas mechendo -, deitar minha cabeça em cima daquela camiseta amarrotada da sua banda preferida e ser abraçada forte. Engoli em seco e ignorei essas sensações, minhas bochechas coroarem, entregando todo o meu problema em relação á ele. Apenas tentei parecer preocupada com a garota, pois na verdade nem mais lembrava do que estamos falando. A vadia-2 foi descartada. Fim.
– O que?! — fingiu espanto — Parecia a colisão de um dinossarou adolescente contra um filhote de veado — e lá estava seu humor estranho. — Onde aprendeu bloquear daquela forma?
– Eu não aprendi. Acho que só levei o jogo á serio demais, é isso — dei uma desculpa qualquer. Eu não ia falar o real sentimento que me fez achar divertido tentar acabar com a existencia dos outros. Não sei o que deu em mim, quero dizer, eu sei o que deu em mim, é que...Não tenho uma explicação aceitavel.
– Cara, vou pensar duas vezes antes de jogar contra você — continuou com sua mudança de humor que acabou afetando a minha: eu sorri, caindo na sua como a presa facil de sempre.
– Não acho que o pequeno dinossarou derruba isto– fingi medir seu tamanho, esticando o braço até o final da sua cabeça, e brinquei com o meu novo apelido.
– ''Isto''?Não, pode me chamar de Veril Dinossarou-macho.
– Rá rá rá rá! Você tem que tomar muita vitamina ainda para ser um '' veril dinossarou-macho'' — fiz apas com os dedos. — De verdade Brian.
– Como é que é?! — a expressão divertida em seu rosto mudou diante do desafio que eu levantei. Ele deu um passo para frente, disposto á mudar minha opinião sobre o quanto pode ser o tal do dinossarou, veril, macho, forte, e varios etcs...Eu sabia disso, só não queria massagear seu ego. — Repete...
– Nada, eu não falei nada — balançei a cabeça freneticamente, dando o braço a torcer.
Uma coisa aprendi sobre Brian: se você der muita corda, ele vai aproveita até chegar na outra ponta. E não é isso que estou procurando, por enquanto não. Eu deveria é esta com muita vontade de castrá-lo, não sorrindo para tudo que diz.
– Vou buscar cerveja, esta afim?
Puta merda! Eu tinha esquecido completamente que estou usando apenas sutiã e shortinho jeans até o momento que seus olhos partiram do meu rosto para o volume em cima do tecido de cetim preto, depois de fazer a pergunta que nem era maliciosa como seus olhos são agora. Eu logo soube o que responder, desajeitada: — Não...Vou procurar minha blusa primeiro.
Brian apenas assentiu e sem olhar mais, me acompanhou até uma parte do quintal. Ele foi para dentro da casa e eu fiquei caminhando em volta da piscina, agora silênciosa. Em algum momento eu tinha tirado minha blusa enquanto brincavamos, só que não achei, em lugar nenhum. Estranho. Eu não posso ficar simplesmente com esta coisa amarela que não merece ser chamada de ''roupa normal'', porque parece mais um cinto jeans do que um simples short. Culpa da piriguete da Vic.
''Alguma garota deve ter confundido, achando que era sua'' — foi a unica conclusão que cheguei, desviando os olhos da piscina e tomando um grande susto ao dar de cara com ele caminhando na minha direção com as mãos nos bolsos.
– O que tanto olha dentro desta piscina?
– Minha blusa, mas esquece, é uma busca inutil. Ela deveria esta boiando por aqui.
– Já olhou ao redor, pode estar entre as coisas de alguém...
– Não sei, eu deixei ela aqui — apontei para água e procurei ao redor como sugeriu. Bom, até tem umas roupas, mochilas, bolsas femininas, violão, centenas de copo descartaveis e garrafas vazias, toco de cigarros, mas nada que chame minha atenção. — Acho melhor nem mecher nas coisas...- parei de falar confusa, porque Nathan tirou sua camisa. — O-que-o que esta fazendo? Nathan, não precisa. Pode fazer frio mais tarde...
– Claro que precisa, desde quando HB faz frio? Não vou me sentir bem vestido e você não. O instindo de cavalheirismo é maior — brincou jogando a camiseta masculina sem me dar chances de recusar.
O contato da minha pele fria com o pano aquecido pelo seu corpo me fez arrepiar e senti mais confortavel. Prendi um pedaço da barrar no pequeno bolso da frente, fazendo o short aparecer um pouco de proposito, porque parecia mais vestido do que uma blusa para mim. Branco com amarelo combinavam.
– Obrigada.
– Não é nada — ao corresponder percebi o quão ele esta bem mais proximo do que antes. — Então...Esta se divertindo?
– Acho que sim, e você?
– Não tanto quanto...- abri a boca para perguntar se ele nos assistia e porque não participou, mas Nathan pareceu ler minha mente: — Vir á trabalho. É em festinhas como esta que consigo fechar com alguns competidores. Não tenho tanto tempo para distrair.
– Hm, isso vai ser quando?
– Bom, os rachas acontecem em dois e dois meses, este que esta pra acontecer é especial, os caras resolveram voltar pra cá mais cedo...Ah, não vou ficar te enchendo o saco com isso.
– Não, não, não esta enchendo o saco, estou curiosa mesmo — falei com sinceridade. Não é a toa quando eu disse que tinha gostado do Nathan, desde seu momento intruso naquele festival, onde nos conhecemos. — Ou você não pode falar?
– Na verdade não — também foi sincero — Temos uma plateia escolhida a dedo, quando menos gente saber é melhor, preferimos tratar só com os competidores e amigos proximos, torna a coisa mais particular, entende?...Mas você é uma amiga afinal.
– Err, poisé — franzi a testa, pega de surpresa pela sua declaração. — São mistos, ou só homens participam?
– Lá fora acontece alguns misto, mas aqui não tem muita procura por mulheres. Tá afim de participar? — quis saber dando uma risadinha. Seus olhos quase se fecham quando ele faz isso, era único e fofo.
– Se eu disser que sim? Estou num momento que imprudência é a melhor palavra no meu vocabulario — não sei se ele tinha entendido, nem era para entender também, eu disse mais para mim mesma.
– Bom saber então, quando for rolar eu te aviso. Mas por enquanto você pode ir assisti se quizer...
– SERIO?! Tipo, que-fo-da. Maneiro. Nunca fui em algo assim! — meu jeito infantil aflorou todo agora, ele riu mais, olhando para mim como se eu fosse a pessoa mais engraçada do mundo. Acho que chegou a hora de me matar nesta piscina...
– Estou falando serio, me passa seu número...Assim poderei te avisar quando for acontecer. A gente pode marcar algum lugar para se encontrar e tal...- ele tirou seu celular do bolso enquanto falava, depois ergueu seus olhos de maneira interrogativa, esperando uma resposta minha.
Eu ia, iiiiia, pára pra pensar, mas não, não ia bancar a bobinha novamente e ser motivo de piada para Vic quando souber. — Claro. Grava aí.
Brian Haner.
– Eu não sabia o que deu naquela garota de nome esquisito até deburrar Jenny no chão, você viu aquilo?!
– Como não vi, se eu estava lá Michelle? — senti vontade de me socar, arrependido por render mais assunto banal. Ela se empolgou enquanto me seguia até a cozinha sem ser chamada.
– É sacanagem, não estou mentindo, aquela esquisita queria machucar Jenny pra valer...@%$%¨&*&@"!$%¨&¨@#$%@&% — e não dei o trabalho de ouvi o resto, por pura falta de interesse mesmo.
Peguei uma latina no freezer e, num gole, tomei metade do conteúdo alcoólico com o zumbido da sua voz ainda me rondando. '' Caralho, sera que tem algum botão de desligar nesta porra?''
–...$%#@!"¨&*%$*@%$%¨&*#@!"*&*%$# você não acha?
– Uhm.
Michelle mudou, pelo menos quando a conheci não era tão insuportavel. Eu gostava do seu jeito determinado, fala o que pensa sem rodeios, e sabe rebolar muito bem. Mas de uns tempo pra cá ela estava nem um pouco se fudendo para minha paciencia; eu não posso ficar um minuto sozinho que surgia do inferno, achando que preciso da sua companhia como premio. Eu não queria ser grosso, mas tem gente que me obriga ser assim, e neste caso Michelle estava precisando dar o fora faz tempo.
– $%¨@#@!"*&¨%$$#@*%$@¨#@...A esquista ia quebrar Jenny no meio.
Aquele comentário me colocou um sorriso no rosto, ao lembrar da nossa curta conversa lá fora e a imagem que veio nitidamente depois...''Aqueles seios caberiam perfeitamente nas minhas mãos... '' — sacudi a cabeça, roubando outra latinha do freeze, e fixei meus pensamentos no presente. Mel não é uma pedaço de carne, eu preciso aprender isso, se não vou colocar tudo a perde novamente.
– Manda uma! — Zacky apareceu na porta, talvez não agüentando de curiosidade se estou comendo Michelle no balcão da cozinha. Atirei uma lata, como pediu. — Jimmy mandou avisar que vai estourar sua cabeça se não mandar Michelle se fuder e procurar Melinda. -ele não se importou com a garota presente, ninguem se importa, apenas me encarou depois de abrir a lata, querendo descobrir o significado daquele ''delicado'' recado.
Quase soltei fogos, achando que Michelle ia se fazer de ofendida, xingar Zacky, alguma assim, e finalmente dar o fora....Ao contrario, ela engoliu a cerveja e soltou uma risada forçada, como se Zacky tivesse zoando. Ele não estava zoando.
– Ah não vem com esses velhos joguinhos para cima de mim! Eu não sou como o novo brinquedinho deste idiota aí — apontou para mim com a lata na mão. — E falando nela...Fala serio Gates, qual é o seu problema? Vai perde tempo com aquela virgem mesmo? Serio?! — ergueu as sobrencelhas enquanto soltava as perguntas debochadas. De repente fiquei até interessado no que tem a dizer, calado. — O que aquela garota sem sal tem? Juro que estou tentando entender, por que você perde seu tempo com esta coisinha mimada? Ela só esta procurando um pouco de diversão á suas custas, para fugir da tão sofrida e tediosa vidinha de gente rica. Olha para aquilo! — fez pouco caso, apontando para onde Melinda supostamente estar. — Por que aquilo, Gates? É tão patetico. Não faz a porra de sentindo nenhum. Muito menos entendo por que aquela dada da Vic se comporta feito a babá particular. Vocês trazem esta riquinha para cá e fingi que ela é uma de nós, só que ela não é, sacou? Quero ver o dia que isso dar merda e os pais dessa garota parar na sua casa. Quero só ver, aquela gente achando que são os donos do mundo procurando seus pais para te acusar de desviar a queridinha filha, ou sei lá o que esse povo maluco tem na cabeça! Ela é uma estupida freira e vocês são uns fodidos. — terminou, se sentindo a dona da verdade.
É disso que estou falando quando declarei que gosto do jeito ''sem rodeios'' da Michelle, ela disse na minha cara o que todo mundo anda fofocando por aí pelas minhas costas. E Zacky confirmou a teoria cravando um novo olhar para cima de mim junto com ela, e se encostou no batente da porta virando sua latinha de vez em quando.
Parando pra pensar, pela visão deles, tudo que Michelle disse é verdade. Eu e Melinda somos como água e oleo, não se misturam. Mas eu juro que tentei, me mantive afastado por algum tempo, por causa desse fato. Eu tentei me afastar, mas...Não sei onde eu perdi minha maldita cabeça quando chamei Melinda para ver nosso show, quando invadir aquela escola, quando deixei ela ganhar aquele jogo de sinuca e larga mão do meu titulo de melhor jogador só para ela se enturma com a galera novamente, quando fui parar naquele condomio que cheira flores de cemiterio atras dela em uma barraca laranja...Se alguém disse-se à 3 meses que eu corria atras assim por alguém explodiria de tanto ri, mesmo que seja pouco eu nunca movi assim por alguém. Só que agora não tem a minima graça. Não tem graça porra nenhuma.
– Vocês tem razão — murmurrei, tentando soar indiferente.
Não vejo problema do Zacky saber a verdade, mas era confuso demais como ela mesmo destacou alguns minutos atras: não faz a porra de sentido nenhum. E eu não sou idiota de tentar explicar o inexplicavel para eles.
Jimmy é o unico que parecia entender, o unico que sabe o que esta rolando entre eu e Mel, por conta das ultimas conversas que tivemos. E para mim isso já é o suficiente, por enquanto é, até eu descobri uma forma de calar a boca desses filhos da puta numa tacada só!
Michelle deu um sorriso largo, feliz com as minhas poucas e frias palavras dando toda a razão à ela. Zacky voltou a beber sua cerveja extremamente calado e mais interessado em alguma coisa no azulejo da cozinha. Passou-se alguns segundos, mas cada palavra que Michelle cuspiu continuou fresca em minha mente. A pior parte disso tudo é que vira diversão para eles. Se eu quero, sei lá...Me relacionar com uma puta de esquina não são eles que vão me dizer o que fazer, mandando essas indiretas e perguntando se vou ''perde meu tempo'', como se eu devesse satisfarção. Eu vou caralho! Se eu quizer eu vou perde! Perco o tempo do mundo, foda-se!
Nunca me importei, é assim e sempre será, mas as ofenças gratuitas que estão dirigindo á Melinda é o que esta me deixando puto. Custou toda minha concentração para não gritar umas verdades, principalmente para Michelle, e socar o primeiro idiota que olhar torto para Mel. Quem eles pensam que são? Eles não conhecem Melinda. Definitivamente eles não a conhecem.
– Ei, ei, hello, Brian?! — me obriguei olhar para a garota agora dois palmos longe de mim estrelando os dedos. — Você não é O Incrivel Huck mas vai quebrar a porta da geladeira...- foi ai que ouvi a grande objeto branco estalando por causa da força que coloquei em minha mão. Desencostei do freeze e o fechei sem cuidado, ignorando as brincadeiras da Michele com a mesma máscara de calma, tedio e foda-se o mundo, que eu sempre uso. Mas por dentro o odio espalhava igual veneno.
– Vocês vão ficar aí? Esta rolando alguma coisa na sala...- Zacky observou.
Uma nova musica tinha começado junto com gritos, assobios e palmas. Só que ele não ia sair até eu der uma resposta ou mandar Michelle se fuder como Jimmy mandou. Ele estava esperando para defender Michelle, se eu tentar algum assassinato talvez, ou sei lá o que este insano faz atras de mim...E na real, acho que até sei, Jimmy deve ter soltado alguma coisa enquanto fofocavam feito velhinhas rabugentas.
Decidi tomar medidas mais simples, meu cérebro aguenta muita merda ainda e não é alguém qualquer que vai me tirar do serio desse jeito — estou falando da Michelle. Então fomos para sala, onde quatro garotas bebadas dançavam sobre a mesa central da mãe do Smith e ao redor o pessoal insentivava o pequeno show com o barulho que ouvimos da cozinha. A unica certeza que podia acontecer daqui pra frente é um monte de gente chapada e os vizinhos chamarem a policia. Apenas.
Eu enconstei na bancada da escada que leva para o segundo andar, com Zacky sentado no primeiro degrau dividindo um ultimo cigarro comigo, e Michelle em pé do outro lado fingindo que não tinha mais nada para fazer a não ser ficar na minha cola. Meus olhos constantimente buscavam ela pela sala, uma busca em vão, até o momento que levantei a latinha de cerveja junto com o rosto para mais um gole e vejo um par de longas pernas chegando na sala pelos fundos. A iluminação não era favoravel, mas eu pode reconhecer a dona daquelas pernas torneadas antes mesmo de olhar seu rosto um pouco tampado pelos longos fios loiros, formando ondas e fudidamente brilhantes, que prendiam minha atenção mais do que deveria.
Melinda tinha uma expressão sorridente no rosto, eu entendi o que podia ser aquele sorriso quando Nathan veio logo atrás, seguindo não só com passos mais com os olhos, descaradamente. Mas eu, na real, não liguei muito para o perdedor, só queria que tudo desaparecesse e fossemos só nós dois, novamente. Sem esses fodidos fofoqueiros e flertes descarados. Eu só sei que era uma vontade louca de isolar Melinda do mundo, desses mal-comidos que não veem a hora de foder com a sua vida. Queria Melinda só para mim, sem ligar para regras da quimica (água e oleio) ou o que as pessoas vão pensar do meu jeito psicopata.
'' Caralho, você é tão facil...''- me acusei sem tirar os olhos dela e também pensando em alguma ideia para aproximar e tirar Keller da reta.
Algo em minha mente queria manter minhas sessões de sentimentos por Melinda guardado, mas eu não podia ficar sem agir, da ultima fez que isso aconteceu ela se afastou totalmente. Eu não quero que esta droga aconteça, não pode, nunca mais. Eu precisava, efetivamente, mostrar para todo esses idiotas que ela é minha garota. Minha Mel. Minha princesa. Daquele jeito possessivo, romântico e psicótico fodido. Para eles verem que eu estou falando serio.
Talvez eu deve-se sentir até vergonha de sentir isso e não me permiti ver Melinda desta maneira doida, ela merecia mais do que um doente, mas meu jeito egoista dizia ao contrario. Eu posso ser o bastante para ela. Então, sem hesitar entreguei minha lata de cerveja para Michelle que me olhou sem entender, e comecei a caminhar na direção da unica pessoa que eu poderia ''perde meu tempo'' com prazer, pela primeira vezes tendo noção da porra que estou fazendo.
Nossos olhos se encontraram enfim e ela paralaziou, fechando seu sorriso e abrindo um pouco as palperas surpresa com a minha presença, talvez até vendo nos meus olhos o que eu quero. Gostei disso, tomei Melinda de Keller antes mesmo de falar alguma coisa, sua atenção ficou toda voltada para mim sem piscar os olhos e com a boca entreaberta, indicando que ela esta me esperando quieta, sem correr ou me barrar.
Com as duas mãos alcancei as de Melinda e subir pelo seus braços lentamente. Tudo sem deixar seus lindos olhos. Quando seu corpo já estava próximo suficiente do meu, inclinei minha cabeça e a beijei sem mais demora, sentindo de algum jeito que foi a melhor coisa que fiz esta noite.
Notas finais
Não sou tão má assim, hein? haha E o que acharam? Eu usei Michelle para mostrar a visão de todo mundo em relação a Melinda se juntar ao lado negro de HB. Ninguem esta tão empolgado com Brian e sua nova ''escolha''. E acho que agora dar para explicar mais ou menos porque a fic chama Angel Devil.
Na tradução pode ser Anjo Malvado, mas na verdade é para representa as duas faces que Melinda tem; o anjinho( Angel), que é a Melinda Perfeita Velentin, e o lado malvado (Devil), que é a Mel quando esta com a Vic.
Essa ''Mel'' pode machucar os outros, passar por cima de qualquer coisa para ver a outro cair, como vocês viram ela apelando para cima da Jenny sem se importa.
Agora que vocês sabem da verdade podem falar: ''nossa essa escritora viaja demais'' hahaha
até o proximo cap gente ♥
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