Angel Devil

3 Synyster Fucking Gates vai longe.


Notas iniciais
Boa leitura!

Minha mãe me encurralou no hall sem dar chances de fugi. Seus olhos me fuzilaram de cima a baixo, parando dramaticamente num ponto a abaixo dos meus ombros. Deixei de respirar, entendendo o que aquele olhar curioso significava. O moletom do Brian! Esqueci completamente dele.

– O que você esta vestida?

Molhei meus lábios secos e encostei a porta atrás de mim devagar, tentando ganhar tempo. Enfiei as mãos nos bolsos do moletom meio surpresa com a neutralidade no meu modo de agir mesmo a tensão corroendo meu estômago. Eu só não sabia explicar se era por causa de Francisca ou do onde acabei de chegar. Mas minha mente se manteve fria, porque neste momento nada importa mais do que um banho quente e minha cama.

– Fui no bazar da Igreja checar algumas coisas que lrmbrei e peguei este moletom porque...O tempo mudou de repente...- minha voz falhou incerta se estou fazendo a coisa certa diante daqueles olhos observadores.

– Eu não disse, meu bem? Ela demorou porque a tempestade a impediu de chegar cedo — John surgiu da sala de visitas, segurando seu livro favorito e o óculos de grau.

Sorri aproveitando para dar ênfase na minha mentira deslavada. Se minha mãe pensasse pelo menos um pouquinho...O bazar esta em reforma faz tempo, não há nada lá.

– Eu vou subir — avisei girando meus calcanhares na direção da escada.

– Desça assim que acabar. Teremos visita — mas estaquei no primeiro degrau.

– Visita? — murmurei em vez de gritar: ‘’Essa hora?!’’

– Convidei a família Amorim para tomar um vinho conosco. Estão atrasados, mas confirmaram presença. Vista seu conjunto preto e branco. Quero te ver aqui embaixo em meia hora.

Quase cair de joelhos implorando para ficar trancada no meu quarto, só hoje. Faço qualquer coisa por isso, mas seu silencio foi a ‘’palavra final‘'. Nem meu pai me defendeu nessa. Então coube a mim obedecer, sem dar um piu.

Me arrastei até o andar de cima. E abri a porta do meu quarto dando de cara com coisas que eu nunca quis, mas tudo aqui foi decorado por Francisca, porque tudo aqui é comandado por Francisca. Eu só gostava da coleção de Bonecas de porcelana que ganhei quando fiz 5 anos. Para mim é herança mais valiosa que meus avos deixaram, mais do que suas jóias cobiçadas pelos seus filhos. Eles só faltaram declarar guerra um pro outro...Na verdade chegeram a brigar sim, mas dentro da justiças, contratando os melhores advogados para se sairem bem. Depois disso os três irmãos da minha mãe sumiram, a unica noticia que tenho é que ainda moram na França, no antigo casarão onde ela foi criada.

Meu banho foi um refugio preciso, distrair com água quente correr pelo meu corpo até as pontas dos meus dedos enrugarem e o vapor tomar conta de tudo, virando uma sauna improvisada. Fora do box enrolei-me na toalha feupuda e catei as roupas sujas do chão. Uma delas era o moletom masculino que não me deixava esquecer o ‘’passeio interessante’’, como Jimmy disse. Sorri, também lembrando do garoto insano.

‘’A essa hora mal lembram de você!’’ — mas o sorriso sonhador não durou muito tempo. Suspirei pesadamente enquanto a cruel realidade me perturbava. Mas não tenho tempo para lamentações agora, caminhei até o closet, entre as roupas de freiras penduradas peguei o tal conjunto — saia preta, blusa social branca com mangas e botões, e cardigã — que Francisca mandou.

Calcei sapados fechados e fui até o espelho pentear meu cabelo. Eu parecia uma colegial de época com esta coisa, só falta os livros velhos para minha fantasia ficar completa! Qual é o problema de Francisca em comprar roupas novas? Se as pessoas soubessem que riscos são pão-duros e não aproveitam tudo que o dinheiro ofereçe, ninguem ia querer ser, garanto, e eu sou um pouquinho exagerada sim.

Joguei meus fios loiros para trás com a escova, que voltaram teimosos para frente, formando uma cortina em volta do meu rosto pálido enquanto suspiros aborrecidos insistiam sair da minha boca. Belisquei minhas bochechas tentando ganhar cor, porque não vou passar maquiagem para ficar sentada esfregando na cara dos outros o quanto sou boa. Por mim desceria de pijama.

Pronta, sentei na minha cama adiando minha tortura um pouco mais. Olhei aquele pedaço de pano do meu lado e não pode deixar de tocar. ''Será minha tortura se não me livrar dele.'' — conclui erguendo o moletom em frente meu rosto. — ''Mas não dá. É a prova da minha liberdade bizarra, especialmente uma prova dele. ''

Ouvi de repente duas batidas na porta, enfiei o moletom debaixo dos travesseiros num piscar de olhos, gritando em seguida: — Entre!

John sorriu ao me encontrar. Meus olhos verdes são igualzinhos os que encarei, o formato da boca, a testa, o tom do cabelo...Enfim, sou uma copia feminina de John Valentin.

– Você esta bonita — me elogiou como sempre faz. O correspondi num meio sorriso. — Eles já estão lá embaixo.

– Posso descer daqui a pouco...

– Ou você prefere que sua mãe venha lhe chamar? — seu argumento foi o suficiente para eu pular da cama.

Meu pai foi na frente, me dando mais um tempinho para respirar e ficar longe disso, mas não demorou muito. Do alto da escada eu já podia ouvir as vozes e música barroca, me desanimando a cada degrau. Porem, não fui na direção das vozes, dei meia volta, chegando na grande cozinha planejada esclusivamente para Francisca. Fui recebida pelo cheiro delicioso dos petiscos da Betânia, mas ela não trabalha aos domingos e nem a essa hora...O que me faz pensar que foi obrigada fazer hora extra e deixar seu neto sozinho em casa. Minha mãe é um problema! Pra não dizer outra coisa.

Catei um copo no armário e no filtro da geladeira o enchi de água gelada, começando beber sem parar, tentando acalmar meus nervos. Mas o último gole desceu de mal jeito, eu engasguei feio por causa do vulto que passou pela porta de repente, me assustando. Torci violentamente. E ele bateu nas minhas costas com delicadeza, analisando-me preocupado e intrometido.

– O que você faz aqui?!

– Sua mãe pediu para te acompanhar...

– Ah você também é um faz-tudo dela?

Diego, o filho mais velho de Laura, sem entender continuou tocar minhas costa, massageando. Desviei da sua mão, indo para o outro lado da mesa, esperando que ele perceba minha vontade de ficar sozinha.

– Eu assustei você, desculpe.

– Não foi nada.

Já bastou ficar posando com ele no almoço, mesmo não entendendo o porque fui obrigada fazer isto. Nem somos parentes.

– Sua casa é bastante bonita...

– Minha mãe agradece.

– Será que um ’’Oi, tudo bem?’’ funciona?

– Hein? — virei de frente para ele sem entender o que quis dizer.

Diego sorriu, mostrando gostar da atenção que finalmente recebeu. Suspirei impaciente, ainda esperando que entenda que eu sou alguém intocavel.

Não é novidade conquistar as pessoas quando faço meu teatro bem feito. Mas essas pessoas acabam passando dos limites, achando que somos alguma coisa agora, digo amigos, e me obriga ser curta e realista. Com Diego não seria diferente, só que as conseqüências desta vez são bem piores. O rapaz parecia não cansar das minhas indiretas, e sendo filho da bendita mulher que deixou minha mãe euforica, piora ainda mais as coisas.

‘’Melinda e Diego... O mais novo casal realeza’’ — essa é uma das babaquices que estão dizendo por ai. Não me perguntem porque, na verdade nem me preocupo com isso, pois o que eu penso a respeito é o que realmente importa para mim. Ou seja, estou longe de fazer parte dessa ''realeza''.

– Talvez eu tenha deixando uma má impressão. Podemos começar de novo...

– Não se preocupe Diego – minha voz saiu sem emoção, mas ainda tentei soar calma. — Esta tudo bem.

– Bom, então...Como eu ia dizendo, sua casa é bastante bonita, e gostei daquela quadra lá fora...Topa ir comigo? Eles estão me dando sono — gesticulou para o pessoal à três cômodos da cozinha.

Eu ergui as sobrancelhas, sarcastica ao ouvir aquelas palavras diretas de um garoto tão almofadinha feito ele.

E não é que Diego conseguiu tirar um sorriso meu? Não era de felicidade ou algo assim, mas eu gostei do pouco que mostrou agora. – Minha mãe não vai gostar de saber que vou ficar lá sozinha com você. Quem sabe uma outra hora, quando ninguem tiver por perto? – surgeri, deixando o pedido em aberto para ver sua reação. Diego não se intimidou, para minha surpresa deu foi alguns passos até mim, sem quebrar o contato visual. Então resolvi ser idiota, para ele não achar que cedi facil assim. — Não é o que uma garota feito eu faria...É desrespeitoso. Não conhece as regras?

Acho que dessa vez deu certo. E eu não parei pra garantir: — Apesar de ser uma proposta indecente, não se preocupe, não vou contar para ninguem onde você queria me levar...Um lugar escuro, sem ninguém...

– Escuro?

Confirmei lentamente com a cabeça a mentira.

– Ainda mais trás da quadra. Coisas já aconteceram ali.

– Coisas?

Não respodi, mordi meu lábio e com um sorriso zombeiro sair da cozinha, deixando minha brincadeira idiota pairando no ar pra ele tirar suas proprias conclusões, eu não ligo. Diego veio atrás, mas felizmente não insistiu. Talvez eu tenha conseguido e agora ele me acha uma pirada. Melhor assim.


Brian Haner.


Eu estou sendo movido por forças estranhas desde ontem. É a única explicação para meu comportamento imbecil. Eu não sou de ajudar meninas em apuros, preocupar com elas, e muito menos tratá-las de forma educada ao ponto de perguntar porque não quer ser minha amiga. Desde quando eu quis ser amigo assim de alguém? Que porra mais anormal eu me tornei ontem?

Coçei meus olhos cansado de ficar me fudendo com isso desde que coloquei minha cabeça no travisseiro, e perto do horário do almoço levantei da cama, ainda morto de sono. Bebederia se torna uma merda no dia seguinte, mas ao invés do meu estômago roncar como de costume, era minha garganta o problema, estava feito deserto do Saara. E tudo que necessito agora é de uma garrafa de água, ou algo milagroso que faça minha garganta parar de doer irritantemente.

Engoli em seco, sentindo uma puta arrependimento depois, enquanto eu cambaliava para dentro do banheiro escuro. Após desisti te tentar me acordar com água fria da pia, desci até a cozinha e puxei a primeira coisa que vi pela frente, dando um grande gole no café que encontrei no balcão, mas cuspir na mesma hora, sentindo um gosto horrível. Nada haver com o cappuccino que minha madrasta compra toda amanhã.

‘’Isso só pode ser veneno!‘’ – pensei feito um mariquinha reclamão por causa da porra de um café. Depois disso não consegui colocar mais nada na boca, meu estômago embrulhou só de pensar, e já posso imaginar o mariquinha correndo até o banheiro mais proximo pra vomitar até as tripas se engolir mais alguma coisa hoje.

De volta ao meu quarto, catei do chão meu celular barulhento,que no visor estava Zacky e outra bobagem (Seu amor). A criança tinha mexido no meu celular.

– Fala Zacky...Meu amor – ouvi sua risada do outro lado da linha. — Quantas vezes tenho que repitir que não quero nada contigo?

– Como se eu quisesse algo com você também, seu gay! Só liguei para avisar que estamos no Johnny’s Bar. Jimmy esta soltando umas merdas e quer você aqui para confirmar isso.

– Merdas?

– Sei lá! Ele disse que vocês conheceram uma loira e não para de falar nisso.

– Por que vocês ainda levam o insano do Jimmy a serio?

– Só esteja aqui — e desligou, não dando tempo para eu ouvir o que gritaram no fundo, tinha meu nome no meio.

É comum encontramos no Johnny's Bar, considerando que quase moramos lá, literalmente. É um lugar fudido, com má fama por causa de brigas, mortes, prostitutas, pinguços, homens casados procurando diversão fora de casa. Enfim, este sempre foi o nosso lugar.

Vesti minha unica camiseta limpa e peguei as chaves do meu carro no criado, meu baby, que ganhei quando finalmente completei 16 anos, porque sou um filho de dar orgulho e merecia um presente como este...Claro que não, eles me deram com condições que prometi e até hoje não cumpri. Não me pergunte como, talvez eles confiam no bastardo aqui apesar de tudo.

Enquanto eu dirigia pelas ruas de HB, pensei no motivo de Zacky me ligar. A loira que Jimmy deve ter abrido o bocão só pode ser uma. Melinda. Por incrivel que pareça também não me esqueci dela, e hoje foi o motivo de eu ter levantado reclamando daquele jeito insuportavel. Posso até considerar, ela é linda pra caralho, uma das poucas que consigo dizer isso, e tem um jeitinho muito, muito esquisito. Mas nem esse jeitinho é ruim, ela é só...Diferente, de qualquer garota da região pra falar a verdade. Sem aquela pele cor de cenoura de tanto tomar sol, como conversa, quieta, delicada, e até inocente...Que fodidamente não consegui parar de prestar atenção ontem.

Encontrá-la naquele estado, sozinha enquanto o céu desabava, me deixou surpreso e inquieto, e quando percebi já estava planejando jogá-la dentro do carro se negasse mais uma vez minha carona. Era para o seu proprio bem porra, eu não ia deixá-la, tinha ficado realmente preocupado e pensando o que a levou cometer quase um suicido perambulando sozinha ali, ainda mais quem ela é, vale uma fortuna para qualquer sequestrador.

Meu carro nunca cheirou tão bem depois disso. O cheiro de maça-verde ainda ficou depois de deixá-la naquela casa ridiculamente grande. Por mais que soei gay, senti vontade de comer maçã, daquelas verdes bem docinhas, que faz o desejo grudar na sua mente até consegui ter uma. E eu dormi assim, com a maldita vontade e acordei com a madilta vontado, mas consequentimente as suas palavras viam em minha mente, contradizendo que eu não posso comer maçã.

‘’Não podemos ser amigos.’’

Uma grande merda que precisa ser resolvida, pois não é ela quem decide o que devo ou não fazer, caralho. Se a convidei no minimo eu tinha que receber um ''vou pensar no seu caso''. Ela não devia ter feito isso, logo com alguém que tem amor por um desafio e uma mente brilhante o bastante para planejar algo fácil para se dar bem. Como Jimmy diz: ‘’É daquelas paradas onde Synyster Fucking Gates vai longe!’’, e eu preciso do meu amigo para me ajudar nessa.

A placa Johnny’s Booze&Pool logo a frente me fez diminuir a velocidade. Estacionei de qualquer jeito no passeio atrás do proprio paraíso do neon vermelho. O dono do bar é o pai de um amigo nosso, então mesmo com a pouca idade somos convidados e tratados com muita cortesia, mas não quer dizer que tudo é um clima de camaradagem. Jimmy já levou uma garrafada na cabeça, Zacky já roubou dinheiro do caixa e pagou uma prostituta para Johnny comer em cima da mesa de Sinuca, Matt já bateu em um rapaz até deixá-lo inconsciente e nem lembrar o motivo, e eu...Bem, ajudei em tudo citado acima e mais um pouco. Alem de comprar briga, é o que sei fazer de melhor. Aliais, também sou o rei da Sinuca, nunca perdi uma partida se quer à anos.

– Não esta muito cedo para beber? – perguntei anunciano minha chegada.

Vi as caras de sempre, tirando a nova distração do Matt, Valary. E sua irmã Michelle. Reconheci a irmã putinha de cara, mesmo não sendo do meu feito, mas ultimamente Michelle esta esbarrando muito no meu caminho, e acabamos nos envolvendo mais do que uma noite.

– Você dizendo isso? Quer dizer Gates, que esta na hora de beber mesmo — Justin ofereceu uma garrafa transbordando, mas eu recusei.

– Tenho outra coisa em mente — esclarecei procurando Jimmy entre eles. — Cadê Jimmy?

Ninguém soube o que responder, eu desisti de esperar mergulhando naquele cubículo lotado já cedo, passando por Matt ''ocupado'', Johnny jogando sinuca e provavelmente Zacky estava com Jimmy.

– É bom ver você novamente — mas uma mão surgiu do nada, escorregando pelo meu ombro, e me parou no meio do corredor estreito enquanto dizia baixinho. A mão feminina passou do meu peito para o ombro repetidas vezes enquanto seus lábios foram parar no meu pescoço...Ah, não dá para recusar.

– Me faça sentir o mesmo — desafiei, brincando, e ganhei uma risadinha em resposta.

Seus lábios pressionaram contra os meus sem perde tempo, mas eu tomei a posição dominante segurando-a pela cintura e empurrei seu corpo contra a parede, movendo nossos lábios num beijo desafiador e cheio de pedidos silênciosos. Sexo facil.

Sua língua me lambeu de forma apeladora, nos levando para um outro nível — o mais baixo -, mostrando para mim que a conseguiria mais uma vez.

Em resposta explorei o seu corpo sem pedi permissão, levantando sua coxa para dar passagem á minha mão para dentro do seu vestido apertado...

– Cruzes! Isso Zacky, é pior do que aquele filme do Exorcista — tinha que ser James empata foda!

– Você nunca assistiu este filme Jimmy.

– Não precisa assistir pra saber que é do diabo!

Quase os mandei calar a boca, mas não tive escolha, desgrudei de Michelle lembrando que vir aqui com outro proposito, e não é dar uns pegas em figurinha repetida.

– Cabeça de rato, preciso falar com você.

– Mas já? Michelle olha só, ele quer falar comigo ao em vez de ficar com você — Jimmy veio sorrindo na nossa direção enquanto Zacky logo atrás prendia o riso.

A garota fez careta e murmurou algo que não ouvi, tocando meu braço, mas balancei a cabeça afirmando. Então ela finalmente afastou de nós.

– ANTES — o doido levantou as mãos como se fosse dizer alguma porra importante. — Diga para ele que não estou louco e a loira que parece anjo existe — e mandou tão serio que comecei a rir, deixando claro que o tal anjo não existe.

– Você sonhou...

– Não foi sonho caralho! Apesar que a garota parecia ser um. Mas ela existe, não é Brain? Posso ter bebido muito mas ela existe. A gente deu umas voltas...Não lembro o que fizemos, mas Brian sabe — insistiu totalmente convicto no que falava.

– Você bebeu muito cara — concordei nesta parte. Não vou perder a oportunidade de tirar uma com a cara dele, era divertido.

– Beleza, vou dizer aos outros que você anda sonhando com anjo...Que fofo Jimmy! — Zacky zombou mais um pouco, fazendo Jimmy fechar a cara pra nós.

– Eu não sonhei seus cheio de merda. É verdade. Ela tem olhos verdes...Fala Syn!Diz como ela era...A menina que conhecemos ontem...

– Se foi você que sonhou eu lá vou saber como ela é? — apenas Jimmy percebeu minha cara deslavada e cruzou os braços irritado.

– O que você quer comigo então?

Foi a hora de Zacky despedir, mas sem antes tirar mais uma com a cara do Jimmy, que fingiu achar graça voltando me encarar serio. — Nos dois sabemos que é verdade.

– Isso não importa agora — retruquei — Vamos ao Ocean, no caminho eu te explico.

Como amigo nunca deixa o outro na mão — mesmo irritado, querendo socar a cara dele até dizer a verdade, Jimmy veio comigo.

A essa hora os alunos na Ocean devem estar dentro das salas de aula, o resto dos funcionários ocupados com os últimos afazeres antes do intervalo começar, e é nesse período que meu plano funcionaria.

– Vamos na recepção dizer que somos ex-alunos e viemos visitar, especialmente os professores. Com certeza a secretaria vai pedir para esperamos o intervalo começar, então vamos sentar no sofá, perto da porta que dá acesso as salas dos funcionários — eu repassava o plano, torcendo para Jimmy entender de segunda, porque eu odeiava suas perguntas. — A hora que ela tiver distraída eu entro e você fica para dar alguma desculpa qualquer se ela perceber minha ausência...

– Tá, e o que você quer fazer naquele lugar? — é isso ai que odeio. Dar explicação. — Podemos ser presos por invasão — mas eu pouco me preocupei em respondê-lo, peguei um chiclete na repartição do painel do meu carro e levei á boca. Jimmy olhou para aquilo franzindo a testa o máximo que conseguiu, como se estivesse nascendo outra cabeça ao lado da minha.

– Tem câmeras lá idiota. Vou colocar o chiclete na lente antes que ela perceba minha presença. ''Brian, você é muito inteligente!'' — elogiei eu mesmo.

Jimmy forçou uma risada — E não esqueça do convencido — e retrucou.


Dez minutos depois já dentro do colegio, Jimmy resmungava no me ouvido da falta de adrenalina, perguntando toda hora se vieramos aqui só pra relembrar os velhos tempos mesmo. Eu fingia que não escutava, esperando a oportunidade certa.

– Vá e não me faça arrepender de estar aqui — ele sussurrou quando a moça deu as costas para nós.

De fininho puxei a porta entreaberta e sumi de vista, dando de cara com um corredor cheio de portas. Conheço pouco esta parte, só estive aqui quando fui expulso da sala. Acontecia varias vezes por dia, mas quase sempre eu não era pego pelo diretora, então não faço a mínima idéia a onde fica as fichas pessoais dos alunos.

Analisei porta por porta, e na quinta algo chamou minha atenção: Relações pessoais. Era o que estava escrito na plaquinha de ferro. Mas antes de entrar vefiriquei se havia alguém por perto e então fui; dentro da sala só havia armários e uma mesa no centro de quatro cadeiras.

No alto da minha cabeça encontrei a tal câmera e sem perder tempo grudei o chiclete mascado na lente. Para facilitar ainda mais minha missão, as gavetas tinha as letras em ordem crescente do alfabeto, eu sorri ao encontrar a letra M facilmente. Mas minha felicidade não durou por muito tempo, eram muitos papeis dentro de envelopes grossos e alinhados. E os nomes com M eram bastantes, só fui achar a ficha com o nome Melinda Willians Valentin um bom tempo depois.

Folheei os papeis grampeados até encontrar um deles com os dados pessoais dela e o suposto numero do celular. Gravei no meu de qualquer jeito e voltei guardar com cuidado a bagunça que fiz, ouvindo de repente a câmera produzir um barulhinho robótico, apressando a minha fuga. Ao sair da sala caminhei cuidadosamente em outra direção, chegando no pátio central do colégio facilmente. Dei um toque combinado para Jimmy e fomos nos encontrar no carro.

– E ai, deu certo? — ele gritou empolgado quando chegou.

– Do caralho! — comemorei sacudindo o celular na mão como o troféu. – Jimmy, acho que foi a maior estupidez que já fiz em todos estes anos que estives matriculado neste lugar.

– Depende do que você fez — ele ainda não sabia. — O que você fez?

– O que ainda vou fazer é a pergunta certa. Entra no carro! Te conto pelo caminho...

Notas finais
reviews? reviews? Prometo mais hein! :)♥