Notas iniciais
Er... voltei.
Sim, eu sei que querem me matar, mas perdoem vai: passei uma semana correndo atrás das coisas pra voltar as aulas (tive de comprar umas canetas de 20 conto cada, tô oficialmente pobre) e as aulas já caíram matando (passei o último fds procurando imagens de nu artístico, imaginem o drama que foi? Traumatizei legal com algumas coisas que vi...)
E, pra piorar, todo mundo já notou que a fic entrou num ponto meio crítico né? Então tenho que escrever direitinho e com cuidado, porque serão muitas revelações.
Acho inclusive que fiquei devendo a vocês - talvez tenha comentado com alguém por review - mas o papel de cada membro do Host Clube já estava definido desde o início da fic e nesse vocês saberão um! Já adianto que já chegaram a chutar essa pessoa como provável compatível também!
Enfim, sem mais enrolação, boa leitura!!

Para aproveitar a praia antes do Sol excruciante da hora do almoço, todos ali acordaram cedo – o exorcista, acostumado a esta rotina por motivos bem menos prazerosos, estava muito bem disposto pela manhã.

Apesar de tudo.

-AAAAAAllen, pode me passar o açúcar? – disfarçando a irritação, ele passou a açucareiro adiante.

-É tão legal que o Chika-chan tenha uma amiga que conhece o Al-chan há bastante tempo! – comentou Hani-sempai alegremente.

-Tsc. – murmurou seu irmão mais novo, como sempre se segurando pra não ataca-lo.

-Há muitos anos, não é Allen?

-Hn.

-Ele sempre foi tão... ? – perguntou Hikaru, claramente querendo sacanear o outro.

-Com o passar do tempo, ele está cada vez mais sombrio – refletiu ela – antes era mais doce.

-Mais doce? – perguntaram os gêmeos incrédulos, mas logo Tamaki roubou a cena.

-Ah, isto é terrível!! Sua doçura e graciosidade está se esvaindo junto aos seus anos infantos, restando apenas a fria cordialidade de um cavalheiro inglês! Não perca sua meiguice Allen, por mais cínica que ela seja! – o loiro agarrou o rosto dele de modo dramática, despejando lágrimas sem sentindo e com uma melodia triste ao fundo, vinda do rádio que os gêmeos ligaram de propósito pra cena ter mais efeito.

-Posso por favor apenas tomar café? – retrucou ele em resposta.

-Ah não! A frieza! Veja mamãe, estamos perdendo o nosso menino! – o loiro se jogou no ombro de Kyoya, que continuou bebendo seu café como se nada tivesse acontecido.

-Apenas come e ignore Allen. – sentenciou ele cruelmente, tomando mais um gole.

E ainda era apenas sábado de manhã.

A esta altura uma questão fundamental permeava a cabeça de boa parte das pessoas ali: qual era a relação entre o garoto todo branco e extremamente cortês, Allen Walker e a menina de olhares insinuantes e sempre vívida e meiga, Road Camelot?

Apenas os dois sabiam e, se dependesse dele, continuaria assim.

Já não bastasse encontrar a garota que já o enganou, provocou, torturou, atrapalhou, molestou entre tantas outras coisas... tinha de passar um fim de semana inteiro tendo que ser legal? E se outros Noahs surgissem? E onde estava Lero, o guarda-chuva/ espada do Conde?

Não queria nem pensar onde estava o próprio Conde.

Colocando uma quantidade ridiculamente absurda de geleia em seus múltiplos pedaços de bolo, o garoto refletia desanimado acerca de sua madruga agitada.

Flashback On

Rolando de um lado para o outro, Allen duvidava que em algum momento fosse conseguir de fato dormir; só de pensar que Road estava a alguns quartos de distância já se sentia apreensivo, temendo pela segurança dos outros hosts. Pois onde há um Noah, tem sempre uma penca de akumas a tiracolo.

Seu celular começou a tocar, pegando desprevenido e em estado de tensão; com um pulo digno de um gato devido ao susto, ele se endireito e olhou o visor: Lenalee. Com um sorriso singelo, imaginando que ela estaria preocupada, ele pigarreou para sua voz sair confiante e atendeu.

-Lenalee?

-Allen! Porque demorou pra atender? Está tudo bem?

-É que estava dormindo – mentiu descaradamente – mas não se preocupe, está tudo muito bem.

-Dormindo??! Ah, Allen, me desculpe – apressou-se a dizer a menina, ele riu baixinho — Encontrou algum akuma?

-Por enquanto, nada.

-Por enquanto? Acha que algum vai aparecer aí... está acontecendo alguma coisas estranha? – ele, por um momento, pensou sim em contar toda a verdade; mas conhecia a amiga e sabia que ela entraria em crise se soubesse de Road.

-Na verdade não, mas nunca se sabe não é? E aí, como vão as coisas? – a menina suspirou e ficou em silêncio; sentindo um aperto no peito ele esperou apreensivo por notícias, que já sabia que não seriam boas.

-Bom, aconteceram algumas coisas... – começou ela.

Ele escutou todo o relato tenso e detalhado na mais completa quietude, temeroso demais pra abrir a boca e interrompe-la; a luta aparentava ter sido complicada, mas uma coisa não ficava clara: porque ela não reagiu para defender os dois? Então ela entrou nos detalhes finais, falou sobre a ligação para o QG e o parecer do Supervisor sobre aquela situação fazendo o sangue do menino gelar, sua respiração falhar num arfar surpreso e um buraco abrir em seu estômago. Balbuciando alguma frase tranquilizadora qualquer e prometendo que tomaria cuidado, ligaria para dar notícias e os avisaria dos imprevistos, desligou e pôs-se a fitar o vazio de uma parede sem saber ao certo o que pensar.

Longe dos outros, na mesma casa em que a Noah mais poderosa depois do Conde... e com a possibilidade de sua Crown Clown falhar a qualquer instante no meio de uma luta.

Pior que falhar... leva-lo ao abismo de sofrimento de um caído; ainda tinha pesadelos com Suman, apesar de estar em paz com sua alma.

Flashback Off

Pelo menos o resto das horas se passou de modo tranquilo e logo ele levantou – depois de duas horas de sono leve e extremamente agitado – para se enfiar na situação desagradável em que estava neste exato instante.

Claramente rabugento, ele enfiava garfada após garfada, mordida após mordida, quilos de doces descendo goela abaixo e o impedindo de manter diálogo com qualquer um à mesa; por mais que estampassem o semblante alegre e fizessem piadas idiotas para as crianças do ginasial vez ou outra, cada colega do albino estava secretamente concentrado no comportamento dele, que se nos últimos tempos andava aéreo e aparentemente cansado, agora estava totalmente diferente do que eles consideravam como “padrão”; mesmo que ele vivesse surpreendendo-os, era inegável que algo de errado estava acontecendo e seu humor estava péssimo por baixo daquele sorriso.

Por esse motivo, logo após terminarem as refeições e enquanto cada um seguia em direção ao seu aposento a fim de vestir trajes de banho, Haruhi o deteve, segurando-o pela manga com seus dedos finos de garota, e o fitou com os seus enormes e expressivos olhos castanhos.

-Allen, está tudo bem com você? – o maldito poder de encantamento da amiga, que só era intensificado pelo fato de ela não se dar conta do que fazia o golpeou em cheio; ao invés de responder de imediato, ele se perguntou se as meninas ficariam muito desapontadas se descobrissem que Haruhi era uma também; ele achava que não.

-Está sim, sem problemas – disse ele, esboçando um sorriso gentil que não chegava aos seus olhos – não sei o porquê de todo mundo acha que estou frio mas...

-Não diria frio – cortou ela, em seu costumeiro tom mecânico – mas sim cansado. E aflito. – a sinceridade gratuita dela pela primeira vez lhe atingiu de fato; disposto a não dar bandeira, desconversou com humor:

-Quem fica aflito na praia? Temos Sol, a maresia, tempo pra se divertir e... vários frutos do mar nas refeições. – o amor surreal de ambos pela comida falou mais forte e ela pareceu se desligar de suas preocupações.

-Bom, tudo bem; só não esqueça que pode falar comigo sim? – sempre dedicada aos estudos e disposta a não se enrolar em nada, era uma demonstração de afeto e tanto ela oferecer um ombro amigo para ele. Allen se sentiu grato e emocionado com o gesto.

-Lembrarei disso. – respondeu o exorcista, dessa vez sorrindo verdadeiramente.

Ouviu Kyoya o chamar e se despediu dela, caminhando rumo ao terraço logo acima da varanda em que desjejuaram, onde o Rei dos Demônios o esperava com uma cara de paisagem e a familiar prancheta a tiracolo.

-Haaaruhi! – disse Tamaki alegremente, aproveitando a deixa em que a menina se encontrava sem o albino ao lado.

-O que foi, Tamaki-sempai? – perguntou ela desconfiada, recuando dois passos enquanto falava.

-Ora, ora, que postura é essa comigo, que sou pra você como se fosse seu pai?

-Já disse – começou ela — que quis dizer que você me lembrava meu pai e não que é...

-Sim, sim, minha cara, não precisa dizer. – disse ele, usando todo o seu charme de príncipe, que incluía aura brilhante e cheiro de rosas vindo sabe-se lá de onde – Vim aqui para convida-la para caçar mariscos comigo!

Ela se lembrava do outra vez em foram a praia e vários homens suspeitos espalharam crustáceos e moluscos pela areia, que um tempo depois acabaram por causar um caos no bioma local; então decidiu que devia evitar esse tipo de problema, ainda mais no primeiro dia em que estavam ali.

-Eu passo. Vou aproveitar o tempo livre e revisar umas matérias. – disse ela de modo cortante, dando as costas ao loiro e indo para seu quarto.

-H-Ha-Haruhi! – berrou ele, já na usual postura deprimente de “príncipe solitário”.

-Devia se manter afastado dos outros também sempai – disse a menina das escadas – com esse calor e seus modos exagerados, é capaz de matar um de nós só por abafar o ambiente.

Ela seguiu adiante e ele foi procurar Hani-sempai, para comer bolo e chorar por sua filha rebelde. Contendo um suspiro, ela abriu a porta do cômodo em que estava hospedada, já sentindo que algo a aguardava lá dentro – portanto, não demonstrou surpresa alguma quando viu a pequena menina de semblante alegre, roupas cheias de babados e cabelo espetado sentada na cama casualmente.

-Haru-chan! Queria falar com vocêêêê! — disse ela, abrindo um sorriso grande, que deixava a mostra quase todos os seus dentes. Era assustador.

-Algum problema? – retrucou a outra, sem se deixar abalar.

-Você parece ser bem próxima do AAAAllen. – disse ela.

-O que disse? – questionou Haruhi.

-Eu disse – começou Road, sussurrando de modo cúmplice – que você parece ser bem próxima do Allen. Do meu Allen.

-Não sei aonde quer chegar quando o chama de seu – retrucou a outra, num crescente mal humor – mas somos amigos sim.

-Hum.... qual é a sua? – perguntou a menor, encarando a outra com seus olhos âmbar atentamente.

-O que quer dizer? – a garota estava claramente se fingindo de idiota.

-Ai, ai, ai – retrucou Road – sabe que essas voltas e voltas que vocês dão me irritam? Por isso que detesto encontrar Bookmens mulheres.

O silêncio surgiu por alguns instantes no recinto, e Haruhi se permitiu um leve sorriso, acompanhado de um brilho a mais em seus olhos.

-Posso dizer que a recíproca é verdadeira, Noah.

Notas finais
Isso aí minha gente, Haruhi-chan é um Bookmen! Não sei se na real permitem mulheres na organização - mesmo porque o arco que conta a história do Lavi no mangá é o próximo - mas desde o comecinho achava que essa coisa de ficar nos bastidores vendo tudo e gravando nos mínimos detalhes era a cara de alguém como ela, cujo o intelecto supera e muito o físico, ao contrário dos outros hosts.
Aos poucos, vocês vão descobrir qual é o papel de cada um no rolo ok?
Mereço reviews com essa? Beijos!! (*--*)//