Angel
16 Capítulo 16
Pensar na guerra que estava acontecendo lá fora me preocupava. Eu sabia que eu estava fazendo a coisa certa, mas o pesar no meu peito sempre estaria ali, com medo que algum de meus irmãos se machucassem.
—Não se preocupe, Anjo, vi ficar tudo bem- Zayn disse, passando os braços a minha volta, encarando a paisagem através da janela.
—Acho que é da minha natureza me preocupar com os outros- disse baixinho- mas de alguma forma, sei que as coisas vão terminar bem.
—É assim que se fala- ele disse animado- e enquanto isso não acontece, porque a gente não viaja, ou vai pra algum lugar, só nós dois?
—Por que estou com a impressão de que você quer me afastar daqui?- disse, me virando pra ele, beijando a ponta do seu nariz.
—Só estou tentando te manter segura e...não seria nada ruim ficarmos um tempo sozinhos, o que você me diz?- ele disse, fazendo uma carinha fofa, irresistível.
—Isso é golpe baixo, não da para negar nada quando você faz essa carinha- digo, apertando suas bochechas.
—Legal- ele comemorou- já sei até pra onde vamos.
…
Iriamos pra um chalé, que ficava aos arredores da cidade. Zayn estava extremamente empolgado, era muito bom ver ele tão feliz.
—Meninos, qualquer coisa é só me chamar, que eu apareço na hora, ok?- repito mais uma vez só pra garantir.
—Qual é baixinha, a gente sabe se cuidar- Niall disse, revirando os olhos.
—E algo me diz que vocês vão estar bem ocupados- Louis diz, trocando um olhar malicioso com Harry, fico corada de imediato.
—Harry- Liam adverte, mais também esta rindo- divirtam-se.
—Claro- Zayn concorda, abraçando o amigo.
Depois de abraçar a todos, e eu Zayn entramos no carro.
A viagem foi divertida. Zayn e eu cantando as músicas que tocavam no rádio, ele me contando coisas sobre sua infância, sorrindo a todo momento, acho que eu poderia me acostumar com isso.
Assim que Zayn estaciona, encaro o chalé admirada. É maravilhoso, parece até um daqueles desenhos dos livros.
—Você gostou?-ele pergunta ao meu lado, também observando o lugar.
—É lindo- respondo, entrelaçando nossas mãos.
—Espere té ver por dentro- ele diz animado.
Num movimento rápido ele me pega no colo e corre até a porta. Ele se atrapalhou um pouco com a fechadura, mas conseguiu abrir.
—Não é muito grande, mas...
—É lindo- disse, fitando seu rosto.
Aproveitei que meus braços estavam em volta do seu pescoço, pra puxar seu rosto mais pra perto, unindo nossos lábios.
Aquele momento era único, e eu o guardaria pra sempre na minha memória.
…
Descobri que Zayn era um ótimo cozinheiro, meio bagunceiro, mais o jantar tinha ficado uma delícia.
—Então, estou aprovado?-ele perguntou.
Estávamos na frente da lareira, abraçados, olhando as chamas.
—Aprovadíssimo- sorri, me aconchegando mais nele.
—Eu poderia ficar assim pra sempre- ele sussurrou contra o meu cabelo- não quero que isso acabe.
—Hoje cedo eu me senti culpada por...estar vindo pra cá, enquanto tudo acontece lá fora- admiti- mas agora, eu não me importo se estou sendo egoísta, não consigo me arrepender por estar com você.
—Não é egoísmo querer ser feliz, meu amor- ele disse gentil, beijando minha testa.
Eu tinha algo em mente, só não sabia como dizer, me senti desajeitada.
—Zayn, tem algo que eu quero fazer -disse, escondendo meu rosto no seu peito.
—Claro, qualquer coisa pra você- ele diz.
—Nós, provavelmente, não vamos ter outro momento assim e eu não quero desperdiçar isso...-disse ainda sem saber o que fazer.
—Não estou entendendo, Anjo- ele me olhou confuso- o que você quer?
—Você- sussurrei, o beijando.
Ele retribuiu o beijo, ainda em duvida, dava pra sentir a confusão em sua mente.
Não dei tempo pra ele pensar, me sentei no seu colo, sem romper o beijo. Acho que agora ele havia entendido, senti suas mãos firmes na minha cintura.
—Meu amor...nós não...-ele tentava dizer entre meus lábios- eu não consigo ...pensar direito...
Eu não sabia muito bem o que fazer, mais algo queimava dentro de mim, deixei aquilo fluir. Desci uma trilha de beijo pelo seu pescoço, sorri quando ouvi ele suspirar.
—Anjo...- ele disse, me fazendo olhar para os seus olhos.
—Eu fiz algo errado?- fiquei confusa.
—O que? Não, pelo contrario- seus olhos estavam mais escuros que o normal- se continuarmos, não vou conseguir parar.
—Não precisa parar -disse decidida.
—Eu não posso fazer isso, não quando tem tanto em jogo- ele disse acariciando minha bochecha- acredite eu quero você, muito. Mas não posso arriscar, eu tenho que proteger você.
—Porque é que você não pode ser inconsequente quando eu quero?- perguntei decepcionada.
—Porque eu te amo- ele disse calmo- simples assim.
Encarei ele, como alguém podia ser tão perfeito?
—Ok, entendi- disse, nem me importei da minha tentativa fracassada- e...eu também te amo.
—Eu meio que já sabia disso- ele sussurrou convencido- mas é bom ouvir em voz alta.
Me aninhei mais a ele, e assim nós ficamos, trocando beijos e carícias, aproveitando o calor um do outro, até a chamas da lareira se apagarem.
…
De manhã, acordei sentindo cheiro de panquecas. Me levantei ainda meio sonolenta e segui o doce aroma que fazia meu estômago roncar.
Eu poderia ficar observando aquela cena pra sempre. O moreno estava concentrado na frigideira a sua frente, ele estava sem camisa, apenas com um moletom que parecia largo sobre seu quadril, as tatuagens contrastando contra a pele morena.
Senti um calafrio na espinha. Eu não podia perdê-lo, não, e eu lutaria com todas as minhas forças pra que aquilo não acontecesse.
—Bom dia- disse, abraçando suas costas, ele sorriu.
—Eu fiz panquecas- ele disse, se virando pra mim.
—Sorte a minha ter um namorado tão prendado- brinquei, seu sorriso aumentou.
—Diz de novo- ele disse baixinho, os olhos brilhantes.
—Que eu tenho sorte?-me fiz de desentendida, ele fez uma carina adorável- acho que meu namorado já sabe disso.
—Adoro quando você diz, torna tudo mais real- ele diz, descansando sua testa na minha.
—Atrapalho?- alguém diz, num tom divertido.
—Você não deveria estar aqui- Zayn diz irritado.
—Ah garoto, pensei que eramos amigos- seu tom irônico me irritava- mas não vim por você, e sim por ela.
—Malakai- disse irritada- você não pode simplesmente nos deixar em paz?
—Calma- ele ergueu as mãos em rendição- eu preciso da sua ajuda?
Não sei o que me assustava mais, o fato dele não estar sendo irônico, ou o motivo dele querer minha ajuda.
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