Andromeda High School-Interativa
34 Pequena misteriosa
Notas iniciais
Lyanna Maylee
Acabei chegando muito cedo ao auditório, não havia muita gente ainda no local. O clima está perfeito em minha opinião, pego a minha bolsa e retiro um livro grosso que eu estava tentando ler a muito tempo. É sobre ação, suspense, drama, lutas épicas e um pouco de romance... A combinação perfeita!
Abro o livro e começo a lê-lo calmamente, o tempo vai passando tão rápido que eu nem percebo que o auditório já estava completamente lotado. Eu sinto uma mãozinha repousando sobre o meu ombro, eu me assusto e solto um gritinho.
Meu coração parecia querer sair pela boca, nossa como eu me assusto fácil. Justamente por eu estar tentando que ficar alerta para não cochilar.Eu ando me sentindo meio morta-viva mas eu não sei o por que.Já que eu dormi bem como eu sempre durmo mas mesmo assim parece que algo está me fazendo ficar cansada.E eu tenho medo que seja a continuação daquela visão que eu tive ontem cedo.
Eu fico tão entretida com os meus devaneios sobre o motivo do meu cansaço que eu me esqueço da dona mãozinha que estava em meu ombro, claro que o dono, ou melhor, a dona dessa mãozinha não estava feliz com a minha falta de atenção para ela e cutuca o meu nariz.
—Mas o que?-eu me viro e vejo uma menininha –de no máximo uns três aninhos- de cabelos negros, curtos e com as pontinhas encaracoladas e olhinhos amarelos. Ela tinha olhos enormes... Sério não estou brincando eles eram enormes e tão bonitinhos!Por alguns instantes eu fiquei meio fascinada pelos seus olhos. Porém logo eu volto para a realidade.
Eu percebo que naquele local tinha apenas adolescentes e pré-adolescentes. Então como essa menina tinha brotado ali?Eu queria perguntar para ela, porém logo percebo que há algumas pessoas sentadas nas poltronas na minha frente me olhando. Eu acabo desistindo de falar, odeio chamar a atenção, minhas bochechas ficam vermelhas e eu me sinto sem graça em receber olhares.
As luzes do auditório começam a oscilar, todos os alunos acham estranho aquilo, mas somente nós –os novatos- ficamos assustados ou inquietos. Eu era uma delas... É claro.
De repente algumas luzes se acendem no palco do auditório, revelando os responsáveis pela organização da academia Triangulum –Eros e Nefrus- e da academia Andrômeda — Merinda e Jack. Eles estavam todos sentados em uma porção de cadeiras postas uma do lado da outra em uma meia lua.Em pé havia apenas algumas secretárias e um senhor em uma cadeira de rodas que tinha ambos os braços engessados,sua expressão era séria,tão séria que eu me senti intimidada.
—Jack, faça alguma coisa que preste e me empurre até balcão onde está o microfone. Ou você ainda está pasmo pelo fato de eu não ter morrido?-o senhor grisalho sussurra para o filho, que levanta bravo e o empurra até o balcão.
—Não consigo sentir mais nada por você, Ukyo. Há muito tempo eu já deixe que te considerar como pai. -Ele põe o senhor na frente do balcão
—Deixa de sentimentalismo, seu inútil. É isso que me faz te achar um nada, falha em ter pulso e controlar a mulher, a deixa fazer o que ela bem entender, não tem voz, não é homem. Seu filho é um pirralho intrometido que desconhece os limites. Tudo sua culpa, mau homem. -o velho diz para o filho, que espumava pela boca de tanta raiva.
Meu cosmo, que senhor irritante.
—Senhores, o microfone está ligado. -Eros diz sem graça. Jack então olha para as crianças e se desculpa pelo ocorrido. Ficou meio chato aquela situação mesmo, tanto para nós, alunos quanto para eles, adultos.
-Bom dia... -o velho diz seco. Ele fica um tempo sem dizer nada e depois olha de volta para o filho que se levanta negando com a cabeça retirando o senhor da frente de balcão. Eu achei estranho, aquele senhor que parecia antes tão autoritário e cruel, tinha se sentido intimidado com os adolescentes. Fascinante.
Merinda se levanta acompanhado de Eros. Como uma mulher pode ser tão bela?Sério ela é linda e só agora eu tive tempo de perceber isso. Seus longos cabelos cacheados cor de ferrugem estavam presos a com coque mal feito. Ela parecia cansada, algo como se não dormisse há dias.
—Bom dia, novatos e calouros. -Eros diz entre gaguejos. Eu me identifico com ele, sou péssima falando com muita gente, só consigo falar coisas conexas com gente que eu me sinto segura, como os meus amigos, por exemplo.
—Como todos já estão cientes,vocês ficaram aqui por algum tempo até que sua academia se reerga,será distribuído alguns folhetos sobre como funciona aqui em Triangulum, faremos testes dissertativos e físicos para avaliarmos a sua condição física para que assim nós possamos diminuir as suas fraquezas. Além disso, estará disponível para todos a opção de participar de alguma grande extracurricular, para que assim todos os alunos possam ter um a boa convivência durante esse período.
Um menino sentado fileiras a frente da minha levanta a mão, pelo uniforme dele, ele era um calouro da triangulum. Eros olha para ele e o diz para que ele fale.
—Nós estamos seguros?-o garoto pergunta aflito.
A pergunta surpreende a todos os nossos responsáveis, dava para perceber que eles não tinham uma resposta para a pergunta dele. Eu já esperava isso, eu não posso esquecer que ainda estamos em guerra... Que Rynne tem muita influencia sobre boa parte do espaço, que não se tem uma certeza se ela morreu,já que não foi encontrado o seu corpo.
—Não. -Nefrus diz sem mexer um músculo. -Não há cem por cento de segurança em nenhuma parte do espaço, mas aqui a uma porcentagem, mesmo que seja menor que sessenta por cento de você não serem pegos nem mortos.
—Vocês já estão dispensados, peguem os folhetos e sigam até as salas de aula. Isso serve apenas para os calouros, os novatos devem permanecer aqui para escutar o comunicado da senhora Merinda.
Os alunos iam saindo e o clima da sala ficava pesado, já estava tudo tão ruim, tudo tão cansativo, que eu nem questionava mais, apenas aceitava o que vinha.
—Sei que está sendo cansativo para vocês, mas o que eu tenho para dizer é bom, alguns pais estão querendo ver os seus filhos, então aqueles que eu citar o nome pode seguir o Jack até uma sala onde estão seus pais.
Pais... Eu nunca conheci os meus, mas não acho que algo de diferente aconteceria comigo se eu os tivesse conhecido, algumas coisas simplesmente não precisam mudar. Essa é uma delas.
Eu me levanto, não preciso ficar aqui, e quando eu ia sair a menininha segura a minha mão e fica me olhando.
O que ela quer comigo?
Ela começa a me puxar até a saída, eu aproveito e pego um folheto, parece que ela quer me levar para algum lugar e eu quero saber para onde. Dependendo de onde ela me levar com esse folheto eu conseguirei ir para onde eu quiser. Vamos ver onde essa pequenina me levará.
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