Andarilho, o Anjo Guerreiro

1 Capitulo 1 - Aniversário


Olá, meu nome é Evan e, a menos que você goste de histórias com finais tristes, meninos sem rumo, drogados, putas e religião, sugiro que pare agora.

O que eu vou contar são relatos reais, poderiam até mesmo virar um evangelho. O evangelho de Evan, nada mal, mas isso seria cruel demais, triste demais e, com certeza, sangrento de mais para as criancinhas que freqüentam a igreja e acreditam em algo maior e redenção divina... Isso seria... Bem, é melhor prestar atenção se quiser, mas não se queixe depois.

Vamos começar então pondo um título nesse capítulo, por que toda a história precisa de um ponto de partida, mas, não vamos nos prender aos detalhes menores, literalmente falando, de quando eu era criança, vamos ao agora. Quando eu ainda tenho 15 anos. Sou um jovem comum, como você, ou era...

Capitulo 1 — Aniversário

O meu aniversário de quinze anos estava cada vez mais próximo, minha mãe e eu estávamos excitadíssimos para começar a festança, ela tinha alugado uma boate, contratado dançarinas, DJs, Bufe e tudo o mais. Eu mal podia ver a hora de estar lá dentro com uma pessoa, mas não poderia.

- Evan, telefone para você amor. — gritou minha mãe do andar de baixo. Desci as escadas desanimado, estava cansado demais para falar com quem quer que fosse.

- Alô? — disse a voz do outro lado.

- Oi Zequi. Fala ai.

- Eu estou ligando para marcarmos de nos ver, tenho de te dar a lista com os nomes das pessoas que vão.

Uma pausa aqui. Ezequiel é meu amigo desde que eu me entendo por gente, sujeito legal, parceiro, sempre ajudando os outros e sempre entrando em brigas comigo. Agora vamos prosseguir.

- Legal cara.

- A Lindsay está grilada. Quer saber quando vai ser a festa. — senti a sua voz subir uma oitava enquanto me dava a noticia.

- Como ela ficou sabendo?

- Acorda, ela conhece a Camila, e...

- Já entendi. Camila deve ter falado com ela.

- É. Tem problema não né?

- Agora que a merda já está feita, não tem jeito né.

- Evan. — ralhou minha mãe passando por mim com um prato de lasanha na mão.

- Desculpe. — murmurei.

- Quê? — perguntou meu amigo.

- Nada. Mas tudo bem. Vem aqui em casa hoje então.

- Mas agora já está tarde.

- Que nada. Ainda é meio-dia, vem depois do curso, toma banho aqui, janta e dorme. Dai a gente passa a lista juntos.

- Sei não Evan.

- Qual é?

- Vou ver, mas não prometo nada.

- Ok então. Bom curso Zequi.

- Bom estudo Evan. — o telefone então ficou mudo.

Mais uma pausa para as explicações. Lindsay é a minha namorada do colégio, ela praticamente se jogava aos meus pés para poder namorar comigo. Uma vez, depois de minha mãe colocar uma leve pressão, cedi a ela e começamos a namorar. Temos um ano juntos, mas na última sexta-feira, senti uma necessidade enorme de terminar com ela. Eu vivia uma farsa. Ela ainda não se conformou, mas vai aprender.

- O que o Ezequiel queria querido? — perguntou minha mãe.

- Nada. Ele vem dormir aqui hoje, vamos repassar a lista de convidados.

- Entendi. Vá lavar as suas mãos e vir comer então.

Bem, vocês podem pensar que somos muito felizes, mas na realidade, faz alguns meses que eu e minha mãe estamos discutindo por trivialidades.

Meu nome é Evan Go'el, não me pergunte de onde saiu esse sobrenome, até hoje eu não sei. Eu sou moreno claro, olhos verdes, cabelo cor de areia repicado nas pontas, um pouco curto em cima, bagunçado e de tamanho médio, chegando um pouco abaixo das orelhas. Tenho os ombros largos por causa da natação e uma barriga definida que faz as garotas se matarem para vê-la nas aulas de nado. O Ezequiel já é o contrário de mim, tem uma barriguinha saliente dos chopes que toma, olhos castanho-claro, cabelo escuro, liso, penteado para trás, longos.

Após o almoço que, com maestria, minha mãe preparou, fui tomar meu banho e depois parti ao encontro do computador. Acessei o Word e comecei a revisar os nomes dos convidados, estava ali, marcado em vermelho para se destacar dos outros, o nome da pessoa que eu mais queria ver, o nome da pessoa que me fez terminar com a Lindsay. Acessei então a minha pasta "amigos" e fiquei vendo as fotos de todos eles, Camila, Ezequiel, Daniel, Carla, Willian. Bateu-me uma saudade de todos. Já fazia quinze dias que eu não os via. Desde que terminaram as aulas. Passei então a mão por cima de uma das fotos e fiquei me imaginando beijando sua boca. Tinha de parar. Aquilo nunca iria acontecer.

- Evan, querido.

- Sim?

- Eu estou indo no mercado. Quer alguma coisa? — perguntou minha mãe do andar de baixo.

- Não. Obrigado. — respondi. Sai do quarto e fui para o telefone.

A tarde estava linda. Fiquei sentado na sacada da varanda do meu quarto observando as árvores do terreno do lado, era algo que eu adorava fazer, senti meus olhos arderem com o vento, senti um alívio inexplicável ao ver a folhagem se mexer. Estando assim, não me sentia tão anormal, sentia-me estranhamente como parte da natureza, parte da criação do divino. Oras, e no fundo eu não o era? Todos os humanos são. Mas tinha algo mais. Sorri para mim mesmo, faltavam cinco dias para eu ter quinze anos. Uma experiência única na vida de um jovem. Com um largo sorriso no rosto, larguei a janela e fui direto para a cozinha fazer um lanche, a minha mãe estava demorando muito no mercado e eu estava com fome. Peguei queijo, presunto, manteiga e pão. Fritei dois ovos e enchi um copão de refrigerante. Lanche preparado, fui para o sofá assistir televisão, foi nessa hora que a campainha tocou.

- Não vou atender. — gritei do sofá já sabendo quem era. Ela tocou novamente, insistente e estridente. — Mas que merda Zequi, por que não entr... — o restante das palavras ficou presa em minha boca aberta. Não era Ezequiel parado à porta, era Willian.

- Posso entrar?

- Mas... — tentei articular. Estava surpreso de vê-lo ali, ele era meu amigo na escola, mas nunca se interessou em saber onde eu morava ou qualquer coisa do tipo, por tanto, sua presença era motivo de grande espanto para mim.

- Eu estava tentando te ligar, mas seu celular só dava desligado, dai resolvi vir aqui. Fiz mal? — perguntou lançando-me um sorriso. Willian era alto, atlético, tinha os olhos azul piscina, cabelo castanho liso, com um corte de bom moço, um sorriso afável e de dentes brancos. No momento encontrava-se de bermuda e sem camisa, pois o sol, mesmo as cinco, estava rachando. Seus ombros eram largos como os meus com o peitoral definido e sem pêlos, coisa de nadador.

- Não. É só que eu não esperava te ver. Só isso.

- Ah. — fez desapontado.

- Então, entra. Quer uma água? Alguma coisa?

- Não. Quero... Você.

- Quê? — engasguei.

- Quero que você me responda uma coisa. — falou corando.

- Hum.

- Quando é que vai ser mesmo a sua festa? — perguntou enquanto passava a mão pela parte de trás da cabeça com uma expressão de brincadeira. — Eu esqueci.

- Como pode ter esquecido se eu te dei um convite com a hora, dia e local?

- Ah. É verdade. Mas onde será que eu coloquei?

- Você perdeu o convite? — meus olhos se estreitaram e eu o encarei enfurecido.

- Lógico que não. Devo ter deixado no seu fichário, posso dar uma olhada?

- Ah? Como assim? Você nem peg... — novamente ele me interrompeu antes que eu pudesse terminar. Aquilo me dava raiva, mas de certo modo...

- O seu fichário está no quarto né? Qual das portas?

- A última do corredor subindo as escadas. — Ele mal esperou eu terminar de falar e já estava se lançando escada a cima.

- Seu quarto está bagunçado. — berrou da porta.

- Eu sei. Muito obrigado por me lembrar. — disse entrando no quarto, mas quando o fiz, levei um susto. Willian estava sentado na minha cama dobrando as roupas, mas não qualquer roupa, estava dobrando as meias e as cuecas. Enrubesci na hora enquanto ele respondia com naturalidade:

- Tudo bem.

- O que está fazendo?

- O que parece que estou fazendo? Dobrando essas roupas jogadas.

- Não... Não precisa fazer isso. — gaguejei ainda mais vermelho.

- Olha, vai pegando logo o seu fichário enquanto eu dobro essas roupas tá?

- Mas...

- Pega logo e põe para fora. — falou impaciente. Sua frase me soou com um duplo sentido perturbador, mas resolvi ignorá-lo.

- Ta bom. — marchei então até a minha mochila e retirei o fichário, folheando-o. Como eu previra. Nada. — Viu. Não tem nada aqui.

- Que estranho. — olhou em volta e seus olhos recaíram sobre o meu notebook. — Posso usar um pouco? Fiquei de responder ao Max se eu não achasse o convite.

- Quer dizer então que você sabia que tinha perdido? — perguntei astutamente.

- Não. Quer dizer que eu apenas pensei ter deixado com você, agora sei que está no caderno do Max. — falou passando por mim e movendo o cursor do mouse. Meu coração gelou no mesmo momento em que, na tela, surgia uma foto. Willian olhou para a foto e depois para mim, abriu um sorriso e disse: — Eu havia esquecido como eu estava patético nesse dia. Foi no dia do zoológico não foi? — concordei mudo. Eu, sem querer, havia esquecido de fechar a pasta "amigos" e agora Willian estava lá, vendo todas as fotos, porém, todas as fotos resumiam-se à ele. Ou pelo menos boa parte delas.

Acho que você não precisa de uma explicação para essa parte, certo? Sim, eu terminei com a Lindsay por causa do Willian. Sim, eu e minha mãe estamos brigando bastante ultimamente por que ela acha que eu sou gay, e ela está, em parte, certa.

- Bom. Não achei o que eu estava procurando. É uma pena. — levantou-se da cadeira e desligou o computador. — Me acompanha até a porta? — quando eu fiz menção de abrir a porta do quarto, senti um par de mãos pousarem na minha cintura. Perdi a força instantaneamente e me virei, assustado. Willian estava a um palmo do meu rosto, seu sorriso de orelha a orelha. Piscou um olho para mim e, exercendo mais pressão na minha cintura, me puxou para junto de si. Roçou seu queixo em meu pescoço e, vagarosamente, abriu a boca sobre ele, me dando uma suave mordida que fez com que minhas pernas tremessem. Não estava raciocinando muito bem, então passei as mãos para as costas dele e o puxei mais para perto também, como se quisesse fundi-lo a mim. Senti a sua respiração ficar mais rápida em meu cangote, seu hálito quente subir por minha jugular em direção ao meu maxilar e já sabia o que viria a seguir. Fechei os olhos e senti um contato suave, um calor úmido invadindo os meus lábios e um par de mãos, grandes e macias, se espalmarem em minhas nádegas. Senti um aperto de leve nelas e então um barulho na porta de casa.

Notas finais
Boa noite galera. Esse foi o primeiro capítulo do livro, ele tem mais capitulos disponibilizados no wattpad e , conforme o tempo deixar, eu vou postando mais aqui. Gostaria de ler o comentários de vocês para saber sua opinião em relação a esse capitulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.