Andarilho

6 VI-Ouro Japonês


Notas iniciais
"Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.
Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.
Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos.
Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.
Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática."
Código Samurai

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Dois soldados num local de baixa vegetação e isolado, enchem um balde de água. Na verdade, um deles enche o balde enquanto o outro apenas fala:

–Ouvi dizer que um ser sobrenatural invadiu o castelo de Tsubaki e matou Mil soldados.

O outro puxa a corda, trazendo o balde até ele.

–Mil? Eu e você sabemos que isso é impossível. Diz o outro soldado respondendo

–Só sei que agradeço a meus ancestrais por não servir no castelo, de três em três meses ocorre uma rebelião. Diz o soldado de braços cruzados

O soldado que tirava o balde do poço o pega e os dois começam a caminhar. Eles caminham na paisagem rochosa até chegarem a um grande buraco, largo e profundo. Lá em baixo vê-se pessoas sujas, mulheres e crianças trabalhando com correntes nos pés, alguns carregam picaretas, outros carregam pedras e as colocam num comboio. Os dois soldados descem, um deles segurando o balde cheio de água, enquanto descem passam por vários soldados que se encontram na estrada de terra feita para chegar até o fundo.

O buraco é a céu aberto e pode-se ouvir lá de cima o som das pedras sendo quebradas. Os dois soldados chegam ao fundo e encontram um homem desmaiado, o Ronin. Eles jogam a água do balde nele. O Ronin acorda atordoado.

–Acorde maltrapilho! Diz um dos soldados jogando uma picareta para o Rinin.

O confuso Andarilho levanta segurando a picareta, ainda tentando entender aonde está, seus pés estão acorrentados e ele vê vários soldados espalhados entre os infelizes trabalhadores, alguns magros, sujos e com ferimentos sendo atacados por moscas, outros são fortes e tem um olhar determinado apesar das adversidades.

Os soldados empurram o Ronin que dá quatro passos involuntários para frente:

–Você tem sua ferramenta, vá procurar minério. Diz um dos soldados com uma expressão orgulhosa

O Ronin, sem opção e com sua memória voltando, mas ainda confuso, vai até as minas e ajuda alguns homens que estão quebrando pedras. Ele começa a bater na pedra com raiva e não para até o entardecer.

No pôr do sol os soldados descem vários cestos com frutas e peixe cozido para os escravos. A comida, quando dividida, torna-se pouca. O Ronin pega uma poção, senta-se e pergunta ao homem que está sentado ao seu lado.

–O que é tudo isso? Pergunta o Ronin curioso

–Não vê? É um campo de trabalhos forçados, minério Japonês é mais barato que o Coreano. Diz o homem

O Ronin olha ao redor, com um olhar atencioso, vendo homens e mulheres comendo de forma rápida e desconfiada.

–Por que estão aqui? Pergunta o Ronin

–Os motivos são vários. Alguns não pagaram impostos, outros se rebelaram e alguns criticaram o governo do demônio Oda. Relata o homem

Três batidas são dadas no tambor. Os escravos começam a levantar e a caminhar em fila, pode-se ouvir o som das várias correntes. O homem levanta e também anda, o próprio Ronin também os segue.

–Para onde estamos indo? Pergunta mais uma vez o Ronin

–Para as jaulas. Responde o homem

–Interessante. Responde o Ronin friamente

–Eu sou Heimachi Kendo, fui líder de uma rebelião. Diz ele

O Ronin não responde, apenas continua a andar. Todos entram em suas “jaulas”, algumas tem mais de 50 pessoas. A noite profunda chega, os homens começam a conversar e Heimachi está entre eles, o Ronin apenas observa.

–Você vai? Pergunta um deles

–Apenas com uma adaga? Nem pensar. Responde Heimachi

Várias respostas negativas são proferidas durante dez minutos até que o Ronin se manifeste.

–Sobre o que falam? Pergunta o Ronin

Todos param e olham para ele:

–O que tem a ver com isso? Pergunta um deles

O Ronin levanta e vai até o homem, encarando-o.

–Eu matei soldados de Tsubaki e cheguei até a sala dos nobres, matei um gigante naquele castelo infernal e tenho uma missão a cumprir! Diz o Ronin

Todos ficam surpresos.

–Você matou Daimaju? Pergunta Heimachi admirado

–Eu cravei minha Katana na cabeça daquele demônio. Responde o Ronin

Os homens olham uns para os outros surpresos:

–Bem, fizemos isso. Diz Heimachi tirando uma pedra do chão arenoso da cela, revelando um túnel

–Por que ainda não foram embora? Pergunta o Ronin

–Tsubaki vai nos perseguir para sempre, todos os escravos pretendem se rebelar. Isso se nós conseguirmos espadas e armaduras, até agora só temos uma adaga. Diz Heimachi

–Posso ir pelo buraco que cavaram com a adaga e pegar as armaduras, é tradição militar manter apenas uma guarnição de vigilância enquanto os outros dormem, posso me passar despercebido pela guarnição e desocupar o arsenal. Diz o Ronin

–Está confiante de mais! Reclama um dos homens

O Ronin não responde.

–Como saberemos que podemos confiar em você? Pergunta um dos homens

–Nenhum de vocês vai, querem passar o resto da vida aqui? Pergunta Heimachi a seus companheiros

Os homens olham uns para os outros e relutantemente entregam a adaga ao Ronin, que se prepara para entrar no túnel.

O Ronin se arrasta pelo arenoso buraco até chegar ao outro lado, ele empurra uma pedra que escondia o buraco e sai, vendo o arsenal e uma guarnição de poucos homens que vigiavam enquanto os outros dormiam se revezando a cada duas horas.

O Ronin anda agachado arrodeando o local, sem que nenhum soldado perceba ele chega até o portão de trás do arsenal, pega uma pedra e joga no soldado que o guardava. O Soldado estranha, tira sua espada e anda confiante até o lugar de onde a pedra foi jogada.

Chegando lá o soldado para com sua espada empunhada e olha ao redor. Repentinamente o Ronin sai em meio à escuridão e rapidamente corta a garganta do soldado. O andarilho caminha de forma sutil até o portão e o abre, vendo vários soldados dormindo no chão, com a cabeça apoiada em panos enrolados. O Ronin vaia de soldado em soldado desferindo golpes com a adaga em locais que resultam em morte instantânea. O Ronin mata cerca de 50 homens de forma rápida e indolor, e pega a Katana de um deles.

De repente duas batidas são dadas no tambor, hora da troca de turno. Os soldados restantes abrem os olhos por motivo do barulho, até mesmo aqueles que não vigiarão, são cerca de quarenta homens que acordam e veem o Ronin com uma adaga ensanguentada em mãos.

Os homens levantam rápido, pegando suas espadas. O Ronin corre para fora do Arsenal, os soldados, sem armadura e apenas empunhando katanas, correm atrás dele. Ao chegar lá fora a guarnição também vê o Ronin Uma flecha é atirada, mas o Ronin desvia.

O Ronin para de correr, os homens estão de frente para ele, furiosos e segurando com força suas espadas. O Ronin olha ao redor e no teto estão os arqueiros. O Andarilho, sem esboçar emoção alguma, empunha sua espada. Os soldados correm agressivamente na direção do Ronin, os arqueiros atiram, o Ronin desvia, mas alguns soldados são alvejados por flechas ao tentarem golpear o Ronin.

O Ronin é rápido, nenhum soldado ali havia visto tanta rapidez com uma espada. Em pouco tempo, vinte homens já tinham caído. Os outros continuavam avançando, mas o Ronin estava furioso e os soldados, infelizmente para os mesmos, estavam sem armadura.

Fazendo acrobacias, o Ronin desvia dos golpes de espada e os arqueiros acabam acertando soldados ao tentarem acertar o Ronin enquanto desviava dos golpes. Os quarenta homens caem, o Ronin está ensanguentado e com um olhar furioso, quase assassino. Os arqueiros tentam alveja-lo mais uma vez, em vão, o Ronin corre desviando das flechas e passa a subir a escada que dá para o teto, alguns soldados da guarnição tentam impedi-lo, mas logo são decepados pela lâmina furiosa do Ronin determinado.

O Andarilho chega ao teto, os arqueitos colocam seus arcos nas costas, sacam suas katanas e partem para o ataque. O Ronin, com golpes bem distribuídos, mata os arqueiros. De longe o Ronin vê um soldado a cavalo enquanto segura uma tocha, cavalgando para o castelo de Tsubaki, para avisar o mesmo. O Ronin pega uma flecha, coloca no arco e atira, o soldado cai e o cavalo continua cavalgando. A tocha cai em cima do soldado e o corpo do mesmo fica em chamas.

O Ronin segura firme sua Katana e olha para os corpos dos soldados com um olhar pensativo, mas é impossível dizer ao certo o que se passa pela cabeça do renegado guerreiro.

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Notas finais
Próximo Capítulo- Um Inominado homem maligno