Andarilho

4 IV- A Jornada do Andarinho Arrependido


Notas iniciais
"Lutador é aquele que briga só pelo prazer de brigar,
O homem justo é aquele que briga porque é necessário"
Provérbio japonês

O Ronin está diante de uma triste cena, o menino está abraçando sua mãe morta. O Ronin olha para um lado e para o outro devagar, respira fundo, tenta falar, mas não consegue e foge.

Tempos depois, no castelo de Tsubaki-Oda, Uoi está sentada num grande jardim, ela olha para os grandes muros e os guardas que o vigiam. Na frente dela uma grande comissão de floristas, artesãos e tecelões mostrando seus produtos, na tentativa de tirar dela um sorriso de agrado.

Tsubaki desce até o jardim, se aproximando do local:

–Saiam, deixem-me as sós com minha Yoi. Diz ele

Os artistas saem apressados com seus produtos e deixam Tsubaki as sós com Yoi no jardim.

–Meu doce Yoi, anseio que tenha tido gosto pelos agrados que lhe ofereci com todo meu amor. Diz Tsubaki

Yoi fica imóvel em sua posição, não responde.

–Yoi-Chan está triste? Eu trouxe tudo que há de melhor, como pode estar triste? Pergunta Tsubaki

Yoi continua calada, a expressão de Tsubaki muda agora ele parece desesperado.

–Por que está triste? Você pode me pedir o mar e eu te darei. Diz ele

Yoi olha para Tsubaki com um olhar forte, porém temeroso:

–Você só me verá sorrir de novo quando eu voltar para casa. Diz Yoi

Tsubaki mostra-se enfurecido e muda seu tom de voz:

–VOCÊ É MINHA! NÃO ENTENDE? VOCÊ É MINHA! Diz Tsubaki

Yoi mostra medo em sua feição e uma lágrima cai de seu rosto. Tsubaki acalma-se e encosta sua cabeça a cabeça de Yoi enquanto acaricia o rosto da mesma.

–Minha Yoi, eu não queria assusta-la, perdoe-me. Diz ele

Enquanto Tsubaki acaricia o rosto de Yoi, ela expressa mais ainda seu medo, notando isso Tsubaki levanta-se.

–Você sabe o que me fará feliz. Eu nunca serei feliz aqui! Diz Yoi

Tsubaki não responde, apenas começa a caminhar na direção oposta. Yoi baixa sua cabeça, uma lágrima escorrega em seu delicado rosto. Enquanto isso, o Ronin caminha numa estrada de terra, o vento levanta uma generosa quantidade de poeira.

A frente se encontra uma pequena cidade, ela possui um mercado central e um número médio de habitantes. A cidade passa por uma rota comercial, o que explica sua importância. O Ronin vai até o mercado, carroças vêm e vão, crianças correm e mulheres com seus bebês se colo compram mantimentos. Todo movimento contrastasse com o olhar sem expressão do Ronin.

O Ronin chega a uma hospedaria e pede uma poção de arroz, que na verdade é a única coisa servida na hospedaria. Ele pega seu arroz e senta-se numa chabudai individual para comer. Ele leva de maneira tranquila os bolinhos de arroz até a boca, mastigando-os lentamente como se pudesse engolir algum espinho.

Um homem chega até o Ronin:

–Nunca havia visto um Samurai Imperial por aqui. Diz ele

–Não sou um Samurai Imperial. Responde o Ronin

–Mas você possui o selo imperial em sua Katana. Diz o Homem

–Sou um Ronin.

–Mas possui o selo do imperador em sua espada. Repete o Homem

–Mas eu NÃO SOU UM SAMURAI! Exclama o Ronin

–Um Ronin com um selo imperial na Katana? Quem matou seu Mestre?

O Ronin para por um instante, parece estar se controlando para não explodir numa torrente de raiva.

–O senhor pergunta demais, eu odeio falar do passado para estranhos. Diz o Ronin

–É que estou interessado nos serviços de um Samurai. Revela o Homem

–Por quê? Pergunta o Ronin

–Tsubaki-Oda domina com mãos de ferro.

–Não é problema meu não sou soldado imperial.

–Ele governa de forma rude e seus soldados tomam o que querem sem pagar, levam muitos negócios à falência.

–Eu realmente não posso ajudar, já tenho um objetivo, mas tenho certeza que Tsubaki irá cair.

O Ronin deixa moedas na mesa e passa a caminhar para fora do estabelecimento:

–Pessoas más, porém ricas nunca pagam. Diz o Homem

O Ronin para, olha para o lado:

–Errado, homens como Tsubaki- Oda sempre caem, seus nomes são lembrados como sujos e suas vitimas são glorificadas, não se preocupe, pois as gerações futuras conhecerão seus contra tempos e os verão como heróis. Diz o Ronin

O homem fica com uma expressão confusa, como que não tendo entendido o que foi dito pelo Ronin. O solitário andarilho passa a caminhar para a fortaleza do terrível Oda, seu caminhar é tranquilo e seu olhar não esboça preocupações. Ele está numa estrada de terra, já fora da aldeia quando um soldado de Tsubaki passa por ele, rumando para a cidade.

O Ronin espera o soldado se distanciar e passa a persegui-lo à distância. O soldado, percebendo a perseguição olha para trás, o Ronin não para de caminhar. O soldado, o soldado para de caminhar e olha mais uma vez para trás e o Ronin continua a segui-lo.

–Homem, está armado próximo a um soldado do senhor Tsubaki-Oda. Diz o soldado orgulhosamente

O Ronin para de caminhar e coloca sua mão sobre a Katana

–Uma marionete do senhor Feudal. Diz o Ronin

–Marionete? Sou um Soldado Exaltado do grande Oda e de seu reino. Diz o soldado

–Reino? Ele já considera uma submissa província como sendo um reino? Dê-me a armadura e pouparei sua vida. Diz o Ronin

O Soldado tira sua Katana:

–O que disse?

–Soberbo Soldado, não desejo derramar sangue. Eu imploro me entregue à armadura. Reafirma o Ronin

O Jovem Soldado parte para cima do Ronin, que se abaixa e decepa as pernas do soldado com um rápido golpe de espada. O Soldado, agora aleijado, cai no chão. Ele está em choque e está tremendo. O Ronin se aproxima dele e se agacha:

–Não precisava ser assim. Diz ele

O soldado treme até finalmente adormecer na morte. O Ronin fecha os olhos do defunto, leva seu corpo para a floresta, se apossa de sua armadura e enterra o corpo do soldado, fazendo um santuário de pedras empilhadas em homenagem ao jovem soldado, prestando também as devidas condolências.

O Ronin veste a armadura e volta a andar rumo ao castelo de Tsubaki. Chegando aos portões, dois soldados o param:

–Ei, não me lembro de você. Diz um dos guardas

O Ronin, tentando manter sua atuação, se cala. O Guarda olha para o outro guardião:

–Ryuki-San, lembra-se desse rapaz? Pergunta

–Hum, deixe-me ver. Diz Ryuki

O guarda Ryuki olha para o Ronin, tentando reconhece-lo:

–Não lembro Miray-San, mas são muitos e nós nunca vimos todos. Diz Ryuki

–Como não? Trabalhamos nos portões a anos! Exclama Miray

O Ronin fica impaciente:

–Me deixem entrar, eu estava em missão na cidade! Diz ele

–Que tipo de missão? Pergunta Miray

–É apenas para os ouvidos de Tsubaki, pense no porque de mandar apenas um, é uma missão discreta. Diz o Ronin

Os dois guardas se surpreendem:

–Bem, se é assim, entre.

Os portões se abrem, o Ronin está diante de seu objetivo. Ele entra, os portões se fecham. Agora é vencer ou morrer.

Notas finais
Próximo capítulo-Sangue Derramado