Notas iniciais
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And the Boys

Lynse

Parte I

Uma nova explosão foi ouvida.

Alguns garotos correram para ver o que tinha acontecido.

As noticias diziam que um novo ataque terrorista ocorreu e havia centenas de feridos no local, um prédio corporativo.

Não muito longe dali caças estavam em treinamento. Atividades assim tinham se tornado comum. Era tudo como se uma nova guerra fria estivesse a começar, ou talvez já tenha começado, mas a população era mantida sem saber de nada.

Ali perto tinha um prédio antigo, na verdade apenas uma carcaça. A construtora faliu e com a economia destruída da cidade a construção parou no tempo. Os alicerces já estava há mais de 12 anos sem nada ser feito, mas tinha uma boa estrutura. Ninguém se importava. Tinha virado um tipo de moradia para jovens abandonados que fugiram de casa e abandonaram a pátria para não ter de ir ao exercito levar rajadas de bala pela pelo governo.

E no ultimo andar, na cobertura não terminada, havia muita sujeira e materiais de construção abandonados, latas de tinta azul por todo o lado. Mas ai começa-se uma nova história, um novo relato.

Um garoto de cabelos descoloridos numa mistura estranha de cinza se encontrava. Se as pessoas olhassem para cima, iriam achar que era alguém planejando suicídio, mas não era.

Ele sentava se na beirada da laje, mão apoiadas no chão sujo sustentando todo o peso do corpo, pernas soltas no ar. Ele olhava com olhos indiferentes, sem sentimento algum, para o céu. Os olhos esverdeados, claríssimos, pareciam ter perdido todo o brilho, eram vazios, como uma marionete sem vida. Estavam fixos no sol que se punha no finito horizonte.

A noite começava. O crepúsculo no fim do dia eram uma das coisas mais belas daquela cidade que parecia ter sido esquecida no mundo. Havia usinas espalhando fumaça poluente. Lixo. Pessoas que andavam pelas ruas como bonequinhos de brinquedo, sem esperança. Não tinha mais vida ali. Era uma cidade do futuro que parecia um grande lixão. A ferrugem que se balançava no ar era uma bela atração a parte. E mostrava como tudo parecia estar enferrujado, destruído, dilacerado.

Isso também era visto nas roupas habituais do personagem que foi esquecido por alguns parágrafos. Camiseta xadrez vermelha velha e com alguns furos. Calça de material resistente como o jeans rasgado em vários pontos devido a tantas fugas e quedas, coturnos pretos em forma de tênis. Na mão direita uma luva sem dedos preta de couro, na outra uma faixa branca que foi enrolada até o antebraço, cobria alguma espécie de ferimento e possuía manchas de sangue.

Passos se aproximavam na escada que levava a cobertura e logo um ranger no último degrau de madeira. O jovem se levantou num pulo, talvez receie por o que poderia estar vindo.. Seus pés ficaram rentes à beirada, o garoto levou uma das mãos ao rosto, o sol direto em seus olhos incomodava um pouco. Os passos ouvidos antes ficaram mais fortes e rápidos e uma mão mecânica logo apareceu segurando o braço do louro. — Lyon! – O tom era de repressão.

O menino de cabelos descoloridos olhou o outro jovem com calma e um leve sorriso formou-se em seus lábios rosados.

- Achei que ia...iria...! – A voz mostrava certo desespero.

- Você sabe que não, Cys... – Interrompeu o outro, logo respondendo amigavelmente.

- Quando eu te vi na beirada... Lembrou o Lens. Desculpe. – Lens...

- Tudo bem, esquece. Já tá tarde, eu estou faminto... Trouxe alguma coisa?

- Eu recebi o pagamento da semana, mas não deu pra comprar muito. Esse lugar está afundando... – Com a mão humana ele ofereceu um pacote de papelão ao amigo, que aceitou sorridente.

- Tortas de cereja! Onde achou? Achei que essas coisas tinham desaparecido.

- Eram os últimos, foram difíceis de conseguir, então não desperdice nenhum. – Sorria animadamente.

- Valeu, cara.

Cys era alto, pele branca, pintava os cabelos de vermelho e tinha olhos azulados, mistura de verde e azul, uma mistura de melanina não muito comum. Ele vestia um casaco preto por cima de uma camisa jeans e uma blusa branca e calças também jeans, um jeana de um azul escuro, mas não preto.

O ruivo sentou se no chão cruzando as pernas, logo tendo o gesto imitado pelo amigo.

- Alguma coisa pra hoje ainda?

- Aquele lance com os caras da zona sul...

- Drogas de novo, Lyon? – Seu tom não era repreensivo, era apenas uma triste pergunta retórica.

- O dinheiro é bom... Pelo menos dá até a próxima semana, as coisas estão difíceis.

- Eu sei, eu sei Leo... Mas não é bom se envolver muito com isso, eu posso...

- Cys, eu sei que você quer ajudar, mas eu não posso ficar dependente de você...

- Mas... — Lyon olhou-lhe tristemente – E seu pai? – Você não pode voltar pra Lasso?

- Você sabe que não, Cys... – Mordeu o ultimo pedaço do doce de cereja e se levantou estendendo a mão para o ruivo, ajudando-o a levantar. – Não insiste mais nisso, por favor...? – sussurrou.

Lyon conhecia ele há cinco anos...

...

Lyon e o amigo desciam as escadas do prédio a passos rápidos. O garoto falava ao celular com um tom preocupado. A conexão não parecia estar muito boa e o garoto não ouvia bem a pessoa que falava.

- Trinity? Trinity?! – Cys gritava inutilmente, a ligação se perdeu.

- E aí? – Perguntou o louro para o outro.

- Eu não ouvi direito o que ela disse. Parece algo sobre um toque de recolher e uma gangue ter dominado essa parte da cidade. Eu não entendi o resto, acho que a Trinity estava nas docas, lá o sinal não funciona bem...

- Gangue, pra cá? Ah, era só o que faltava. – Lyon se manifestou e já se preparava para pular diretamente para o próximo andar de escadas quando teve seu braço agarrado pela mão cyborg.

- Calma Lyon. Pra onde? – Largou o braço do amigo.

... – Silêncio.

- Vamos descer as escadas devagar pensando, tá? Não precisa sair correndo igual um condenado. – Riu.

- Claro, mamãe, mas é o que nós somos mesmo. – Riram.

Desceram a passos lentos a escadaria, pensando calmamente para onde ir e o que realmente estava acontecendo por ali.

- O norte? Lá tem varias casas abandonadas. Mas é um pouco longe... – Disse o cyborg quando já estavam saindo do prédio.

- Acho que a gente vai passar a noite em branco – Disse Lyon em tom preocupante. Cys estava virado estava de costas para o amigo, observando a cidade, e tendo seu braço puxado desesperadamente por atenção.

- Que foi? – Virou-se e logo se arrependeu. Seus olhos arregalaram-se, parecia estar um pouco assustado.

Saques, veículos em chamas, estabelecimentos pegando fogo, pneus queimando, e todos os tipos de armas e bombas caseiras eram vistas nas mãos dos arruaceiros.

- Briga de gangues – Engoliu em seco. Lyon estava paralisado, nem percebendo ou movendo-se enquanto o amigo tentava inutilmente tira-lo do lugar.

Uma explosão no edifício ao lado dos garotos acabou por chamar a atenção dos vândalos para eles

- Anda cara... Leo!

Passos forte, rostos de cicatrizes adornados por sorrisos maldosos e uma parte da gangue se aproximava dos jovens...

...

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.