And My Veins Got Drained.
1 Ichiro. First drop.
Meus braços tremiam como poucas vezes haviam tremido em toda minha vida. Ou em toda minha morte. Aquelas orbes que brilhavam de forma cristalina e me motivavam agora estavam fechadas. Talvez fosse por isso que eu conseguisse agir. Eu não podia com prata, talvez fosse por isso que o crucifixo de meu pescoço fosse feito de ouro branco, e agora, estivesse no pescoço frágil dele. Meu querido, amado e pequeno Ichiro. Quantas noites eu esperei para poder vê-lo e lhe abraçar com todo o amor de pai? E agora, inclusive por lhe amar tanto, eu tinha que tomar essa atitude.. Que pai eu seria? Incapaz. Puxei o pequeno corpo, frágil, enrolado na manta azul-bebê para próximo de mim, e apertei como se quisesse que viesse para dentro de meu peito, de meu coração, e não pudesse sair mais. Mas novamente eu estaria sendo egoísta em levar sua vida, aquela que você nem havia começado a viver. Uma lágrima rubra desceu pela maçã de meu rosto. Amor. Dor. Os dois juntos. Afastei-o e o deixei dentro de uma pequena cesta. Clichê? Eu não sei dizer, só achei que seria o mais adequado. Ví as sombras no quarto, elas eram um bom meio de locomoção, mas.. Seriam tão rápidas. Um último momento com você, e acabar com tudo tão rápido? Eu não conseguia. Direcionei-me para a porta de entrada, e saí. O céu noturno estava limpo, nem mesmo uma nuvem, e as luzes fracas da rua permitiam que as estrelas brilhassem. Passos, passos silenciosos. Tristes. Assim permaneceram, e eu sabia que a cada passo que eu dava, eu me distanciava de você, de tudo, e dessa quase vida. Não foi preciso muito tempo para que eu visse a casa em questão. Entrei por uma sombra com você, e saí dentro da casa silenciosa. Tão silenciosa quanto eu, e quanto você.
- O papai sempre vai amar você...
Sussurrei, escorregando o indicador por sua bochecha macia, e deixei no canto do bercinho uma carta em envelope branco. Assim que você aprendesse a ler, poderia saber o que estava alí, a não ser que Kouyou o fizesse para você. No fundo não faria tanta diferença assim que daria vida às palavras já mortas.
“Ichiro, minha pequena luzinha...
Eu realmente sinto muito por saber que não vou poder ouvir sua primeira palavra. Me pergunto se será algo como “papai” ou “Kou”. Você realmente se parece muito com seu pai. Me pergunto também se vai algum dia me perdoar por deixar você assim, tão cedo, antes mesmo de ter consciência de quem sou. Mas acredite, é mais fácil deixar algo ir, antes de realmente saber o que se tinha. Não vou lhe deixar se apegar a mim, assim como me apeguei a você, porque agora eu sei o quanto dói. Me perdoe por tudo, meu bebe.. O papai sempre vai amar você, não importa aonde. Já sinto sua falta.
Yuuki Hiroaki Hellvahad.”
Deixei o berço que a tanto se assemelhava a uma cesta sobre a mesa da sala de Kouyou, e me afastei, subindo as escadas.
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