Notas iniciais
Desculpem a demora.
O Anime Friends tomou todos os meus dias e a vida não foi fácil nesse tempo.

Tomou um banho rápido, vestiu-se e foi encontrar os outros. Aquele dia iriam atrás da última pena, e por isso o clima estava um tanto pesado. Iriam cada um para seu lugar de origem. Não. Os que sobrevivessem àquilo iriam. Seu estômago deu um nó ao lembrar-se do sonho ruim que tivera na noite passada.
Andavam todos a passos rápidos próximos à um campo gramado imenso, quando de repente foram atacados por algo que era invisível aos seus olhos devido à uma barreira que Phi logo quebrou. Logo, todos puderam ver a imensa criatura que os espreitava. Alguns golpes desviados e o monstro percebeu que a princesa era a mais protegida, passando a investir seus ataques somente nela.

- TIREM ELA DAQUI! – gritou o ninja – EU CUIDO DELE.

- Não podemos deixar ninguém pra trás! PU! – respondeu Mokona.

- Tudo bem maria-mole, logo eu alcanço vocês! – disse caminhando em direção à criatura. Virou para trás, podendo ver os outros se distanciarem enquanto Phi ainda o olhava.

- Eu prometo alcançar vocês – sussurrou mesmo sabendo que o outro não poderia ouvi-lo e então observou o loiro partir junto com os outros.

E durante toda a luta o moreno preocupou-se em derrotar o inimigo logo e permanecer vivo. Ele precisava disso. Sentia que precisava viver.

Logo à frente, foram atacados novamente por uma criatura de três cabeças, semelhante à um cão, e Shaoran pediu que Phi continuasse com Mokona e a princesa Sakura, pois o oponente usava seu estilo de luta. E mesmo relutante em deixá-lo sozinho, o loiro cedeu e continuou a caminhar com os outros dois.

Caminharam mais um pouco, esperando sentir o poder da pena a qualquer momento.

- Parem! – anunciou o mago de repente.

- Phi o que houve? – perguntou a criatura mágica.

- É uma armadilha – respondeu sem desviar os olhos do caminho à sua frente.

- Mas eu não sinto nada diferente – insistiu Mokona.

O loiro abaixou pegando um graveto e jogou-o contra a barreira, e ambos puderam ver a madeira atravessar uma parede invisível, e desaparecer. Aquilo funcionava como um espelho, por isso, era impossível saber o que tinha dentro, mas não se sabia se o que entrava saia.

- O que há la dentro?

- Não sei – respirou fundo – Mokona – chamou Phi – mesmo a princesa estando desacordada, você consegue protegê-la, pelo menos por algum tempo, não é? – perguntou sorrindo fraco.

- Hai – respondeu inseguro.

- Então por favor, cuide dela. Eu vou entrar – disse determinado.

- Phi! Não sabemos o que tem la dentro! E você mesmo disse ser uma armadilha!

- Mokona, estão todos se arriscando. Sabíamos que correríamos riscos durante toda a viagem – acalmou-o – E para uma proteção deste tamanho, é bem provável que a pena esta la dentro.

- Phi... – resmungou choroso.

Phi gravou na memória a figura dos dois ali. Mokona que sempre os ajudaram e alegrava a todos, e a princesa, que mesmo dormindo transmitia bondade e gentileza. Voltou-se para a barreira, tocando-a. Forçou os braços e logo foi sugado para dentro. Por dentro era tudo branco, e seus olhos demoraram a se acostumar com a claridade de la, e então tudo que pode ver foi Fei Wang segurando a última pena dentro de um cristal numa mão, e o graveto que atirara segundos antes na outra, enquanto mantinha preso e torturado Seishirou.

- Ora vejam só quem veio se juntar a nossa brincadeira Seishirou! – disse sorrindo maleficamente.

- Mas o que-

Não terminou de falar, para desviar do graveto atirado contra si como uma flecha.

- Ah, vejo que suas habilidades melhoraram incrivelmente! – riu-se Fei.

- Tsc – reclamou ao sentir o corte no braço. Precisaria se concentrar nesta luta mais do que imaginou.

E enquanto todos lutavam ali, a princesa lutava contra o próprio destino, contra as próprias memórias em seu interior. Kurogane derrotou seu inimigo, e agora ajudava o menino Shaoran. Enquanto isso, Mokona protegia a garota, e Phi lutava dentro da barreira que se enfraquecia com o tempo.

Tanto o loiro quanto seu inimigo estavam enfraquecendo com o passar das horas. E Seishirou nem se manifestara. Achou melhor nem pensar no que ele fora feito a ele. Não agüentaria muito tempo.

- “Mokona!” – chamou-o mentalmente – “Ligue-me à Yuko-san, por favor!”

Logo a feiticeira veio-lhe na mente.

- Queria falar comigo Phi? – perguntou a mulher.

- Sim Yuko-san. Perdoe-me por incomodá-la, mas eu queria negociar – disse a ela telepaticamente enquanto desviava de um golpe.

- Estava esperando sua ligação – ela suspirou. Ele não a via, mas sabia que naquela hora a feiticeira sorria melancólica. Podia sentir.

- Preciso de uma magia da minha antiga tatuagem que vendi para a senhora – disse desviando de outro golpe parando o mais longe possível do adversário para negociar o feitiço sem ser descoberto – Preciso de uma magia para destruir Fei Wang – respondeu determinado.

- Para tudo existe um preço. Sabes disso, não é Phi?

- Sim senhora.

- Neste caso, não vou cobrar-lhe o que mais te importa Phi – disse a morena para a surpresa do mago – Sei que o feitiço não será para você.

- Então... Qual será o preço?

- Veja Phi, que não sou de abrir exceções no meu negócio, porém matar Fei Wang, também será lucrativo para mim, depois daquele desfalque que ele me deu – parou, mas logo retomou a falar – Darei o feitiço a você. Mas devo alertá-lo de uma coisa. Você sabe o que acontece com quem pratica um feitiço de aniquilação nível S, não sabe Phi?

- Sei – respondeu duro.

- Muito bem Phi – o loiro sentiu o pulso esquentar – Espero que realmente saiba o que está fazendo. Tudo tem consequências. Adeus.

Olhou para o pulso, e um fragmento de sua antiga tatuagem estava gravado ali.
Mais um golpe. Estavam ambos acabados. Esgotados. A barreira por fim acabou se rompendo e ele pôde ver a princesa adormecida no chão ao lado da pequena criatura mágica. Pode ver também bem Kurogane e Shaoran se aproximando no horizonte. Mas foi rápido. Concentrou-se no oponente a sua frente.

Kurogane pode ver o mago logo à frente, lutando nada mais nada menos que contra Fei Wang. Viu que este estava esgotado, mas o loiro também estava. Não aguentariam muito mais. Viu Phi juntar as mãos, e cerrar os olhos. Uma nova barreira surgiu em torno deles. O tempo começou a mudar. O céu foi escurecendo rapidamente, tornando-se cinza, nublado e sem vida. Iria chover, com certeza.

O mago começou a recitar os encantamentos enquanto sentia toda a sua força ser sugada para o braço. Viu também que Fei, assim como ele, perdia as suas. A barreira foi se tornando opaca gradativamente.

O coração do ninja apertou-se. O que ele estava fazendo? Não. Não. Não. Ele não podia fazer aquilo. Andou até a barreira, grudando ambas as mãos nessa, batendo com toda a sua força, tentando ao menos chamar a atenção do mago la dentro. Mas não funcionou, e ele lhe foi sumindo da vista, bem devagar.

Fez-se silêncio. Todos ali se limitaram a apenas respirar. A princesa agora despertava aflita. Ela podia sentir Phi desaparecendo dentro da grande bolha branca. Passaram-se alguns minutos e nada. Mais algum tempo. O silêncio ainda se fazia presente.

De repente a barreira estourou com uma sutileza inacreditável, e a névoa de dentro começou a dissipar.

Kurogane não esperou sequer mais um segundo, e entrou em meio ao vapor que havia ali.

- Kurogane-san! – gritou a princesa Sakura tentando pará-lo.

Não conseguia enxergar nada ainda. Quando a névoa abaixou mais, pode ver apenas o corpo do loiro estirado no chão, ao lado da pena ainda dentro do cristal. Caminhou rapidamente até o corpo. Estava imóvel.

- PHI! – gritou tentando acordá-lo. Abaixou pagando-lhe a cabeça – Phi! Por favor levanta! – pediu sentindo os olhos se encherem – Por favor, acorda – beijou-lhe os lábios com ternura.

Os outros se aproximaram compartilhando da dor do ninja. Este pegou o cristal, que se rompeu com o toque, deixando a pena somente, e entregou-a nas mãos do garoto.

- Dê a ela garoto. É a última – disse Kurogane de cabeça baixa.

O menino assentiu, e devolveu a última pena a Sakura, que desmaiou em seguida.
Mokona pousou no ombro do moreno, que abaixou pegando o corpo do mago nos braços.

-Kuro-pu... – chamou o bichinho branco escondendo o rosto no pescoço do ninja.

Kurogane acariciou os fios loiros em suas mãos.

- Eu disse que não ia te deixar fazer isso. Me desculpe. – sussurrou mesmo sabendo que ele não iria ouvi-lo. Não mais.

Logo foram inexplicavelmente levados até o templo da feiticeira das dimensões.

- Parece acabou, não é? – disse a morena ao recebê-los.

Ninguém se pronunciou, e Kurogane ainda segurava o corpo inerte que perdia calor em seu colo.

- Muito bem Shaoran, Sakura, os mandarei de volta para seu país de origem.

Entreolharam-se, e logo depois se voltaram para o moreno.

- Sentimos muito pelo que aconteceu – disse a menina com lágrima nos olhos.

- Kurogane-san, serei eternamente grato a tudo que fez pela princesa e por mim. Eu sinto muito.

O mais alto limitou-se a apenas assentir, apertando mais o loiro contra si, vendo os dois jovens desaparecerem de sua vista.

- Eu sinto muito Kurogane – a feiticeira falou olhando para Phi.

- Mokona quer o Phi de volta – choramingou indo para o colo da mulher.

Começou a chover.

- Senhora Yuko? – chamou Kurogane.

- Pois não.

- Sei que foi o acordo, mas depois de tudo, eu realmente queria que a menina se lembrasse dele, do garoto.

A feiticeira arregalou os olhos surpresa com o pedido.

- Não tenho nada para ofertar. Por isso, tome o que quiser.

A morena emudeceu. Ele havia surtado?

- Ouça Kurogane – ela começou – Existem algumas coisas que fogem da minha mão.

- Por favor senhora Yuko – caiu de joelhos no chão. Esgotado. Mas não largaria o mago um segundo sequer – A pior sensação é esquecerem você, e você nunca se esquecer das pessoas. Eu não vou saber viver daqui pra frente mesmo. Vida é quando vale a pena não é?

Ela sorriu.

- Creio que tens certeza do teu pedido.

Ele assentiu.

Os corpos sem vida ficaram jogados no chão, enquanto a chuva os levava para longe, onde ninguém mais poderia separá-los. Nem seus mundos, nem os inimigos, nem o tempo.

É algo sobre inevitabilidade o modo que nada conseguiu mantê-los separados. Nem o egoísmo de um, ou a ausência de esperança do outro. Ou nem mesmo a morte, no fim.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e leiam uma próxima (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!