And I Love Him
12 Capítulo 11 - Lembranças que machucam
Notas iniciais
“ — Há mais ou menos 10 anos, eu era um garoto solitário. Eu tinha muita dificuldade em conversar com as pessoas e em fazer amigos, mas ao mesmo tempo eu tentava ao máximo parecer feliz, pois eu gosto quando as pessoas sorriem. Acho que eu sorria muito pra que ninguém notasse a verdade: eu estava triste e solitário. Minha mãe era muito doente, mal saía da cama, e meu pai... Bem, ele fugiu de casa quando eu tinha 2 anos. Mas eu não podia deixar de sorrir, estivesse triste ou até mesmo com raiva. Eu não podia demonstrar fraqueza. Me lembro bem de quando as coisas começaram a mudar. Eu estava aqui, neste mesmo balanço, brincando sozinho. Era uma coisa bem normal, até; afinal, eu não tinha amigos. Neste dia, porém, eu vi uma garota se aproximar e se sentar naquele balanço do outro lado. Ela estava sozinha e com uma feição triste a olhar para o chão. Fui até ela, eu queria brincar. Não sei o que deu em mim, foi a primeira vez que tentei me aproximar de alguém. Eu sorri e estendi a mão para ela. Ela me olhou; seus cabelos eram escuros como a noite e seus olhos... eram os mais lindos que eu já vi. Eles tinham um tom de violeta, quase roxo, e eram tão profundos. Ela se afastou, parecia ter medo. Eu fui até ela e ela correu. Eu não sabia o que fazer, então corri atrás dela. Acho que nós corremos muito até que ela cansou e se sentou novamente no balanço. Eu coloquei a mão em sua cabeça e seu cabelo, macio como a lã, se infiltrou entre meus dedos. Aquilo com certeza a deixou mais calma com relação a mim. No entanto, ela começou a chorar. Eu fiquei desesperado, sem reação, e então comecei a pedir desculpas. Eu não queria machucá-la. Ela, porém, riu enquanto me olhava.
‘- Obrigada! Qual o seu nome? – Ela disse, enxugando as lágrimas, e sorriu.’
‘ — Tetsuya Hibari. E o seu? – Eu sorri de volta.’
‘ — Sasha... Sasha Sawada.’
O rosto dela se iluminou. Foi o melhor dia da minha vida. Nós brincamos juntos até anoitecer. Ela foi minha primeira amizade. Depois disso nos aproximávamos cada dia mais. Nós nos encontravamos todos os dias, passamos por altos e baixos juntos, e sorriamos independente do que acontecia. Eu nunca achei que algo ruim pudesse nos abalar, ou melhor, me abalar.
Era véspera de Natal e nós estávamos aqui novamente, conversando.
‘- Já se passaram 5 anos, né?! – Ela disse, suspirando.’
‘- Sim. Nunca pensei que pudesse ter uma amiga por tanto tempo. – Eu disse e olhei para o céu. ’
‘- Lógico que você pode. Você é carismático... ’
‘- Eu sei, sou sempre carismático. – Eu a interrompi. ’
‘- Não era isso que eu ia falar. Eu estava dizendo que você consegue ser carismático às vezes, se tentar muuito. – Ela virou o rosto, fingindo que estava com raiva. ’
‘- Eu tava brincando, Sasha. Não fica assim. Você é tão legal, e eu não gosto quando você me ignora. – Eu disse, fingindo que ia chorar. ’
‘- Sério mesmo??? – Ela me olhou. Suas bochechas estavam tão coradas que até mesmo eu estava envergonhado com aquilo. ’
‘- Si-sim. Você é gentil e meiga, sabe. – Eu disse, olhando nos olhos dela. Acho que fiquei vermelho – Acho que nunca disse disso, mas seus olhos são lindos, também. – E sorri. Ela pareceu ter ficado ainda mais vermelha, e levantou o mindinho. ’
‘- Promete vir aqui amanhã? Será natal, e eu quero te dar um presente. ’
‘- Eu prometo. – E peguei o mindinho dela com o meu. ’
Nos levantamos e fomos embora. Eu adorava o natal e estava muito ansioso. Naquela época minha mãe estava sempre sorrindo e nós comiamos muito bem, e era um bom momento para agradecer por ter a amizade de Sasha. Cheguei em casa, dei um beijo em minha mãe e fui dormir.”
Tetsu começou a chorar. Fuyu ainda o olhava, segurando as lágrimas. Seu coração estava apertado. Ela jamais imaginou que um dia o veria daquele jeito.
“Eu acordei cedo no dia seguinte. Não consegui dormir muito bem durante a noite, pois estava muito ansioso. Levantei bem rápido e olhei pela janela; havia neve e muitas luzes, além da típica decoração. Estava tudo muito lindo. Corri até o quarto de minha mãe e pulei em sua cama.
‘- Mamãe, mamãe, é natal! Vamos levantar, festejar. Vem comigo, eu vou comprar um presente pra você. ’
Eu sorria, estava muito feliz. Mas ela não me respondeu. Seus olhos estavam abertos e ela olhava fixamente para o teto, sem esboçar reação alguma. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu peguei sua mão. Estava fria, muito fria. Nesse momento eu percebi que a morte já havia tirado de mim o meu bem mais precioso. Eu a segurei pelos ombros e a balancei. Já não enxergava, tamanha era a quantidade de lágrimas que escorriam dos meus olhos. Eu gritava para ela parar de brincar comigo, eu queria acreditar que ela acordaria. Então eu entrei em desespero e sai correndo. Eu precisava que alguém me ajudasse. Eu precisava da minha mãe. A primeira e única pessoa que veio a minha mente foi Sasha e então eu fui, numa corrida frenética e desnorteada, até o parquinho. Eu esperava encontrá-la lá, mas eu não a vi em lugar nenhum. Então me dirigi a casa dela involutariamente. Ao chegar lá, me lancei contra a porta com toda força que tinha. Quem abriu a porta foi o pai dela. Ele já me conhecia e me chamava de Tet, e sempre me perguntava como ia meu namoro com a filha dele. Cara, aquilo realmente me deixava envergonhado e me fazia querer voar nele.” – Tetsu riu entre lágrimas ao se lembrar disso, e ficou sério repentinamente. “ – Mas dessa vez ele não fez isso. Ele estava surpreso ao me ver ali e estava bem sério. Na verdade, ele parecia tão triste quanto eu. Ele não disse nada, somente me olhou.
‘- Me ajuda, por favor... a minha mãe... a minha mãe tá... cadê a Sasha? – Eu gaguejava, pois não conseguia controlar o choro. ’
Ele se surpreendeu e foi em direção ao telefone. Talvez ele fosse pedir socorro, ou sei lá. Então eu vi a mãe da Sasha sentada no chão, chorando talvez até mais do que eu. Fui até ela e a abracei.
‘- Não precisa chorar. Minha mãe vai ficar bem. – Eu queria animá-la, mesmo que aquilo não fosse verdade. ’
‘- Não é isso, Tet... desculpa... a Sasha... a Sasha morreu. – Ela disse, e seu choro ficou ainda mais alto. ’
Eu senti que estava flutuando. Eu não sabia como reagir. Eu havia perdido o chão e não tinha forças mais. Meu corpo estava fraco. Eu tremia e percebi que minhas lágrimas haviam aumentado. Eu não aguentava segurar e minha garganta ardia. Me levantei, cambaleando, e comecei a correr desesperadamente, sem rumo algum. Corri por muito tempo, mas eu não via nada. Não havia carros, casas, pessoas. Nada aparecia pra mim. Minhas vistas estavam embaçadas demais para ver alguma coisa. Pensando bem acho que ouvi um som de buzina bem distante, mas não tenho certeza. Eu estava em choque. Cheguei a uma floresta e subi uma montanha. Escorreguei várias vezes e me lembro de muitos machucados, mas eu não sentia dor física. Meu emocional já estava abalado o suficiente para me deixar anestesiado de qualquer outra dor. De repente, eu estava no topo. Não sei exatamente como foi que eu cheguei lá, não me lembro.
‘-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH. MÃAAAAAAAAEEE. VOCÊ ME PROMETEU QUE NUNCA IA ME DEIXAR. – Eu olhava para o céu, mas só via borrões. Meus joelhos se chocaram contra o chão. – SASHHHHHHHHA, VOCÊ FEZ UMA PROMESSA DE MINDINHO COMIGO ONTEM, LEMBRA? NÓS IAMOS NOS VER HOJE DE NOVO E EU FINALMENTE IA PODER TE DAR O QUE EU SEMPRE QUIS. – Soquei o chão com a mão direita e senti um liquido escorrendo por ela. – POR QUE??? POR QUE VOCÊS DESCUMPRIRAM SUAS PROMESSAS? – Soquei o chão com a outra mão e senti novamente um liquido quente escorrer. ’
De repente, anoiteceu. Eu ainda chorava quando isso aconteceu e suplicava para que tudo não tivesse passado de um mal entendido. Eu perdi as duas únicas pessoas que eu amava verdadeiramente no mundo. Eu não podia acreditar que fui tão fraco a ponto de não conseguir fazer nada para salvá-las. Eu agora estava sozinho. Me levantei, sequei minhas lágrimas e dei um leve sorriso triste para o céu.
‘- Descansem em paz. Eu amo vocês. ’ – E comecei a descer a montanha, em direção a lugar nenhum. Eu não queria voltar pra casa. Uma hora dessas o corpo da minha mãe com certeza já havia sido tirado de lá. Mas eu não queria voltar à realidade assim, então fui pra pracinha, me deitei no banco e adormeci lá mesmo. "
Fuyu estava chorando e Tetsu a abraçou. Logo levantou e a olhou.
– Foi mal, Fuyu. Eu não quero mais falar sobre isso. Quem sabe outro dia eu acabe a história. – E saiu andando, deixando-a no balanço.
“No dia seguinte, senti uma mão me balançando. Abri os olhos e me deparei com dois grandes olhos roxos a me olhar.” — Pensava Tetsu. “Eu me assustei com aquilo.
‘- Sasha!!!!! Sasha, é você?! Eu sabia que você não havia me abandonado. – Levantei-me rapidamente e abracei-a com todo força que podia. ’
‘- Me larga, menino. Eu, hein. O que você acha que tá fazendo, moleque? – Ela me empurrou e eu caí sentado. – Eu não sei quem é Sasha, mas tenho certeza que não sou eu. ’
‘- Me desculpe. É que você realmente se parece com uma amiga minha. – Eu disse, olhando-a. Não podia acreditar que ela não fosse a Sasha. Tinha os mesmos olhos roxos e o mesmo cabelo cor de noite. Elas tinham a mesma altura e o mesmo jeito de sorrir. Eu não sabia quem ela era, mas eu sentia que devia protegê-la. – Meu nome é Tetsuya... Tetsuya Hibari. ’
‘- Tetsuya... Vou te chamar de Tetsu. Meu nome é Fuyume Ishikawa, mas pode me chamar de Fuyu. ’
‘- Fuyu... ’
E conversamos durante o resto do dia. A partir desse dia, eu prometi que faria todos sorrirem e que eu protegeria qualquer um que se aproximasse de mim. Eu não perderia mais ninguém. Acho que me apeguei demais a você. Eu te amo, Fuyu.” – E sorriu.
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